Aspectos ecológicos da determinação sexual em tartarugas.

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Aspectos Ecológicos da Determinação Sexual em Tartarugas Paulo Dias FERREIRA JÚNIOR1 Resumo Os aspectos ecológicos relacionados à reprodução das tartarugas e de outros répteis que apresentam determinação sexual dependente da temperatura de incubação desempenham um papel crucial no equilíbrio das populações. Nestas espécies a razão sexual dos filhotes é controlada pela temperatura a que os ovos são submetidos durante a incubação. Entender como as características do local da desova afetam a temperatura da incubação é essencial para que se possa argüir sobre os fatores que controlam a ecologia, a reprodução e a distribuição geográfica das tartarugas. Este trabalho de revisão aborda o modo de reprodução das tartarugas e a maneira como a reprodução é afetada pelo meio físico. Palavras-chave: quelônio, reprodução, nidificação, incubação, sedimento Ecological aspects of turtle sex determination Abstract The ecological aspects related to the reproduction of turtles and other reptiles, which present incubation temperature-dependent sex determination, play a crucial role in their population equilibrium. For such species, the sex ratio of hatchlings is controlled by the nest temperature during incubation. To understand how the nest site characteristics affect temperature is essential for considering the factors which control the ecology, reproduction and distribution of turtles. In this paper, we have made a review on the way turtles reproduce and how the physical environment affects reproduction. Key words: chelonian, nesting place, incubation duration, sediment 1 Mestrado em Ecologia de Ecossistemas. Centro Universitário Vila Velha, Rua Comissário José Dantas de Melo, 21, Bairro Boa Vista, Vila Velha – ES (CEP: 29.102-770).Telefone: (27) 3421-2082, e-mail: pdfj@hotmail.com 139 vol. 39(1) 2009: 139 - 154 Aspectos Ecológicos da Determinação Sexual em Tartarugas Introdução Sob a denominação popular de tartaruga abrigam-se, atualmente, mais de 250 espécies divididas em 14 famílias da Ordem Testudinata (Pritchard & Trebbau, 1984; Ernst & Barbour, 1989; Iverson, 1992; Ewert et al., 2004). As tartarugas ocupam os mais diversos ambientes como rios, lagos, pântanos, mares, desertos e florestas, existindo espécies adaptadas a viverem exclusivamente em terra e outras nas águas dos rios, lagos e mares. Estudos originados na década de 1960 demonstraram que a vulnerabilidade de vários répteis antecede a eclosão e tem momentos críticos durante a incubação. A descoberta que a determinação sexual do lagarto Agama agama é controlada pela temperatura de incubação dos ovos abriu um novo campo de pesquisas (Charnier, 1966). Uma determinada faixa de temperatura produz apenas machos e outra, exclusivamente fêmeas, existindo ainda um intervalo de transição onde são gerados ambos os sexos. Esta descoberta descortinou um novo e fascinante cenário de pesquisas que busca determinar os elementos físicos que afetam e influenciam o sexo dos embriões. Hoje, é consenso que a temperatura é o elemento principal da determinação sexual de inúmeras espécies de tartarugas. A análise dos parâmetros que controlam a temperatura da incubação é uma tarefa árdua, pois no ambiente natural as condições físicas do local da desova e as características meteorológicas variam muito, sendo difícil separar a influência de cada fator, assim como quantificar a sua importância. Os locais de desova diferem entre as espécies ou até mesmo em uma mesma espécie. Os sítios de desova escolhidos pelas tartarugas, por exemplo, distribuem-se por praias e bancos arenosos lacustres, fluviais e marinhos, áreas vegetadas ou campos arenosos abertos, entre folhas e restos vegetais de matas densas e substrato lamoso. Os resultados obtidos nos ninhos naturais apresentam uma maior heterogeneidade, sugerindo que parâmetros diversos daqueles mensurados e monitorados nos experimentos em laboratórios estão interagindo e que, inequivocamente, os ninhos não podem ser considerados como sistemas fechados. Este trabalho de revisão aborda o modo de reprodução dos quelônios e a maneira como a reprodução é afetada pelo meio físico. Os estudos dos elementos e das condições de contorno envolvidos na determinação sexual dos quelônios mostram um campo aberto a especulações, muitas vezes sem conclusões que possam ser estendidas ou generalizadas às outras espécies. As relações mais complexas dizem respeito à tentativa de se mostrar uma correlação entre a temperatura de incubação, a duração da incubação e a razão sexual dos filhotes. O foco principal das discussões centra-se nestes três parâmetros, mas freqüentemente outros elementos compõem o cenário das pesquisas, tais como, as características do substrato onde ocorre a incubação, a umidade dos ninhos, o período e a temperatura crítica da determinação sexual e o mecanismo envolvido na diferenciação das gônadas. Princípios da determinação sexual dependente da temperatura de incubação (DST) A descoberta da determinação sexual dependente da temperatura de incubação (DST) chamou a atenção para as condições em que ocorre a incubação. Em inglês são encontradas duas siglas: TSD (temperature-dependent sex determination: Bull, 1980) e EDS (environmental sex determination: Bull et al., 1985) para o termo “determinação sexual dependente da temperatura de incubação”. Na DST uma determinada faixa de temperatura induz o desenvolvimento de machos e outra faixa de temperatura, o desenvolvimento de fêmeas. Separando essas faixas termais existe uma zona de transição onde são gerados machos e fêmeas. Neste caso, as condições físicas que regem a incubação terão um papel decisivo na proporção de indivíduos machos e fêmeas produzidos em cada ninho (razão sexual). Para espécies com DST a diferença na razão sexual é devida à influência da temperatura de incubação e não a taxas de mortalidade diferenciadas entre os sexos (Bull & Vogt, 1979). Pieau (1971) foi o primeiro a trabalhar com quelônios descobrindo a DST em Testudo graeca e Emys orbicularis. Yntema (1976, 1979) mostrou que para Chelydra serpentina há uma relação inversa entre a temperatura e a duração da incubação, e uma diminuição de 2 °C na temperatura média aumenta em até 20 dias a duração da incubação. Yntema (1979) manipulou a temperatura de incubação ao longo de vários estágios do desenvolvimento embrionário de C. serpentina, definindo o período termo-sensitivo, ou seja, o momento em que a temperatura age irreversivelmente sobre a diferenciação das gônadas. O período termo-sensitivo em tartarugas de água doce (Graptemys, Chrysemys picta e C. serpentina) e em tartarugas marinhas (Caretta caretta) é o mesmo e localiza-se no segundo terço do desenvolvimento embrionário (Bull & Vogt, 1979, 1981; Yntema, 1979; Yntema & Mrosovsky, 1982; Vogt & Bull, 1982). Ao tomar como base os estágios do desenvolvimento (Yntema, 1968), e não a duração da incubação, Yntema (1979) criou uma metodologia que permite comparações entre diversas espécies de quelônios, independente da taxa do desenvolvimento embrionário. A determinação sexual depende do efeito cumulativo da temperatura. No estágio inicial, no primeiro terço da incubação, a temperatura influencia a determinação sexual, mas a reversibilidade é possível. No segundo terço da incubação, a determinação sexual é irreversível (Bull & Vogt, 1981). Neste estágio, a temperatura atua na síntese de enzimas envolvidas na diferenciação das gônadas (Pieau, 1996). 140 vol. 39(1) 2009: 139 - 154  ferreira junior Aspectos Ecológicos da Determinação Sexual em Tartarugas A temperatura pivotal, também denominada temperatura crítica ou threshold, define a produção de 50% de machos e 50% de fêmeas (Bull, 1980). Quando a embriogênese se processa a temperaturas próximas à pivotal, pequenas diferenças de 1 °C a 2 °C são suficientes para alterar a razão sexual dos embriões (Yntema & Mrosovsky, 1982). A amplitude da zona de transição da temperatura, em que machos e fêmeas são gerados, é muito variável. Para as tartarugas marinhas Natator depressus e Dermochelys coriacea (Hewavisenthi & Parmenter, 2000) é de menos de 1 °C, já para Chelonia mydas fica em torno de 4 °C (Mrosovsky et al., 1984). O efeito das variações da temperatura durante a incubação na razão sexual dos filhotes dependerá da amplitude da zona de transição da temperatura. Apesar de a temperatura da incubação ser reconhecidamente um fator que afeta a determinação sexual dos embriões, a taxa de estrógeno é um elemento ainda mais importante, pois embriões tratados com estrógeno geram fêmeas em temperaturas apropriadas ao desenvolvimento de machos e machos se desenvolvem quando a síntese de estrógeno é bloqueada em uma temperatura que tipicamente produz fêmeas (Wibbels et al., 1994; Pieau, 1996). Mas como é a temperatura de incubação que regula a produção de estrógeno, deduz-se que no ambiente natural a temperatura da incubação é o elemento básico da determinação sexual (Wibbels et al., 1994). Os estudos sobre DST em quelônios envolvem dificuldades inerentes às características fisiológicas dos animais recémeclodidos. O dimorfismo sexual, na maioria das espécies, somente é visível após alguns anos de vida, sendo que nos embriões e filhotes recém-eclodidos o meio mais seguro para se aferir o sexo são estudos histológicos. A análise histológica de C. serpentina realizada por Yntema (1976) serve de orientação para outras espécies. Trabalhos recentes mostraram que a partir da aplicação dos princípios da morfometria geométrica foi possível correlacionar o sexo dos filhotes recém-eclodidos das tartarugas de água doce Podocnemis expansa e Chrysemys picta com a forma da carapaça (Valenzuela et al., 2004). Determinação sexual dependente da temperatura de incubação (DST) e determinação sexual genotípica (DSG) A DST é o mecanismo mais freqüente entre os quelônios (Figura 1), mas em algumas espécies a determinação sexual independe da temperatura de incubação. A determinação sexual genotípica (DSG) é menos freqüente em quelônios, mas é comum em cobras e lagartos. Em inglês tem-se a sigla GDS (genotypic sex determination: Bull, 1980). Já foram testadas 80 espécies quanto ao modo de reprodução, destas, 64 apresentaram DST (Tabela 1) e 16 apresentaram DSG (Tabela 2). Além das 49 espécies apresentadas na tabela 1, Ewert et al. (1994, 2004) apontaram 15 espécies com DST sem informar a temperatura pivotal ou o local da coleta dos Figura 1 - Relação entre a temperatura da incubação e a razão sexual de quelônios. A razão sexual será expressa pela porcentagem de fêmeas. Baixas temperaturas de incubação induzem a produção de machos e altas temperaturas de incubação levam ao desenvolvimento de fêmeas. A DST é comum em tartarugas marinhas (Caretta caretta), terrestres (Testudo hermanni) e de água doce (Emys orbicularis). Fonte dos dados: C. caretta (Yntema & Mrosovsky 1979), T. hemanni (Eendebak 1995) e E. orbicularis (Pieau 1971). ovos. Dessas espécies sete pertencem à família Emydidae (Deirochelys reticulata, Emydoidea blandingii, Pseudemys concina, P. floridana, P. nelsoni, P. texana, Terrapene carolina) e cinco à família Geomydidae (Chinemys nigricans, C. reevesii, Mauremys annamansis, Rhinoclemmys areolata, R. pulcherrina). Essa amostragem abarca 12 das 14 famílias de quelônios e cerca de 70% das espécies conhecidas de tartarugas ainda não foram testadas quanto ao seu modo de reprodução. Cromossomos sexuais são reconhecidos em cobras e lagartos, mas são aparentemente raros em anfisbênias e quelônios e ausentes em crocodilianos e na tuatara (Sphenodon punctatus) (Bull, 1980; Janzen & Paukists, 1991a). Uma questão filogenética, aparentemente simples, mas com profundas implicações evolutivas ainda permanece sem um veredicto conclusivo e diz respeito a quem surgiu primeiro, se a DST ou a DSG. Com base em estudos filogenéticos foi sugerido que DSG é o mecanismo ancestral dos vertebrados (Head et al., 1987; Wibbels et al., 1994; Janzen & Krenz, 2004). Para as tartarugas, a DST seria o mecanismo primitivo (Ewert & Nelson, 1991; Janzen & Paukstis, 1991b) e a DSG surgiu de forma independente pelo menos seis vezes dentro desse clado (Janzen & Krenz, 2004). Para lagartos a DST teria se originado, independentemente, pelo menos três vezes. Dessa forma, alterações no mecanismo da determinação sexual seriam relativamente freqüentes nos vertebrados (Valenzuela & Lance, 2004). A seleção natural favorece a DST quando um indivíduo é fortemente influenciado pelas condições ambientais e quando ele tem pequeno controle sobre as condições ambientais 141 vol. 39(1) 2009: 139 - 154  ferreira junior Aspectos Ecológicos da Determinação Sexual em Tartarugas Tabela 1 - Espécies com determinação sexual dependente da temperatura de incubação (DST) (* espécies brasileiras, ‡ espécies com duas temperaturas pivotais). Família Espécie Temperatura Pivotal (°C) Local Autor Tartarugas marinhas Cheloniidae Caretta caretta* 29,7 África do Sul Maxwell et al. (1988) 28,6 Austrália Limpus et al. (1985 in Hanson et al. 1998) 30 Georgia (EUA) Yntema & Mrosovsky (1982) 29 Carolina, Geórgia e Flórida (EUA) Mrosovsky (1988) 29,1 Brasil Marcovaldi et al. (1997) 28,7 Austrália Limpus et al. (1983 apud Kaska et al. 1998) 28,9 Austrália e Chipre Georges et al. (1994), Reece et al. 2002b 29 Turquia e Chipre Kaska et al. (1998) Chelonia mydas* 28,5 a 30 Costa Rica Standora & Spotila (1985) 28,8 Ilha Ascenção Godley et al. (2002) 28,5 a 28,8 Suriname Mrosovsky et al. (1984) 29,2 Chipre Broderick et al. 2000 28,6 Chipre Reece et al .2002b Eretmochelys imbricada* 29,2 Antigua Mrosovsky et al. (1992) 29,6 Bahia (Brasil) Godfrey et al. (1999) Lepidochelys kempii ~ 30 Costa Rica McCoy et al. (1983) Lepidochelys olivacea* 28,5 a 30,5 Costa Rica Ruiz et al. (1981 apud Spotila et al. 1987) 30 Costa Rica McCoy et al. (1983) 31 Costa Rica Wibbels et al. (1998) Natator depressus 29,5 Queensland (Austrália) Hewavisenthi & Parmenter (2000) Dermochelyidae Dermochelys coriacea* 29,5 Suriname Mrosovsky et al. (1984) 28,7 a 29,7 Suriname Rimblot et al. (1985) 29,4 Costa Rica Binckley et al. (1998) Tartarugas de água doce Carettochelyidae Carettochelys insculpta Australia Georges (1992) Chelydridae Chelydra serpentina‡ 20 e 28 a 30 Wisconsin (EUA) Yntema (1976, 1979) 21 e 29 Wisconsin (EUA) Yntema (1976) 29 Wisconsin (EUA) Vogt & Flores-Villela (1992) 25,6 Flórida (EUA) Ewert et al. (1994) 27 Veracruz (México) Vogt & Flores-Villela (1992) Macroclemys temminckii‡ 24,4 e 27,1 Flórida (EUA) Ewert et al. (1994) Dermatemydidae Dermatemys mawii 28 Veracruz (México) Vogt & Flores-Villela (1992) Emydidae Actinemys (Clemmys) marmorata ~ 30 Oregon e Califórnia (EUA) Ewert et al. (1994) Clemmys guttata < 30 Nordeste dos EUA Ewert et al. (1994) Chrysemys picta 20 e 28 a 30 Tennesse e Wisconsin (EUA) Bull et al. (1982b) 20 e 27,5 Ontário (Canadá) Schwarzkopf & Brooks (1985) Emys orbicularis 28,5 Brenne (França) Pieau (1971, 1982) Graptemys barbouri 28,5 Flórida (EUA) Ewert et al. (1994) Graptemys caglei 29,9 EUA Ewert et al. (1994) Graptemys geographica 28 a 29 Wisconsin (EUA) Bull et al. (1982b) Graptemys ouachitensis 28 a 29 Wisconsin (EUA) Bull & Vogt (1979) , Bull et al. (1982b) Graptemys pseudogeographica 29 a 29,5 EUA Bull et al. (1982b) 29 EUA Ewert et al. (1994) Graptemys pulchra 28 a 29 Mississippi (EUA) Bull et al. (1982b) Graptemys versa 30,4 EUA Ewert et al. (1994) Trachemys decorata Ewert et al. (2004) Terrapene ornata < 29 Nebraska (EUA) Packard et al. (1985) Trachemys scripta 29 Alabama (EUA) Bull et al. (1982a) 142 vol. 39(1) 2009: 139 - 154  ferreira junior Aspectos Ecológicos da Determinação Sexual em Tartarugas Tabela 1 - Continuação Família Espécie Temperatura Pivotal (°C) Local 29 Alabama e Tenneesse (EUA) 28,7 Flórida (EUA) 28 Veracruz (México) 29 Sul do México Geoemydidae Heosemys grandis > 25 Malanochelys trijuga 25,7 Pelusios castaneus > 27 Kinosternidae Kinosternon alamosae ~27,6 Kinosternon arizonense‡ ~24,3 e 30,4 Kinosternon baurii ~24 e 27,3 Sudeste dos EUA Kinosternon creaseri‡ ~26 Kinosternon flavescens‡ 23,5 a 25 e 28 Nebraska e Kansas (EUA) > 30 Sonora (México) Kinosternon hirtipes > 27 Chihuahua Kinosternon leucostomun‡ 25,5 e ~32,1 EUA 28 Veracruz (México) Kinosternon scorpioides* ~27,5 Kinosternon sonoriense ~28,5 Kinosternon subrubrum hippocrepis‡ ~24,5 e 28 Sudeste dos EUA Kinosternon subrubrum subrubrum ~28 Sudeste dos EUA Sternotherus carinatus‡ 25,4 e 28,5 Sternotherus minor‡ 24,5 e 26,4 Flórida (EUA) Sternotherus odoratus‡ 23,5 a 25 e 28 Alabama (EUA) Pelomedusidae Pelomedusa subrufa‡ ~29 e 32,1 EUA Podocnemididae Podocnemis expansa* < 34 Rio Trombetas – PA (Brasil) > 32,5 > 31 Colômbia Podocnemis sextuberculata* Rio Japurá – AM (Brasil) Podocnemis unifilis* 32 Rio Guaporé - RO (Brasil) Tartarugas terrestres Testudinidae Gopherus agassizi 31 a 32 Nevada (EUA) Gopherus polyphemus < 31,8 Carolina do Sul (EUA) Testudo graeca 30 a 31 Brenne (França) Testudo hermanni 31,5 Holanda Autor Bull et al. (1982b) Ewert et al. (1994) Vogt & Flores-Villela (1992) Vogt (1990) apud Vogt et al. (1994) Ewert et al. (2004) Ewert et al. (2004) Ewert & Nelson (1991) Ewert et al. (2004) Ewert et al. (2004) Ewert et al. (2004) Ewert et al. (2004) Vogt et al. (1982) Ewert et al. (1994) Ewert et al. (1994) Ewert et al. (1994) Vogt & Flores-Villela (1992) Ewert et al. Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos conduto radicular. O objetivo deste estudo foi investigar e estabelecer uma relação precisa da quantidade de luz transmitida através de pinos de fibra e seu efeito na KHN e na RA de um cimento resinoso de dupla polimerização. Nossos resultados mostram boas evidências de que a quantidade de luz tranamitida é baixa e não tem influência na retenção do pino ao conduto radicular ou na microdureza do cimento resinoso dual auto-adesivo utilizado. Em face aos nossos achados não recomendamos utilizar cimentos fotopolimerizáveis ou de dupla polimerização. Pelas razões discutidas nossa recomendação é de que até o surgimento de novas evidências científicas apenas materiais auto-polimerizáveis sejam utilizados. Importante salientar que não estamos contraindicando os pinos translucentes. Estes pinos tem características mecânicas semelhantes aos outros fibroresinosos. Só não recomendamos seu uso associado a cimentos que dependam da luz no seu processo de polimerização. A utilização de cimentos resinosos auto-adesivos de dupla polimerização deve ser discutida à parte. O uso desses cimentos traz vantagens baseadas na diminuição de passos clínicos, facilidade técnica, diminuição da possibilidade de erros e do tempo clínico gasto nos dos procedimentos de cimentação. Em recente estudo pode-se verificar que em algumas situações clínicas valores de resistência adesiva foram superiores para pinos cimentados com um cimento auto-adesivo comparativamente aos cimentados pela técnica adesiva convencional independente do tipo do cimento quanto à reação química (Mongruel et al., 2012), e a justificativa para tais achados é exatamente pelo fato da simplicidade da técnica. Sendo assim, o uso do cimento auto-adesivo utilizado em nosso trabalho parece ser eficiente na cimentação de pinos intrarradiculares desde que, assim como em qualquer cimentação, os conceitos que regem estes procedimentos sejam fielmente atendidos.     58   Não obstante a toda essa discussão técnico-científica, o fator preponderante na retenção de um pino continua a ser a retenção friccional. Uma boa adaptação do pino continua sendo primordial para o sucesso restaurador. A função do cimento é tão somente preencher os espaços entre o pino e o canal radicular favorecendo a retenção friccional. Lembrando por fim que nenhum cimento tem a capacidade de compensar preparos intrarradiculares em comprimento inadequado ou um pino mal adaptado (Summitt at al., 2001).   59 8 – ANEXOS   Referências   61   1. Akgungor G, Akkayan B. Influence of dentin bonding agents and polymerization modes on the bond strength between translucent fiber posts and three dentin regions within a post space. J Prosthet Dent 2006;95:368-78. 2. Albuquerque RC, Polleto LTA, Fontana RHBTS, Cimini Junior CA. Stress analysis of an upper central incisor restored with different posts. J Oral Rehabil 2003;30:936-43. 3. Anusavice KJ. Phillips, Materiais Dentários. Rio de Janeiro: Elservier, 2005. 4. Asmussen E, Peutzfeldt A, Heitmann T. Stiffness, elastic limit, and strength of newer types of endodontics posts. 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