A importância da informação para os profissionais da área artístico-cultural:: um estudo exploratório na cidade de Belo Horizonte

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A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO PARA OS PROFISSIONAIS DA ÁREA ARTÍSTICO-CULTURAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NA CIDADE DE BELO HORIZONTE José Carlos Salomão José Carlos Salomão A IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO PARA OS PROFISSIONAIS DA ÁREA-ARTÍSTICO-CULTURAL: UM ESTUDO EXPLORATÓRIO NA CIDADE DE BELO HORIZONTE Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciência da Informação. Área de Concentração: Informação Social Orientadora: Prof.^ Dr." Ana Maria Rezende Cabral Belo Horizonte Escola da Ciência da Informação 2001 ; ü fA^ fmgraiijíi FOLHA DE AFROVACÃO fkuiíi; A mpxfmfida da m/immição para m pmfissmms da ârm aríístico-cuJiaml: Sím estado ^Kptomiárk) na dtiaile de Beü) iioriiímít. A] »r>ü ^: Jos^*/Câ:rí os. Sa Dauí; 05 tie setembro de 2001. Disscrtaçiio -dc «lestriuio deiendida juníir» Prograítsíi dç Püíí^ <3nHÍyaçào íim Gicricia. da jüform:iç;lo da UfMO- aprovada pels biíjtca ex;í5nni ad ora: / : - .r-'T , .-Z^- ;. . í>ro&, í>a. Ana Míiría R^o^i^ndc Calnal - Orí^tsdora Escoh òe Citíncia cia Informação da CIFMt» :;:; : ^\?!Í:-iiíí. íi-»in j^ pro.Oi, lira. Ana Marüa J^erd ra Cardoso Pi;C-NiG Dna. ívlaitíi í^jnhçlro A«n Es«aJade Ciência ii^^atofonnaç^^ Pom, mm pxí c Mòda, mãe. Agradeço a Ana Maria Rezende Cabral, minha orientadora, paciente e justa, aos professores da Escola de Ciência da Informação da UFMG, à coordenação, secretárias e bibliotecárias do PPGCI da Escola de Ciência da Informação da UFMG, aos entrevistados, aos amigos e colegas que ofereceram seu braço nos momentos de tropeço. "O preço, hoje, é o mais importante. Mas estou com a consciência em paz, porque mantenho o espírito do artesão" (J. D. - Artesão, p. 102) SUMÁRIO INTRODUÇÃO 01 1 A CULTURA 10 1.1 Informação e Cultura 1.1.1 A linguagem: estofo comum _10' ^i 5 1.2 O Profissional de informação 17 1.3 Interpretações da Cultura 23 2 A CULTURA COMO VALOR 29 2.1 Cultura e Identidade 29 2.2 Criatividade e Autonomia da Criação 32 3 O VALOR ECÔNOMICO DO BEM CULTURAL 3.1 Demanda: formação do valor 3.2 A Economia da Cultura 4 POLÍTICAS CULTURAIS 4.1 Evolução das Políticas Culturais 4.2 As Leis de Incentivo à Cultura 4.2.1 Leis Federais 35 _35 40 44 _44 54 _54 4.2.1.1 Lei do Audiovisual ^54. 4.2.1.2 Lei Federal de Incentivo à Cultura 54 4.2.2 Lei Estadual de Incentivo à Cultura - Minas Gerais 56 4.2.3 Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Belo Horizonte 58 4.3 Fontes de Informação para as atividades culturais 5 PESQUISA DE CAMPO 5.1 Metodologia 60 65 ^65 5.2 Os Profissionais da Cultura em Belo Horizonte: Perfil e Importância da Informação 74 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 105 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS II7 Anexo 1: Roteiro de entrevista estruturada 122 Anexo 2: Classificação dos profissionais da área artístico cultural 124 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Início das atividades dos profissionais da área artistico-cultural 75 TABELA 2 - Coniiecimento, pelos entrevistados, da sua inclusão no 1° Guia Cultural de Belo Horizonte _76 TABELA 3 - Influência do fato de constar no 1° Guia Cultural de Belo Horizonte nas atividades artistico-culturais 76 TABELA 4 - Busca de informações para o exercício da atividade cultural, por área de atuação 78 TABELA 5 - Informações buscadas pelos profissionais da área artisticocultural, agrupadas em categorias a posteriori TABELA 6 - Fontes de informação utilizadas 79 80 TABELA 7 - Busca de informações pelos profissionais para a atividade artistico-cultural sob o aspecto econômico, por área 81 TABELA 8 - Informações buscadas para as atividades culturais sob o aspecto econômico, categorizadas a posteriori 83 TABELA 9 - Fontes de informação utilizadas para obtenção de informações, sob o aspecto econômico _84 TABELA 10 - Conhecimento das fontes de informação disponibilizadas pela Secretaria Estadual de Cultura. _85 TABELA 11 - Uso das fontes de informação disponibilizadas pela Secretaria Estadual de Cultura. 85 TABELA 12 - Circunstância de uso das fontes de informação disponibilizadas pelas Secretarias de Cultura. 86_ TABELA 13 - Concordância quanto à possibilidade de viver exclusivamente da produção artistico-cultural, por área 87 TABELA 14 - Concordância quanto à influência do fator econômico na estética, por área 89 TABELA 15 - Concordância quanto à necessidade de uma política pública de apoio às atividades artistico-culturais 94 TABELA 16 - Modos de condução das políticas culturais, de acordo com os profissionais da área artistico-cultural TABELA 17 - Conhecimento e utilização da Lei de Incentivo à Cultura io1 103 RESUMO Avaliar a importância da informação nas atividades dos profissionais da área artísticocultural da cidade de Belo Horizonte, pressupondo-se a existência de campo de trabalho para o profissional de informação, consiste no objetivo desse estudo. Para tanto, foi realizada, inicialmente, uma revisão de literatura, que permitiu identificar algumas referências teóricas comuns aos campos da Cultura e da Ciência da Informação. Foram abordados conceitos relativos à Linguagem, à Cultura e Informação, às Interpretações da Cultura, à Identidade Cultural, à Economia da Cultura, às Políticas Culturais e às Leis de Incentivo à Cultura. Contou-se com o referencial teórico para análise das respostas obtidas, em entrevista estruturada, de uma amostra dos profissionais catalogados no 1° Guia Cultural de Belo Horizonte, obtendo-se as seguintes conclusões: as fontes de informação disponíveis para a área são conhecidas pela maioria dos entrevistados, mas não contribuem significativamente para que eles desempenhem suas atividades, tanto sob o aspecto estético quanto sob o aspecto econômico. Há, entre os entrevistados, elevada consciência da importância da informação para preservação da identidade cultural do grupo, para manutenção da autonomia no ato criativo e para o incremento do resultado econômico do seu trabalho. No âmbito da política cultural, as aspirações dos profissionais entrevistados voltam-se para o incentivo à criação, para a preservação da autenticidade, para oportunidade à vanguarda e para os mecanismos de divulgação e distribuição dos bens culturais, entre outras. observada, que o profissional Considera-se, com base na demanda de informação pode encontrar no universo dos profissionais da área artístico-cultural importante campo de atuação e pesquisa, tendo em vista a relevância que a transferência de informação assume na dimensão social dessa atividade. Palavras-chave: Informação e Cultura - Profissional de Informação - Políticas Culturais ABSTRACT The goal of this essay is to evaluate the importance of information on the activities of Arts & Culture workers in Belo Horizonte City, considering the work opportunities for infonnation workers in this field. In order to reach this goal, a literature review was made, resulting in the identification of a theoretical framework related to both Culture and Information Science, including concepts as Language, Culture and Information, Interpretation of Culture, Cultural Identity, Cultural Economy, Cultural Policy and the Cultural Incentive Laws. Structured interviews were conducted with a stratified sample of the population of Arts & Culture workers, listed in the First Cultural Guide of Belo Horizonte City. The relevant theoretical framework was applied to the analysis of the subjects' responses, resulting in the following conclusions: the majority of the subjects is aware of the available information sources regarding artistic and cultural activities, but such sources don't seem to contribute to their practice either in the aesthetical or in the economic aspect. There is on the part of the subjects a high level of awareness regarding the importance of information to the preservation of the group's cultural identity, as well as to its role in supporting innovation, creativity, and the economic results of their work. The subjects aspire to a cultural policy concerned with the creation of incentives, the preservation of authenticity and innovation, and the distribution channels for cultural goods. Based on such requirements, we understand that important work and research opportunities for information workers are available in the field of Arts & Culture, given the relevance that information transfer has on the social dimension of such activities. Keywords: Information and Culture - Information Worker - Cultural Policy 1 INTRODUÇÃO As idéias que fazem parte da vida de um povo e os valores que regulam as relações sociais, num dado momento histórico, podem se expressar por meio de artefatos, aos quais se pode referir como produtos, ou bens, culturais' e que oferecem informação, entretenimento, prazer estético e identificação social. De fato, para LARAIA(1989), " o modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são produtos de uma herança cultural, ou seja, o resultado da operação de determinada cultura "(p-71 ) A observação do cotidiano permite admitir que, nas sociedades atuais, ocorre um crescimento exponencial do consumo de informações e entretenimento, caracterizando uma indústria cultural, termo cunliado por Adorno e Horkheimer na obra Dialética do Esclarecimento, publicada originalmente em 1944. A partir de então, considera-se que existe uma indústria cultural quando os bens e serviços culturais são produzidos, reproduzidos, conservados e difundidos segundo critérios industriais e comerciais, ou seja, em série, e sob a tutela de uma estratégia econômica. As diversas classificações da cultura, ou das culturas, que serão estudadas no decorrer do presente trabalho, revelam-se arbitrárias nessa nova dimensão. BOSI (1993), reconhece que os critérios de classificação devem e podem mudar e, ao apresentar uma proposta de classificação, considera que pelo termo cultura entendemos uma herança de ' TEIXEIRA COELHO encontra distinção entre produto cultural e bem cultural, ao afirmar que esse último vincula-se à noção de um patrimônio pessoal ou coletivo que, por seu valor simbólico, não poderia ser trocado por moeda. Mas admite que, na atualidade, a maioria desses bens tornou-se fungível, ou seja: eles podem ser consumidos. TEIXEIRA COELHO, Dicionário crítico de política cultural. São Paulo:lluminuras,1999, (p.318). 2 valores e também de objetos, que compartilhamos como grupo humano relativamente coeso. Entre uma manifestação de cultura tradicionalmente denominada erudita e uma outra denominada popular, o autor acrescenta ainda outras duas: cultura criadora in4ivjdualizada e cultura de massa ou indústria cultural. Apesar da posição crítica assumida por inúmeros intelectuais, percebe-se, já na década de 60, uma tendência a examinar-se com maior atenção a cultura de massa, sob a égide de Marshall McLuhan, quando a comunicação de massa começa a tornar-se um recurso importante para a discussão pública das questões político-sociais. Naquele mesmo período, crescem as denúncias de uma ideologia conformista e alienante embutida nos produtos da indústria cultural. As reflexões então surgidas continuam importantes para a construção de um pensamento de resistência, mas, apesar disso, o êxito comercial e a importância econômica dos produtos dessa indústria ficam evidentes em diversas abordagens estatísticas e no empenho dos países centrais do capitalismo em promover e garantir a distribuição, em nível mundial, dos bens culturais produzidos em seus territórios. Como exemplo, note-se que a produção cultural brasileira movimentou , em 1997, cerca de 6,5 bilhões de reais, o que con-espondeu a, aproximadamente, 1% do PIB brasileiro naquele ano. O mais interessante, no entanto, é que para cada milhão de reais gasto em cultura, geram-se 160 postos de trabalho diretos e indiretos (DIAGNÓSTICO DOS INVESTIMENTOS EM CULTURA NO BRASIL, 1998). A dimensão destes números, em termos do impacto social e economico, que evidencia a potencialidade da área para a geração de renda e empiego, não e fieqüentemente revelada nas avaliações acadêmicas sobre a cultura. 3 Estudo do governo australiano revela que a movimentação anual de bens e serviços culturais naquele país atinge a cifra de US$ 13 bilhões. O Governo australiano investe no segmento através de programas específicos de incentivos à produção e encorajamento da demanda por produtos culturais^ O Canadá aprovou em 1994 a criação do CIRC - Cultural Industries Research Center, cujo objetivo é desenvolver suporte à pesquisa, prover infra-estrutura organizacional destinada aos participantes da indústria cultural e prover serviços de informação com o fim de coletar, organizar e distribuir informações econômicas, gerenciais e legais aos produtores culturais . No Brasil, as Leis N° 8313 ( Rouanet) e N° 8685 ( Lei do Audiovisual), além de leis estaduais e municipais, concedem incentivos fiscais a empresas que invistam em projetos culturais. Em Minas Gerais, a Lei Estadual de Incentivo à Cultura, criada em dezembro de 1997 ( Lei N° 12.733) permite que as empresas destinem 3% do valor devido do ICMS - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços a projetos culturais aprovados por uma comissão técnica da Secretaria de Estado da Cultura. No âmbito municipal, a Lei 6.498, da Prefeitura de Belo Horizonte, chamada Lei Municipal de Incentivo à Cultura, autoriza que as empresas utilizem 20% do valor devido ao ISSQN - Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, um tributo municipal, para financiar projetos culturais. A crescente participação da economia da cultura no PIB nacional, como visto , parece refletir, ainda que de modo tímido, um resultado dos incentivos fiscais concedidos e configura uma perspectiva sob a qual pode ser analisada a cultura, sem perder de vista o aspecto crítico. - Consultado na Internet, no endereço www.artv.org.au em 23 de outubro de 1998. ' Consultado na Internet, no endereço www.bus.ualberta.ca/ClRC, em 23 de outubro de 1998. 4 O significativo contingente de 510 mil pessoas envolvidas na produção e distribuição de bens culturais no Brasil (DIAGNÓSTICO DOS INVESTIMENTOS EM CULTURA NO BRASIL, 1998, p.l2), está a esperar da comunidade acadêmica um olhar sobre a importância da informação para o desenvolvimento das atividades da área. Propusemo-nos, dessa forma, elaborar uma revisão de literatura que contivesse os eixos de interseção entre as interpretações da cultura e as propostas teóricas da Ciência da Informação, encontrando, continuamente, a linguagem como estofo comum a ambas. Nesse sentido, o Profissional da Informação vê ampliada a exigência que lhe é feita pela complexidade do real: encarrega-se da produção de sentido no diálogo fundamental entre o criador e a obra criada, e encara o desafio de estabelecer novos canais de interação entre o artefato cultural, elevado à situação de bem simbólico, e o cidadão usuário da informação nele contida. Torna-se também necessária uma abordagem da cultura enquanto valor para as sociedades. Ao mesmo tempo em que os produtores culturais ganham autonomia para definir em seu próprio meio os valores a partir dos quais ficam estabelecidos os lugares hierárquicos em que se situam os bens criados, instância definida por BOURDIEU(1982) como capital cultural, os artefatos adquirem importância simbólica e econômica na medida em que passam a ser signos de distinção e de satisfação de necessidades no âmbito social (CANCLINI,I997, p.39). Nesse horizonte, emerge, ainda, a necessidade de compreender a evolução das políticas culturais, entendidas estas como o planejamento e a execução, por parte do poder público, de programas de intervenção nas instâncias de produção, distribuição e uso da cultura, ainda que estas iniciativas sejam movidas por compensações ao próprio poder, de âmbito psicológico, social e econômico (KOSTER,1998). Parece correto supor 5 que as políticas culturais devam ser suportadas por estruturas iníbrmacionais e, sendo assim, nossa proposta é analisá-las de um ponto de vista localizado no município de Belo Horizonte e relacionado a um contexto mais amplo, como contido nas deliberações das conferências mundiais da UNESCO para as questões culturais, a que o presente trabalho voltará a se reportar. A produção cultural em Minas Gerais dispõe de informações suficientes para desenvolver-se de forma autônoma e consistente? A resposta a esta questão só poderia ser obtida por meio de consulta às pessoas diretamente envolvidas com esta atividade: os próprios produtores culturais. Torna-se, assim, necessário identificar os sujeitos que constituem este universo, selecionar as amostras e proceder a uma pesquisa de campo, fundamentada no conhecimento desenvolvido durante a revisão de literatura, a fim de avaliar a adequação das informações disponíveis para o exercício do trabalho nas atividades culturais. São poucas as pesquisas existentes sobre o assunto. Dentre elas, encontram-se algumas de considerável importância na coleta, organização e disponibilização de dados sobre o campo cultural no Estado de Minas Gerais, destacando-se, pelos critérios de credibilidade e isenção, as que foram conduzidas por entidades governamentais, o que evidencia a importância do papel do Estado na condução de políticas de desenvolvimento de uma economia da cultura. São elas: I - A Fundação João Pinheiro, no período de 1985 a 1997, conduziu três pesquisas com o objetivo de dotar o Governo Federal de uma base de dados sobre o setor cultural' e de avaliar o impacto dos investimentos públicos e privados em cultura na economia brasileira. A primeira pesquisa abordou os gastos efetuados pelo setor público; a segunda consistiu na avaliação dos gastos em cultura de uma amostra selecionada dentre 6 maiores empresas privadas e públicas e suas fundações; e a terceira estimou a participação do setor cultural no Produto Interno enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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