Vigilância alimentar e nutricional: antecedentes, objetivos e modalidades. A VAN no Brasil.

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OPINIÃO / OPINION Vigilância Alimentar e Nutricional: Antecedentes, Objetivos e Modalidades. A VAN no Brasil Food and Nutritional Surveillance in Brazil: Background, Objectives and Approaches Malaquias Batista-Filho 1 & Anete Rissin 2 BATISTA-FILHO, M. & RISSIN, A. Food and Nutritional Surveillance in Brazil: Background, Objectives and Approaches. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (supplement 1): 99-105, 1993. The authors describe the concepts, objectives, components and strategic actions that are most frequently recommended for the development of systems of food and nutritional surveillance. The study outlines the importance of a continuous process of data collection, processing and analysis for the follow-up of food and nutritional trends. The System for Food and Nutritional Surveillance could be a valuable instrument for the planning, implementation and analysis of programs and policies of many international agencies of health and nutrition for the year 2000 (UNICEF/FAO/WHO). The study analyzes the evolution and current situation of the food and nutritional surveillance systems in Brazil, and a realtionship is drawn between its main problems (coverage, indicators, usage and analytical capacity) for the consolidation of the process. Key words: Nutritional Surveillance; Food ANTECEDENTES HISTÓRICOS O lançamento, há 50 anos, do livro de Josué de Castro — Geopolítica da Fome — e a realização, nas décadas de 50 e 60, de vários inquéritos sobre a situação alimentar e nutricional de muitos paises da África, Ásia e América Latina despertaram a consciência mundial para o grave quadro das deficiências globais e específicas de alimentos/nutrientes. Até então, estes problemas tinham sido abordados de uma forma impressionista, sem um tratamento técnico-científico que possibilitasse compreender sua natureza, extensão, gravidade e distribuição populacional e geográfica (OPS, 1989). Manifesta-se, desde então, um esforço multinacional no sentido de definir políticas e programas sociais orientados para a redução das 1 Instituto Materno-Infantil de Pernambuco. Rua dos Coelhos, 300, Boa Vista. Recife, PE, 50070-550, Brasil 2 Fundação Nacional de Saúde-PE. Avenida Conselheiro Rosa e Silva, 1489, Tamarineira. Recife, PE, 52050-020, Brasil. deficiências alimentares, dos agravos nutricionais e suas conseqüências no quadro biológico e social. Evidencia-se, mediante repetidas experiências, que os dados produzidos pelos clássicos inquéritos nutricionais (ICNND, 1963; Jelliffe, 1968) eram de pouca utilidade para o monitoramento das propostas de intervenção, na medida em que exigia-se a participação de profissionais de elevada qualificação, equipamentos sofisticados e altos custos financeiros (Chavez, 1989; Lechtig, 1990). Com estas restrições, os estudos de base populacional dificilmente poderiam ser repetidos a intervalos menores que 10 ou 15 anos. O interesse político pelo encaminhamento de medidas destinadas a reduzir o gap existente entre o potencial de recursos naturais e humanos e o perfil de qualidade de vida de regiões, países e agrupamentos sociais com escassa participação no sistema de produção e uso de bens e serviços consolidou-se, a partir dos anos 70, com a realização de três eventos internacionais: a Conferência Mundial de Alimentos, promovida pela Food and Agriculture Organization (FAO), em Roma (1974); a Conferência de Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (supl. 1): 99-105, 1993 99 Batista-Filho, M. & Rissin, A. Alma-Ata, na União Soviética, em 1978, auspiciada pela Organização Mundial da Saúde; e a proposta de uma Revolução pela Sobrevivência e Desenvolvimento da Criança, patrocinada pela United Nations Children’s Fund (Unicef) (1983). Os compromissos formais assumidos nestas três assembléias são complementares entre si. Em função da primeira, estabelece-se a proposta de assegurar o acesso aos alimentos a toda a população humana, com ênfase nos grupos biológicos de elevado risco (FAO, 1974); a segunda propõe metas e estratégias para o atendimento universal às necessidades básicas de saúde, privilegiando, mais uma vez, mães e crianças (OMS, 1978); por fim, a proposta do Unicef representa um avanço qualitativo em relação à saúde da criança, objetivando, mais do que a simples redução da mortalidade, o alcance de condições adequadas de desenvolvimento biológico e social. (Unicef, 1990). As implicações práticas condicionadas por tais compromissos confluem, no caso da alimentação e da nutrição, para um denominador comum: a necessidade de se assegurar mecanismos ágeis de informação e decisão que possibilitem, de forma competente, o acompanhamento da situação e suas tendências, bem como a avaliação da pertinência e eficácia das ações empreendidas (Mason, 1984). É sob este enfoque que se define o papel dos sistemas de vigilância alimentar e nutricional, concebidos como um processo de geração e análise sistemática de informações sobre a situação alimentar e nutricional e seus fatores determinantes. Tais sistemas justificam-se quando, de forma conseqüente, oferecem subsídios para a formulação de políticas, desenho de programas e resgate crítico de seus resultados, gerando o feedback necessário para o aperfeiçoamento contínuo das medidas de intervenção (Aranda-Pastor & Kevany, 1980). OBJETIVOS E COMPONENTES A vigilância alimentar e nutricional (VAN) é um conceito unicista, na medida em que se propõe a reunir elementos para a definição de políticas e para a instrumentação de programas de ação cujo objetivo final seria a obtenção de padrões adequados de alimentação e nutrição da coletividade. Todovia, aceita-se, por razões históricas, institucionais ou operacionais, a existência de componentes com “identidade própria”, ou seja, canais bem definidos de coleta, análise e uso das informações, que devem ser complementares entre si, mesmo mantendo a particularidade de seus objetivos e procedimentos. Neste aspecto, deve ser ressaltada a recomendação específica de que a análise dos dados, além da instância setorial, deva ser objetivo de uma apreciação multissetorial, principalmente a nível central, de forma a possibilitar uma visão política e técnica conjunta dos problemas e das soluções a serem prescritas. Em termos ideais, os vários componentes do sistema deveriam derivar de um modelo teórico-conceitual configurado segundo as características de cada situação nacional, regional ou local (problemas, fatores, existência de informações e sua períodicidade). O modelo de relações causais do estado de nutrição, proposto por Pradilla e desenvolvido por Béghin & Noujardin (1988), representa uma boa fundamentação neste sentido. Os componentes do Sistema de Vigilância Nutricional (Sisvan) são delineados em função de seus objetivos, como a seguir: 1. Vigilância da segurança alimentar, proposta como um instrumento informativo sobre a disponibilidade, acesso físico e acesso econômico aos alimentos básicos, segundo os padrões culturais de cada país, região e ou comunidade. Está ligada, basicamente, à definição de macropolíticas econômicas e sociais. 2. Sistema de alerta rápido, destinado a registrar ou prever crises alimentares agudas, resultantes de acontecimentos climáticos (secas, inundações, geadas, pragas estacionais) ou sociais (conflitos armados ou diplomáticos, por exemplo). O sistema está atento, portanto, a acontecimentos conjunturais, ligando-se, em primeira instância, às instituições e serviços nacionais ou internacionais de atendimento emergencial. 3. Vigilância do crescimento. Incorporada aos serviços de saúde, trabalha, em essência, com variáveis antropométricas (peso ao 100 Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (supl. 1): 99-105, 1993 A VAN no Brasil nascer, peso/idade, peso/altura, altura/idade), possibilitando acompanhar, a nível de indivíduos e comunidades, o crescimento físico das crianças e dos fatores patológicos e amambientais que interferem no processo. Constitui o mais difundido dos componentes do sistema. 4. Vigilância das medidas de ajuste econômico, objetivando alertar os governos para a adoção de medidas de ajustes estruturais da economia, face às possíveis implicações adversas em relação à área de alimentação e nutrição. A iniciativa resultou da constatação das graves conseqüências que sofreram muitos paises do Terceiro Mundo, em razão das medidas de ajuste adotadas na vigência da recessão econômica de 1980-83. Recentemente, propôs-se uma nova função para a VAN: a chamada “advocacia”, definida como o papel político de conscientização dos governos e da sociedade sobre os problemas sociais da alimentação e da nutrição. O destaque e, sobretudo, a terminologia empregada não definem, de fato, uma nova atribuição do sistema. Apenas ressaltam, com uma referência explícita, sua função política, que deve ser exercida mediante um conjunto de estratégias: debates públicos, acesso aos movimentos sociais organizados, difusão de informes junto aos meios de comunicação de massa e outros recursos. O SISVAN NO BRASIL As primeiras experiências na vigilância alimentar e nutricional no Brasil foram efetuadas nos estados da Paraíba (Vale do Piancó) e Pernambuco (zona metropolitana do Recife), entre 1983 e 1984, por iniciativa do Instituto Nacional Alimentação e Nutrição (Inan). Os dois projetos, que reuniam unidades de saúde de 4 localidades estaduais (Paraíba) e 8 postos de atendimento médico do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) (Recife), não sobreviveram à fase experimental, sendo desativados no momento em que o Instituto Nacional de Alimentação interrompeu o fluxo de financiamento destinado à execução desta fase. Segue-se uma nova etapa, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), possibilitando o surgimento de três projetos, nos estados de Pernambuco (Fundação Serviços de Saúde Pública), São Paulo (Secretaria Estadual de Saúde) e Ceará (Instituto de Planejamento do Estado do Ceará). Concomitantemente, a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), com a ajuda do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Programa de Apoio à Reforma Sanitária (Pares), inicia a implantação de um projeto experimental na área de Manguinhos. Estes eventos são de considerável importância estratégica, na medida em que assinalam um compromisso interno das próprias instituições governamentais com a VAN, em oposição ao interesse “externo” do momento anterior, quando o projeto confundia-se como uma proposta de propriedade única do Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição. Atualmente, o Sisvan está operando em fase de implantação nos estados da Paraíba, Alagoas, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul, Sergipe, Maranhão e Bahia, além das quatro unidades federativas previamente citadas. Mediante a ação da Pastoral da Saúde, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil está difundindo a rede de informações sobre alimentação e nutrição para todas as unidades federativas, tendo como suporte de trabalho o nível comunitário. A Fundação Nacional de Saúde (ex-FSESP) também se propõe a difundir o Sistema nos diversos estados. A partir de 1990, o Sisvan passou a ser uma atividade formal do Ministério da Saúde, mediante portaria que institui e define as atribuições do Sistema. A estrutura e funções do Sisvan nacional acham-se especificadas na portaria de sua criação. Análise da Experiência Tratando-se de uma atividade ainda em fase de desenvolvimento conceitual e operativo, com uma experiência muito breve no Brasil, a análise da Sisvan necessariamente representa um exercício preliminar, mais indicativo que conclusivo. É nesta direção (e sob estes limites) que se orientam as considerações expostas a seguir. Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (supl. 1): 99-105, 1993 101 Batista-Filho, M. & Rissin, A. 1. Ainda é pouco consistente a sustentação política do SISVAN. As autoridades e a opinião pública não se aperceberam plenamente de sua importância. A atividade é mais consentida do que estimulada. Os indicadores mais tradicionais da qualidade de vida coletiva (mortalidade infantil, taxa de analfabetismo e de desemprego, índices de custo de vida, produto interno bruto, entre outros) têm um espaço culturalmente bem definido no tratamento dos problemas econômicos e sociais, de modo que a VAN tornase um trabalho de diletantismo técnico, ainda sem a necessária acústica política junto às autoridades e ao público. Esta é uma tarefa de “advocacia” que compete ao próprio Sisvan desenvolver e consolidar. 2. O Sisvan praticamente se resume às informações antropométricas, funcionando como um elemento de registro contínuo do crescimento de crianças nos 5 primeiros anos de vida. É um instrumento limitado, mesmo para o setor saúde. Vale como ponto de partida, mas é inquestionável a necessidade de que sejam incluídos outros indicadores sobre outros problemas (anemias, hipovitaminose A, bócio), a respeito dos quais existem projetos e atividades de prevenção ou de tratamento. Como visão prospectiva, a VAN deve abarcar o setor de alimentos (qualidade, quantidade, consumo), bem como a análise integrada, dentro de um modelo causal racionalmente concebido e validado, dos fatores mais relevantes que determinam a situação alimentar e nutricional da população (Field, 1983; Batista-Filho, 1989). 3. A cobertura geográfica e populacional do Sisvan é ainda muito reduzida, com exceção de alguns projetos (áreas faveladas do Rio de Janeiro e do Recife) nos quais mais de 90% dos grupos alvos estão sendo continuamente avaliados. Por outro lado, com pequenas exceções, a qualidade dos dados é duvidosa. Este é um aspecto que deve ser obstinadamente trabalhado pelos profissionais que desenvolvem projetos de vigilância (BatistaFilho et al., 1985). 4. O esforço do reduzido número de técnicos na geração e processamento de dados e as próprias dúvidas sobre a consistência das informações têm deixado em segundo plano o componente de análise e interpretação dos resultados. O trabalho estatístico de construção de gráficos e tabelas domina, claramente, o esforço intelectual no sentido de compreender seu significado técnico e suas implicações políticas e programáticas. É admissível esta conduta no advento de uma experiência, mas é pertinente advertir para o fato, evitando-se a repetição do “estaticismo” pouco consequente que marca, de forma desfavorável, a burocracia técnica do setor saúde. 5. Reconhece-se, até mesmo como um desdobramento lógico dos aspectos anteriores, que o Sisvan tem pouca utilização. Se se avalia o que se espera do Sistema (fundamentação técnica para o planejamento de medidas ancoradas numa segura concepção política), é conclusiva a observação de que os dados produzidos praticamente não acionam intervenções dos governos nem reações do público. Até mesmo o “circuito menor” da VAN, ou seja, o uso imediato e individual da informação pelo profissional que presta assistência, tem sido descurado na grande maioria dos casos. Não existe o necessário feedback entre as informações,a ação e seus resultados finais. Este aspecto restritivo não é um mal próprio do caso brasileiro, ocorrendo, com raras exceções (Cuba, Chile e Costa Rica, por exemplo), na quase totalidade dos países latino-americanos. Ainda que desculpável, por uma soma de grandes razões, a subutilização dos dados deve constituir um problema permanente a ser enfrentado, na medida em que, sem a ação oportuna e competente, o próprio conceito de vigilância passa a ser comprometido e, até mesmo, desautorizado. CONSIDERAÇÕES FINAIS 1. É possível que os comentários anteriores possam ser tomados como negativos ou pessimistas, na medida em que assinalam desafios de grande porte para uma massa reduzida de técnicos efetivamente comprometidos com o Sisvan. 102 Cad. Saúde Públ., Rio de Janeiro, 9 (supl. 1): 99-105, 1993 A VAN no Brasil Torna-se evidente que, na área social, a seqüência informação/decisão/execução/avaliação de resultados constitui um ideal técnico e político que deve ser buscado sempre, mesmo que não seja alcançado logo. Existe um grande número de variáveis internas e externas que interferem com a cadeia, constituindo um papel próprio do Sistema procurar o máximo de controle das primeiras, em consonância com um mínimo de articulação com as segundas. Esta conduta reduz os gaps, os deficits de fluxo, mesmo sem se alcançar o objetivo idealista de um sistema perfeito (FAO, 1989). Ademais, dentro do alcance da VAN (conforme se depreende de seus objetivos e modalidades), acha-se potencialmente subentendido um conteúdo político e social que deve constituir um compromisso de ação permanente dos governos e das sociedades, no sentido de se alcançar níveis qualitativos de vida à altura dos recursos naturais existentes, dos conhecimentos científicos disponíveis e dos instrumentos técnicos que possibilitam sua materialização. O Sisvan é uma estratégia em constante aperfeiçoamento e mutação, na medida em que se refere e se luta para que os objetivos finais da alimentação e da nutrição sejam componentes integrantes das grandes prioridades políticas e dos programas governamentais legitimados pelo consenso da sociedade (Carlson & Wardlaw, 1990). Dentro deste enfoque, o imediatismo dos problemas e das soluções não deve restringir o andamento do objetivo maior do Sistema: o acesso universal aos bens materiais e aos serviços básicos, entre os quais o componente alimentar/nutricional assume uma conotação imperiosa de ética social do próprio desenvolvimento. 2. É necessário um esforço imediato de marketing no sentido de assegurar uma acústica política básica à proposta do Sisvan, de forma a superar a conotação de um projeto puramente técnico. É urgente, ainda, a tarefa de se obter um mínimo de padronização dos diversos projetos. Uma vez que as experiências mais antigas tendem a se constituir como pólos de referência para a replicação do sistema, diferenças marcantes (sobretudo no que se refere aos indicadores utilizados) poderiam propor- enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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