Análise biomecânica instrumental da técnica de judô Morote Seoi Nage, através de uma metodologia de treinamento

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“Análise Biomecânica Instrumental da Técnica de Judô Morote Seoi Nage, Através de uma Metodologia de Treinamento” EDUARDO YOSHINORI NAGATA EDUARDO YOSHINORI NAGATA ANÁLISE BIOMECÂNICA INSTRUMENTAL DA TÉCNICA DE JUDÔ MOROTE SEOI NAGE, ATRAVÉS DE UMA METODOLOGIA DE TREINAMENTO Dissertação apresentada à Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, para a obtenção do título de Mestre em Engenharia Mecânica na área de Projetos e Materiais. Orientador: Prof. Dr. Tamotsu Hirata Guaratinguetá 2010 N147a Nagata, Eduardo Yoshinori Análise biomecânica instrumental da técnica de judô Morote Seoi Nage, através de uma metodologia de treinamento / Eduardo Yoshinori Nagata . – Guaratinguetá : [s.n.], 2010 80 f. : il. Bibliografia: f. 73-78 Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 2010 Orientador: Prof. Dr. Tamotsu Hirata 1. Biomecânica I. Título CDU 612.766 DADOS CURRICULARES EDUARDO YOSHINORI NAGATA NASCIMENTO FILIAÇÃO 2003/2006 2007/2009 2008/2010 11.01.1976 – SÃO PAULO / SP Mario Kuniyoshi Nagata Keiko Nagata Curso de Graduação Escola Superior de Cruzeiro (ESC) Curso de Especialização em Treinamento Desportivo na Escola Superior de Cruzeiro e Fisiologia do Exercício na Universidade Federal de São Paulo. Curso de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, nível de Mestrado, na Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá da Universidade Estadual Paulista. de modo especial, aos meus pais, que foram grandes incentivadores para que eu terminasse o curso, e aos meus irmãos. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço a Deus por ter conseguido terminar mais uma etapa da vida acadêmica. Ao meu orientador, Prof. Dr. Tamotsu Hirata que jamais deixou de me incentivar. Sem a sua orientação, dedicação e auxílio, o estudo aqui apresentado seria praticamente impossível. Aos meus professores Massao Shinohara e Luiz Juniti Shinohara que me deram todo o ensinamento sobre judô. Aos meus amigos Walter Tupinambá, Juan Galvarino, André Koji Fujimoto, Daniele Coré, André Luiz Reis e Daniel Bortolazzi, pela colaboração na pesquisa. Aos atletas Douglas Pimentel e Lucas Matsumoto pela participação na experiência. A toda equipe de judô da Unesp em especial a Felipe, Riul, Marcus, Hélber, Gabriel. Denis, Kelwin, Leonardo, Hédelyn, Alisson, Saymon e Rafael, que participaram das experiências e que proporcionaram a realização da pesquisa. Aos professores doutores Victor Orlando Gamarra Rosado, João Alberto de Oliveira, Araildo Lima da Silva e Luiz Fernando Costa Nascimento pela dedicação e empenho nas aulas. A professora Dorinha, ao Urbano, ao Eduardo, a Rose, a Ellen, pela colaboração. Ao Mário e Ana da UNAMOS que gentilmente emprestaram a balança. A todos os amigos da república pela paciência que tiveram e pela ajuda durante todo o período estudantil. Este trabalho contou com apoio da: - CAPES – através da bolsa CAPES DS pelo programa de Demanda Social. NAGATA, E. Y. Análise biomecânica instrumental da técnica de judô Morote Seoi Nage, através de uma metodologia de treinamento. 2010. 80 f. Dissertação de Mestrado (Mestrado em Engenharia Mecânica) – Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá, 2010. RESUMO O judô é um esporte muito praticado no mundo. Para o seu desenvolvimento necessita se de uma quantidade maior de pesquisas na área de biomecânica. Devido ao esporte ser acíclico há muita dificuldade de conseguir equipamentos que façam análise da maneira mais próxima de uma situação real de luta. Este trabalho faz um estudo de uma metodologia de treinamento, utilizando plataforma de força, eletromiógrafo e técnicas de cinemetria, envolvendo a técnica de judô Morote Seoi Nage. O treinamento de entrada e projeção de golpes foi dividido em três situações diferentes. A primeira com o uke (atleta que recebe o golpe) estático, a segunda com o uke saltando e sendo projetado no momento ascendente da impulsão e a terceira com o uke saltando e sendo projetado no momento descendente da impulsão. Foram analisadas as atividades elétricas dos músculos Reto Femoral e Gastrocnêmio Médio do tori (atleta que executa o golpe) e a força de reação do solo do tori. Foram verificadas as diferenças do treinamento nas três situações. Na fase ascendente a força foi 36% menor comparada à fase descendente. Os resultados indicam que o método de treinamento proposto (fase ascendente) exigiu menor esforço para aplicação do golpe, utilizando um dos princípios definidos por Jigoro Kano, da máxima eficiência com menor esforço. PALAVRAS-CHAVE: Judô. Biomecânica. Treinamento. Morote Seoi Nage. NAGATA, E. Y. Instrumental biomechanical analysis of judo technique Morote Seoi Nage, by a method of training. 2010. 80f. Dissertation (Master’s degree in Mechanical Engineering) - Faculdade de Engenharia do Campus de Guaratinguetá, Universidade Estadual Paulista, Guaratinguetá, 2010. ABSTRACT Judo is a worldwide practiced sport. A larger amount of research in the biomechanics field is needed for its development. Given the fact that this is a non-cyclic sport, there is a lot of trouble in finding equipments that are able to perform evaluations closer enough to a real combat situation. This work studies a training method, using a force platform, electromyography, and image processing, involving the Morote Seoi Nage judo technique. The training of entry and projection of strikes was divided in three different situations. The first with a static uke (the athlete that is being stroken), the second with a jumping uke being projected at the upwards impulsion instant and the third with a jumping uke being projected at the downwards impulsion instant. The electrical activities of the tori’s rectus femoris and the gastrocnemius muscles (tori is the athlete that performs the strike) were analyzed as well as its ground reaction force. The training differences between the three situations were analyzed. The results show that the proposed training method (upward phase) required less effort when the strike is performed, requiring 36% less effort compared to the downwards phase, using one of the rudiments defined by Jigoro Kano, of the maximal efficiency with the minimum effort. KEYWORDS: Judo. Biomechanics. Training. Morote Seoi Nage. LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – Sequência de movimentos do Morote Seoi Nage . 24 FIGURA 2 – Músculo Reto Femoral (RF). 29 FIGURA 3 – Músculo Gastrocnêmio Médio (GM) . 30 FIGURA 4 – Esquema representativo do sistema de aquisições dos dados . 35 FIGURA 5 – Plataformas de força utilizadas . 36 FIGURA 6 – Eletromiógrafo EMG 611C de seis canais . 37 FIGURA 7 – Eletrodos de superfície utilizados: canal 3 (C3), canal 4 (C4) e o eletrodo terra . 37 FIGURA 8 – Visão superior da posição das câmeras no local de medição . 38 FIGURA 9 – Local do ensaio . 40 FIGURA 10 – Calibração das duas plataformas de força 1 e 2 . 41 FIGURA 11 – Fixação dos eletrodos . 42 FIGURA 12 – Posicionamentos dos atletas . 43 FIGURA 13 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s1 . 46 FIGURA 14 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s2 . 47 FIGURA 15 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s3 . 47 FIGURA 16 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s4 . 47 FIGURA 17 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s5 . 48 FIGURA 18 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s6 . 48 FIGURA 19 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s7 . 48 FIGURA 20 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s8 . 49 FIGURA 21 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s9 . 49 FIGURA 22 – Gráfico da FRS média na PF1 (3 situações) – s10 . 49 FIGURA 23 – Gráfico do valor de pico da FRS na PF1 (3 situações) . 50 FIGURA 24 – Gráfico da diferença percentual do valor de pico da FRS.51 FIGURA 25 – Gráfico do valor médio da FRS na PF2 das 3 situações de s1. 53 FIGURA 26 – Gráfico do sinal EMG RF – fase ascendente – s1 . 54 FIGURA 27 – Gráfico do sinal EMG GM – fase estática – s1 . 55 FIGURA 28 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s1. 56 FIGURA 29 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s2. 56 FIGURA 30 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s3. 56 FIGURA 31 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s4. 57 FIGURA 32 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s5. 57 FIGURA 33 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s6. 57 FIGURA 34 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s7. 58 FIGURA 35 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s8. 58 FIGURA 36 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s9. 58 FIGURA 37 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase ascendente(normalizado) – s10. 59 FIGURA 38 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s1. 59 FIGURA 39 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s2. 60 FIGURA 40 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s3. 60 FIGURA 41 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s4. 60 FIGURA 42– Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s5. 61 FIGURA 43 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s6. 61 FIGURA 44 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s7. 61 FIGURA 45 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s8. 62 FIGURA 46 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s9. 62 FIGURA 47 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase descendente(normalizado) – s10. 62 FIGURA 48 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s1 . 63 FIGURA 49 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s2 . 63 FIGURA 50 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s3 . 64 FIGURA 51 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s4 . 64 FIGURA 52 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s5 . 64 FIGURA 53 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s6 . 65 FIGURA 54 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s7 . 65 FIGURA 55 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s8 . 65 FIGURA 56 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s9 . 66 FIGURA 57 – Gráfico do sinal EMGxPF1 – fase estática(normalizado) – s10 . 66 FIGURA 58 – Gráfico Vrms médio GM (3 situações) . 69 FIGURA 59 – Gráfico Vrms médio RF (3 situações). 70 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS A A/D CBJ D DME E EMG EVA FEG fps FRS FRSpico GM IJF ISEK PF PF1 PF2 RF SENIAM t tpico Vrms UNESP UNAMOS - Ascendente - Analógico / Digital - Confederação Brasileira de Judô - Descendente Departamento de Mecânica - Estático - Eletromiografia - Etil vinil acetato Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá - Frames por segundo - Força de reação do solo - Valor de pico da força de reação do solo - Gastrocnêmio Médio - International Judo Federation - International Society Electrophysiology Kinesiology - Plataforma de força - Plataforma de força 1 - Plataforma de força 2 - Reto Femoral - Surface EMG for a Non-invasive Assesment of Muscle. - tempo - Tempo de pico - Tensão RMS ( root mean square) - Universidade Estadual Paulista – “Júlio de Mesquita Filho” - Unidade de Serviço Médico do Câmpus da Unesp LISTA DE SÍMBOLOS l comprimento h altura dB decibel d diâmetro A área t tempo f frequência m massa P peso FRS Força de reação do solo Vrms Tensão rms m m dB mm m2 s Hz kg N N V SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO . 16 1.1 Objetivo . 17 1.2 Estrutura da dissertação . 17 2 REVISÃO DE LITERATURA. 18 2.1 Judô . 18 2.1.1 Origem . 18 2.1.2 Judô no Brasil . 19 2.1.3 Os princípios do Judô . 20 2.1.4 Fases do treino . 21 2.1.5 Descrição da técnica – Morote Seoi Nage. 23 2.2 Biomecânica do esporte. 25 2.2.1 Biomecânica no Judô . 25 2.2.1.1 Estudos sobre biomecânica no Judô . 26 2.2.1.2 Músculos dos membros inferiores. 28 2.2.1.2.1 Músculo Reto Femoral . 28 2.2.1.2.2 Músculo Gastrocnêmio Médio . 29 2.3 Instrumentação. 30 2.3.1 Eletromiografia. 30 2.3.2 Dinamometria . 32 2.3.3 Cinemetria . 33 3 METODOLOGIA. 34 3.1 Amostra . 34 3.2 Instrumentos . 34 3.2.1 Plataforma de força. 35 3.2.2 Eletromiógrafo. 36 3.2.3 Câmera digital . 38 3.2.4 Aparelho de sincronização das câmeras . 39 3.2.5 Tatames. 39 3.3 Procedimentos . 39 3.3.1 Calibrações estáticas das plataformas de força . 40 3.3.2 Preparação dos atletas . 41 3.3.3 Coletas de dados . 43 3.3.4 Aquisição e tratamento dos dados . 44 3.3.4.1 Dados da plataforma de força. 44 3.3.4.2 Dados eletromiográficos. 44 3.3.4.3 Dados de cinemetria (imagens) . 45 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO . 46 4.1 Força de reação no solo das plataformas de força nas três situações . 46 4.1.1 Força de reação no solo da plataforma de força 1 (PF1) nas três situações . 46 4.1.2 Força de reação no solo da plataforma de força 2 (PF2) nas três situações . 53 4.2 Sinais eletromiográficos nos músculos Reto Femoral e Gastrocnêmio Médio e o sinal da plataforma de força 1. . 54 4.2.1 Sinais eletromiográficos e sinais da plataforma de força 1 – fase ascendente 55 4.2.2 Sinais eletromiógraficos e sinais da plataforma de força 1 – fase descendente. 59 4.2.3 Sinais eletromiógraficos e sinais da plataforma de força 1 – fase estática . 63 4.3 Análise de Vrms médio de GM e RF com a Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos Kim, J.; Saito, K.; Sakamato, A.; Inoue, M.; Shirouzu, M.; Yokoyama, S. Crystal structure of the complex of the human Epidermal Growth Factor and receptor extracellular domains. Cell, v. 110, p. 775-787, 2002. Ortega, A.; Pino, J.A. Los constituyentes volátiles de las frutas tropicales. II. Frutas de las especies de Carica. Alimentaria. Revista Tecnología Higiene Alimentos, v. 286, p. 27-40, 1997. Oshima, J.; Campisi, J. 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