Exigência de metionina + cistina para frangas de reposição na fase cria de sete a 12 semanas de idade.

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Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.64, n.6, p.1699-1706, 2012 Exigência de metionina + cistina para frangas de reposição na fase cria de sete a 12 semanas de idade [Requirement of methionine + cystine for pullets in the growing phase from 7 to 12 weeks old] P. D'Agostini, P.C. Gomes, A.A. Calderano, H.H.C. Mello, L.M. Sá, H.S. Rostagno, L.F.T. Albino Universidade Federal de Viçosa ‒ Viçosa, MG RESUMO Determinou-se a exigência de metionina + cistina para frangas de sete a 12 semanas de idade e verificouse seu efeito sobre a fase de postura. O experimento foi dividido em duas fases, de cria e de produção, esta de 22 a 33 semanas de idade. Na primeira fase, utilizaram-se 640 aves  50% Lohmann LSL e 50% Lohmann Brown  com sete a 12 semanas de idade, distribuídas em delineamento inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 5x2 (porcentagem de met+cis e linhagem), com quatro repetições e 16 aves por repetição. As porcentagens de met+cis total estudadas foram 0,471; 0,541; 0,611; 0,681 e 0,751%. Ao atingirem 22 semanas de idade, 240 aves foram utilizadas para verificar o efeito residual das dietas fornecidas na fase de cria. A dieta fornecida nesta fase foi igual para todas as aves. As exigências de metionina + cistina para aves de reposição, leves e semipesadas, no período de sete a 12 semanas de idade, foram de 0,710 % de met+cis total (0,639% de met+cis digestível) e 0,706% de met+cis total (0,635% de met+cis digestível), respectivamente. Palavras-chave: aminoácidos, ovo, maturidade sexual, poedeira, requisito ABSTRACT The methionine + cystine requirement was determined for pullets from seven to 12 weeks of age and its effect was verified on the laying phase. The experiment was divided into two phases, growing and production, which lasted from 22 to 33 weeks of age. In the first experimental phase we used 640 birds (50% and 50% Lohmann LSL Lohmann Brown) allotted in a completely randomized factorial scheme 5x2 (methionine + cystine levels and lineages), with four replications and 16 birds per repetition. The levels of total methionine + cystine studied were 0.471; 0.541; 0.611; 0.681 e 0.751%. When they reached 22 weeks of age, 240 birds were used to verify the residual effect of the diets fed during the growth period. The level of methionine + cystine for white-egg and brown-egg pullets in the period from 1 to 6 weeks of age were 0.710% of total methionine + cystine (0.639 % met+cis digestible) and 0.706 % of total methionine + cystine (0.635 % of met+cis digestible), respectively. Keywords: amino acids, egg, hen, requirements, sexual maturity INTRODUÇÃO  A deficiência de nutrientes nos estádios iniciais do crescimento é crítica para o desenvolvimento de tecidos específicos do corpo de uma ave. Segundo Kwakkel (1992), a poedeira atinge 82% do seu peso adulto às 15 semanas, sendo que a proteína é depositada, principalmente, nos músculos e no trato digestivo, e a gordura no tecido intramuscular. Entretanto, a eficiência de aproveitamento da proteína pelo organismo das aves depende da composição e da quantidade de aminoácidos essenciais presentes na dieta, entre eles a metionina e metionina + cistina, pois a metionina é considerada aminoácido limitante para aves (Bredford e Summers, 1985). Recebido em 22 de agosto de 2011 Aceito em 20 de julho de 2012 E-mail: priscila.agostini@technofeed.com.br D'Agostini et al. A atualização das exigências nutricionais de aminoácidos sulfurosos para as aves de reposição justifica-se pelo melhoramento contínuo das linhagens, em virtude de novos produtos genéticos com características de produção superiores aos já existentes serem, constantemente, lançados no mercado. No entanto, o número de pesquisas desenvolvidas para a determinação das exigências nutricionais em aminoácidos é escasso se forem considerados os avanços no melhoramento genético que as aves vêm sofrendo nos últimos anos, bem como os novos conhecimentos nas áreas de nutrição, manejo e ambiência. Segundo Baker (1986), aves mais pesadas exigem maior quantidade de cada nutriente essencial, em comparação às leves, mas evidências sugerem que as exigências expressas, como porcentagem ou miligrama por quilograma da ração, não variam, ou são inferiores, às propostas para poedeiras leves de mesma idade. O que se observa, contudo, na prática é que a exigência de aves semipesadas é atendida com o aumento do consumo de ração. As estimativas das exigências de aminoácidos para aves de postura são afetadas por uma complexidade de fatores, como idade, ambiente e vários outros de ordem nutricional, bem como o constante melhoramento genético, sendo necessária a atualização de seus valores. Objetivou-se determinar as exigências nutricionais em aminoácidos sulfurosos para frangas de reposição na fase de sete a 12 semanas de idade, de linhagens comerciais, e verificar seu efeito sobre a fase de postura de 22 a 33 semanas de idade. MATERIAL E MÉTODOS Para a determinação da exigência de metionina + cistina para frangas de sete a 12 semanas de idade das linhagens comerciais Lohmann LSL e Lohmann Brown, o experimento foi dividido em duas fases experimentais, sendo a primeira a fase de cria de sete a 12 semanas de idade, em que se avaliaram as características de desempenho  consumo de ração, conversão alimentar e ganho de peso , e a segunda fase a de produção  22 a 33 semanas de idade , em que se avaliaram as características de desempenho  consumo de ração, conversão alimentar e porcentagem de postura  e de qualidade do ovo. As aves foram criadas, até atingirem sete semanas de idade, em galpões de recria e receberam ração e água à vontade. A dieta para esta fase foi formulada de acordo com as recomendações de Rostagno et al. (2000). Todas as aves foram debicadas aos 10 dias de idade, e foi adotado o manejo de vacinação para controle das principais enfermidades presentes nas aves de postura. Ao atingirem a idade de sete semanas de idade, foram transferidas para as instalações experimentais, onde foram pesadas e alojadas em boxes telados, compostos de lâmpada, cama de maravalha, bebedouro nipple e comedouro pendular. O peso médio, por ave, no início de experimento foi de 328,7g para frangas leves e de 378,1g para semipesadas. Para a determinação da exigência de metionina + cistina (met+cis) na fase cria de frangas de postura, foram utilizadas 640 aves de reposição fêmeas, sendo 320 aves leves da marca comercial Lohmann LSL e 320 aves semipesadas da marca comercial Lohmann Brown. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 5x2, sendo cinco porcentagens de inclusão de met+cis e dois tipos de aves  leves e semipesadas , com quatro repetições por tratamento e 16 aves por unidade experimental. Foram fornecidas rações isocalóricas e isoproteicas, variando apenas os níveis de met+cis. As dietas experimentais foram obtidas a partir de uma dieta basal (Tab. 1), suplementada com cinco porcentagens de DL-Metionina (99%), de forma a proporcionar 0,471; 0,541; 0,611; 0,681 e 0,751% de met+cis total. A suplementação com DL–Metionina foi feita em substituição ao amido, assegurando, com isso, que as rações permanecessem isoproteicas e isoenergéticas. Os demais nutrientes contidos nas rações foram utilizados atendendo às recomendações de Rostagno et al. (2000). A água e a ração foram fornecidas à vontade. 1700 Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.64, n.6, p.1699-1706, 2012 Exigência de metionina. Tabela 1. Composição percentual da ração e valor nutricional para frangas de reposição leves e semipesadas de sete a 12 semanas de idade Ingrediente % Farelo de soja 27,17 Raspa de mandioca 35,19 Sorgo 31,00 Farelo de trigo 0,200 Óleo vegetal 2,20 Fosfato bicálcico 1,65 Calcário 0,74 Sal Suplemento vitamínico1 Suplemento mineral2 Antioxidante3 0,285 0,10 0,05 0,01 Virginamicina 50% 0,002 Cloreto de colina 60% Salinomicina 12% 4 0,042 0,035 Amido 1,326 Total 100 Composição Energia metabolizável, kcal/ kg 2.906 Proteína bruta, % 18,36 Metionina + cistina total , % 0,536 Metionina + cistina digestíveis, 4,70 % Lisina, % 1,02 Cálcio, % 0,946 Fósforo disponível, % 0,44 1Rovimix (Roche) - kg do produto: vit. A - 10.000.000UI; vit. D3 - 2.000.000UI; vit. E - 30.000UI; vit. B1 - 2,0g; vit. B6 - 4,0g; ác. pantotênico - 12,0g; biotina - 0,10g; vit. K3 - 3,0g; ácido fólico - 1,0g; ácido nicotínico - 50,0g; vit. B12 - 15.000mcg; Se - 0, 25g. 2Roligomix (Roche) - kg do produto: Mn 16,0g; Fe - 100,0g; Zn – 100,0g; Cu - 20,0g ; Co - 2,0g; I - 2,0g. 3Hidroxibutiltolueno. 4Anticoccidiano. A temperatura no galpão foi monitorada três vezes ao dia, por meio de três termômetros de máxima e mínima, distribuídos ao longo do galpão, posicionado à altura das aves. As temperaturas médias mínima e máxima foram 21 e 29ºC, respectivamente. As variáveis avaliadas nesta fase foram consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar. As aves e a ração foram pesadas no início e no final do período experimental, permitindo a determinação do ganho de peso e da quantidade de ração consumida. Ao final do período experimental, as aves foram transferidas para o galpão de postura, onde permaneceram durante toda a fase de produção e receberam todos os cuidados sanitários. Além disso, o fornecimento de ração foi à vontade, sendo que a ração foi balanceada para todos os nutrientes, formulada de acordo com as recomendações de Rostagno et al. (2000). Ao completarem 18 semanas de idade, iniciou-se o programa de luz, quando as aves receberam 15 horas de luz; ao atingirem 20 semanas de idade, receberam 16 horas de luz; ao completarem 22 semanas de idade, 17 horas de luz. A partir de 22 semanas de idade, o fornecimento de 17 horas de luz foi constante. Ao atingirem 22 semanas de idade, iniciou-se a segunda fase experimental, sendo utilizadas 120 frangas da marca comercial Lohmann LSL e 120 da marca comercial Lohmann Brown, provenientes da primeira fase experimental. Inicialmente, as aves foram separadas por tratamento (referente à primeira fase experimental) e, posteriormente, foram pesadas e alojadas nas gaiolas de forma a garantir o peso médio por repetição dentro de cada tratamento. Na fase de produção, foram avaliados os efeitos da porcentagem de met+cis fornecida no período de sete a 12 semanas de idade sobre as variáveis produtivas. O delineamento utilizado foi inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 5x2, sendo cinco porcentagens de inclusão de aminoácidos sulfurados e dois tipos de aves  leves e semipesadas , com quatro repetições e seis aves por unidade experimental. A ração fornecida nesta fase foi a mesma para todos os tratamentos, pois o objetivo era avaliar o efeito dos tratamentos (rações) aplicados no período de sete a 12 semanas de idade. A dieta atendeu às exigências nutricionais das aves, segundo as recomendações de Rostagno et al. (2000), contendo 2.800kcal/kg de EM, 16% de PB, 4,02% de Ca e 0,377% de Pd. As temperaturas médias mínima e máxima no galpão foram, respectivamente, 14,4 e 28,8ºC. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.64, n.6, p.1699-1706, 2012 1701 D'Agostini et al. Na fase de produção, foram avaliados os efeitos da porcentagem de inclusão de met+cis fornecida no período de sete a 12 semanas de idade sobre as características produtivas. As variáveis avaliadas foram: média, em dias, em que as aves atingiram 50% de produção em cada parcela experimental, produção de ovos, consumo alimentar, conversão alimentar, peso médio dos ovos, peso médio dos componentes dos ovos, unidade Haugh (UH). Análises de regressão polinomial foram usadas conforme o ajustamento dos dados obtidos para cada variável, utilizando-se o programa SAEG – (Sistema., 1999). RESULTADOS E DISCUSSÃO O aumento da porcentagem de inclusão de met+cis nas rações proporcionou aumento no ganho de peso das aves leves e semipesadas na fase de cria (P<0,01) (Tab. 2). Nesta fase, as aves responderam positivamente ao aumento de met+cis na ração, apresentando maior ganho de peso com 0,710 e 0,703% de met+cis, respectivamente, para leves e semipesadas. Foi observado efeito linear da porcentagem de met+cis sobre o consumo de ração tanto para aves leves quanto para semipesadas. Para aves semipesadas, houve redução no consumo de ração à medida que se elevou o nível de suplementação (P<0,05), enquanto para aves leves houve aumento. No entanto, é importante ressaltar que o R2 de ambas as equações foi baixo (Tab. 3). A inclusão de met+cis nas rações influenciou a conversão alimentar de forma quadrática tanto para aves leves quanto para semipesadas, sendo a inclusão de 0,702 e 0,706% de met+cis, respectivamente, a que resultou em melhores resultados (Tab. 3). Tabela 2. Características de desempenho de frangas de reposição leves (L) e semipesadas (SP), no período de sete a 12 semanas de idade, em razão da porcentagem de metionina + cistina nas rações Met+cis (%) Ganho de peso (g) L SP Características Consumo de ração (g) L SP Conversão alimentar L SP 0,471 392 482 1,799 2,172 4,596 4,515 0,541 452 577 1,863 2,207 4,132 3,829 0,611 475 612 1,865 2,122 3,937 3,467 0,681 489 634 1,888 2,090 3,867 3,294 0,751 493 637 1,886 2,091 3,828 3,283 Média 460b 588a 1,860b 2,136a 4,072a 3,678b Efeito Linear * * ** ** * * Quadrático * * ns ns ** * Interação * * ** CV(%) 2,24 2,76 4,32 Valores seguidos por letras diferentes na mesma linha diferem entre si pelo teste F (P < 0,05). *(P<0,01); ** (P<0,05); ns (P>0,05). O consumo de ração, o ganho de peso e a conversão alimentar variaram entre as linhagens (P<0,01), isto é, as semipesadas consumiram 12,9% a mais em relação às leves, ganharam 21,77% mais peso e apresentaram conversão alimentar 9,67% menor. O maior consumo de ração, o maior ganho de peso e a melhor conversão alimentar das aves semipesadas em relação às aves leves confirmam os resultados já obtidos por Rombola et al. (2008). Embora tenha havido diferenças no desempenho entre as linhagens, a exigência de met+cis total das aves nesta fase de crescimento foi semelhante para as duas linhagens estudadas. 1702 Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.64, n.6, p.1699-1706, 2012 Exigência de metionina. Tabela 3. Equações de regressão dos modelos quadrático e linear e exigências nutricionais estimadas Parâmetro Equação Exigência (%) R2 SQD Leves Quadrático Ganho de peso Conversão alimentar Y = -383,4 + 2477,6x - 1749x2 Y= 10,824-19,986x + 14,249x2 0,710 0,99 0,00008 0,702 0,99 0,00565 Linear Consumo de ração Y=1,6868 +0,28357x >0,751 0,28 0,0403 Semipesadas Quadrático Ganho de peso Conversão alimentar Y = -786,4+4066,5x-2897x2 Y=14,455-31,715x+22,449x2 0,703 0,706 0,99 0,00019 0,99 0,0028 Linear Consumo de ração Y =2,3803-0,39929x <0,471 0,32 0,06778 SQD: Soma dos Quadrados dos Desvios. A porcentagem de inclusão de met+cis na ração influenciou a média, em dias, em que as aves atingiram 50% de produção. Aves leves alimentadas com 0,611 a 0,751% de met+cis na fase de cria atingiram 50% de produção precocemente, aos 147 dias de idade, em relação àquelas que receberam rações com porcentagens mais baixas de met+cis. Foi verificado maior atraso na postura nas aves que receberam 0,471% de met+cis, as quais somente atingiram 50% de produção aos 152 dias de idade. As aves semipesadas alimentadas, durante a fase de cria, com as porcentagens superiores a 0,541% de met+cis atingiram 50% de produção aos 149 dias de idade, e as que receberam 0,471% de met+cis somente atingiram 50% da produção aos 154 dias de idade. Estes resultados estão de acordo com Silva et al. (2009), os quais afirmaram que aves mais bem nutridas na fase de crescimento iniciam a postura mais cedo que aves submetidas à restrição nutricional. O fornecimento de níveis de 0,471% met+cis em frangas de reposição semipesadas proporcionou atraso na produção de ovos quando comparado aos manuais das linhagens Lohmann LSL e Brown, que indicam 50% de produção das aves, em média, entre 21 e 22 semanas de idade. Este atraso se deve, provavelmente, ao atraso na maturação do sistema reprodutivo da ave, pois, durante a fase de produção, não se verificou variação no peso inicial das aves entre os tratamentos, descartando, desta forma, o efeito do peso corporal sobre o desempenho ocasionado nesta fase. Logo, verificou-se que a deficiência em aminoácidos sulfurosos durante a fase de sete a 12 semanas de idade ocasionou retardo no desenvolvimento do aparelho reprodutivo da ave, levando ao aumento na idade de produção. Os níveis de met+cis fornecidos durante a fase de cria não influenciaram o consumo de ração, a conversão alimentar e a produção de ovos das aves durante a fase de produção, compreendida entre 22 e 33 semanas de idade (P>0,05) (Tab.4). Desta forma, pode-se inferir que aves que receberam deficiência desses aminoácidos, no período de sete a 12 semanas de idade, tiveram uma recuperação na fase subsequente, e durante a fase de postura não apresentaram efeito residual da inclusão de met+cis na ração de cria. As aves leves consumiram menor quantidade de ração e apresentaram maior conversão alimentar por dúzia de ovos produzidos em relação às aves semipesadas. Quando se considera a conversão alimentar por massa de ovos, não houve diferença entre as duas linhagens. Isso se deve ao fato de as aves leves produzirem ovos mais leves em relação às aves semipesadas, portanto, para uma mesma massa de ovos, é possível obter maior número de dúzia de ovos com ovos mais leves. Apesar do menor peso do ovo entre as aves leves, nelas verificou-se maior peso da gema e maior porcentagem de gema e unidades Haugh enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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