Terceirização e acidentalidade (morbidez) no trabalho: uma estreita relação que dilacera a dignidade humana e desafia o direito

 1  12  304  2017-01-30 08:03:18 Report infringing document
Universidade Federal de Minas Gerais Programa de Pós-Graduação em Direito Grijalbo Fernandes Coutinho Terceirização e Acidentalidade (Morbidez) no Trabalho: uma estreita relação que dilacera a dignidade humana e desafia o Direito Belo Horizonte 2014 Grijalbo Fernandes Coutinho Terceirização e Acidentalidade (Morbidez) no Trabalho: uma estreita relação que dilacera a dignidade humana e desafia o Direito Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Direito da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para a obtenção do título de mestre. Orientadora: Profa. Dra. Daniela Muradas Reis Belo Horizonte 2014 Grijalbo Fernandes Coutinho Terceirização e Acidentalidade (Morbidez) no Trabalho Uma estreita relação que dilacera a dignidade humana e desafia o Direito Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Direito da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para a obtenção do título de mestre. _______________________________________________________ Professora Doutora Daniela Muradas Reis – UFMG (orientadora) ______________________________________________________ Professor Doutor Antônio Álvares da Silva – UFMG (titular) _______________________________________________________ Professora Doutora Gabriela Neves Delgado – UnB (titular) _______________________________________________________ Professor Doutor Márcio Túlio Viana – Puc-Minas (titular) _______________________________________________________ Professor Doutor Antônio Gomes de Vasconcelos – UFMG (suplente) Belo Horizonte, setembro de 2014 Aos Trabalhadores Terceirizados do mundo inteiro, Vítimas do mais intenso processo de aniquilamento dos direitos do trabalho, desde o momento de sua conquista por luta, sangue, suor e lágrimas da classe operária. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar, agradeço ao Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT 10), com sede em Brasília (DF), por ter autorizado o meu afastamento para cursar as disciplinas do mestrado em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na cidade de Belo Horizonte, bem como para redigir a presente dissertação. Serei eternamente grato à instituição pública a que pertenço há quase três décadas (desde 1988), comprometendo-me a desenvolver os melhores esforços, no exercício da atividade judicante e na qualidade de participante ou expositor em cursos promovidos pela Escola Judicial do TRT 10, destinados aos servidores da 10ª Região. E assim o farei, aplicando e ampliando, no ofício jurisdicional, esse conhecimento acadêmico-social entre o maior número de pessoas vinculadas direta ou indiretamente à Décima Região. Agradeço imensamente à estimada orientadora deste trabalho, professora Daniela Muradas Reis, pela sua extraordinária vocação acadêmica em transformar aulas e conversas no ponto de partida de novas investigações científicas. O eixo aqui valorizado – terceirização e acidentalidade do trabalho – foi uma das sugestões a mim apresentadas pela professora Daniela, depois de a terceirização ter sido antes cogitada como objeto de estudo por duas outras perspectivas, inclusive pela constante do projeto original aprovado para o ingresso no mestrado na Faculdade de Direito da UFMG. Enfim, a terceirização sempre foi o tema escolhido para a pesquisa. O que mudou foi o olhar dos efeitos da fragmentação da cadeia produtiva sobre a acidentalidade no trabalho, conforme sugestão e também indicação de várias fontes pela professora Daniela. Por fim, a sua obstinada militância em defesa da efetividade dos Direitos Humanos da classe trabalhadora é algo a não deixar nenhum aluno preso apenas ao encanto hermenêutico das teorias jurídicas mais progressistas, mas sim ser ele próprio um dos atores políticos do processo das grandes transformações necessárias à implementação do verdadeiro Estado democrático de direito. Agradeço ao colega de mestrado Thiago Aguiar Simim, que, entre tantas amizades construídas em sala de aula, nas conversas travadas no ambiente físico do curso, no almoço em restaurantes situados das proximidades da Faculdade de Direito e nos debates pós-aula no Fornada – com o atendimento especial da querida Dri (Adriana) –, foi e será o meu amigo novo, número primeiro nas Alterosas. Thiago simboliza o que há de melhor no corpo discente dos alunos de pós-graduação da Faculdade de Direito: jovem profundamente estudioso, dotado de uma aguçada inteligência crítica a serviço dos interesses dos setores explorados e oprimidos pela sociedade burguesa, além de fraterno, leal, despojado e avesso aos sedutores encantos neoliberais que perseguem a captura da alma da juventude para aliená-la eternamente. Quero agradecer ainda aos amigos, colegas e professores que me enviaram dados diversos sobre a relação entre acidentalidade do trabalho e terceirização ou complementares à bibliografia. Evidentemente nem todo o material foi utilizado, em razão da elevada quantidade de mensagens eletrônicas com anexos que me foi remetida e do escasso tempo existente para a conclusão da pesquisa; mas tudo teve relevância, a começar pelo gesto de desprendimento de cada um deles. Correndo o risco de esquecer alguns nomes – afinal tantos foram os que se dispuseram a colaborar com a pesquisa –, agradeço inicialmente quatro pessoas: Thiago Aguiar Simim (Faculdade de Direito/UFMG), pela ajuda fundamental na conversão de diversos gráficos do PDF para outro programa mais leve; Susan Santos (servidora do TRT 10, da SOF), pelo auxílio na formatação dos gráficos dos setores elétrico e petroleiro, bem como no cálculo da apuração estatística das taxas de mortalidade nos dois setores e consequente definição do quantum de vidas de terceirizados para cada trabalhador central morto no ambiente de trabalho; Giovanni Alves, um de meus marcos teóricos fundamentais, pela indicação de textos muito interessantes e pelas proveitosas conversas sobre o movimento do capitalismo global; Vítor Filgueiras, pesquisador do Cesit-Unicamp, pela remessa de artigos sequer publicados contendo dados interessantíssimos sobre o vínculo entre terceirização e trabalho escravo contemporâneo e também sobre acidentalidade na construção civil. Pelo encaminhamento direto ou indireto de material, especialmente de dados sobre a relação íntima entre terceirização e acidentalidade no trabalho, agradeço a muita gente, cujos nomes de que agora me recordo são os seguintes: Luiz Salvador (Advogado, Diretor da ALAL), Reginaldo Melhado (Juiz do Trabalho do TRT 9 e Professor de Direito da Universidade Estadual de Londrina), Maria da Gralça Druck (Professora de Sociologia da UFBA-Universidade Federal da Bahia), José Dari Krein (Professor e Pesquisador do Cesit-Unicamp), César Moreira (Gerente de Segurança e Saúde da Funcoge, Rio de Janeiro), Zilda Rodrigues (Assistente Administrativo da Funcoge, Rio de Janeiro), Lorena Vasconcelos Porto (Procuradora do Trabalho, São Paulo), Rodrigo Carelli (Procurador do Trabalho, Rio de Janeiro), Carlos Eduardo de Azevedo Lima (Presidente da ANPT), Ângelo Fabiano (VicePresidente da ANPT), Liana Maria da Frota Carleial (Professora de Economia da UFPR), Sayonara Grillo Coutinho (Desembargadora do TRT 1 e Professora da UFRJ, Rio de Janeiro), Cloviomar Cararine Pereira (Pesquisador do Dieese-FUP, Rio de Janeiro), Lílian Arruda Marques (Pesquisadora do Dieese, Brasília-DF), Ana Tércia Sanches (Pesquisadora da USP, Sociologia, Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região), Anselmo Ruoso (Pesquisador e militante sindical da FUP, Paraná), Sebastião Vieira Caixeta (Procurador do Trabalho, Brasília-DF), Luciana Marques Coutinho (Procuradora do Trabalho, Belo Horizonte-MG), Roberto Ribeiro (Procurador do Trabalho, São Paulo), Renan Kalil (Procurador do Trabalho, Manaus-AM), Kátia Magalhães Arruda (Ministra do TST), Margarida Barreto de Almeida Campos (Auditora-Fiscal do Trabalho, Recife, Pernambuco), Maria Maeno (Pesquisadora da Fundacentro), Elizabeth Dias (Professora de Medicina da UFMG, Belo Horizonte-MG), Paulo Brescovici (Juiz do Trabalho do TRT 23, Mato Grosso, Cuiabá), Carlos Eduardo Dias (Juiz do Trabalho do TRT 15, Campinas-SP), Aílson de Souza Barbosa (Técnico da Aneel, Brasília-DF) e Rodrigo H. Silva (Pesquisador da Universidade Federal de Pelotas-RS). Não poderia deixar de registrar a satisfação e os agradecimentos aos grandes mestres de sala de aula na FDUFMG, professores Daniela Muradas Reis, Antônio Álvares da Silva, Miracy Barbosa de Sousa Gustin, Mônica Sette Lopes, Adriana Goulart de Sena, Maria Fernanda Salcedo Repolês, Antônio Gomes de Vasconcelos e Ricardo Salgado, pelos ensinamentos e grandes debates travados em sala de aula. Aos estimados professores que aceitaram o convite para participar da minha banca de defesa, Daniela Muradas Reis, Antônio Álvares da Silva,Gabriela Neves Delgado, Márcio Túlio Viana e Antônio Gomes de Vasconcelos, meus professores de Direito do Trabalho na UFMG ou em outro curso na UnB e PUC Minas, todos eles com grande contribuição para a minha formação juslaboral, a quem presto sinceras homenagens e elevados agradecimentos. Aos queridos alunos de graduação da FDUFMG das duas turmas de formandos de janeiro de 2015 – pessoal que ingressou em 2010 –, pela rica experiência de poder ministrar aulas, na qualidade de estagiário de docência, ao lado da professora Daniela Muradas Reis, durante o primeiro semestre de 2013, na melhor Faculdade de Direito do Brasil, segundo ranking recentemente divulgado. Os meus eternos agradecimentos, ainda, por terem me escolhido para ser um dos homenageados na formatura das duas turmas de extraordinários estudantes. Aos funcionários da Secretaria de Pós-Graduação da FDUFMG, Wellerson, Patrícia, Maria Luíza e Ana Paula, os meus agradecimentos pela gentileza com que tratam todos os alunos que para ali se dirigem em busca das mais variadas informações ao longo do curso. Agradecimentos aos servidores terceirizados da FDUFMG, valorosos e indispensáveis para o funcionamento regular da centenária Casa de Afonso Pena, na pessoa do Washington, pelo seu extremado bom humor na portaria da Pós-Graduação, especialmente quando o seu"Galo doido" começa a ganhar de todo mundo, como ocorreu em 2013. Quanto menos comeres, beberes, comprares livros, fores ao teatro, ao baile, ao restaurante, pensares, amares, teorizares, cantares, pintares, esgrimires etc., tanto mais tu poupas, tanto maior se tornará o teu tesouro, que nem as traças nem o roubo corroem teu capital. Quanto menos tu fores, quanto menos externares a tua vida, tanto mais tens, tanto maior é a tua vida exteriorizada, tanto mais acumulas da tua essência alienada [.]. Todas as paixões e toda atividade têm, portanto, de naufragar na cobiça. (MARX, 2010, p. 141-142). RESUMO O método histórico-econômico – ou, na verdade, o materialismo histórico dialético – explica o movimento do capitalismo global sedento pelo aumento das taxas de lucro como tentativa de superar a sua crise estrutural, cujo recurso à terceirização reacende a genuína volúpia do sistema econômico em produzir miséria social, sem contemplação, freios ou limites. É da sua natureza negar as contradições econômicas mediante o uso de novas formas de exploração e opressão da classe trabalhadora. Em tal contexto, a terceirização é engendrada na dinâmica produtiva para resolver duas questões centrais por demais incômodas para a burguesia mundial, quais sejam, crescente acumulação de riqueza e derrota do seu polo classista antagônico. No Brasil, a terceirização ingressa no mercado de forma ainda mais voraz, por força do caráter de seu capitalismo: dependente, hipertardio e de origem colonial-escravista, confirmando a trajetória secular da superexploração do trabalho nos países da periferia do capitalismo. Esta dissertação visa analisar o vínculo existente entre terceirização e acidentalidade ou morbidez no trabalho, avaliando criticamente, sob dimensões sociológicas e jurídicas, a influência do modo de gestão empresarial fragmentário da cadeia produtiva sobre a saúde e dignidade humana laborais. Frente ao exame de dados produzidos por fontes diversas, nota-se o grau elevado de degradação das condições de trabalho dos empregados submetidos à terceirização. Essa precariedade laboral resulta na drástica redução de salários promovida pelo bancos, na pulverização sindical, na ofensa a direitos imateriais, na larga prática do trabalho escravo contemporâneo em vários segmentos (construção civil, têxtil e rural) e nas mortes e mutilações dos trabalhadores dos setores elétrico, petroleiro e da construção civil. Mesmo tomando em conta os limites da democracia burguesa, os ordenamentos jurídicos nacional e internacional são absolutamente incompatíveis com qualquer tipo de terceirização nas relações de trabalho, ao menos sob a perspectiva dos Direitos Humanos laborais. Para agravar o quadro, há elementos capazes de confirmar a tendência de “vingar” a pressão do capital sobre os poderes constituídos para regular e autorizar a terceirização de forma generalizada em todas as atividades econômicas, incluindo a denominada atividade-fim, o que legitimará e aumentará em proporções geométricas a violação dos Direitos Humanos, com o aval de agentes do Poder Público, os quais possuem a missão constitucional de repelir agressões dessa natureza ou as suas desenfreadas tentativas. Palavras-chave: Gênese do capitalismo. Capitalismo global. Terceirização. Superexploração da força de trabalho. Precariedade salarial. Degradação das condições de trabalho. Pulverização sindical. Direitos imateriais. Trabalho escravo contemporâneo. Mortes e mutilações no trabalho. Direitos Humanos. Direito Constitucional. Direito do Trabalho. Normas Internacionais do Trabalho. Direito Constitucional do Trabalho. Subordinação estrutural. Princípio da Vedação do Retrocesso Social. ABSTRACT The economic-historic method – actually, the dialectic historical materialism – explains the dynamics of global capitalism, which is hunger for increasing profit rates as an attempt to overcome its structural crisis. Calling on outsourcing rekindles discussion on the economic system’s urge to generate social destitution without reflection or any limits. It is inherent to the capitalism to deny economic contradictions and use new methods of exploiting and oppressing laborers. In such context, outsourcing integrates the productive dynamics to solve two issues that are troublesome to the bourgeoisie: increasing capital accumulation and defeating its political antagonist. In Brazil, due to the characteristics of its capitalism (dependent, hyperlate and originated from a colonial-proslaver model), outsourcing enters the market aggressively, underpinning the historical overexploitation of work, which occurs to peripheral capitalist countries. This dissertation seeks to analyze the relationship between outsourcing and rates of accidents at work (occupational morbidity), evaluating – in a critical way, from the standpoint of Sociology and Law – the influence of the fragmentary business management of production chain on health and on labor human dignity. Through the analysis of data from several sources, we show that there is a high level of deterioration of working conditions of those outsourcing employees. The precarious working conditions lead to drastic salary reduction of bank clerks, syndical fragmentation, violation of immaterial rights, contemporary slave labor in several areas (construction services, textile industry and rural work) and deaths and mutilations of those who work at electricity sector, oil industry and construction services. Even considering the limits of bourgeois democracy, the national and international legal systems are wholly incompatible with any kind of outsourcing at employment relationships, at least from the standpoint of labor Human Rights. Worsening this scenario, there are elements able to confirm the tendency to “avenge” the pressure of capitalism on the branches of government in order to regulate and broadly authorize outsourcing at any economic activity, even the company’s core activities. To do so will legitimate and seriously increase violations of Human Rights with the backing of the government, which has the constitutional task of protecting them. Keywords: Genesis of capitalism. Global capitalism. Outsourcing. Overexploitation of labor force. Precarious salaries. Deterioration of working conditions. Syndical fragmentation. Immaterial rights. Contemporary slave labor. Death and mutilations at work. Human Rights. Constitutional Law. Labor Law. International Labor Standards. Labor Constitutional Law. “Structural subordination”. Principle of the retrocession prohibition. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Gráfico 1 – Lucro líquido (em bilhões de reais) dos seis maiores bancos em 2012/2013.121 Gráfico 2 – Saldo do emprego bancário no Brasil (jan. 2013-jun. 2014) em número de postos de trabalho.126 Gráfico 3 – Corte de postos de trabalho desde 2011.129 Gráfico 4 – Evolução das despesas com serviços de terceiros nos maiores bancos no Brasil 1999-2010.130 Gráfico 5 – Terceirização: correspondentes bancários (2000-2013).133 Gráfico 6 – Taxa de rotatividade por tipo de empresa – efetivos e terceirizados (ano 2010). 186 Gráfico 7 – Vítimas fatais de acidentes trabalhistas entre 1970 e 2012.191 Gráfico 8 – Acidentados fatais por força de trabalho (ano 2012).199 Quadro 1 – Relações e condições de trabalho de terceirizados e efetivos com as mesmas atividades bancárias relativas à retaguarda e à compensação – 2003/2004 – São Paulo, Osasco e enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. Buschmann S, Warkentin E, Xie H, Langer JD, Ermler U, et al. (2010) The structure of cbb3 cytochrome oxidase provides insights into proton pumping. Science 329: 327–330. 11. Fee JA, Case DA, Noodleman L (2008) Toward a chemical mechanism of proton pumping by the B-type cytochrome c oxidases: application of density functional theory to cytochrome ba3 of Thermus thermophilus. J Am Chem Soc 130: 15002–15021. 12. Chang HY, Hemp J, Chen Y, Fee JA, Gennis RB (2009) The cytochrome ba3 oxygen reductase from Thermus thermophilus uses a single input channel for proton delivery to the active site and for proton pumping. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 16169–16173. 13. Luna VM, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2008) Crystallographic studies of Xe and Kr binding within the large internal cavity of cytochrome ba3 from Thermus thermophilus: structural analysis and role of oxygen transport channels in the heme-Cu oxidases. Biochemistry 47: 4657–4665. PLoS ONE | www.plosone.org 11 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348 The 1.8 Å Structure of ba3Oxidase 27. Vogeley L, Sineshchekov OA, Trivedi VD, Sasaki J, Spudich JL, et al. (2004) Anabaena sensory rhodopsin: a photochromic color sensor at 2.0 A. Science 306: 1390–1393. 28. Cherezov V, Rosenbaum DM, Hanson MA, Rasmussen SG, Thian FS, et al. (2007) High-resolution crystal structure of an engineered human beta2adrenergic G protein-coupled receptor. Science 318: 1258–1265. 29. Jaakola VP, Griffith MT, Hanson MA, Cherezov V, Chien EY, et al. (2008) The 2.6 angstrom crystal structure of a human A2A adenosine receptor bound to an antagonist. Science 322: 1211–1217. 30. Wu B, Chien EY, Mol CD, Fenalti G, Liu W, et al. (2010) Structures of the CXCR4 chemokine GPCR with small-molecule and cyclic peptide antagonists. Science 330: 1066–1071. 31. Chien EY, Liu W, Zhao Q, Katritch V, Han GW, et al. (2010) Structure of the Human Dopamine D3 Receptor in Complex with a D2/D3 Selective Antagonist. Science 330: 1091–1095. 32. Hanson MA, Cherezov V, Griffith MT, Roth CB, Jaakola VP, et al. (2008) A specific cholesterol binding site is established by the 2.8 A structure of the human beta2-adrenergic receptor. Structure 16: 897–905. 33. Cherezov V, Liu W, Derrick JP, Luan B, Aksimentiev A, et al. (2008) In meso crystal structure and docking simulations suggest an alternative proteoglycan binding site in the OpcA outer membrane adhesin. Proteins 71: 24–34. 34. Cherezov V, Clogston J, Papiz MZ, Caffrey M (2006) Room to move: crystallizing membrane proteins in swollen lipidic mesophases. J Mol Biol 357: 1605–1618. 35. Caffrey M (2009) Crystallizing membrane proteins for structure determination: use of lipidic mesophases. Annu Rev Biophys 38: 29–51. 36. Loh HH, Law PY (1980) The role of membrane lipids in receptor mechanisms. Annu Rev Pharmacol Toxicol 20: 201–234. 37. Lee AG (2004) How lipids affect the activities of integral membrane proteins. Biochim Biophys Acta 1666: 62–87. 38. Robinson NC (1993) Functional binding of cardiolipin to cytochrome c oxidase. J Bioenerg Biomembr 25: 153–163. 39. Qin L, Sharpe MA, Garavito RM, Ferguson-Miller S (2007) Conserved lipidbinding sites in membrane proteins: a focus on cytochrome c oxidase. Curr Opin Struct Biol 17: 444–450. 40. Sedlak E, Panda M, Dale MP, Weintraub ST, Robinson NC (2006) Photolabeling of cardiolipin binding subunits within bovine heart cytochrome c oxidase. Biochemistry 45: 746–754. 41. Hunte C, Richers S (2008) Lipids and membrane protein structures. Curr Opin Struct Biol 18: 406–411. 42. Reichow SL, Gonen T (2009) Lipid-protein interactions probed by electron crystallography. Curr Opin Struct Biol 19: 560–565. 43. Yang YL, Yang FL, Jao SC, Chen MY, Tsay SS, et al. (2006) Structural elucidation of phosphoglycolipids from strains of the bacterial thermophiles Thermus and Meiothermus. J Lipid Res 47: 1823–1832. 44. Belrhali H, Nollert P, Royant A, Menzel C, Rosenbusch JP, et al. (1999) Protein, lipid and water organization in bacteriorhodopsin crystals: a molecular view of the purple membrane at 1.9 A resolution. Structure 7: 909–917. 45. Long SB, Tao X, Campbell EB, MacKinnon R (2007) Atomic structure of a voltage-dependent K+ channel in a lipid membrane-like environment. Nature 450: 376–382. 46. Gonen T, Cheng Y, Sliz P, Hiroaki Y, Fujiyoshi Y, et al. (2005) Lipid-protein interactions in double-layered two-dimensional AQP0 crystals. Nature 438: 633–638. 47. Seelig A, Seelig J (1977) Effect of single cis double bound on the structure of a phospholipid bilayer. Biochemistry 16: 45–50. 48. Lomize MA, Lomize AL, Pogozheva ID, Mosberg HI (2006) OPM: orientations of proteins in membranes database. Bioinformatics 22: 623–625. 49. Hoyrup P, Callisen TH, Jensen MO, Halperin A, Mouritsen OG (2004) Lipid protrusions, membrane softness, and enzymatic activity. Phys Chem Chem Phys 6: 1608–1615. PLoS ONE | www.plosone.org 50. Lee HJ, Svahn E, Swanson JM, Lepp H, Voth GA et al (2010) Intricate Role of Water in Proton Transport through Cytochrome c Oxidase. J Am Chem Soc 132: 16225–16239. 51. Aoyama H, Muramoto K, Shinzawa-Itoh K, Hirata K, Yamashita E, et al. (2009) A peroxide bridge between Fe and Cu ions in the O2 reduction site of fully oxidized cytochrome c oxidase could suppress the proton pump. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 2165–2169. 52. Schmidt B, McCracken J, Ferguson-Miller S (2003) A discrete water exit pathway in the membrane protein cytochrome c oxidase, Proc Natl Acad Sci U S A 100: 15539–15542. 53. Einarsdottir O, Choc MG, Weldon S, Caughey WS (1988) The site and mechanism of dioxygen reduction in bovine heart cytochrome c oxidase. J Biol Chem 263: 13641–13654. 54. Agmon N (1995) The Grotthuss mechanism. Chem Phys Lett 244: 456– 462. 55. Salomonsson L, Lee A, Gennis RB, Brzezinski P (2004) A single amino-acid lid renders a gas-tight compartment within a membrane-bound transporter. Proc Natl Acad Sci U S A 101: 11617–11621. 56. Yin H, Feng G, Clore GM, Hummer G, Rasaiah JC (2010) Water in the polar and nonpolar cavities of the protein Interleukin-1-beta. J Phys Chem B 114: 16290–16297. 57. Eisenberger P, Shulman RG, Brown GS, Ogawa S (1976) Structure-function relations in hemoglobin as determined by x-ray absorption spectroscopy. Proc Natl Acad Sci U S A 73: 491–495. 58. Chishiro T, Shimazaki Y, Tani F, Tachi Y, Naruta Y, et al. (2003) Isolation and crystal structure of a peroxo-brodged heme-copper complex. Ang Chem Int Ed 42: 2788– 2791. 59. Ostermeier C, Harrenga A, Ermler U, Michel H (1997) Structure at 2.7 A resolution of the Paracoccus denitrificans two-subunit cytochrome c oxidase complexed with an antibody FV fragment. Proc Natl Acad Sci U S A 94: 10547–10553. 60. Kaila VRI, Oksanen E, Goldman A, Bloch D, Verkhovsky MI, et al. (2011) A combined quantum chemical and crystallographic study on the oxidized binuclear center of cytochrome c oxidase. Biochim Biophys Acta 1807: 769–778. 61. Sakaguchi M, Shinzawa-Itoh K, Yoshikawa S, Ogura T (2010) A resonance Raman band assignable to the O-O stretching mode in the resting oxidized state of bovine heart cytochrome c oxidise. J Bioenerg Biomembr 42: 241–243. 62. Chance B, Saronio C, Waring A, Leigh Jr. JS (1978) Cytochrome c-cytochrome oxidase interactions at subzero temperatures. Biochim. Biophys. Acta 503: 37–55. 63. Cheng A, Hummel B, Qiu H, Caffrey M (1998) A simple mechanical mixer for small viscous lipid-containing samples. Chem Phys Lipids 95: 11–21. 64. Cherezov V, Peddi A, Muthusubramaniam L, Zheng YF, Caffrey M (2004) A robotic system for crystallizing membrane and soluble proteins in lipidic mesophases. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 1795–1807. 65. Minor W, Cymborowski M, Otwinowski Z, Chruszcz M (2006) HKL-3000: the integration of data reduction and structure solution - from diffraction images to an initial model in minutes. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 62: 859–866. 66. McCoy AJ, Grosse-Kunstleve RW, Adams PD, Winn MD, Storoni LC, et al. (2007) Phaser crystallographic software. J Appl Crystallogr 40: 658–674. 67. McRee DE (2004) Differential evolution for protein crystallographic optimizations. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 2276–2279. 68. Unno M, Chen H, Kusama S, Shaik S, Ikeda-Saito M (2007) Structural characterization of the fleeting ferric peroxo species in myoglobin, Experiment and theory. J Am Chem Soc 129: 13394–13395. 69. Kuhnel K, Derat E, Terner J, Shaik S, Schlicting I (2007) Structure and quantum chemical characterization of chloroperoxidase compound 0, a common reaction intermediate of diverse heme enzymes. Proc Natl Acad Sci U S A 104: 99–104. 12 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348
RECENT ACTIVITIES
Autor
123dok avatar

Ingressou : 2016-12-29

Documento similar

Terceirização e acidentalidade (morbidez) no..

Livre

Feedback