A experiência de gravidez, parto e pós-parto das imigrantes bolivianas e seus desencontros...

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Universidade de São Paulo Faculdade de Saúde Pública Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública A experiência de gravidez, parto e pós-parto das imigrantes bolivianas e seus desencontros na cidade de São Paulo – Brasil Rosário del Socorro Avellaneda Yajahuanca Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública para obtenção do título de Doutora em Ciências. Área de Concentração: Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade. Orientadora: Profª. Drª. Carmen Simone Grilo Diniz. Revisado São Paulo 2015 A experiência de gravidez, parto e pós-parto das imigrantes bolivianas e seus desencontros na cidade de São Paulo – Brasil Rosário del Socorro Avellaneda Yajahuanca Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Doutora em Ciências. Área de concentração: Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade. Orientadora: Profa. Dra. Carmen Simone Grilo Diniz. Revisado São Paulo 2015 RESUMO Yajahuanca RSA. A experiência da gravidez, parto e pós-parto das imigrantes bolivianas e seus desencontros na cidade de São Paulo. 2015. 192 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Programa de Pós-Graduação em Saúde Púbica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. Os deslocamentos de pessoas ou grupos dentro dos países e para fora destes podem ser motivados por fatores ambientais, econômicos, políticos ou religiosos. Atualmente, os bolivianos representam o grupo mais numeroso entre os hispano-americanos que vivem na cidade de São Paulo, com grande contingente de mulheres em idade reprodutiva. Elas neste processo migratório trazem consigo costumes de tradições culturais. Objetivos: Compreender as experiências vividas pelas mulheres bolivianas durante a assistência à saúde na sua gravidez, parto e pós-parto na cidade de São Paulo. Metodologia: Trata-se de um estudo qualitativo de base etnográfica que busca compreender os significados do contexto pesquisado. Foi realizada observação de plantões em ambientes do hospital na cidade de São Paulo, onde as mulheres bolivianas geralmente dão à luz. Os registros empíricos foram complementados com entrevistas individuais, realizadas na casa das mulheres depois da alta hospitalar. Resultado: Os cuidados de atenção do parto estão centrados em intervenções de rotina (episiotomia, cesárea, utilização de fórceps, manobras de Kristeller) diferentes dos procedimentos geralmente adotados no país de origem das mulheres entrevistadas. Os cuidados pós-parto (práticas alimentares, autocuidado no pós-parto) também contradizem os cuidados próprios de sua cultura. Referem que são ignoradas pela maioria dos profissionais durante o atendimento e que as informações sobre os procedimentos realizados e sobre a evolução do bebê não são claras. As peculiaridades culturais e linguísticas constituem barreiras adicionais à utilização dos serviços de saúde. Apesar de o direito universal à saúde ser reconhecido, na prática as mulheres enfrentam dificuldades no acesso aos serviços de saúde durante o processo de gravidez, parto e pós-parto. Conclusões: A pesquisa permitiu conhecer o contexto social e cultural de alguns saberes e práticas tradicionais das mulheres bolivianas e suas diferenças quanto à cultura do Brasil. A adaptação da assistência às especificidades culturais, a oferta de um ambiente mais acolhedor e a garantia do direito ao acompanhante no parto podem reduzir os medos e desconfianças pelos quais passam as usuárias e contribuir para uma melhor assistência a este grupo populacional. PALAVRAS-CHAVES: Saúde materna. Imigrantes bolivianas. Serviços de saúde. Interculturalidade. Violência obstétrica. ABSTRACT Yajahuanca, RSA. The experience of pregnancy, childbirth and postpartum of Bolivian immigrants and their clashes in the city of São Paulo. 2015. 192 f. Thesis (PhD in Sciences) – Graduate Program in Public Health, University of Sao Paulo, Sao Paulo, 2015. The displacement of people or groups within countries and out of these may be motivated by environmental, economic, political or religious. Currently, the Bolivian represent the largest group among Latin-americam foreigner sliving in the city of São Paulo, with a large proportion of women of reproductive age. They bring with them in this migration process customs of cultural traditions. Objective: To understand the experiences lived by the Bolivian women at health care in your pregnancy, childbirth and postpartum in the city of São Paulo. Methodology: This is a qualitative ethnographic study that seeks to understand the meanings of the researched context. Shifts observation was carried out in hospital environments in the city of São Paulo, where the Bolivian women often give birth. Empirical data were supplemented with individual interviews conducted in their homes after discharge from hospital. Result: The birth care care are centered in routine interventions (episiotomy, cesarean section, use of forceps, Kristeller maneuvers) customary generally adopted in the country of origin of the women interviewed. Postpartum care (eating habits, self-care in the postpartum) also contradict the very care of their culture. Report that are ignored by most professionals in the service and the information on the procedures performed and the evolution of the baby are unclear. Cultural and linguistic peculiarities constitute additional barriers to utilization of health services. Despite the universal right to health is recognized in practice women face difficulties in access to health services during the process of pregnancy stage, childbirth and postpartum. Conclusions: The research allowed knowing the social and cultural context of some traditional knowledge and practices of Bolivian women and their differences in the culture of Brazil. The adaptation of assistance to cultural, offering a more welcoming environment and guaranteeing the right to escort at birth can reduce the fears and suspicions which pass by the users and contribute to better care for this population group. KEYWORDS: Maternal health. Bolivian immigrants. Health services. Intercultural. Obstetric violence. AGRADECIMENTOS Agradecer em uma tese é parar e pensar nas pessoas que compartilharam essa trajetória, e não poderia deixar de fazê-lo porque ninguém faz nada sozinho. Por isso acho essencial esse momento para agradecer tantas pessoas que me ajudaram e quero que saibam que todas e todos foram muito importantes para mim! Tenho muito que agradecer primeiro e especialmente às mulheres bolivianas e suas famílias, que me permitiram conhecer suas histórias, lembranças, alegrias e suas experiências de um viver bem. É uma pena não poder citar seus nomes, mas vocês sabem que sempre estarão em meu coração. Também agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG) pela bolsa de estudos (processo 6022103) concedida. Agradeço ao Diretor Técnico do HMLMB Dr. Corintio Mariani Neto e todo o pessoal que aí trabalha, pelo apoio para a realização dessa pesquisa. A todas e todos sou muito grata! De modo especial quero agradecer à colega enfermeira Maria Tavares da Costa, com quem fiz uma grande amizade, obrigada minha querida amiga Mari pelo carinho e pelos cuidados quando mais precisei, sou eternamente agradecida. A minha orientadora, a professora Drª. Carmen Simone Grilo Diniz, por ter acreditado em mim pela segunda vez. Obrigada pelas orientações, sugestões e pelo bom convívio nesses quatro anos. Agradeço ainda, à professora Drª. Laura Perez Gil obrigada mais uma vez pela disponibilidade e por ter aceitado avaliar meu trabalho, pelos comentários e valiosas sugestões. À professora Drª. Ana Cristina d’Andretta Tanaka, por ter aceitado ser parte da banca e pelo acompanhamento desde o exame de qualificação. Ao professor Dr. Andrea Caprara, pela sua disposição para a leitura do meu trabalho e pelas suas importantes sugestões. À professora Drª. Marly Augusto Cardoso pela disponibilidade em participar da banca e pelas suas contribuições. Um agradecimento mais que especial à professora Drª. Cristiane da Silva Cabral, ou simplesmente Cris, meu respeito e admiração, por ser essa profissional que compartilha tempo e saberes. Agradeço pelas motivações e sugestões! Por aceitar ser parte da banca e pela leitura crítica e metódica do meu trabalho. Quero que saiba que você foi meu maior suporte nessa etapa final do trabalho, minha gratidão sem limites. Para o Dr Larry Purnell, PhD, RN, FAAN; Professor Emeritus, University of Delaware, Adjunct Professor, Florida International University, Adjunct Professor, Excelsior College, que tão gentilmente encaminhou para mim via e-mail seu Modelo de Competência Cultural (MCC) utilizado como referencial teórico em minha tese. Ao programa de Pós-graduação da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, que me acolheu todo este tempo, aos docentes, funcionários e colegas de todos os departamentos. Aos professores do Departamento Saúde Materno Infantil. Obrigada a todos e todas por serem generosos comigo, especialmente o professor Dr. Claudio Leone por ser uma pessoa especial em minha trajetória desde o mestrado. Para o professor Dr. Francisco Chiaravalloti Neto do Departamento de Epidemiologia pelas ajudas, motivações e atenção concedida. À senhora Marlene Trigo pela sua amizade e palavra de apoio no momento certo. Ao pessoal da Secretaria do Departamento de Saúde Materno Infantil: Leandro Filmino Cleto, Carmen Almeida Castelani e Ligia Went Rosa Mota. Obrigada mesmo pelo apoio, sempre atentos e dispostos à ajuda. Ao meu grupo querido de Gênero, Maternidade e Saúde (GEMAS) ao qual alumbram Heloisa Salgado, Halana Faria, Marcel Queiroz, Denise Niy, Paula Galindo, Priscila Cavalcanti, Bia Fioretti, Marina Miranda, Bianca Zorzam, Sandra Souza, Cláudia de Azevedo, Renata Silva, Brena Figueiredo Sena, entre outras tantas pessoas queridas. Obrigada pela generosidade e companheirismo. Obrigada Claudia Fontenele pelo apoio, pelas conversas e os tantos momentos que compartimos. Ao pessoal da secretaria da pós-graduação, sempre estarão em um lugar de meu coração: Vânia dos Santos Silva, Maria Aparecida Mendes, Renilda Maria de Figueiredo Shimono, Marilene Pereira, Ulysses M. D. M. da Silveira, Ângela de Andrade, Ângela Fernandez, Marcia Ferreira Dos Santos, Alexandra Blaya, Maria Antônia Claudino, Matheus Gobira Caldeira, todos vocês foram muito importantes no meu caminhar. A meus amigos queridos dos diversos departamentos desta Faculdade de Saúde Pública, pelo privilégio de dividir momentos especiais com vocês, obrigada de coração: Agda Oliveira, Mami Funghi, Patrícia Carla Santos, Yvi Sá, Sandra Nagaki, Edlaine Villela, Freddy Galvis, Francisco Ulloa, Francine Leite, Alexandra Pava, Ludmila Ramos Carvalho, Janaína Ralo, Vanessa Ribeiro, Ana Paula Francisco, Erika Ferreira Yura, Luna Gonçalves, Andressa Martins, Carol Abilio, Cleiton Eduardo Fiório, Maysa T. Motoki, Eliana Masuda, Cláudia Malinverni, Jamile Guimarães, Isabel Bastos, Rosalina Caputo, Rossana Mendoza, Ieda Borges, Sandra Costa de Oliveira. Drª Karem Dall Acqua Vargas, Drª Agleildes Arichele Leal De Queiroz (Liu) e Ana Claudia Mielke; obrigadíssima por tudo. Para o pessoal da biblioteca para José Estorniolo Filho e demais trabalhadores obrigada sempre. Para o pessoal de Tecnologia da Comunicação e Informação da FSP sempre atenciosos, obrigada pela valiosíssima ajuda, especialmente a Adilson M. Godoy e Marcellus William Janes. Para o pessoal da Xerox, Sergio e Rodrigo obrigada. Para meus amigos com quem compartilhei também momentos inolvidáveis e pela amizade que nos une aqui em São Paulo: Isabel Mercado Sandoval (Bolívia) obrigada pela amizade, carinho e cuidados. Também para Victor Gonzáles (Peru), Yollolxochitl Mancillas (México), Fany Travassos e seu marido Luís Zúnica (Brasil-Peru), Danny Anñez (Bolívia), Veronica Yujra (Bolívia), Julián Zapata Betancur (Colômbia), Damián Cruz (México), Samuel Miranda (Peru), Malgarete S. Conde (Brasil), Miriam Mercado Sandoval (Bolívia), Pasesa Quispe (Bolívia), Yesenia Comina (Peru), Antônio Andrade (Bolívia), Anderson Costa (Brasil). Para Amelia Pareja e sua família (Peru) grata por tudo. Para minha irmã de coração Rocío Chávez (Peru) obrigada por tudo Chio. Para minha amiga professora Drª Camilla Schneck, obrigada pelas sugestões no início do doutorado, você é uma pessoa muito especial para mim. Para Patrícia Pinheiros que dedicou parte de seu tempo para contar-me a problemática dos imigrantes bolivianos nos serviços de saúde. Agradeço aos amigos da Missão Paz de São Paulo, em especial aos padres Paolo, Alejandro e Luís, às voluntarias e todo o pessoal que trabalha ajudando os imigrantes que precisam de orientações, alimento e abrigo. Vocês fazem um trabalho maravilhoso! Para todos meus amigos e amigas em Peru, sou muita grata, a pesar da distância suas mensagens sempre estiveram cheias de força e energia positiva para chegar à meta final. E por fim agradeço a minha família maravilhosa. Aos meus amados pais biológicos Benigno Avellaneda e Clara Yajahuanca e aos meus pais de criação Víctor Angulo e Nila Carhuapoma de Angulo, pelo seu amor, constante incentivo, compreensão e principalmente pelos valores que sempre me ensinaram. A meus irmãos Consuelo, Benigno, Arturo, Maria Trinidad, Sara e Nila, por sempre torcerem por mim. Para meus tios, tias, primos, cunhados, cunhadas, sobrinhos, todos muito fundamentais em minha vida. Para Elva Rosário e Mateo sobrinhos especiais em minha vida, amo vocês. Muito obrigada a todos!!! SUMÁRIO APRESENTAÇÃO . 11 1 INTRODUÇÃO . 13 1.1 Imigração e necessidades de saúde . 13 1.2 Universalidade, integralidade, equidade na saúde dos imigrantes . 16 1.3 Minorias étnicas e a saúde dos imigrantes . 19 2 OS IMIGRANTES BOLIVIANOS EM SÃO PAULO . 23 2.1 Antes, porém, a Bolívia . 23 2.2 A mulher boliviana e o cuidado de sua saúde. 27 2.3 Bolivianas e bolivianos em São Paulo . 28 2.4 Bolivianas e o acesso aos serviços de saúde em São Paulo . 29 3. O REFERENCIAL TEÓRICO . 33 3.1 O Modelo para a Competência Cultural de Purnell . 35 4 OBJETIVOS . 39 4.1 Objetivo geral . 39 4.2 Objetivos específicos . 39 5 ASPECTOS METODOLÓGICOS . 40 5.1 A abordagem da pesquisa qualitativa . 40 5.1.1 Etnografia . 41 5.1.2 Entrevista . 42 5.2 O hospital . 43 5.2.1 Observação participante no hospital . 43 5.2.2 Local da pesquisa . 44 5.2.3 Descrição física do hospital . 46 5.3 Observações nos lugares de socialização . 51 5.3.1 Os encontros de bolivianos nas feiras da Kantuta e da Rua Coimbra . 51 5.4 As entrevistas nas casas . 54 5.5 Análises de dados . 54 5.6 Aspectos éticos . 55 6 ETNOGRAFIA DE UM COTIDIANO HOSPITALAR . 57 7 ENTRE TECIDOS E FIOS . 77 8 EXPECTATIVAS,DIFICULDADES E ÉXITOS NA IMIGRAÇÃO . 89 8.1 Os imigrantes bolivianos na labuta por seus sonhos . 89 8.2 O outro lado da moeda: novos donos de oficina de costura . 91 8.3. Os processos migratórios e o papel das mulheres . 92 8.4 Caminhos que não deram certo: imigração por um sonho . 94 9 “MADRE” BOLIVIANA E OS ELEMENTOS DE UMA TRADIÇÃO QUE SE MANTÉM. 99 9.1 Usur warmi: “doente” – mulher grávida . 101 9.2 Cuidados durante a gravidez . 101 9.3 O parto . 103 9.4 Manejo da placenta enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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