Contribuições da psicanálise de Freud e Lacan e do materialismo histórico para a terapia ocupacional: uma clínica do desejo e do carecimento na saúde coletiva

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ANA FLÁVIA DIAS TANAKA SHIMOGUIRI 1 CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE DE FREUD E LACAN E DO MATERIALISMO HISTÓRICO PARA A TERAPIA OCUPACIONAL: uma clínica do desejo e do carecimento na Saúde Coletiva ASSIS 2016 ANA FLÁVIA DIAS TANAKA SHIMOGUIRI 2 CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE DE FREUD E LACAN E DO MATERIALISMO HISTÓRICO PARA A TERAPIA OCUPACIONAL: uma clínica do desejo e do carecimento na Saúde Coletiva Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis – UNESP – Universidade Estadual Paulista para a obtenção do título de Mestre em Psicologia (Área de Conhecimento: Psicologia e Sociedade) Orientador: Prof. Dr. Abílio da Costa-Rosa ASSIS 2016 3 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Biblioteca da F.C.L. – Assis – Unesp S556c Shimoguiri, Ana Flávia Dias Tanaka Contribuições da psicanálise de Freud e Lacan e do materia- lismo histórico para a terapia ocupacional: uma clínica do desejo e do carecimento na saúde coletiva / Ana Flávia Dias Tanaka Shimoguiri. - Assis, 2016. 134 f. Dissertação de Mestrado – Faculdade de Ciências e Letras de Assis – Universidade Estadual Paulista. Orientador: Dr Abílio da Costa-Rosa 1. Terapia ocupacional. 2. Materialismo histórico. 3. Psicanálise. 4. Saúde pública. 5. Saúde mental. I. Título. CDD 616.8917 4 Aos meus sobrinhos, Isaac Takao e Pedro Takao, que fazem meus dias serem doces, barulhentos e coloridos Com eles me sinto chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo; rio grande que nem menino arteiro! 5 Para que não se pense que apenas erguemos os andaimes de uma utopia imaginária, convém alertar a todos nós, os trabalhadores (intercessores em diferentes situações da Demanda Social), de que devemos estar convictos de que o sentido sublinhado neste ensaio para o termo práxis deve ser aplicado à nossa própria ação cotidiana. Ou seja, devemos descobrir e criar, fazendo, o saber capaz de suportar esse desejo cotidiano de instituir que só pode estar incluído entre as “paixões alegres”. Imaginação, espírito inventivo, e desejo cotidiano de instituir são ingredientes que não podem faltar quando pretendemos a consolidação e o avanço da Estratégia Atenção Psicossocial (COSTA-ROSA, 2013, p.117). 6 SHIMOGUIRI, A.F.D.T. Contribuições da Psicanálise de Freud e Lacan e do Materialismo Histórico para a Terapia Ocupacional: uma clínica do desejo e do carecimento na Saúde Coletiva. 2016. 134f. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual Paulista, Assis, 2016. Resumo: Nosso objetivo principal foi pensar as práticas em Terapia Ocupacional à luz da análise paradigmática postulada por Costa-Rosa, que define o Paradigma Psicossocial como um passo além da Reforma Psiquiátrica brasileira. A partir da práxis clínica e institucional, tentamos fundamentar uma modalidade de terapia ocupacional na qual a psicanálise do campo de Freud e Lacan e o Materialismo Histórico são os referenciais teóricos técnicos e éticos políticos. Especificamos o enfoque desta reflexão no campo da Saúde Coletiva, na Atenção Psicossocial. Partimos do Dispositivo Intercessor, como um novo Modo de Produção de subjetividade e conhecimento. De natureza transdisciplinar, o Dispositivo Intercessor parte, principalmente, da psicanálise e do Materialismo Histórico – bem como de inspirações da Análise Institucional francesa e da Filosofia da Diferença – para definir dois momentos de produção radicalmente diferentes: o momento da práxis clínica junto aos “sujeitos do tratamento” e da práxis institucional junto ao “coletivo de trabalho”; e o momento da reflexão teórica, produzida a posteriori, sobre o processo de produção realizado no primeiro momento. Nossas reflexões pretendem demonstrar que (re)inventar a clínica na Terapia Ocupacional no contexto do Paradigma Psicossocial é tão possível quanto eticamente necessário. Na terapia ocupacional psicossocial, a saúde e a subjetividade são tomadas em sua continuidade moebiana e as dimensões subjetiva e social são indissociáveis. O sujeito, conforme concebido pela psicanálise, está entre homens e entre significantes, o referente de ação será o sujeito do inconsciente e o principal ‘meio’ de trabalho será a palavra e o fazer humano, considerado pelo Materialismo Histórico como a atividade vital do processo de humanização, em que ao fazer o homem faz a si mesmo. Com revoluções discursivas, avessas ao Discurso do Mestre e da Universidade, nos posicionamos no Discurso da Histérica e no Discurso do Analista, na ética do desejo. Assim é possível recuperar o aspecto simbólico-criativo-desejante das atividades, pensadas como dispositivos clínicos capazes de proporcionar equacionamentos de certos impasses nos processamentos específicos da subjetivação. Nesse modo de relação do sujeito com seu fazer, com o significante, e com os outros, há possibilidades transferenciais mais simbólicas e menos imaginárias, menos alienantes. E, sobretudo, a produção de subjetividades singularizadas, por definição, subversivas ao instituído social dominante. Somente assim será possível caminhar na direção de suplantar as velhas terapêuticas ocupacionais alienantes pertencentes ao Paradigma Psiquiátrico Hospitalocêntrico Medicalizador, não por acaso sintônico com o Modo Capitalista de Produção. Palavras-chave: Terapia Ocupacional na Saúde Coletiva; Atenção Psicossocial; Materialismo Histórico; Psicanálise do Campo de Freud e Lacan 7 SHIMOGUIRI, A.F.D.T. Contributions of the Freud and Lacan's Psychoanalysis and of the Historical Materialism to Occupational Therapy: a clinical of desire and privations in Collective Health. 2016. 134f. Dissertation (Master’s Degree in Psychology) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Assis, 2016. Abstract: Our main objective was to reflect about Occupational Therapy´s practices in the light of the paradigmatic analysis postulated by Costa-Rosa, who defines the Psychosocial Paradigm as a step beyond the Brazilian Psychiatric Reform. From a clinical and institutional praxis, we have attempted to found a modality of occupational therapy in which Freud and Lacan’s psychoanalysis and the historical materialism are the technical theoretical and ethical political references. We specify the focus of this reflection in the field of Collective Health, in the Psychosocial Care. We start from the Intercessor Device as a new Mode of Production of subjectivity and knowledge. Of transdisciplinary nature, the Intercessor Device originates mainly from psychoanalysis and Historical Materialism – as well as from inspirations of the french Institutional Analysis and Philosophy of Difference – to define two radically different moments of production: that of clinical praxis together with the “subjects of treatment” and of institutional praxis with the “collective of work”; and the moment of theoretical reflection, produced a posteriori, on the production process carried out along the first moment. Our reflections intend to demonstrate that (re)inventing the clinic in Occupational Therapy in the context of Psychosocial Paradigm is both possible and ethically necessary. In the psychosocial Occupational Therapy the health and the subjectivity are taken in their mobius continuity, so the subjective and social dimensions are inseparable. The subject, as conceived by psychoanalysis, is among men and between signifiers, the referent of action will be the unconscious's subject and the main means of work will be the word and the human´s doing, considered by historical materialism as the vital activity of the humanization process in which the man do to make himself. With averse discursive revolutions to Discourse of the Master and Discourse of the University, we choose the Discourse of the Hysteric and the Discourse of Analyst, in the desire's ethics. So it’s possible recovering the symbolic-creative-desiring aspect of activities, intended as clinical devices capable of equating impasses in specifics processes of subjectivity. In this mode of relationship of the man with his doing, with the signifier and with others men, there’re possibilities’s transference more symbolic and less imaginary, less alienating. Above all, the production of singularized subjectivities, by definition, subversive to the dominant social set. Only then will it be possible to move toward supplanting the old alienating occupational therapies pertaining to the Psychiatric Hospitalocentric Medicalizing Paradigm, not by chance in syntony with the Capitalist Mode of Production. Keywords: Occupational Therapy in Collective Health; Psychosocial Care; Historical Materialism; Psychoanalysis of Freud and Lacan’s field. LISTA DE SIGLAS AIE – Aparelhos Ideológicos de Estado AP – Atenção Psicossocial AVDs – Atividades de Vida Diária CAPS – Centro de Atenção Psicossocial CAPS ad – Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas CAPS i – Centro de Atenção Psicossocial infantil CID – Classificação Internacional de Doenças CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, incapacidade e saúde COFFITO – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional CRAS – Centro de Referência de Assistência Social CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social DA – Discurso do Analista DH – Discurso da Histérica DI – Dispositivo Intercessor DIMPC – Dispositivo Intercessor como Modo de Produção de Conhecimento DIMPS – Dispositivo Intercessor como Modo de Produção de Subjetividade DRS – Divisão Regional de Saúde DU – Discurso da Universidade ESF – Estratégia de Saúde da Família INSS – Instituto Nacional do Seguro Social MCO – Modelo de Comportamento Ocupacional MCP – Modo Capitalista de Produção 8 MCPO – Modelo Canadense de Performance Ocupacional MOH – Modelo de Ocupação Humana NAPS – Núcleo de Atenção Psicossocial PEH – Processo de Estratégia de Hegemonia PPHM – Paradigma Psiquiátrico Hospitalocêntrico Medicalizador PPS – Paradigma Psicossocial PTS – Plano Terapêutico Singular RAPS – Rede de Atenção Psicossocial RP – Reforma Psiquiátrica RPb – Reforma Psiquiátrica brasileira SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência SENAD – Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas SMC – Saúde Mental Coletiva SUS – Sistema Único de Saúde TDAH – Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade TO – Terapia Ocupacional UBS – Unidade Básica de Saúde UPA – Unidade de Pronto Atendimento 9 10 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO.12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.15 ENSAIO 1 UMA ANÁLISE DIALÉTICA DA TERAPIA OCUPACIONAL: CONSIDERAÇÕES SOBRE O MODO CAPITALISTA DE PRODUÇÃO E SEUS EFEITOS NOS PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO.20 1. INTRODUÇÃO.21 1.1. A “natureza ocupacional” pensada à luz do Materialismo Histórico.25 2. O FAZER HUMANO “A SERVIÇO DOS BENS”: ALIENAÇÃO E ESTRANHAMENTO NO MODO CAPITALISTA DE PRODUÇÃO.29 2.1. A institucionalização da divisão do trabalho.34 3. DA VIDA PRODUTIVA À TERAPIA OCUPACIONAL: A CAPTURA DO FAZER PELA PSIQUIATRIA.36 4. O MODO CAPITALISTA DE PRODUÇÃO E O PROCESSO ESTRATÉGICO DE HEEGEMONIA: UMA OUTRA COMPREENSÃO DA TERAPIA OCUPACIONAL ENQUANTO DISPOSITIVO DE PRODUÇÃO SOCIAL DE SAÚDE.40 5. CONCLUSÕES PRELIMINARES.47 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.48 ENSAIO 2 OS CENTROS DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL E A TERAPIA OCUPACIONAL COMO DISPOSITIVOS SOCIAIS DE PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADESSAÚDE.52 1. INTRODUÇÃO.53 2. O TERRITÓRIO E O CAMPO DE INTERCESSÃO.59 2.1 O Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas.65 2.2 O Centro de Atenção Psicossocial infantil.72 11 3. ALGUNS ATRAVESSAMENTOS: AS INTERNAÇÕES E A MEDICALIZAÇÃO DA VIDA E DO SOFRIMENTO.75 3.1 Os discursos de dominação e as tecnologias disciplinares.80 4. ALGUMAS CONCLUSÕES.84 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.85 ENSAIO 3 A TERAPIA OCUPACIONAL NA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL: DISCUSSÕES PRELIMINARES PARA CONCEITUAÇÃO DE UMA CLÍNICA DO DESEJO E DO CARECIMENTO.90 1. INTRODUÇÃO.91 2. BREVE HISTÓRIA DA TERAPIA OCUPACIONAL NA SAÚDE MENTAL.95 3. UMA ANÁLISE CRÍTICA DAS PRÁTICAS DA TERAPIA OCUPACIONAL E DAS ATIVIDADES ENQUANTO RECURSO TERAPÊUTICO A PARTIR DA REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEIRA.106 3.1. Concepção do ‘objeto’ e dos ‘meios’ de seu manuseio como fatores do modo de produção.109 3.2. Modos de organização das relações intrainstitucionais e interinstitucionais.112 3.3. Modos de relação da instituição com a clientela, a população e o território, e a recíproca.114 3.4. Modos dos efeitos produtivos típicos da instituição em termos de terapêutica e de ética.115 4. CONTRIBUIÇÕES DO MATERIALISMO HISTÓRICO E DA PSICANÁLISE DE FREUD E LACAN PARA UMA CLÍNICA DO CARECIMENTO E DO DESEJO.116 4.1. Esboços de um fazer em transferência na Terapia Ocupacional.118 5. PRIMEIRAS CONSIDERAÇÕES A CERCA DE UMA TERAPIA OCUPACIONAL PSICOSSOCIAL.121 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.122 CONSIDERAÇÕES GERAIS.130 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.133 12 APRESENTAÇÃO A Reforma Psiquiátrica brasileira – RPb (AMARANTE, 1995; 2003), ao colocar em questão a hegemonia do saber médico-psiquiátrico sobre o sofrimento psíquico, abriu caminho para outras formas de Atenção na Saúde Mental Coletiva (SMC), propondo instituições de base comunitária com equipes multiprofissionais (AMARANTE, 1995; 2003; ROTELLI; LEONARDIS; MAURI, 2001; RINALDI, BURSZTYN, 2008). Nesse contexto, dentre as várias disciplinas que se articularam para compor tais equipes está a terapia ocupacional (TO). A preocupação em ampliar subsídios para a clínica da TO parece ser uma constante desde a graduação; fato que se evidencia ao observarmos a quantidade de trabalhos com essa temática (CASTRO; SILVA, 1990; FERRARI, 1991; BENETTON, 1991; 1996; 2006; BOCK et. al., 1998; MÂNGIA, 2000; 2002; BARROS; GHIRARDI; LOPES, 2002; BRUNELLO, 2002; LANCMAN; GHIRARDI, 2002; BALLARIN, 2003; MEDEIROS, 2003; OLIVER; BARROS; LOPES 2005; RIBEIRO; OLIVEIRA, 2005; MÂNGIA; MURAMOTO, 2006; 2007; COSTA; FERIOTTI, 2007; RIBEIRO; MACHADO, 2008; JUNS; HÁ, 2008; BARROS, 2010; JUNS; LANCMAN, 2011; MÂNGIA; NICÁCIO, 2001; ALMEIDA; TREVISAN, 2011; COSTA; ALMEIDA; ASSIS, 2015). Todavia, mesmo depois de mais de três décadas da RPb, as descrições do que se pretende alcançar em termos terapêuticos e éticos na SMC são tão vagas quanto diversas, as concepções efetivadas do referente das ações de Atenção e dos meios de trabalho do terapeuta ocupacional chegam até mesmo a confundirem-se com os da Reabilitação Cognitiva ou dos Treinamentos de Habilidades, comuns aos processos educacionais. Nesse sentido, parece-nos que falta clareza paradigmática que sustente as ações da TO no âmbito da Atenção Psicossocial. Ao propor uma clínica na qual a psicanálise de Freud e Lacan e o Materialismo Histórico de Marx são referências teóricas, técnicas e ético-políticas importantes e imprescindíveis, Costa-Rosa (2013) inaugurou parâmetros mínimos para a teorização de um paradigma de Atenção em SMC já à frente da Reforma Psiquiátrica brasileira: o Paradigma Psicossocial (PPS). No PPS, partindo dos ideais do Materialismo Histórico (MARX, 2004), o principal ‘meio’ de trabalho da TO será o fazer humano na ética do carecimento/desejo, considerado 13 como dispositivo de subjetivação, a atividade vital e não alienada em que ao fazer o homem faz a si mesmo: na enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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