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A gestão do patrimônio arqueológico pelo estado brasileiro: o caso do sítio arqueológico do Morro da Queimada, Ouro Preto-MG

Documento informativo

Maria Raquel Alves Ferreira A gestão do patrimônio arqueológico pelo estado brasileiro: O caso do sítio arqueológico do Morro da Queimada, Ouro Preto-MG Parte dos morros da Serra de Ouro Preto. “Vila Rica”. [1817-1821]. Aquarela sobre lápis. Autor: Thomas Ender 2011 Maria Raquel Alves Ferreira A gestão do patrimônio arqueológico pelo estado brasileiro:: O caso do sítio arqueológico do Morro da Queimada, Ouro Preto-MG Parte dos morros da Serra de Ouro Preto. “Vila Rica”. [1817-1821]. Aquarela sobre lápis. Autor: Thomas Ender Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Área de concentração: Bens Culturais, Tecnologia e Território Linha de pesquisa: Gestão do Patrimônio no Ambiente Construído Orientador: Luiz Antônio Cruz Souza Co-orientadora: Yacy Ara Froner Gonçalves Belo Horizonte Escola de Arquitetura da UFMG 2011 À Meus pais, Adilson e Ivete, meus irmãos, Paula, Carolina e Eduardo, e a meu marido, Felipe. AGRADECIMENTOS Agradeço aos professores do MACPS-UFMG, por terem me transmitido as informações que possibilitaram a realização deste curso de Mestrado em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, de proposta inovadora e atual. E, sobretudo, ao meu orientador, Professor Luiz Souza, e à minha co-orientadora, Professora Yacy Ara Froner Gonçalves, agradeço pelas proposições e discussões apresentadas em cada orientação, possibilitando novas abordagens que enriqueceram esta pesquisa. Aos funcionários do Escritório Técnico do IPHAN em Ouro Preto, minha extrema gratidão pela forma solícita como me atenderam, ao chefe do ETOP/IPHAN, Rafael Arrelaro, à responsável pela organização do Arquivo Administrativo da Casa da Baroneza, Ilza Perdigão, e à historiadora Simone Fernandes, pelas informações prestadas, de fundamental importância para o desenvolvimento desta dissertação. Também aos ex-chefes do ETOP/IPHAN, Benedito Tadeu de Oliveira, pelas informações sobre o Projeto de Implantação do Parque Arqueológico do Morro da Queimada, e à Marta D’ Emery Alves, por ter me alertado sobre a degradação do Sítio do Morro da Queimada. Também aos arqueólogos da Superintendência de Minas Gerais, Alexandre Delforge e Jeanne Crespo. RESUMO A questão da preservação ambiental vem tornando-se mais frequente nas discussões referentes à gestão pública no Brasil. A alta concentração da população brasileira na zona urbana ocasiona o adensamento das áreas centrais e o crescimento das cidades para as periferias, na maior parte dos casos, sem planejamento. Outro agravante é a implantação de obras de infraestrutura de modo desvinculado da preservação ambiental. Conjuntamente com as atividades extrativistas realizadas sem critério em áreas rurais, o crescimento urbano sem planejamento causa danos ao ambiente, incluindo-se aí a destruição dos bens culturais existentes nestas áreas, sobretudo aqueles mais frágeis e vulneráveis, como os bens de natureza arqueológica. Em Minas Gerais, os sítios urbanos históricos da época colonial, preservados até meados do século XX, a partir da década de setenta retomaram suas atividades socioeconômicas, com um novo ciclo vinculado ao minério de ferro e também com a atividade turística, iniciando-se um processo de crescimento urbano desordenado, modificando a paisagem original e deteriorando o patrimônio arqueológico existente no entorno do centro histórico. Considerando o fato de que Sítios Urbanos Históricos possuem formas de proteção específicas, esta pesquisa buscou compreender como se dá a gestão do patrimônio arqueológico inserido em sítios urbanos tombados. Buscou-se conhecer os conceitos e os valores que nortearam os protocolos internacionais de preservação, as Cartas Patrimoniais, e sua relação com a legislação nacional e as políticas de gestão do patrimônio brasileiro, com foco no patrimônio arqueológico. Em relação à pesquisa de campo, selecionou-se o Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, localizado em Ouro Preto-MG, que guarda vestígios do antigo arraial minerador que deu origem ao Sítio Urbano Histórico tombado pelo IPHAN. Através da análise dos documentos do Arquivo Administrativo do IPHAN em Ouro Preto, observou-se a atuação do Instituto na preservação do sítio arqueológico em questão, seus entraves e conquistas. Assim, a pesquisa faz uma contextualização das políticas de preservação arqueológicas no Brasil e realiza análises estatísticas deste processo de gestão, principalmente no Morro da Queimada. O entendimento desta situação é fundamental para a realização de políticas urbanas que conciliem de modo integrado desenvolvimento e preservação. Palavras-Chave: Patrimônio cultural, gestão urbana, legislação, arqueologia ABSTRACT The question of environmental conservation is becoming more common in discussions about public management in Brazil. The high concentration of Brazilian population in the urban area causes the crowding of central areas, and the growth of cities towards the suburbs, in most cases, without planning. Another problem is the implementation of infrastructure highly divorced from environmental preservation. Along with the extraction activities carried out without discretion in rural areas, unplanned urban sprawl causes environmental damage, including therein the destruction of existing cultural property in these areas, especially those most vulnerable and fragile, like the nature of archaeological property. In Minas Gerais, the urban historical sites from the colonial era, which were preserved until the mid-twentieth century, resumed their socioeconomic activities since the seventy’s, with a new economic cycle tied to iron ore and also with the tourist activity, starting a process of urban sprawl, changing the original landscape and deteriorating the existing archaeological heritage around the town. Considering the fact that Historic Urban Sites have specific forms of protection, this study sought to understand how to happen the management of the archeological traces inserted in urban sites declared cultural heritage is done. With this search we tried to learn the concepts and values that guided the preservation of international protocols, the UNESCO legal instruments, and its relationship with national laws and policies for the management of the Brazilian heritage, with a focus on the archaeological heritage. In relation to the field research, we selected the Archaeological site of the Morro da Queimada, located in Ouro Preto-MG, which preserves traces of the former camp miner originated the Historic Urban Site declared national heritage and protected by IPHAN. Through the analysis of the documents from the IPHAN Archive's Administrative, in Ouro Preto, we observed the activity of the Institute for the conservation of the archaeological site in question, its obstacles and achievements. Thus, the research makes a contextualization of the policies to preserve archaeological sites in Brazil and performs a statistical analysis of this process of preservation, especially in the Morro da Queimada. The understanding of this situation is crucial to the achievement of urban policies that fully reconciled development and preservation. Key-Words: Cultural heritage, urban management, legal apparatus, archaeology LISTA DE ILUSTRAÇÕES Gráfico 01: Quantidade de publicações produzidas por ano no Brasil, que compõem o acervo da Biblioteca do Museu Nacional da UFRJ, desde 1870 a 2009. Gráfico 02: Quantidade acumulada de publicações produzidas desde 1870 até 2009 no Brasil, que compõem o acervo da Biblioteca do Museu Nacional da UFRJ. Gráfico 03: Quantidade de publicações produzidas por décadas, desde 1870 até 2009 no Brasil, que compõem o acervo da Biblioteca do Museu Nacional da UFRJ. Gráfico 04: Número de publicações sobre arqueologia e antropologia biológica brasileira. Gráfico 05: Quantidade acumulada de sítios tombados pelo IPHAN desde 1938 até 2010. Gráfico 06: Quantidade de sítios tombados pelo IPHAN por décadas, desde 1938 até 2010. Gráfico 07: Número de licenças de pesquisa expedidas pelo IPHAN para arqueólogos em território brasileiro (janeiro de 2003 a agosto de 2010). Gráfico 08: Quantidade de documentos encontrados no Arquivo Administrativo do Escritório Técnico de Ouro Preto-IPHAN, referentes à área do Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, desde 1936 a 2009, distrubuídos anualmente. Gráfico 09: Quantidade acumulada de documentos encontrados no Arquivo Administrativo do Escritório Técnico de Ouro Preto-IPHAN, referentes à área do Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, desde 1936 a 2009. Gráfico 10: Quantidade de documentos encontrados no Arquivo Administrativo do Escritório Técnico de Ouro Preto-IPHAN, referentes à área do Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, desde 1936 a 2009, distrubuídos por décadas. Gráfico 11: Quantidade de documentos organizados por assunto, encontrados no Arquivo Administrativo do Escritório Técnico de Ouro Preto-IPHAN, referentes à área do Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, desde 1936 a 2009, distrubuídos anualmente. Gráfico 12: Quantidade acumulada de documentos, organizados por assunto, encontrados no Arquivo Administrativo do Escritório Técnico de Ouro Preto-IPHAN, referentes à área do Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, desde 1936 a 2009. Gráfico 13: Quantidade de documentos organizados por assunto, encontrados no Arquivo Administrativo do Escritório Técnico de Ouro Preto-IPHAN, referentes à área do Sítio Arqueológico do Morro da Queimada, desde 1936 a 2009, distrubuídos por décadas. Figura 01: Delimitação do Perímetro Tombado pelo IPHAN - 1989 Figura 02: Delimitação do Perímetro de Delimitação Especial do Plano Diretor de 1996 Figura 03: Ruínas das construções das construções do arraial minerador setecentista. Figura 04: Ruínas de um moinho. Figura 05: Mapa de Ouro Preto - 1897. Figuras 06 e 07: Ocupação irregular das ruínas – segunda metade do século XX. Figura 08: Foto Aérea de Ouro Preto. Figura 09: Foto Aérea de Ouro Preto. Figura 10: Foto Aérea de Ouro Preto. Figura 11: Imagem de satélite de Ouro Preto Figura 12: Mapa de Localização do Parque Cachoeira das Andorinhas e sua relação com as demais UC’s na região de Ouro Preto. Figura 13: Foto do Morro da Queimada de 1990. Figura 14: Foto do Morro da Queimada de 1998. Figura 15: Mapa da evolução do Morro da Queimada entre 1950 e 1997. Figura 16: Área levantada pelo Projeto de Implantação do Parque Arqueológico do Morro da Queimada. Figura 17: Delimitação da área do Parque Arqueológico do Morro da Queimada e adjacências. Figura 18: Delimitação do Perímetro de Tombamento do IPHAN -1989- Anexo VII da Portaria 122/2004. Figura 19: Delimitação do Perímetro da Zona de Proteção Especial do Plano Diretor Municipal de 1996. Figura 20: Delimitação do Perímetro de Tombamento do IPHAN -1987. Figura 21: Delimitação do Perímetro de Tombamento do IPHAN -1989. Figura 22: Sítios por município – 1698 sítios pré-coloniais - Estado de Minas Gerais – 2010 Figura 23: 867 sítios pré-coloniais georreferenciados - Estado de Minas Gerais – 2010 LISTA DE SIGLAS ABCH – Associação Brasileira de Cidades Históricas AMA-OP – Associação de Amigos de Ouro Preto APA – Área de Preservação Ambiental APA-OP – Associação de Proteção Ambiental de Ouro Preto BDMG – Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais CECOR – Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG CEFET-OP – Centro Federal de Educação Tecnológica de Ouro Preto (atual Instituto Federal de Minas Gerais, IFMG) CODEMA – Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental de Ouro Preto CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente CONDEPHAAT - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNSA – Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do IPHAN DEPROT – Departamento de Proteção Legal do IPHAN DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral DPHAN Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional EIA/RIMA – Estudo de Impacto Ambiental para respectivo Relatório de Impacto Ambiental EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo (antiga Empresa Brasileira de Turismo) ENAH – Escola Nacional de Antropologia e História do México ETOP I – IPHAN – Escritório Técnico de Ouro Preto – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional FAFICH - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas FEOP – Fundação Educativa de Ouro Preto FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos FNSDEC – Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Cultura GAT – Grupo de Assessoramento Técnico da PMOP IBAMA – Instituto Brasileiro de Meio Ambiente IBPC - Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural IB-USP – Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo ICCROM – International Centre for the Study of the Preservation and Restoration of Cultural Property ICOM - International Council of Museums ICOMOS - International Council on Monuments and Sites IEF – Instituto Estadual de Florestas IEPHA-MG - Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais INAH – Instituto Nacional de Antropologia e História do México INC- Instituto Nacional de cultura do Peru IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional IRPA - Royal Institute for Cultural Heritage MA – Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo MAE-USP – Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia MinC – Ministério da Cultura do Governo Federal do Brasil MPF – Ministério Público Federal MPE – Ministério Público Estadual PAC – Plano de Aceleração do Crescimento do Governo Federal PMOP – Prefeitura Municipal de Ouro Preto PRONAPA – Projeto Nacional de Pesquisa arqueológica PVCDMOP – Plano de Valorização, Conservação e Desenvolvimento de Mariana e Ouro Preto SAB – Sociedade Brasileira de Arqueologia SGPAB – Sistema de Gerenciamento do Patrimônio Arqueológico Brasileiro SPHAN - Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional SPHAN/FNpM - Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/Fundação Nacional pró-Memória UFBA – Universidade Federal da Bahia UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais UFOP – Universidade Federal de Ouro Preto UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UNESCO - United Nations Educational Scientific and Cultural Organization USP – Universidade de São Paulo ZPAM - Zona de Proteção Ambiental do Plano Diretor Municipal de Ouro Preto ZPE – Zona de Proteção Especial Plano Diretor Municipal de Ouro Preto SUMÁRIO INTRODUÇÃO . 8 1 O PENSAMENTO ARQUEOLÓGICO A PARTIR DO SÉCULO XX . 15 2 PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO: LEGISLAÇÃO, CONCEITOS E AÇOES DE PRESERVAÇÃO. 28 2.1 A proteção do patrimônio arqueológico no contexto internacional: diretrizes de intervenção . 29 2.1.1 Conceitos e ações de reconhecimento e gerenciamento vinculadas à preservação do patrimônio arqueológico . 37 2.1.2 Conservação e Arqueologia . 41 2.1.3 Conservação Urbana . 43 2.1.4 A gestão do patrimônio arqueológico no México e no Peru . 49 2.2 A gestão do patrimônio arqueológico no Brasil . 51 2.2.1 Proteção legal do patrimônio arqueológico brasileiro: desafios e conquistas. 51 2.2.2 Apontamentos históricos sobre os institutos de pesquisa brasileiros voltadas para a preservação do patrimônio arqueológico:. 63 2.2.3 Apontamentos históricos sobre o IPHAN, criação e trajetória da instituição até os dias atuais, focando a preservação do patrimônio arqueológico . 72 3 O SÍTIO ARQUEOLÓGICO DO MORRO DA QUEIMADA . 86 3.1 Apontamentos Históricos . 86 3.2 O IPHAN em Ouro Preto: o papel do patrimônio arqueológico para a instituição na época do tombamento e seus desdobramentos nas gestões posteriores . 101 3.3 Análise da Pesquisa Documental realizada no Arquivo Administrativo da Casa da Baronesa, ETOP I – IPHAN, referente à preservação do Sítio Arqueológico do Morro da Queimada . 110 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS. 125 CONCLUSÃO . 135 REFERÊNCIAS . 138 APÊNDICES . 151 LISTA DE PASTAS PESQUISADAS NO ARQUIVO ADMINISTRATIVO DO E.T.O.P. I – IPHAN . 151 LISTA DE SIGLAS . 156 NOMENCLATURA E SIGLAS enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. Buschmann S, Warkentin E, Xie H, Langer JD, Ermler U, et al. (2010) The structure of cbb3 cytochrome oxidase provides insights into proton pumping. Science 329: 327–330. 11. Fee JA, Case DA, Noodleman L (2008) Toward a chemical mechanism of proton pumping by the B-type cytochrome c oxidases: application of density functional theory to cytochrome ba3 of Thermus thermophilus. J Am Chem Soc 130: 15002–15021. 12. Chang HY, Hemp J, Chen Y, Fee JA, Gennis RB (2009) The cytochrome ba3 oxygen reductase from Thermus thermophilus uses a single input channel for proton delivery to the active site and for proton pumping. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 16169–16173. 13. Luna VM, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2008) Crystallographic studies of Xe and Kr binding within the large internal cavity of cytochrome ba3 from Thermus thermophilus: structural analysis and role of oxygen transport channels in the heme-Cu oxidases. Biochemistry 47: 4657–4665. 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