Animais de estimação e objetos transicionais: uma aproximação psicanalítica sobre a interação criança-animal

 4  26  409  2017-01-26 10:42:33 Report infringing document
FERNANDO APARECIDO DELARISSA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO E OBJETOS TRANSICIONAIS: UMA APROXIMAÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE A INTERAÇÃO CRIANÇA-ANIMAL Assis 2003 1 ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO E OBJETOS TRANSICIONAIS: UMA APROXIMAÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE A INTERAÇÃO CRIANÇA-ANIMAL Fernando Aparecido Delarissa ERRATA Página Parágrafo Linha Onde se lê Leia-se 125 citação 1 por mero gestos por meros gestos 152 3 166 Segunda citação 187 Nota de rodapé 79 5 quando a mão lhe quando a mãe lhe confirmou confirmou 4 mas quando estudo o mas quando estudou o objeto visado objeto visado 1 Laplanche e Pontalis (1991, Laplanche e Pontalis p. 268) frisam que a nível (1991, p. 268) frisam que a terminlógico nível terminológico FERNANDO APARECIDO DELARISSA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO E OBJETOS TRANSICIONAIS: UMA APROXIMAÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE A INTERAÇÃO CRIANÇA-ANIMAL Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, para obtenção do título de Mestre em Psicologia. (Área de concentração: Psicologia e Sociedade). Orientadora: Prof.a Dr.a Olga Ceciliato Mattioli Assis 2003 D339a Delarissa, Fernando Aparecido Animais de estimação e objetos transicionais : uma aproximação psicanalítica sobre a interação criança-animal / Fernando Aparecido Delarissa. -Local : [s.n.], 2003. 407 f. Orientador : Profª. Drª. Olga Ceciliato Mattioli. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho. 1. Psicologia infantil. 2. Psicologia da criança. 3. Psicologia - Pré-escolar. 4. Interação criançaanimal - Aspectos psicológicos. 5. Criança - Idade pré-escolar - Desenvolvimento psicológico. 6. Objetos transacionais - Psicanálise. 7. Interação criança-animal - Aproximação psicanalítica. I. Universidade Estadual Paulista Julio Mesquita Filho. II. Título. CDD 21.ed. 155.423 FERNANDO APARECIDO DELARISSA ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO E OBJETOS TRANSICIONAIS: UMA APROXIMAÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE A INTERAÇÃO CRIANÇA-ANIMAL Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP, para obtenção do título de Mestre em Psicologia. (Área de concentração: Psicologia e Sociedade). BANCA EXAMINADORA _________________________________________________________________________ Prof.a Dr.a Olga Ceciliato Mattioli Universidade Estadual Paulista – UNESP (Assis) – Orientadora e Presidente _________________________________________________________________________ Prof. Dr. Gustavo Adolfo Ramos Mello Neto Universidade Estadual de Maringá – UEM – Efetivo _________________________________________________________________________ Prof. Dr. José Sterza Justo Universidade Estadual Paulista – UNESP (Assis) – Efetivo _________________________________________________________________________ Prof. Dr. Mário Sérgio Vasconcelos Universidade Estadual Paulista – UNESP (Assis) – Suplente _________________________________________________________________________ Prof.a Dr.a Rozilda das Neves Alves Universidade Estadual de Maringá – UEM – Suplente Assis, outubro de 2003. Dedicamos este trabalho a todos os que se dedicam verdadeiramente ao bem-estar dos animais e a eles dispensam consideração. Em especial, a todos os que não se importam em descer do pedestal antropocêntrico para olhar para os animais como entes que ao menos sentem. Sentem prazer em estar na companhia de seus semelhantes; sentem as mesmas misérias que afetam a carne humana; sentem os efeitos da animosidade e crueldade da espécie humana para com eles; alguns sentem até amor incondicional por alguns humanos. Dedicamos a esses humanos que assim consideram os animais, como nossos amigos compartilhantes de tantas incertezas, sem serem traídos pelo ponto de vista antropocêntrico de que apenas a Natureza tenha concedido a esses seres “infra-humanos” o sentir, e querer como respostas mal interpretadas, provenientes tão-somente dos instintos de autopreservação (e podemos dizer o pensar para alguns indivíduos de algumas espécies, como Alex, um papagaio cinzento; Kanzi, um bonobo; Koko, uma gorila; etc. como veremos ao longo deste trabalho). É uma forma de retribuir ao reino animal os benefícios que dele obtivemos até hoje a possibilidade de apresentar, por meio deste trabalho, para alguns humanos o quanto os animais podem acrescentar às suas vidas, em especial à vida de seus filhos – até por serem alguns daqueles, como os cães, fontes de amor incondicional. Se os animais dispusessem de uma estrutura psíquica que lhes permitisse receber abstrações humanas como uma dedicatória, um reconhecimento – aliás, uma abstração que se rarefaz a cada dia entre os próprios humanos –, da parte daqueles que os amam, teríamos algo desastroso para o bem-estar psíquico deles: aumentaria sobremaneira seu sofrimento, já que vivem sob tantas ações aviltantes, degradantes, aniquiladoras, ou o descaso que a maioria dos indivíduos da espécie humana lhes dispensam. Naturalmente, não caberia de forma direta tratar de dignidade de espécies não-humanas neste trabalho. No entanto, de certa forma, alimentamos a esperança pretensiosa de que o conteúdo desta dissertação possa despertar ainda o olhar com o qual alguns indivíduos da espécie humana passem a considerar as outras espécies. É a forma de demonstrar nosso reconhecimento a elas – de modo indireto. Infelizmente, a magnitude deste reconhecimento que ora dedicamos às espécies animais, via espécie humana, expressa-se e expressar-se-á na razão direta da conscientização dos indivíduos da espécie humana. E isso é muito triste. AGRADECIMENTOS Aos meus amados pais, Aldo e Maria, pelo amor, por tantas renúncias, pela dedicação, por serem fontes de ótimas identificações, pela minha formação, por todo auxílio prestado até hoje. À minha amada esposa, Abigail, pelo amor, por tantas renúncias, pela cumplicidade, pelo apoio, pela tolerância, pelos auxílios. Aos meus amados irmãos Paulo, Célia e Elaine, ao amado cunhado Edvaldo, aos amados sobrinhos Filipe, Juliana e Rafael, por todo incentivo e ajuda prestada. Aos que convivem comigo e de alguma forma certamente contribuíram para a realização deste trabalho, como a D. Adelina, a Sônia, e a Edinéia. Aos meus avós (in memoriam) pelos primeiros contatos com os animais. Ao “vô” Eustáquio (in memoriam), por “contar estórias”, descrevendo as “características psicológicas” dos animais. À prof. Dr.a Olga Ceciliato Mattioli, minha sincera gratidão e reconhecimento, não somente pela orientação competente, sempre oportuna na elaboração deste trabalho mas também pela compreensão, incentivo, confiança e amizade durante esses anos de estudo e pesquisa. Aos Prof. Dr. José Sterza Justo, Prof. Dr. Mário Sérgio Vasconcelos, Prof.a Dr.a Mériti de Souza, pelo incentivo e sugestões, pela consideração, pela amizade. Aos Prof. Dr. Gustavo Adolfo Ramos Mello Neto, à Prof.ª Dr.ª Rozilda das Neves Alves, ao Prof. Dr. José Sterza Justo, e ao Prof. Dr. Mário Sérgio Vasconcelos, por terem aceitado o convite para compor a Banca. À Prof.ª Dr.ª Viviana Carola Velasco Martínez pela pronta disponibilidade em ter aceitado o convite para compor a Banca, embora não tenha sido possível sua participação na defesa. À Dr.a Hannelore Fuchs, por proporcionar-me o primeiro contato com os estudos científicos sobre a interação homem-animal, pelo material fundamental cedido, pelas sugestões, pelo incentivo. Ao Luís Guilherme Coelho Buchianeri, pelos textos “amparadores” cedidos. Ao professor e amigo Antonio Jayro F. Motta Fagundes, da Universidade de Guarulhos, pela atenção e material cedido. Às amigas do curso, Leila Rute Gurgel do Amaral e Cristina S. Ricci de Almeida. Às crianças e responsáveis que gentilmente participaram das entrevistas. Àos psicólogos, professores e amigos da Universidade Estadual de Maringá Cyril Maurice Warren, Jorge Manoel Mendes Cardoso, Eduardo Augusto Tomanik, Jorge Benjamin Fernández Martínez, e José Artur Molina, pelo incentivo e por toda ajuda oferecida. Ao amigo José Antonio de Souza, por toda ajuda. À professora Zilda Aparecida Campos, diretora da Creche do Núcleo Social de Maringá, por ter nos permitido realizar entrevistas com as crianças e pais dessa instituição. Aos médicos veterinários Dr. Egon José Fuck, Dr.ª Eliane Fuck, Dr. Mauro L. C. Cardoso e Dr.ª Giovana G. C. Cardoso, por nos indicar, para as entrevistas, crianças e pais que levam seus animas a suas clínicas veterinárias, bem como amizade. Ao psicólogo Moacyr Mendes de Morais, por ter me apontado a Psicologia. A todos os funcionários da Seção de Pós-Graduação e da Biblioteca da UNESP – Campus de Assis. Ao Dr. Emílio Piccioli, por todos favores e auxílios prestados durante todos esses anos. À D. Cenita, pelo amor e por todo auxílio. Ao Sr. Jeremias Ruiz Chavez e ao Roberto César Leonello, da panificadora e confeitaria Geysa, pelos auxílios oportunos. À Eliane Jovanovich, pelos seus préstimos como bibliotecária da Universidade Estadual de Maringá. Ao pastor Adílson A.Pavan e à professora Roselaine Vieira Sônego, da Faculdade Adventista Paranaense, pelos socorros referentes a normas técnicas. À Fátima Pagotto e Clóvis Pagotto, pelo material cedido. Ao João Manara, da Compubrás, pela paciência e apoio técnico em informática. Ao Sr. Garcia, à D. Maria José, à Neusa, à Isabel, ao Gimenez, ao Carlos, ao Luís Carlos, Rosani, ao Sr. Sílvio pela assistência sempre presente. À Selma Solange Ferrari e ao Ney Márcio Ferrari, do Instituto Adventista Paranaense, pelos socorros oportunos. Ao Fluke, meu cãozinho, companheiro durante a elaboração deste trabalho, pelo amor incondicional, pelas lições decorrentes de nosso relacionamento. À Ariely de Lima Guelfi, que aceitou ser fotografada junto ao Fluke, e a sua mãe, Edinéia Borges dos Santos, por permitir. E ainda a todos os amigos que ora não me passam diante de meus olhos, mas foram e são presentes na minha existência. Ajudaram-me e ajudam-me sempre. Sou-lhes grato a todos. Parece-me merecer observação atenta a maneira como se processa o relacionamento do homem (doente ou não) com o animal. Este relacionamento reflete a problemática entre o homem que se esforça para afirmar-se na condição humana, e o animal existente nele próprio. Relacionamento difícil, de luta, de sacrifício, confronto, amizade, desenvolvido ordinariamente numa trama complexa de projeções e identificações (NISE DA SILVEIRA, em FUCHS, 1988). RESUMO A relação entre o homem e os animais domésticos data de milhares de anos e tem sido objeto de estudo de várias áreas do conhecimento como a Antropologia, a Paleontologia, a Sociologia, a História das Mentalidades e a Psicologia. O estudo dos papéis desempenhados pelo animal de estimação na relação com os homens, bem como os desejos projetados por estes sobre os animais podem trazer importantes conhecimentos sobre o psiquismo humano. Esta pesquisa tem como objetivo o estudo da relação entre a criança e os animais de estimação, buscando compreender a possível influência desse vínculo sobre o desenvolvimento psíquico de pré-escolares, com idade entre 3 e 6 anos. Será desenvolvida a partir de um estudo teórico e de entrevistas com as crianças e seus respectivos responsáveis. O referencial teórico adotado será a Psicanálise, sobretudo a Teoria dos Objetos Transicionais, de Winnicott. Os dados preliminares extraídos das entrevistas realizadas com os responsáveis e com a própria criança permite-nos considerar que um animal de estimação auxilia no desenvolvimento psíquico infantil, uma vez que desempenha algumas das funções de um objeto transicional, permitindo à criança elaborar as frustrações e ansiedade decorrentes da ameaça de separação da figura materna, assim como outros conflitos advindos da relação com as figuras parentais. Palavras-chave: 1) interação criança-animal. 2) espaço potencial. 3) objetos transicionais. 4) o brincar. 5) animais e desenvolvimento psicológico. ABSTRACT The relationship between Man and pets dates from thousands of years and has been studied by different areas of knowledge such as Antropology, Paleontology, Sociology and Psychology. The study of the roles played by pet in their relationship with Man, as well as Man’s desires projected into these pets may cast light on important psychological knowledge about Man himself. This research deals with the study of the relationship between children and pets, trying to understand the possible influence of such a relationship upon the psychological growth of kindergarten children, ranging from 3 to 6 years old. The research at issue will be carried out helding interviews with children and their parents. Its theoretical basis will include Psychoanalysis, mainly Winnicott’s Theory of the Transitional Objects. The preliminary data collected in clinical conditions along with those collected in the interviews held with the parents and the child himself allow us to conclude that a pet enhances the psychological growth of children, since it performs some roles of a transitional object, allowing children to cope with their frustrations and anxieties resulted from the threat of separation from the maternal figure, as well as other conflicts resulted from their relationship with parental figures. Keywords: 1) interation child-animal. 2) potential space. 3) transitional objects. 4. the playing. 5) animals and child psychologic development. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO . 14 2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS SOBRE A RELAÇÃO HOMEM-ANIMAL . 22 2.1 A ETOLOGIA, A SOCIOLOGIA E A PSICANÁLISE CONTRIBUINDO PARA UMA COMPREENSÃO SOBRE A INTERAÇÃO HOMEM-ANIMAL. 22 2.1.1 Uma Leitura Etológica Sobre a Interação Homem-Animal . 22 2.1.2 A Sociologia Como Base Para Uma Leitura Psicanalítica Sobre a Interação Homem-Animal . 30 2.1.3 Uma Leitura Psicnalítica Sobre a Interação Homem-Animal . 34 3. ALGUNS REFLEXOS DA DOMESTICAÇÃO DOS ANIMAIS SOBRE A SUBJETIVAÇÃO . 41 4. ALGUNS LUGARES DOS ANIMAIS: DOS CERCADOS AOS CONSULTÓRIOS PSICOLÓGICOS. 59 4.1 UMA BREVE ANÁLISE SOBRE OS LUGARES DOS ANIMAIS NA PÓS-MODERNIDADE. 59 4.2 O ANIMAL DE ESTIMAÇÃO E SEUS LUGARES. 66 4.3 O LUGAR DOS CÃES NA ARTE E NA CULTURA. 75 4.4 O LUGAR DOS ANIMAIS NOS CONSULTÓRIOS PSICOLÓGICOS E NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE. 83 4.4.1 A Terapia Mediada por Animais. 83 4.4.2 A Terapia Mediada por Animais no Tratamento de Crianças. 88 5. O PAPEL DOS ANIMAIS NA PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL. 124 6. A INTERAÇÃO CRIANÇA-ANIMAL: UMA RELAÇÃO OBJETAL?. 155 6.1 A PSICANÁLISE E AS RELAÇÕES OBJETAIS. 155 6.1.1 As Relações Objetais Segundo Freud. 155 6.1.1.1 O auto-erotismo. 155 6.1.1.2 O narcisismo. 179 6.1.1.2.1 O complexo de Édipo. 193 6.1.2 As Relações Objetais Segundo Melanie Klein. 217 6.1.2.1 A posição esquizo-paranóide. 218 6.1.2.2 A posição depressiva. 250 6.1.2.3 Transferência e relações objetais. 272 6.1.3 Winnicott: das Relações Objetais ao Uso de Objetos. 276 6.1.3.1 Fenômenos transicionais e objetos transicionais. 283 6.1.3.2 O brincar na teoria winnicottiana. 293 6.2 ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO E OBJETOS TRANSICIONAIS . 302 6.2.1 Relatos Clínicos em que Animais de Estimação Possivelmente Desempenharam Funções de Objeto Transicional. 304 6.2.2 Algumas Observações Teóricas Sobre Objetos Transicionais e Animais de Estimação. 311 7. METODOLOGIA. 315 7.1 A PESQUISA. 316 8. ANÁLISE DOS DADOS. enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. Buschmann S, Warkentin E, Xie H, Langer JD, Ermler U, et al. (2010) The structure of cbb3 cytochrome oxidase provides insights into proton pumping. Science 329: 327–330. 11. Fee JA, Case DA, Noodleman L (2008) Toward a chemical mechanism of proton pumping by the B-type cytochrome c oxidases: application of density functional theory to cytochrome ba3 of Thermus thermophilus. J Am Chem Soc 130: 15002–15021. 12. Chang HY, Hemp J, Chen Y, Fee JA, Gennis RB (2009) The cytochrome ba3 oxygen reductase from Thermus thermophilus uses a single input channel for proton delivery to the active site and for proton pumping. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 16169–16173. 13. Luna VM, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2008) Crystallographic studies of Xe and Kr binding within the large internal cavity of cytochrome ba3 from Thermus thermophilus: structural analysis and role of oxygen transport channels in the heme-Cu oxidases. Biochemistry 47: 4657–4665. PLoS ONE | www.plosone.org 11 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348 The 1.8 Å Structure of ba3Oxidase 27. Vogeley L, Sineshchekov OA, Trivedi VD, Sasaki J, Spudich JL, et al. (2004) Anabaena sensory rhodopsin: a photochromic color sensor at 2.0 A. Science 306: 1390–1393. 28. Cherezov V, Rosenbaum DM, Hanson MA, Rasmussen SG, Thian FS, et al. (2007) High-resolution crystal structure of an engineered human beta2adrenergic G protein-coupled receptor. Science 318: 1258–1265. 29. Jaakola VP, Griffith MT, Hanson MA, Cherezov V, Chien EY, et al. (2008) The 2.6 angstrom crystal structure of a human A2A adenosine receptor bound to an antagonist. Science 322: 1211–1217. 30. Wu B, Chien EY, Mol CD, Fenalti G, Liu W, et al. (2010) Structures of the CXCR4 chemokine GPCR with small-molecule and cyclic peptide antagonists. Science 330: 1066–1071. 31. Chien EY, Liu W, Zhao Q, Katritch V, Han GW, et al. (2010) Structure of the Human Dopamine D3 Receptor in Complex with a D2/D3 Selective Antagonist. Science 330: 1091–1095. 32. Hanson MA, Cherezov V, Griffith MT, Roth CB, Jaakola VP, et al. (2008) A specific cholesterol binding site is established by the 2.8 A structure of the human beta2-adrenergic receptor. Structure 16: 897–905. 33. Cherezov V, Liu W, Derrick JP, Luan B, Aksimentiev A, et al. (2008) In meso crystal structure and docking simulations suggest an alternative proteoglycan binding site in the OpcA outer membrane adhesin. Proteins 71: 24–34. 34. Cherezov V, Clogston J, Papiz MZ, Caffrey M (2006) Room to move: crystallizing membrane proteins in swollen lipidic mesophases. J Mol Biol 357: 1605–1618. 35. Caffrey M (2009) Crystallizing membrane proteins for structure determination: use of lipidic mesophases. Annu Rev Biophys 38: 29–51. 36. Loh HH, Law PY (1980) The role of membrane lipids in receptor mechanisms. Annu Rev Pharmacol Toxicol 20: 201–234. 37. Lee AG (2004) How lipids affect the activities of integral membrane proteins. Biochim Biophys Acta 1666: 62–87. 38. Robinson NC (1993) Functional binding of cardiolipin to cytochrome c oxidase. J Bioenerg Biomembr 25: 153–163. 39. Qin L, Sharpe MA, Garavito RM, Ferguson-Miller S (2007) Conserved lipidbinding sites in membrane proteins: a focus on cytochrome c oxidase. Curr Opin Struct Biol 17: 444–450. 40. Sedlak E, Panda M, Dale MP, Weintraub ST, Robinson NC (2006) Photolabeling of cardiolipin binding subunits within bovine heart cytochrome c oxidase. Biochemistry 45: 746–754. 41. Hunte C, Richers S (2008) Lipids and membrane protein structures. Curr Opin Struct Biol 18: 406–411. 42. Reichow SL, Gonen T (2009) Lipid-protein interactions probed by electron crystallography. Curr Opin Struct Biol 19: 560–565. 43. Yang YL, Yang FL, Jao SC, Chen MY, Tsay SS, et al. (2006) Structural elucidation of phosphoglycolipids from strains of the bacterial thermophiles Thermus and Meiothermus. J Lipid Res 47: 1823–1832. 44. Belrhali H, Nollert P, Royant A, Menzel C, Rosenbusch JP, et al. (1999) Protein, lipid and water organization in bacteriorhodopsin crystals: a molecular view of the purple membrane at 1.9 A resolution. Structure 7: 909–917. 45. Long SB, Tao X, Campbell EB, MacKinnon R (2007) Atomic structure of a voltage-dependent K+ channel in a lipid membrane-like environment. Nature 450: 376–382. 46. Gonen T, Cheng Y, Sliz P, Hiroaki Y, Fujiyoshi Y, et al. (2005) Lipid-protein interactions in double-layered two-dimensional AQP0 crystals. Nature 438: 633–638. 47. Seelig A, Seelig J (1977) Effect of single cis double bound on the structure of a phospholipid bilayer. Biochemistry 16: 45–50. 48. Lomize MA, Lomize AL, Pogozheva ID, Mosberg HI (2006) OPM: orientations of proteins in membranes database. Bioinformatics 22: 623–625. 49. Hoyrup P, Callisen TH, Jensen MO, Halperin A, Mouritsen OG (2004) Lipid protrusions, membrane softness, and enzymatic activity. Phys Chem Chem Phys 6: 1608–1615. PLoS ONE | www.plosone.org 50. Lee HJ, Svahn E, Swanson JM, Lepp H, Voth GA et al (2010) Intricate Role of Water in Proton Transport through Cytochrome c Oxidase. J Am Chem Soc 132: 16225–16239. 51. Aoyama H, Muramoto K, Shinzawa-Itoh K, Hirata K, Yamashita E, et al. (2009) A peroxide bridge between Fe and Cu ions in the O2 reduction site of fully oxidized cytochrome c oxidase could suppress the proton pump. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 2165–2169. 52. Schmidt B, McCracken J, Ferguson-Miller S (2003) A discrete water exit pathway in the membrane protein cytochrome c oxidase, Proc Natl Acad Sci U S A 100: 15539–15542. 53. Einarsdottir O, Choc MG, Weldon S, Caughey WS (1988) The site and mechanism of dioxygen reduction in bovine heart cytochrome c oxidase. J Biol Chem 263: 13641–13654. 54. Agmon N (1995) The Grotthuss mechanism. Chem Phys Lett 244: 456– 462. 55. Salomonsson L, Lee A, Gennis RB, Brzezinski P (2004) A single amino-acid lid renders a gas-tight compartment within a membrane-bound transporter. Proc Natl Acad Sci U S A 101: 11617–11621. 56. Yin H, Feng G, Clore GM, Hummer G, Rasaiah JC (2010) Water in the polar and nonpolar cavities of the protein Interleukin-1-beta. J Phys Chem B 114: 16290–16297. 57. Eisenberger P, Shulman RG, Brown GS, Ogawa S (1976) Structure-function relations in hemoglobin as determined by x-ray absorption spectroscopy. Proc Natl Acad Sci U S A 73: 491–495. 58. Chishiro T, Shimazaki Y, Tani F, Tachi Y, Naruta Y, et al. (2003) Isolation and crystal structure of a peroxo-brodged heme-copper complex. Ang Chem Int Ed 42: 2788– 2791. 59. Ostermeier C, Harrenga A, Ermler U, Michel H (1997) Structure at 2.7 A resolution of the Paracoccus denitrificans two-subunit cytochrome c oxidase complexed with an antibody FV fragment. Proc Natl Acad Sci U S A 94: 10547–10553. 60. Kaila VRI, Oksanen E, Goldman A, Bloch D, Verkhovsky MI, et al. (2011) A combined quantum chemical and crystallographic study on the oxidized binuclear center of cytochrome c oxidase. Biochim Biophys Acta 1807: 769–778. 61. Sakaguchi M, Shinzawa-Itoh K, Yoshikawa S, Ogura T (2010) A resonance Raman band assignable to the O-O stretching mode in the resting oxidized state of bovine heart cytochrome c oxidise. J Bioenerg Biomembr 42: 241–243. 62. Chance B, Saronio C, Waring A, Leigh Jr. JS (1978) Cytochrome c-cytochrome oxidase interactions at subzero temperatures. Biochim. Biophys. Acta 503: 37–55. 63. Cheng A, Hummel B, Qiu H, Caffrey M (1998) A simple mechanical mixer for small viscous lipid-containing samples. Chem Phys Lipids 95: 11–21. 64. Cherezov V, Peddi A, Muthusubramaniam L, Zheng YF, Caffrey M (2004) A robotic system for crystallizing membrane and soluble proteins in lipidic mesophases. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 1795–1807. 65. Minor W, Cymborowski M, Otwinowski Z, Chruszcz M (2006) HKL-3000: the integration of data reduction and structure solution - from diffraction images to an initial model in minutes. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 62: 859–866. 66. McCoy AJ, Grosse-Kunstleve RW, Adams PD, Winn MD, Storoni LC, et al. (2007) Phaser crystallographic software. J Appl Crystallogr 40: 658–674. 67. McRee DE (2004) Differential evolution for protein crystallographic optimizations. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 2276–2279. 68. Unno M, Chen H, Kusama S, Shaik S, Ikeda-Saito M (2007) Structural characterization of the fleeting ferric peroxo species in myoglobin, Experiment and theory. J Am Chem Soc 129: 13394–13395. 69. Kuhnel K, Derat E, Terner J, Shaik S, Schlicting I (2007) Structure and quantum chemical characterization of chloroperoxidase compound 0, a common reaction intermediate of diverse heme enzymes. Proc Natl Acad Sci U S A 104: 99–104. 12 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348
RECENT ACTIVITIES
Autor
123dok avatar

Ingressou : 2016-12-29

Documento similar

Animais de estimação e objetos transicionais:..

Livre

Feedback