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A temática ambiental e os cursos superiores de turismo do Estado de São Paulo

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Documento informativo
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO ÁREA EDUCAÇÃO AMBIENTAL A TEMÁTICA AMBIENTAL E OS CURSOS SUPERIORES DE TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO LUCIANA THAIS VILLA GONZALEZ ORIENTADOR: PROF. DR.LUIZ MARCELO DE CARVALHO Dissertação apresentada ao de Biociências do Campus Claro, Universidade Estadual como parte dos requisitos obtenção do título de mestre. Rio Claro 2008 Instituto de Rio Paulista, para a “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOUS AMEI” (JO, 13, 34) AGRADECIMENTOS A Deus pelas inúmeras bênçãos e amor infinito. Ao Prof. Luiz Marcelo, não só por me orientar e ensinar, disponibilizar seu tempo e conhecimento, mas principalmente por ter me aceitado como orientanda, por confiar em minha capacidade, me incentivar e apoiar, e por tudo isso, marcar minha trajetória de forma definitiva. À Profa. Rosa, por toda ajuda, orientação, preocupação, presteza e bom humor que muito me ajudaram nestes anos de mestrado. A todos do grupo de estudos “A temática ambiental e o processo educativo”, em especial aos professores Luiz Carlos e Dalva, que sempre contribuíram muito com seus saberes, experiências e disposição em ajudar. A todos do Departamento de Educação, sobretudo à Sueli, que nunca negaram qualquer pedido, sempre colaborando com sensibilidade e boa vontade. Ao Prof. Zysman Neiman por se dispor a participar de minha banca, por suas considerações e gentilezas. A CAPES pelo apoio financeiro. À Universidade Estadual Paulista pela oportunidade e oferecimento do curso de mestrado. A todos os coordenadores de cursos de Turismo do Estado de São Paulo que colaboraram com esta pesquisa enviando os dados solicitados e, sobretudo, aos coordenadores dos cursos da UNESP e UFSCar que disponibilizaram seu tempo, informações e conhecimentos que foram fundamentais para a realização deste trabalho. A todos os amigos que fiz – Carolina, Caroline, Cris, Rosinha, Viviane, Lúcia, Beto e a todos os outros que compartilharam momentos de alegria, reflexão e “sufoco”. A Aline, de forma muito especial, que sempre me apoio, motivou e animou como seu coração enorme, calma, bondade e alegria. Aos meus pais e irmãs, simplesmente, por tudo. A minha tia Odette, por me mimar, fazer todas as minhas vontades e sempre estar por perto com todo o seu amor e paciência. A minha terceira irmã – Paula – por sempre ouvir minhas chatices, “viagens”, lamentações e alegrias quase que diariamente. A minha amiga Erika, por sua amizade tão certa e sincera, pelas risadas, pelas chateações, pelas baladas e confidências trocadas. Ao meu tio Paulo, por estar sempre por perto. E a todos aqueles que me ajudaram de alguma forma nestes dois anos e meio e que terão minha eterna gratidão. Muito obrigada! DEDICATÓRIA Aos meus pais – Lázaro e Rosa – que, certamente, são os maiores responsáveis por esta vitória. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.p . 01 OBJETIVOS.p. 13 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO. p. 13 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA. p. 18 CAPITULO I - TURISMO, INDÚSTRIA CULTURAL E MEIO AMBIENTE. p. 21 CAPÍTULO II – PANORAMA GERAL DA ABORDAGEM DA TEMÁTICA AMBIENTAL NOS CURSOS SUPERIORES DE TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO. p. 34 A “AMBIENTALIZAÇÃO” DA EDUCAÇÃO SUPERIOR. . p. 34 AS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS E OS CURSOS DE TURISMO. p. 48 CAPÍTULO III – CURSOS SUPERIORES DE TURISMO COM ENFOQUE EM MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO. p. 69 CAPÍTULO IV – A “AMBIENTALIZAÇÃO CURRICULAR” NOS CURSOS SUPERIORES DE TURISMO DO ESTADO DE SÃO PAULO. .p. 98 CONSIDERAÇÕES FINAIS. p. 113 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. p. 121 APÊNDICES. p. 128 RESUMO A emergência que os problemas ambientais evocam na atualidade tem obrigado as sociedades ocidentais contemporâneas a refletir e a questionar suas posturas, formas de agir, viver e pensar o mundo. A relação sociedadenatureza está em xeque, e, na busca de novos caminhos para se repensar a realidade, a Educação Ambiental, torna-se uma importante alternativa para que melhoremos a qualidade de vida de todos os seres vivos. Neste trabalho, procuramos olhar para a Educação Ambiental no ensino superior, posto que este nível de ensino é um importante espaço de produção do conhecimento em nossa sociedade. Assim, para entendermos melhor o processo de incorporação da temática ambiental no nível superior, voltamos nosso olhar para os cursos superiores de Turismo do Estado de São Paulo, pois esta é uma atividade que apresenta contínuo e notável crescimento em todo o mundo e que, muitas vezes, por estar se expandindo provoca danos ambientais graves exigindo que os profissionais formados para atuarem nesta área levem em consideração às questões ambientais em sua prática profissional. Apoiados no referencial da “indústria cultural” de Adorno e Horkeimer (1985), nas considerações de Leff (2001;2003) sobre a “construção do saber ambiental”, e nas proposições da Rede Aces sobre o conceito de “ambientalização curricular”, constatamos que a temática ambiental é considerada como um conhecimento válido (GIMENO, 2000a, 2000b) na formação dos bacharéis em Turismo na quase totalidade dos cursos analisados. Por meio da coleta de dados em documentos e entrevistas, e utilizando o método da “análise de conteúdo” proposto por Bardin (2004) para a análise dos dados, obtivemos fortes indícios de que a temática ambiental é trabalhada em grande parte dos cursos analisados, porém esta ainda é tratada de maneira pouco aprofundada devido a uma série de fatores, sendo que apenas três cursos dos cento e vinte e quatro analisados apresentaram um nível de “ambientalização curricular” bastante avançado. Finalizando o trabalho, apontamos alguns caminhos considerados viáveis para que o processo de “ambientalização curricular” torne-se mais presente nos cursos de Turismo. Palavras-chave: cursos superiores, Turismo, temática ambiental. ABSTRACT The emergence that the environmental problems evoke in the present has been obliging the western contemporary societies to consider and questioning his postures, the forms of acting, living and thinking the world. The relation society-nature is in sheikh, and, in the search of new ways in order that rethinks the reality, the Environmental Education, becomes an important alternative that improve the quality of life of all the lively beings. In this work, we try to look at the Environmental Education in the higher education, although this level of teaching is an important space of production of the knowledge in our society. So, to understand better the process of incorporation of the environmental issue in the higher education, we turn our glance for the degree courses of Tourism of the State of Sao Paulo, because this is an activity that presents continuous and notable growth in whole world and that, very often, because of being in expanding provokes environmental serious damages demanding what the professionals formed to act in this area take into account to the environmental questions in his professional practice. Supported in the referential system of the “cultural industry” of Adorno and Horkeimer (1985), in the considerations of Leff (2001; 2005) on the “construction of the environmental knowledge”, and in the propositions of the Rede Aces on the concept of “ curriculum greening”, we note that the environmental theme is considered a valid knowledge (GIMENO, 2000a, 2000b) in the formation of the alumni in Tourism in almost totality of the analysed courses. Through the collection of data in documents and glimpsed, and using the method of the “analysis of content” proposed by Bardin (2004) for the analysis of the data, we obtained strong signs of which the environmental issue is worked in great part of the analysed courses, however this one is still treated as a way little deepened due to series of factors, being that few courses of hundred and twenty four analysed ones presented a level of “curriculum greening” quite advanced. Finishing the work, we point to some respected viable ways so that the process of “curriculum greening” becomes more present in the courses of Tourism. Key-words: environmental issues, Tourism, higher education Introdução As sociedades ocidentais contemporâneas começaram a se dar conta da gravidade da crise ambiental, depois das sérias conseqüências provocadas pelas alterações ambientais, ocorridas, no decorrer do século XX. Segundo Hogan (1989), a emissão e concentração de poluentes e as inversões térmicas delas decorrentes, resultaram em mortes e doenças crônicas, em Pittsburg (1948, 20 mortes) e Londres (1952, 4000 mortes). No Japão, em 1956, o uso de metais pesados por uma indústria de fertilizantes, plásticos e fibras sintéticas provocou 107 mortes, além de 798 casos oficiais em que se constataram muitas alterações e anormalidades no estado de saúde de toda a população, prejudicando fauna e flora da região na qual se localizava tal indústria. Alguns outros acidentes ambientais, envolvendo indústrias de produtos químicos e usinas nucleares também mereceram destaque no século XX, como aqueles ocorridos em Niagara Falls (U.S.A.), Nova York (U.S.A. 1977), Sêveso (Itália, 1977), Cidade do México (México, 1985), Bhopal (Índia, 1985) e, talvez o que mais ficou conhecido pela população em geral, o acidente de Tchernobyl (URSS, 1986). Além destes acidentes, outro fato merecedor de destaque no despertar das sociedades contemporâneas em relação à crise ambiental, foi a publicação do livro “Primavera Silenciosa” (1962) de Rachel Carson. Nesse livro, a autora relatou os perigos do uso de pesticidas, para todas as formas de vida no planeta e a possibilidade de vivermos primaveras “sem o canto dos pássaros”. No ano de 1968, o “Clube de Roma” - instituição composta por empresários, políticos e cientistas, que tinham como objetivo discutir os limites do crescimento econômico, levando em consideração o uso dos recursos ambientais - encomendou ao MIT (Massachusetts Institute of Technology) um relatório sobre as conseqüências do desenvolvimento humano, no planeta, intitulado “Limites do crescimento”. Esse relatório, que apontava para a situação gravíssima dos problemas ambientais mundiais, defendia o crescimento econômico zero dos países, tanto dos já desenvolvidos, como dos subdesenvolvidos, para reverter o quadro de destruição ambiental do mundo e, assim, salvaguardar a vida no planeta. Este fato contribuiu muito para o fortalecimento de uma visão catastrófica do futuro da vida na Terra e para visões conservadoras do ponto de vista econômico, político e ambiental (TOZONI-REIS, 2001; CARVALHO, L., 1989). Assim, analisando o relatório de uma forma mais crítica, acredita-se que a proposta de crescimento zero do “Clube de Roma”, fundamentava-se na finitude dos recursos ambientais, e procurava manter e solidificar as diferenças econômico-sociais das relações do eixo norte-sul. Com um crescimento zero, os países subdesenvolvidos permaneceriam em sua situação de dependência econômica em relação aos países ricos e, assim, os quadros de pobreza, fome e desigualdade social do mundo manter-se-iam e passariam a ser considerados como normais e inevitáveis à custa da causa ambiental. As graves conseqüências dos processos de degradação ambiental no plano internacional e o início do movimento ambientalista motivaram a ONU organizar, em 1972, a Primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano, em Estocolmo – Suécia. Nessa Conferência, a educação dos indivíduos, para o uso responsável dos recursos ambientais teve destaque, como um dos instrumentos para a melhoria da qualidade de vida no planeta, não só do homem, mas também de todos os demais seres vivos. A discussão desses temas foi reforçada, em 1987, pelo relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, no qual o conceito de desenvolvimento sustentável, bem como as discussões relacionadas com desigualdades sociais e econômicas, causadas por estratégias e políticas de desenvolvimento, também apareceram pela primeira vez (TOZONI-REIS, 2001). Em 1975, a UNESCO assumiu a liderança dos debates regionais e internacionais sobre meio ambiente, realizando a Conferência de Belgrado – Iugoslávia, e em 1977, a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental em Tbilisi, Geórgia – URSS. Esses dois eventos reforçaram o potencial da Educação Ambiental para a construção de uma nova relação homem-natureza (TOZONI-REIS, 2001). No ano de 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro – Brasil, revisitou o documento de Tbilisi, na formulação da Agenda 21 (ONU, 1992), ampliando recomendações e diretrizes (TOZONI-REIS, 2001). Em 2002, em Joanesburgo, na África do Sul, a conferência Rio + 10 avaliou os resultados e avanços obtidos, desde a Conferência Rio 92, procurando traçar novas metas e estratégias, para o aprofundamento do debate ambiental. Passados trinta anos das proposições do Clube de Roma e mais alguns outros das conferências de Estocolmo, Belgrado, Tiblisi e Rio 92, a temática ambiental fortaleceu-se e ainda se fortalece como tema de discussão em âmbito mundial, ocupando cada vez mais espaço no cotidiano das pessoas, das empresas e nas agendas de governos de muitos países. De complexa abordagem, a questão ambiental provoca os mais diversos questionamentos sobre a relação que as sociedades ocidentais contemporâneas mantêm com a “natureza”. Os limites e incertezas dessa relação estão dados. A qualidade de vida, não apenas dos seres humanos, mas de todos os seres vivos, está seriamente comprometida por conta dos abusos que algumas sociedades cometem contra a natureza (SOFFIATI, 2005; LIMA, 2005). É interessante observar, atualmente, que a questão ambiental é discutida e considerada relevante por grande parte da população. O reconhecimento em relação à importância e a prioridade da questão são inegáveis. Para Carvalho (1989), há, na verdade, um aparente consenso em torno dos problemas ambientais, mas ao considerarmos as diferentes concepções político-ideológicas a eles relacionadas o seu caráter controverso se expressa de forma imediata. Ainda para o autor, as discordâncias no debate ambiental tornam-se evidentes, já quando questões que envolvem aspectos técnicos da temática ambiental são discutidos, mas, nem sempre, tais discordâncias chegam ao conhecimento do grande público. O que é importante considerarmos, no entanto, é que, embora alterações ambientais significativas possam ser vistas como processos que ocorrem, desde o surgimento da espécie humana na Terra (CARVALHO, L., 1989; SOFFIATI, 2005), a crise ambiental da forma como a entendemos hoje, deve ser considerada como um “acontecimento” do nosso tempo (CARVALHO, I., 2002). Alguns autores defendem a idéia de que uma das causas desta crise é o processo de “separação” entre homem e natureza, que começou a se intensificar na Grécia Antiga, quando da passagem do pensamento filosófico pré-socrático, que priorizava o entendimento da physis, ou o mundo da natureza, para o pensamento filosófico do período clássico que dava destacava o nomos, ou “mundo da cultura” (BORNHEIM, 1985). Nessa fase temos uma valorização dos conhecimentos relacionados ao homem e ao que este era capaz de construir, surgindo assim uma dicotomia no pensar ocidental. A Teoria das Idéias de Platão (427-347 a.C.) pode ser vista como um bom exemplo destas mudanças no pensamento filosófico. Nessa teoria podemos reconhecer o surgimento da dicotomia real/aparente, onde nada na realidade é perfeito, e tudo o que os sentidos apreendem são cópias de um mundo perfeito – o mundo das idéias (CHAUI, 2002; SEVERINO, 1994). Essa dicotomia deu origem a outras, no pensamento ocidental, como “corpo/alma”, “interno/externo”, “luz/trevas”, “sujeito/objeto”, “homem/natureza” e essa forma de pensar o mundo é, talvez, a característica mais marcante do Ocidente. Também as religiões (o judaísmo e o cristianismo) tiveram uma forte influência neste processo de separação do homem em relação à natureza e na moldagem da cultural ocidental (SEVERINO, 1994). A Bíblia, no Antigo Testamento, em Gênesis, apresenta várias passagens nas quais o domínio humano em relação à natureza é dado por Deus. Outro fator que solidificou a separação homem/natureza surgiu na Modernidade, com o pensamento do filósofo René Descartes (1596 – 1650) que revolucionou a lógica de seu tempo transformando a razão em um dos pilares da Modernidade, e seu legado atualmente ainda nos influencia (SEVERINO, 1994). Em sua obra, Discurso sobre o Método, Descartes discorre sobre o “método” que estabeleceu para buscar a verdade, e entre suas idéias que por um lado, muito contribuíram para o desenvolvimento do conhecimento humano; por outro, reforçaram a crença na dominação da natureza pelo homem: Pois elas [as noções da física] me fizeram ver que é possível chegar a conhecimentos que sejam muito úteis a vida, e que, em vez dessa Filosofia especulativa que se ensina nas escolas, se pode encontrar uma outra prática, pela qual, enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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