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Comparação entre os requisitos de iluminação artificial dos sistemas de rotulagem ambiental aplicados no Brasil para edifícios comerciais, de serviços e públicos: estudo de caso

Documento informativo
Universidade Federal de Minas Gerais COMPARAÇÃO ENTRE OS REQUISITOS DE ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL DOS SISTEMAS DE ROTULAGEM AMBIENTAL APLICADOS NO BRASIL PARA EDIFÍCIOS COMERCIAIS, DE SERVIÇOS E PÚBLICOS: ESTUDO DE CASO Paula Rocha Leite Belo Horizonte Fevereiro de 2013 Paula Rocha Leite COMPARAÇÃO ENTRE OS REQUISITOS DE ILUMINAÇÃO ARTIFICIAL DOS SISTEMAS DE ROTULAGEM AMBIENTAL APLICADOS NO BRASIL PARA EDIFÍCIOS COMERCIAIS, DE SERVIÇOS E PÚBLICOS: ESTUDO DE CASO Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, da Universidade Federal de Minas Gerais, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável, na área de concentração de Bens Culturais, Tecnologia e Território, dentro da linha de pesquisa em Tecnologia do Ambiente Construído. Tema para orientação: Tecnologia do Ambiente Construído Orientadora: Profa. Dra. Roberta Vieira Gonçalves de Souza Belo Horizonte Escola de Arquitetura da UFMG 2013 "Não sabendo que era impossível, foi lá e fez." Jean Cocteau À minha querida irmã Sílvia, que, de algum lugar do céu, esteve sempre mandando energias positivas e certamente está vibrando com esta conquista. AGRADECIMENTOS A Deus por iluminar meu caminho sempre. À Professora Roberta por ter mudado os rumos da minha vida a partir de disciplinas de conforto ambiental na UFMG. Por todo o conhecimento repassado, me orientando no trabalho final de graduação, monografia de especialização e nesta dissertação de mestrado. Pelos comentários sempre pertinentes e, acima de tudo, por acreditar no meu potencial, motivação fundamental para o êxito do trabalho. Às Professoras Grace e Iraci pelas críticas construtivas durante a qualificação. À Rejane e Veridiana por aceitarem o convite de participação na banca examinadora. Aos colegas do Labcon-UFMG pelo companheirismo e auxílio em vários momentos. Às bolsistas Bárbara e Luíza, pelo empenho e ajuda durante a pesquisa. Aos companheiros de especialização e mestrado, Ana Cecília, Marianna,Jaque e Fred, com quem compartilhei as angústias e glórias de cada etapa. À equipe da Ares pela amizade e apoio nos meus momentos de ausência. A todas as empresas que forneceram material para o estudo de caso. À CAPES/REUNI pelo apoio financeiro. À Professora Andréa, tutora da minha bolsa de pesquisa, pela oportunidade de acompanhamento à docência. À Victoria, funcionária do MACPS, pelo suporte técnico e apoio ao longo do curso. Ao Léo, meu melhor amigo e namorado, por acreditar em mim, vibrar com minhas realizações e me incentivar a lutar pelos meus sonhos. Pela alegria proporcionada a cada dia com o seu senso de humor contagiante, tornando mais fáceis os momentos difíceis. À Meg pela torcida para que houvessem poucas correções. Deu certo. Ao meu pai, eterno professor, por contribuir na minha formação em prol dos estudos. Pelo orgulho quando fala das minhas conquistas, enchendo minha vida de graça ao dizer que meu trabalho é sucesso nacional e internacional. À Flávia e meus irmãos Zipa, Maria e Giovanna pelo afeto e compreensão nos momentos de ausência. Um agradecimento especial à minha mãe e amiga pelas rezas, preocupação e carinho sempre, mesmo nos dias em que me faltava paciência. Por me ensinar a ser uma pessoa que olha “para frente com tenacidade, para o alto com fé e para trás com carinho e respeito porque nossa história fez de nós o que somos hoje”. Minha conduta e determinação vêm do seu exemplo. Por fim, a minha enorme gratidão a todos os amigos que torceram e contribuíram direta ou indiretamente para a realização deste trabalho. Que venha a próxima meta! RESUMO Esta dissertação tem como objetivo analisar as barreiras e potencialidades na classificação do nível de eficiência energética dos sistemas de iluminação artificial em amostras de edifícios comerciais, de serviços e públicos etiquetados, ou em processo de etiquetagem, com base nos requisitos exigidos pelo RTQ-C do PBE Edifica e pelos sistemas de rotulagem ambiental LEED e AQUA. Desta forma, este trabalho visa classificar os requisitos para os sistemas de iluminação artificial presentes nos processos de rotulagem ambiental, avaliar a exigência das normas diante da realidade de mercado e verificar o impacto que cada atividade representa no processo de etiquetagem de edifícios. Para viabilizar o estudo foram escolhidos 18 edifícios, agrupados em 8 estudos de caso, abrangendo escritórios, universidades e museus, localizados nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, previamente etiquetados ou em processo de etiquetagem. A metodologia aplicada teve início com o levantamento dos requisitos referentes à iluminação artificial que são obrigatórios ou que possibilitam a obtenção de pontos nos sistemas de rotulagem. Posteriormente os requisitos densidade de potência de iluminação, desligamento automático e divisão de circuitos foram aplicados nos estudos de caso levando em consideração cada atividade dos edifícios. O Método das Áreas e o Método das Atividades, sugeridos pela Etiqueta PBE Edifica e pelo sistema LEED, foram as principais ferramentas para caracterização das atividades em potenciais ou críticas. Analisando atividades comuns a todos os estudos de caso, os resultados indicam que as atividades vistas como potenciais para melhoria do nível de eficiência energética do edifício são escritórios e salas de reunião. As atividades que necessitam de atenção especial, dependendo da escolha do sistema de rotulagem a ser implementado, são hall de entrada e sala de espera. As atividades críticas e foco de preocupação, independente da escolha do sistema de rotulagem, são banheiros e circulação. Além disso, foi detectado que o critério divisão de circuitos é facilmente adotado pelos empreendimentos, enquanto o desligamento automático, por apresentar um maior custo inicial, muitas vezes não se apresenta como prioridade do investidor. Palavras-chave: iluminação artificial, sistemas de rotulagem, atividades. ABSTRACT This work aims to analyze the barriers and potential in classifying the energy efficiency level of artificial lighting systems in samples of Commercial, Service and Public Buildings labeled, or in the labeling process, based on the requirements demanded by the RTQ-C from PBE Edifica and by environmental labeling systems LEED and AQUA. Thus, this study aims to classify the requirements for artificial lighting systems in the environmental labeling processes, evaluate how the standards are demanding in face of the market reality and verify the impact that each activity represents in the building certification. To enable the study, were chosen 18 buildings, grouped into 8 case studies, covering offices, universities and museums, located in the states of Minas Gerais, São Paulo and Rio de Janeiro, previously labeled or in the labeling process. The methodology applied began with a survey of requirements related to artificial lighting that are mandatory or that enable points achievement in the labeling systems. Later, the requirements "lighting power density", "automatic lighting shutoff" and "space control" were applied in the case studies considering each building activity. The Building Area Method and the Spaceby-Space Method, suggested by PBE Edifica Label and by the LEED System, were the main tools for the activities characterization in potential or critical. Analyzing common activities to all case studies, the results indicate that the activities seen as potential for level improvement on the building energy efficiency are offices and meeting rooms. The activities that need special attention, depending on the choice of the labeling system to be implemented, are lobby and waiting room. The critical activities and focus of concern, independent of the choice of labeling system, are toilets and circulation. Beyond that, was detected that the criterion "space control" is easily adopted by enterprises, while "automatic lighting shutoff", for having a larger initial cost, many times does not present itself as an investor priority. Key words: artificial lighting, labeling systems, activities. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Etiqueta final de Classificação da Eficiência Energética do Edifício .33 Figura 2 - Cartão de Pontuação LEED NC.37 Figura 3 - Certificado Processo AQUA.40 Figura 4 - Processo de Projeto Tradicional .87 Figura 5 - Processo de Projeto Integrado.88 Figura 6 – Fluxograma Metodológico .90 Figura 7 – Formulário LEED para EAp2: Minimum Energy Performance.197 Figura 8 – Formulário ASHRAE 90.1-2007 – Lighting Compliance Documentation 199 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Oferta de Energia Elétrica por Fonte .25 Gráfico 2 – Consumo de Eletricidade por Setor .26 Gráfico 3 - Porcentagem de lâmpadas por tipo nos Estudos de Caso .100 Gráfico 4 – P01: Quantificação Atividades x Área.109 Gráfico 5 – P01: Quantificação Atividades x Potência .109 Gráfico 6 - Estudo de caso P01: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.112 Gráfico 7 – P02: Quantificação Atividades x Área.115 Gráfico 8 – P02: Quantificação Atividades x Potência .115 Gráfico 9 - Estudo de caso P02: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.117 Gráfico 10 – P03: Quantificação Atividades x Área.119 Gráfico 11 – P03: Quantificação Atividades x Potência .119 Gráfico 12 - Estudo de caso P03: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.122 Gráfico 13 – P04: Quantificação Atividades x Área.124 Gráfico 14 – P04: Quantificação Atividades x Potência .124 Gráfico 15 – Estudo de caso P04: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.126 Gráfico 16 – P05: Quantificação Atividades x Área.128 Gráfico 17 – P05: Quantificação Atividades x Potência .128 Gráfico 18 - Estudo de caso P05: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.130 Gráfico 19 – P06: Quantificação Atividades x Área.132 Gráfico 20 – P06: Quantificação Atividades x Potência .132 Gráfico 21 - Estudo de caso P06: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.134 Gráfico 22 – P07: Quantificação Atividades x Área.137 Gráfico 23 – P07: Quantificação Atividades x Potência .137 Gráfico 24 - Estudo de caso P07: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.139 Gráfico 25 – P08: Quantificação Atividades x Área.142 Gráfico 26 – P08: Quantificação Atividades x Potência .142 Gráfico 27 - Estudo de caso P08: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica.145 Gráfico 28 - Estudos de caso P01 a P08: Frequência de Ocorrência de Níveis obtidos por Atividade na Etiqueta PBE Edifica .154 Gráfico 29–P01 a P08: Quantificação Atividades x Área .156 Gráfico 30–P01 a P08: Quantificação Atividades x Potência .156 Gráfico 31 – Cozinha - Relação DPI x Área .159 Gráfico 32 – Escritório - Relação DPI x Área .160 Gráfico 33 – Laboratórios para sala de aula - Relação DPI x Área .161 Gráfico 34- Sala de aula – treinamento - Relação DPI x Área .162 Gráfico 35 – Reuniões, conferência, multiuso - Relação DPI x Área .163 Gráfico 36 – Escada - Relação DPI x Área .164 Gráfico 37 – Casa de máquinas - Relação DPI x Área .166 Gráfico 38 – Depósito - Relação DPI x Área .167 Gráfico 39 – Escritório – Planta Livre - Relação DPI x Área .168 Gráfico 40 – Hall de entrada - Relação DPI x Área .169 Gráfico 41 – Sala de espera – convivência - Relação DPI x Área.170 Gráfico 42 - Banheiros – Relação DPI x Área .171 Gráfico 43 – Circulação - Relação DPI x Área .172 Gráfico 44 – Garagem - Relação DPI x Área .174 Gráfico 45 – Auditório – Relação DPI x Área .245 Gráfico 46 – Biblioteca – área de arquivamento - Relação DPI x Área .246 Gráfico 47 – Biblioteca – área de estantes - Relação DPI x Área .247 Gráfico 48 – Biblioteca – área de leitura - Relação DPI x Área .247 Gráfico 49 – Centro de Convenções - Relação DPI x Área.248 Gráfico 50 – Lanchonete/Café - Relação DPI x Área .249 Gráfico 51 – Oficina Mecânica - Relação DPI x Área.250 Gráfico 52 – Refeitório - Relação DPI x Área .250 Gráfico 53 – Sala de Exibição - Relação DPI x Área.251 Gráfico 54 – Terminal – Bilheteria - Relação DPI x Área .252 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Quadro comparativo dos sistemas de rotulagem .41 Quadro 2 – Critério Divisão de Circuitos nos Sistemas de Rotulagem.46 Quadro 3 - Critério Desligamento Automático nos Sistemas de Rotulagem .47 Quadro 4 - Critério Controlabilidade dos sistemas nos Sistemas de Rotulagem .49 Quadro 5 - Critério Sistema de operação geral ou A/V nos Sistemas de Rotulagem51 Quadro 6 - Critério Dimerização/sensores nos Sistemas de Rotulagem.52 Quadro 7 - Critério DPI nos Sistemas de Rotulagem .54 Quadro 8 - Critério Potência adicional nos Sistemas de Rotulagem .57 Quadro 9 - Critério Sinais de saída nos Sistemas de Rotulagem.59 Quadro 10 - Critério Iluminância segundo normatização nos Sistemas de Rotulagem .60 Quadro 11 - Critério Uniformidade de iluminação nos Sistemas de Rotulagem.63 Quadro 12 - Critério Ofuscamento/Iluminação artificial nos Sistemas de Rotulagem64 Quadro 13 - Critério Forros claros/pé-direito mínimo nos Sistemas de Rotulagem.65 Quadro 14 - Critério Luminária sem vazamento de luz nos Sistemas de Rotulagem66 Quadro 15 - Critério Lâmpadas com Selo PROCEL nos Sistemas de Rotulagem.67 Quadro 16 - Critério Qualidade da luz nos Sistemas de Rotulagem .68 Quadro 17 – Critério Fiação Dupla nos Sistemas de Rotulagem .69 Quadro 18 - Critério Redução do consumo de energia nos Sistemas de Rotulagem71 Quadro 19 - Critério Manutenção nos Sistemas de Rotulagem .73 Quadro 20 - Critério Redução de energia com luz natural nos Sistemas de Rotulagem .76 Quadro 21 - Critério Luz do dia em circulação nos Sistemas de Rotulagem .77 Quadro 22 - Critério Luz do dia em permanência prolongada nos Sistemas de Rotulagem .78 Quadro 23 - Critério Vista externa nos Sistemas de Rotulagem .81 Quadro 24 - Critério Evitar ofuscamento pela luz natural nos Sistemas de Rotulagem .82 Quadro 25 - Relação dos usos dos estudos de casos .91 Quadro 26 - Caracterização, Por sua vez, a sala 03 apresentava nove postos de trabalho (Figura 52), sendo os postos 01, 02, 03, 04, 07 e 08 ocupados por bolsistas da graduação, os postos de trabalho 05 e 09 ocupados por dois bolsistas do mestrado e o posto de trabalho 06 ocupado por uma doutoranda. Esta sala foi dividida de acordo com a “área de abrangência da luminária” em duas áreas. Desse modo, conforme observado na imagem, os postos de trabalho 01, 02, 06 e 07 pertenciam à área de abrangência da luminária do circuito “A”, enquanto os postos de 75 trabalho 04, 05, 08 e 09 pertenciam à área de abrangência da luminária do circuito “B”. Por estar localizado entre as duas áreas, o posto de trabalho 03 foi considerado como parte das duas áreas de abrangência (Figura 52). Figura 51 – Área de abrangência das luminárias X Postos de trabalho – Labcon 02 Figura 52 – Área de abrangência das luminárias X Postos de trabalho – Labcon 03 Para as três salas do LABCON, a simulação de autonomia de luz foi feita simultaneamente em função da interferência que poderia ser causada pela presença dos visores entre as salas e considerou-se o muro de divisa entre o terreno da escola e o terreno vizinho, localizado à frente das janelas por ele ser uma barreira à entrada de iluminação natural nas salas (Figura 53). Consideraram-se ainda as persianas das salas totalmente abertas. Para o período matutino 76 na sala 01, a luminária localizada próxima à janela, pertencente ao circuito “C”, possuía potencial para ser mantida desligada durante 94% do tempo. A luminária pertencente ao circuito “B”, por sua vez, tinha potencial para ser mantida desligada durante 60% do tempo. No período da tarde a autonomia de luz era maior, atingindo 100% na área de abrangência da luminária do circuito “C” e 70% na área de abrangência do circuito “B”. Na área de abrangência do circuito “A”, as luminárias precisavam ser mantidas acesas durante os dois períodos, visto que grande parte de sua área de abrangência não atendia, em nenhum momento do dia, aos valores mínimos de iluminância para laboratórios (=500lux), conforme a NBR 5413/1992. Figura 53 – Dados do programa Daysim para salas 01, 02 e 03 LABCON – período matutino e vespertino (E=500lux) As salas 02 e 03, por sua vez, possuíam em média 94% de autonomia de luz no período matutino, para a área de abrangência do circuito próximo à janela, de modo que existia significativa potencialidade de uso integrado dos sistemas de iluminação natural e artificial durante este período do dia, visto que a incidência de radiação solar direta sobre a janela só ocorria no período da tarde, portanto durante a manhã era possível que as persianas fossem mantidas abertas. Para a área de abrangência do circuito mais afastado da janela, no entanto, a autonomia da luz natural era bem menor em alguns pontos específicos da sala, havendo apenas 20% de autonomia na porção mais afastada da janela, o que diminuía bastante a potencialidade de uso da luz natural para essa parte da sala. No período da tarde, a autonomia de luz era maior, atingindo 100% em quase 70% das duas salas, todavia, em função da incidência de radiação solar direta durante todo o tempo, ela 77 tendia a ser pouco aproveitada, visto que a tendência era manter as persianas fechadas ou parcialmente fechadas, impedindo a entrada de luz natural. 4.6 Análise da iluminação das salas de acordo com os pré-requisitos de controle de iluminação do programa PBE EDIFICA: De acordo com os requisitos de avaliação utilizados pelo programa PBE Edifica mencionados na Revisão Bibliográfica, – análise da potência instalada dos ambientes e cumprimento dos pré-requisitos de controle de iluminação – segue o quadro com a Análise da classificação dos sistemas de iluminação das salas estudadas de acordo com o programa PBE Edifica (Figura 54). Figura 54 – Análise da classificação dos sistemas de iluminação das salas estudadas de acordo com o programa PBE Edifica Todas as salas de aula, assim como os laboratórios estudados atenderam ao pré-requisito “Divisão de Circuitos”. Como é possível visualizar todo o ambiente iluminado, não havia representação gráfica da sala informando ao usuário qual a área abrangida pelo controle manual. As salas 315 e salas 01, 02 e 03 do LABCON atenderam ao pré-requisito “Contribuição da luz natural”. A sala 318, embora possuísse luminárias divididas em dois circuitos não atendeu a este pré-requisito, pois conforme apontado na caracterização desta sala, a divisão dos circuitos não permitia o acendimento da fileira de luminárias próximas à abertura das janelas independente das demais, o que, conforme observado nas simulações realizadas pelo Daysim diminuía o potencial de uso da iluminação natural nesta sala, pois desligando a fileira ao lado da abertura, desligava-se também uma das luminárias do centro da sala. A sala 320A não atendeu este pré-requisito, pois embora possuísse duas fileiras de luminárias paralelas à abertura, não havia divisão do circuito das luminárias nesta sala. Desse modo, o que se observou foi que, consideradas as salas estudadas isoladamente, a maior parte delas receberia uma boa classificação de acordo com o PBE Edifica. No entanto, é 78 válido pontuar não foram atendidos para quaisquer dos ambientes os níveis gerais de iluminância recomendadas pela ISO 8995-1/2013. 4.7 Observações 1ª fase – Salas de aula sem alterações 4.7.1 Ocupação e Atividades Visuais No que diz respeito às atividades visuais, houve uso do data-show em 68% das aulas teóricas observadas (13/19) e em 5% das aulas/atividades práticas observadas (01/21). Para todas as salas, durante esta fase das observações utilizou-se sempre a mesma parede para as projeções31. Houve comportamentos distintos entre os usuários das três salas de aula observadas relacionados ao uso do sistema de iluminação artificial associado ao uso de ferramentas de projeção. Para a sala 315, em 100% das aulas observadas em que houve uso do data-show (04/04) foram apagadas ou mantidas apagadas as luminárias dos circuitos “D” e”E”. Para a sala 318, por sua vez, em 28% das aulas observadas em que houve o uso do data-show (02/07), as luminárias do circuito “B” ou todas as luminárias da sala foram apagadas. Por fim, para a sala 320A, o sistema de iluminação artificial foi alterado em 67% dos dias observados em que houve uso do data-show (02/03), sendo as duas luminárias apagadas, visto que na primeira fase das observações ambas pertenciam a um mesmo circuito. No que diz respeito ao uso do sistema de controle da incidência solar para controle da iluminação natural disponível na sala de aula, não houve alteração nas cortinas ou rolôs das salas 315 e 318 associado ao uso de ferramentas de projeção. Por sua vez, para a sala 320A, as cortinas foram fechadas em 67% das aulas em que houve o uso do data-show, sendo observada uma relação direta entre o uso do sistema de controle da incidência solar e o uso do data-show para a presente sala. As observações mostraram que o excesso de luz natural incidente nesta sala dificultou a visualização das projeções feitas na parede mais do que a iluminação artificial, visto que em uma das aulas observadas, as cortinas foram fechadas no início das projeções de slides na parede, enquanto as luminárias foram mantidas acesas. Observou-se, portanto, uma relação entre o uso do sistema de controle da incidência solar e o uso do data-show nesta sala, visto que não há parede em posição favorável em relação à janela de modo a não atrapalhar a visualização das imagens pelo excesso de luz natural. 31 Os diagramas de uso e ocupação de todas as salas, para cada uma das fases observadas se encontram no apêndice, entregue em meio digital juntamente com este trabalho. 79 Quanto à ocupação das salas, verificou-se para a sala 315 uma tendência, no período matutino – principalmente durante as aulas teóricas – dos alunos ocuparem as pranchetas localizadas à frente na sala de aula, principalmente as localizadas na fileira do centro e aquelas próximas à fachada sul, que permitiam melhor visualização das projeções feitas na parede. Durante estas aulas, cada prancheta era ocupada por dois alunos, enquanto nas aulas/atividades práticas, cada aluno ocupava uma das pranchetas, o que gerava uma ocupação dispersa, durante as últimas. Observou-se ainda que nas aulas e atividades práticas para ambos os turnos, os alunos tenderam a escolher suas pranchetas em função da posição que eles ocupavam na sala durante as aulas de projeto32, não observando a posição em relação à janela, quadro ou outros, visto que as orientações eram feitas individualmente junto aos alunos, portanto, não havia necessidade de estar próximo ao quadro. Para a sala 318, observou-se uma tendência em, no período matutino, haver maior número de alunos em sala, dando origem a uma ocupação mais dispersa da mesma. Foi significativo o fato de que os alunos tenderem a sentar-se afastados das janelas, o que pareceu estar relacionado a dois fatores: havia Neutra foi aplicada, e seus efeitos no consumo foram avaliados. Também foi comparado o desempenho de brises e de prateleiras de luz com vidros diversos. O trabalho baseou-se no uso do método prescritivo do documento e em simulação computacional com os programas EnergyPlus e DesignBuilder. Pela equação de indicador de consumo (ICenv) para o edifício, a classificação da envoltória alcança o nível máximo no RTQ-C, “A”. Na simulação verificou-se que o consumo do ambiente foi reduzido em até 12,9% com a instalação de proteções horizontais (brises) sobre a abertura. Esse percentual é resultado da média de consumo das quatro orientações de fachada a qual o protótipo foi submetido. Se o consumo for observado por orientação, as reduções são ainda maiores. Porém, pela equação de ICenv, a classificação da envoltória do edifício em nada é alterada pela existência de proteção horizontal para a edificação. A equação de ICenv para essa zona também indica que o uso de brises verticais aumentaria o consumo do edifício, contradizendo a concepção usual de projetistas segundo a qual o uso desse tipo de proteção ajudaria a reduzir o consumo nesse local em qualquer orientação. A previsão de ICenv, em parte, converge com os resultados da simulação. Em um protótipo orientado a sul, retirando-se o brise vertical, o consumo reduziu-se. No mesmo protótipo, porém orientado a norte, essa retirada fez o consumo aumentar. Na avaliação final pela média dos resultados, como o aumento a norte foi muito superior em relação à redução a sul, tem-se que o consumo geral do protótipo aumentou com a retirada dos brises. Esses resultados reforçam a importância de considerar-se a orientação da fachada em análises de consumo. De qualquer modo, esse tema da redução de AHS merece estudos complementares, nos quais sejam experimentadas mais variações em fatores como dimensões das proteções, orientações de fachada, condições de clima e latitude. O RTQ-C prescritivo da envoltória considera apenas o ângulo da proteção solar na avaliação. As simulações realizadas confirmaram a importância de outros fatores no desempenho energético, como a geometria das proteções solares, ao evidenciar as diferenças no consumo provocadas por proteções diferentes de um mesmo conjunto de ângulos. Segundo o RTQ-C prescritivo, o ambiente analisado cumpre o requisito de aproveitamento da luz natural ao especificar o acionamento independente da fileira de luminárias próximo à janela. No entanto, como demonstrado, esse aproveitamento pode ser otimizado. As prateleiras de luz melhoram esse aproveitamento e reduzem o consumo com iluminação, especialmente quando associadas aos tipos de vidros de alta transmissão luminosa. Concordando com a equação do RTQ-C, na simulação os brises gerados pela combinação de ângulos que gera um ICenv mínimo tiveram um consumo inferior ao dos brises definidos pelo método da Temperatura Neutra. Todavia, esse resultado converge se forem tomados os resultados médios, e não por orientação. Lembra-se que o método da Temperatura Neutra, além do interesse na redução do consumo de energia, leva em conta aspectos de conforto térmico e visual do usuário que não são avaliados diretamente pelo RTQ-C. Como resultado importante, a simulação comprovou que o método de Tn é eficiente na redução da incidência de radiação solar direta sobre a abertura. Ao final, fazem-se algumas considerações. Pondera-se que o potencial de aproveitamento de luz natural pode ter sido superestimado neste trabalho, porque foi relacionado a um controle por dimerização contínua. Novas simulações nas quais sejam configurados outros tipos de dimerização, através de software específico de iluminação Proteções solares no regulamento brasileiro de eficiência energética de edifícios comerciais, de serviços e públicos 239 Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p. 227-241, jan./mar. 2012. natural, esclareceriam melhor esse potencial. Lembra-se também que os resultados percentuais apresentados neste estudo devem ser tomados com cuidado, pois dependem da configuração dos protótipos, assim como das propriedades dos elementos construtivos e das cargas internas. Entende-se que futuras analises do RTQ- C e simulações relativas ao tema devem incluir a interferência do ocupante, o que é relevante para representar melhor a dinâmica de consumo de energia no ambiente. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5413: iluminância de interiores. Rio de Janeiro, 1992. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 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