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Doenças ocupacionais em trabalhadores das unidades do Sistema Único de Saúde de Belo Horizonte, MG

Documento informativo
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Faculdade de Medicina Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública Vanessa das Graças José Ventura DOENÇAS OCUPACIONAIS EM TRABALHADORES DAS UNIDADES DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE DE BELO HORIZONTE, MG. Belo Horizonte 2015 Vanessa das Graças José Ventura DOENÇAS OCUPACIONAIS EM TRABALHADORES DAS UNIDADES DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE DE BELO HORIZONTE, MG. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para obtenção do título de mestre em Saúde Pública. Orientadora: Profa. Dra. Ada Ávila Assunção Coorientadora: Profa. Dra. Mery Natali Silva Abreu Belo Horizonte – MG 2015 ! "# $%& ' " ( )* ! + "# . . ) * / 0123 &2 / 4 / 5 67 5 "8 / 9: 75 6 "8 / ; ' "8 < =/ 7 ,- ! 2 ( ' "@ 7 BBB B >C > 5A 7 0' " ; $ "@ > B 5 "8 ! 5 67 ! 3; BB 5 ! ? % 9: :D / E5 $11 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Reitor: Prof. Jaime Arturo Ramírez Vice-Reitora: Profa. Sandra Regina Goulart Almeida Pró-Reitor de Pós-Graduação: Prof. Rodrigo Antônio de Paiva Duarte Pró-Reitor de Pesquisa: Profa. Adelina Martha dos Reis FACULDADE DE MEDICINA Diretor: Prof. Tarcizo Afonso Nunes Chefe do Departamento de Medicina Preventiva e Social: Prof. Antônio Thomáz G. da Matta Machado PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA Coordenadora: Profª. Sandhi Maria Barreto Sub-Coordenadora: Profª. Ada Ávila Assunção Colegiado: Profª. Ada Ávila Assunção Profª. Sandhi Maria Barreto Profª. Eli Iola Gurgel Andrade Profª. Mariângela Leal Cherchiglia Prof. Mark Drew Crosland Guimarães Profª. Cibele Comini César Profª. Maria Fernanda Furtado de Lima e Costa Prof. Francisco de Assis Acurcio Profª. Eliane Costa Dias Macedo Gontijo Profª. Valéria Maria de Azeredo Passos Flávia Soares Peres (Representante Discente) Laura Monteiro de Castro Moreira (Representante Discente) ATA DE DEFESA DECLARAÇÃO DE APROVAÇÃO DEDICATÓRIA Ao meu Senhor e Salvador Jesus. “Porque dEle, por Ele e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente”. Romanos 11.36 À minha família preciosa, especialmente meu marido Claiton e meus filhos Gustavo, Rafael e Beatriz. AGRADECIMENTOS À professora Ada Ávila Assunção pelas críticas e sugestões que contribuíram muito para o aperfeiçoamento do trabalho. À professora Mery Natali Silva Abreu pelos preciosos ensinamentos em Estatística. Aos colegas de pós-graduação pela amizade e convivência. À equipe do DAST (Departamento de Assistência à Saúde do Trabalhador) da UFMG e da FASEH (Faculdade de Ciência e Ecologia Humana) por compreenderem minhas necessidades especiais nos últimos dois anos. Aos meus amigos, especialmente a Danielle Falci e a Kammilla Araújo, pelo incentivo e apoio sempre presentes. Aos amigos da Redenção pelas orações que me sustentaram em muitos momentos. À minha sogra Eugênia e minha cunhada Mônica pelo auxílio que me possibilitou dedicar um pouco mais aos estudos. Aos meus irmãos, Júnior e Alexandre, pelo amor e incentivo. À minha irmã, Patrícia, pela disponibilidade espontânea e alegre em me ajudar. Esse amor manifesto tem sido fundamental em minha vida. Ao meu pai por me incentivar e acreditar no meu potencial, mesmo quando quase ninguém acreditava. À minha mãe pelo amor e carinho comigo e com meus filhos. Sem você eu nunca teria conseguido. Aos meus filhos Gustavo, Rafael e Beatriz pela alegria imensurável que trazem à minha vida. Ao meu marido Claiton, meu amor, minha alegria, por me incentivar e ajudar de muitas maneiras. Você é um grande presente de Deus. Seu amor, apoio e presença incondicionais me fazem te amar cada dia mais. À Deus, meu amor maior, porque tem enchido de amor e graça todos os dias da minha vida mesmo sem nenhum merecimento. Aleluia! Deem graças ao Senhor porque ele é bom; o seu amor dura para sempre. Salmos 106.1 A lição já sabemos de cor, só nos resta aprender (BASTOS; GUEDES, 1979). RESUMO Introdução: Trabalhadores da saúde tem missão essencial na sociedade, pois cuidam dos indivíduos e de suas comunidades, contribuindo para melhorar a qualidade de vida e saúde da população. Trabalhadores da saúde são todos aqueles que atuam nos sistemas de saúde. Podem ser classificados em provedores e profissionais de apoio e gestão. O primeiro grupo é constituído por profissionais cuja natureza da tarefa é a de promover ou recuperar a saúde. O grupo de apoio e gestão é formado por aqueles que atuam na administração, informação, contabilidade, abastecimento, limpeza e outras atividades necessárias para o bom funcionamento da unidade de saúde. As atividades desenvolvidas pelos trabalhadores da saúde podem oferecer riscos para a sua própria saúde e contribuir para a ocorrência de doenças ocupacionais. Tais doenças levam a prejuízos para o serviço prestado e consequentemente prejuízos para toda a sociedade. Em virtude do número de trabalhadores acometidos e do impacto social causado, as doenças ocupacionais são reconhecidas como problema de saúde pública. Objetivos: 1) estimar a prevalência de doenças ocupacionais em trabalhadores da SMSA-BH (Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte); 2) identificar os fatores associados a essas doenças, com interesse particular em verificar a influência das características relacionadas às condições do trabalho. Metodologia: Estudo transversal de uma amostra aleatória estratificada de 1.768 de um universo de 13.602 trabalhadores da SMSA-BH. Foi utilizado um questionário de múltipla escolha para autopreenchimento que contemplou características sociodemográficas, do emprego e do trabalho. Demanda física e aspectos psicossociais do trabalho foram mensurados por meio do JCQ (Job Content Questionnaire). O autorrelato foi critério para definição de doença ocupacional. O modelo de regressão logística binária foi utilizado para verificar possíveis associações e para estimar sua magnitude. Considerou-se um nível de significância de 5% e intervalo de confiança de 95%. A adequação do modelo foi verificada por meio do Teste Hosmer-Lemeshow. Em seguida, foram calculados o poder de predição e as probabilidades de doença ocupacional de acordo com o modelo final. Resultados: A taxa de resposta do questionário foi de 80,2%. A prevalência de doença ocupacional identificada foi de 9,1%, sendo predominante as doenças musculoesqueléticas (67,3%) e psiquiátricas (14,0%). Os fatores positivamente associados à doença ocupacional foram: maiores idade (40-49 anos – RC 1,75, IC 1,05-2,93; 50-59 anos – RC 1,77, IC 1,01-3,11; maior 60 anos – RC 3,55, IC 1,578,05), antiguidade no serviço público maior que 8 anos e 10 meses (RC 3,25, IC95% 2,01-5,23), alta demanda física (RC 2,09, IC 1,44-3,04) e alta demanda psicológica do trabalho (RC 1,89, IC 1,29-2,77). Pertencer ao grupo de provedores foi negativamente associado à doença ocupacional (RC 0,65, IC 0,45-0,94). O teste de Hosmer-Lemeshow mostrou boa adequação do modelo e o poder de predição foi de 90,6%. A menor probabilidade de doença ocupacional calculada foi identificada no grupo de até 39 anos, antiguidade no serviço público menor que 8 anos e 10 meses e com baixas demandas física e psicológica e a maior foi identificada no grupo com mais de 60 anos, antiguidade no serviço público maior que 8 anos e 10 meses e com altas demandas física e psicológica. Conclusão: A associação ente maiores idades e antiguidade no serviço público com doença ocupacional não foi surpeendente. Provavelmente, coincidem efeitos sinérgicos entre envelhecimento e maior tempo de exposição a fatores de risco resultando em maior risco de doenças ocupacionais. A associação com função administrativa não era esperada. É plausível supor um viés provocado pela readaptação funcional dos provedores que passaram a ocupar a função administrativa. Tal possibilidade não foi possível de ser avaliada no âmbito deste estudo. A associação entre alta demana física e alta demanda psicológica e doença ocupacional é condizente com dados da literatura e com a natureza do trabalho em saúde. As tarefas nos estabelecimentos de saúde podem exigir dos profissionais a posições extremas, longas caminhadas, levantamento de peso que caracterizam as altas demandas físicas. Além disso, os trabalhadores da saúde são expostos a situações de volume excessivo de trabalho, responsabilidade, decisão sob pressão temporal e contato com situações agudas que caracterizam a alta demanda psicológica. Os resultados confirmam a associação das condições de trabalho com doenças ocupacionais. Sugere-se a adoção de medidas visando diminuir o estresse principalmente para aqueles que percebem elevadas demandas física e psicológica das tarefas no trabalho. Palavras-chave: Saúde dos trabalhadores, SUS (Sistema Único de Saúde), Doença ocupacional, Pessoal da saúde. ABSTRACT Introduction: Health personnel have essential mission in society, for care of individuals and their communities, helping to improve the quality of life and health. Health workers are those who work in health systems. They can be classified into providers and support and management professionals. The first group consists of professionals whose nature of the task is to promote or restore health. The support group and management is made up of those who work in management, information, accounting, supply, cleaning and other activities necessary for the proper functioning of the health unit. The activities developed by health workers can offer risks to their own health and contribute to the occurrence of occupational diseases. These diseases lead to damage to the service provided and consequently losses for society. Because of the number of affected workers and the social impact, occupational diseases are recognized as a public health problem. Objectives: 1) to estimate the prevalence of occupational diseases in workers SMSA-BH (Department of Health of the Local Government of the City of Belo Horizonte); 2) identify the factors associated with these diseases, with particular interest in checking the influence of characteristics related to labor conditions. Methods: Cross-sectional study of a stratified random sample of 1.768 of a universe of 13.602 workers SMSA-BH. One multiple choice questionnaire for self-fulfillment which included sociodemographic characteristics, employment and labor was used. Physical demands and psychosocial aspects of the work were measured by the JCQ (Job Content Questionnaire). The self-report was criterion for defining occupational disease. The binary logistic regression model was used to investigate possible associations and to estimate its magnitude. It was considered a significance level of 5% and 95% confidence interval. The adequacy of the model was verified by the Hosmer-Lemeshow test. Then, they calculated the prediction power and the probability of occupational disease according to the final model. Results: The questionnaire response rate was 80.2%. The prevalence of identified occupational disease was 9.1%, with predominant musculoskeletal diseases (67.3%) and psychiatric (14.0%). Factors positively associated with occupational disease were higher age (40-49 years old - OR 1.75, CI 1.05-2.93; 50-59 years old - OR 1.77, CI 1.01-3.11; most 60 years old - OR 3.55, CI 1.57-8.05), seniority in greater public service than 8 years and 10 months (OR 3.25, 95% CI 2.01-5.23), high physical demand (OR 2.09, CI 1.44-3.04) and high psychological demands (OR 1.89, CI 1.292.77). Being part of the providers’ group was negatively associated with occupational disease (OR 0.65, CI 0.45-0.94). The Hosmer-Lemeshow test showed good fit of the model and the power of prediction was 90.6%. A less likely to calculated occupational disease was identified in the group of up to 39 years seniority in lower public service than 8 years and 10 months and low physical and psychological demands and the highest was found in the group with more than 60 years, seniority of service public more than 8 years and 10 months and with high physical and psychological demands. Conclusion: The association being older age and seniority in public service occupational disease has not surpeendente. Probably synergistic effect match between aging and greater risk factors exposure time resulting in increased risk of occupational diseases. The association with administrative function was not expected. It is plausible to assume a bias caused by functional rehabilitation providers that have moved to the administrative function. Such a possibility could not be assessed in this study. The association between high physical demands and high psychological demands and occupational disease is consistent with the literature and with the nature of health work. Jobs in healthcare facilities may require professionals to extreme positions, long walks, weight lifting featuring high physical demands. In addition, health workers are exposed to situations of excessive workload, responsibility, decision making under time pressure and contact with acute situations that characterize the high psychological demands. The results confirm the association of working conditions with occupational diseases. It suggests the adoption of measures to reduce stress especially for those who perceive high physical and psychological demands of the tasks at work. Keywords: Occupational Health, Unified Health System, Occupational Disease, Health Personnel. LISTAS DE FIGURAS Figura 1: Modelo explicativo das relações de Saúde-Doença-Trabalho em trabalhadores da Saúde. Figura 2: Representação das regionais da SMSA-BH. Figura 3: Probabilidades de doença ocupacional autorrelatada em trabalhadores da saúde, conforme resultados do modelo de regressão, Belo Horizonte, Minas Gerais, 2009. Figura 4: Sítios possíveis de intervenção de acordo com o modelo explicativo das Relações de Saúde-Doença-Trabalho em trabalhadores da Saúde. 27 32 47 57 LISTAS DE QUADROS Quadro 1: Blocos do questionário utilizado para a coleta dos dados. Quadro 2: Equivalência entre o grupo ocupacional dos trabalhadores da saúde e os cargos da SMSA-BH. 35 37 LISTAS DE TABELAS Tabela 1: Distribuição da amostra de trabalhadores municipais de saúde (n=1.768) segundo autorrelato de doença ocupacional diagnosticada por médico e doenças relatadas, Belo Horizonte, MG, 2009. Tabela 2: Distribuição da amostra de trabalhadores municipais de saúde segundo autorrelato de doença ocupacional diagnosticada por médico (n=1.768) e análise univariada avaliando as características individuais associadas, Belo Horizonte, MG, 2009. Tabela 3: Distribuição da amostra de trabalhadores municipais de saúde segundo autorrelato de doença ocupacional diagnosticada por médico (n=1.768) e análise univariada avaliando as características do emprego associadas, Belo Horizonte, MG, 2009. Tabela 4: Distribuição da amostra de trabalhadores municipais de saúde segundo autorrelato de doença ocupacional diagnosticada por médico (n=1.768) e análise univariada avaliando as características do trabalho associadas, Belo Horizonte, MG, 2009. Tabela 5: Modelo final ajustado de fatores associados à doença ocupacional em amostra de trabalhadores municipais da saúde, Belo Horizonte, MG, 2009. 41 43 44 45 46 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CAT CLT JCQ OIT OMS OPAS RJU SMSA-BH SUS UFMG Comunicação de Acidente de Trabalho Consolidações das Leis do Trabalho Job Content Questionnaire Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial de Saúde Organização Pan-Americana de Saúde Regime Jurídico Único Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte Sistema Único de Saúde Universidade Federal de Minas Gerais SUMÁRIO1 1. INTRODUÇÃO -------------------------------------------------------------------------------------- 17 1.1. Legislação relativa às Doenças Ocupacionais--------------------------------------- 18 1.2. Vulnerabilidades ao Adoecimento ------------------------------------------------------- 18 1.3. Diagnóstico das Doenças Ocupacionais----------------------------------------------- 20 1.4. Sistema de Informações das Doenças Ocupacionais no Brasil --------------- 21 2. RELAÇÕES SAÚDE-DOENÇA-TRABALHO NO SETOR SAÚDE ------------------ 24 3. OBJETIVOS ----------------------------------------------------------------------------------------- 30 4. METODOLOGIA------------------------------------------------------------------------------------ 31 4.1. População Alvo --------------------------------------------------------------------------------- 31 4.2. Cálculo Amostral ------------------------------------------------------------------------------- 32 4.3. Coleta de Dados -------------------------------------------------------------------------------- 33 4.4. Variáveis do Estudo --------------------------------------------------------------------------- 35 4.5. Análise Estatística ----------------------------------------------------------------------------- 39 5. RESULTADOS-------------------------------------------------------------------------------------- 41 6. DISCUSSÃO----------------------------------------------------------------------------------------- 48 7. LIMITES E VANTAGENS ------------------------------------------------------------------------ 53 8. RECOMENDAÇÕES éticos As avaliações das indicações de tratamento da DAC feitas no Ambulatório de Referência em Alta Complexidade em Cardiologia do HC/UFMG foram realizadas em conformidade com os artigos 108 e 121 do Código de Ética Médica e com a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) no 1.614/2001, que regulamentam as atividades da auditoria médica como forma de regulação e avaliação dos recursos e procedimentos adotados, visando à melhoria na qualidade da prestação dos serviços. De acordo com o artigo 8o da Resolução CFM 1614/2001, em atuação de indiscutível benefício para o paciente é permitido ao médico-auditor questionar as indicações do procedimento solicitado pelo médico-assistente por meio de comunicação e fundamentação por escrito. As disposições do Código de Ética Médica e da Resolução CFM nº 1.614/2001 têm o mérito de nortear as relações entre os médicos-auditores e médicos prestadores de assistência de modo a assegurar um relacionamento ético entre as partes e coibir abusos da auditoria médica que possam prejudicar a relação médico-paciente e a qualidade da assistência prestada. O projeto de pesquisa foi aprovado pelos Comitês de Ética da UFMG e da SMSA de Belo Horizonte (ANEXOS C). O termo de consentimento livre e esclarecido foi assinado por todos os médicos-auditores convidados, de acordo com o item IV da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (APÊNDICE A). 36 4.5 Análise estatística Os resultados foram apresentados como números absolutos e percentagens, de acordo com a indicação inicial do procedimento, ICP ou CRVM. As proporções foram comparadas pelo teste do qui-quadrado ou pelo teste exato de Fisher. A correlação entre o escore de Duke e a gravidade da DAC foi avaliada pelo coeficinete de correlação de Spearman. A concordância entro os dois cardiologistas do “consenso de especialistas” foi avaliada pela estatística Kappa e pela proporção de concordância observada. A identificação de preditores de indicação apropriada foi feita pro análise univariável em tabelas 2 x 2, considerando-se a variável dependente a indicação apropriada e as variáveis independentes as características clínicas, laboratoriais e do procedimento potencialmente relacionadas à propriedade da indicação. A análise multivariável foi realizada através da regressão logística, com sleeção de variáveis pelo método backward, selecionado-se para o modelo inicial as variáveis que na análise univariada apresentavam associação com o desfecho com valor-p menor que 0,20, aceitando-se no modelo final aquelas com valor-p menor que 0,10. O ajuste do modelo foi avaliado pelo teste de Hosmer-Lemeshow. Para todas as análises, o valor p foi considerado significativa quando menor que 0,05. Os testes estatísticos foram realizados no software SPSS, versão 15 (Chicago, EUA). 37 5 RESULTADOS Foram analisadas 165 avaliações de pacientes encaminhados ao Ambulatório de Referência de Alta Complexidade em Cardiologia do HC/UFMG e SMSA/BH. Da amostra estudada, 95 (57,6%) consistiam em solicitações de angioplastia coronariana (ICP) e 70 (42,4%) de cirurgia de revascularização do miocárdio (CRVM). A amostra do estudo foi constituída de avaliações de pacientes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde e consistia de indivíduos predominantemente do sexo masculino, com idade média de 60,5 anos. A maioria dos pacientes era portadora de hipertensão arterial, dislipidemia e aproximadamente um terço era de diabéticos. A presença de DAC uniarterial foi constatada em 52 (31,5%) das avaliações, lesões biarteriais e triarteriais em 46 (27,9%) e 55 (33,3%), respectivamente. Lesão em TCE foi evidenciada em nove (5,5%) das avaliações. Em um total de 165 coronariografias avaliadas pelos auditores, três (1,8%) foram consideradas sem lesões significativas. Em relação à avaliação funcional, em um total de 165 avaliações, 74 (44,8%) apresentaram teste ergométrico, seis (3,6%) ecocardiograma sob estresse e 37 (22,4%) cintilografia miocárdica perfusional em repouso e sob estresse; 64 (39%) não possuíam nenhuma avaliação funcional. A presença de cintilografia miocárdica foi mais expressiva no grupo de solicitações de cirurgia de revascularização do miocárdio. A proporção de teste ergométrico e ecocardiograma sob estresse foi similar nas solicitações de CRVM e ICP. Não foi observada correlação entre o escore de Duke e a gravidade da DAC (uniarterial, biarterial, triarterial e lesão de TCE, rs = 0,077, p = 0,55. A TAB. 1 descreve outros dados clínicos das avaliações, de acordo com os procedimentos solicitados. 38 TABELA 1 Dados clínicos das avaliações realizadas no Ambulatório de Referência de Alta Complexidade em Cardiologia do HC/UFMG – SMSA/SUS BH, de acordo com o procedimento solicitado, no período de maio a novembro de 2007 ICP CRVM Valor N (%) N (%) p Sexo masculino 66/95 (69,5) 50/70 (71,4) 0,79 Hipertensão 81/95 (85,3) 62/70 (88,6) 0,46 Diabetes melito 39/95 (41,1) 24/70 (34,3) 0,50 Dislipidemia 67/95 (70,5) 48/70 (68,6) 0,57 Tabagismo 13/95 (13,7) 14/70 (20) 0,34 Angina típica 48/76 (63,2) 42/56 (75) 0,68 Evento coronariano prévio 35/94 (37,2) 31/70 (44,3) 0,36 CRVM prévia 8/94 (8,5) 2/70 (2,9) 0,14 ICP prévia 15/94 (16) 6/70 (8,6) 0,16 Uso de beta-bloqueador 61/92 (66,3) 52/67 (77,6) 0,28 Uso de AAS 87/92 (94,6) 63/67 (94) 0,49 Uso de estatina 67/92 (72,8) 51/67 (76,1) 0,89 Isquemia ao TE 32/46 (69,6) 22/28 (78,6) 0,39 FEVE < 35% ao ECOTT 3/18 (16,7) 1/19 (5,3) 0,26 Isquemia ao ECO sob estresse 4/5 (80) 1/1 (100) 0,62 Isquemia à cintilografia miocárdica 11/24 (45,8) 9/10 (90) 0,02 Ausência de avaliação funcional 26/95 (27,4) 38/70 (54,3) 0,001 ICP=intervenção coronariana percutânea; CRVM=cirurgia de revascularização do miocárdio; AAS=ácido acetilsalicílico; TE=teste ergométrico; ECOTT=ecocardiograma transtorácico; ECO= ecocardiograma. 39 5.1 Avaliação dos auditores Em relação às indicações dos tratamentos propostos para a DAC pelos médicos-assistentes, 126 (76,4%) foram classificadas pelos auditores como I/IIa, ou seja, apropriadas; e 39 (23,6%) inapropriadas. A TAB. 2 apresenta os resultados de acordo com o procedimento solicitado. Foi observado que 30 solicitações de ICP (31,6% do total de procedimentos solicitados para ICP) foram descritas como inapropriadas na avaliação dos médicos-auditores. Dessas avaliações, os auditores recomendaram tratamento clínico medicamentoso para 25 casos (83,3%) e CRVM para cinco (16,7%) das solicitações de angioplastia. Nas solicitações de CRVM, eles classificaram nove como inapropriadas (12,9% do total) e recomendaram, para todas, tratamento clínico medicamentoso. A análise das solicitações para tratamento da DAC consideradas inapropriadas pelos médicos-auditores revelou que 37% dos pacientes não estavam em uso de betabloqueador e 33% eram assintomáticos. No grupo das solicitações consideradas apropriadas, 17% dos pacientes não estavam em uso de beta-bloqueador e 7% eram assintomáticos. TABELA 2 Classificação pelos auditores das indicações dos procedimentos solicitados pelos médicos-assistentes para tratamento da DAC Procedimento Solicitado ICP N (%) CRVM N (%) Total N (%) Apropriadas 65 (68,4) 61 (87,1) 126 (76,4) Inapropriadas 30 (31,6) 9 (12,9) 39 (23,6) Total 95 (100) 70 (100) 165 (100) 40 5.2 Avaliação do grau de concordância entre os cardiologistas A e B: criação do “consenso de especialistas” As avaliações realizadas entre os cardiologistas A e B foram estudadas e descritas por meio da concordância observada e da estatística Kappa de Cohen. O grau de concordância entre os cardiologistas A e B avaliado pela estatística Kappa foi de 0,66, considerada boa (0,54-0,77, intervalo de confiança - IC 95%). A proporção de concordância observada entre os cardiologistas A e B foi de 83%. 5.3 Avaliação do “consenso de especialistas” Do total de 165 avaliações, o “consenso de especialistas” classificou 89 (53,9%) como apropriadas e 76 (46,1%) como inapropriadas em relação ao procedimento solicitado. Ambos os cardiologistas recomendaram tratamento clínico medicamentoso para 66 (87%) das 76 avaliações consideradas inapropriadas. A TAB. 3 apresenta os resultados do consenso de especialistas de acordo com o procedimento solicitado. . TABELA 3 Classificação pelo consenso de especialistas dos procedimentos solicitados pelos médicos-assistentes para tratamento da DAC Procedimento Solicitado ICP CRVM Total N (%) N (%) N (%) Apropriadas 34 (35,8) 55 (78,6) 89 (53,9) Inapropriadas 61 (64,2) 15 (21,4) 76 (46,1) Total 95 (100) 70 (100) 165 (100) 41 6.0 PREDITORES DE UMA INDICAÇÃO CLASSIFICADA COMO APROPRIADA PELO “CONSENSO DE ESPECIALISTAS” De um total de 89 solicitações de procedimentos de revascularização miocárdica classificados relating to the environment and materials include action to improve the furnishings, adaptation of climatic conditions, noise controls, provision of the technologies required for the work and implementation of security measures. Use of metal detectors, training for individuals who are responsible for security, installation of cameras (HEPONIEMI et al., 2014), security in the areas of greatest circulation of users and control over access (ABUALRUB; AL-ASMAR, 2014) are fundamental for controlling violence. Reduction of occupational stress, reformulation of procedures and promotion of a climate of cohesion in the team are actions for preventing workplace violence (BENTLEY et al., 2014). Continual dialogue and sharing of experiences among team members need to be ensured. The aim goes beyond constructing specific care skills for achieving strengthening of interpersonal relationships. The role of the manager/boss is to ensure, encourage and guide team meetings. For this reason, it is suggested that training for administrators and managers regarding development of communication skills should be promoted (BENTLEY et al., 2014; MAGNAVITA, 2014). Administrators who are better prepared tend to take into consideration criticisms coming from their subordinates, encourage teamwork, give guidance for carrying out standard procedures and allow a greater degree of decision-making freedom for their subordinates (LASCHINGER et al., 2014). 4.1 Conclusion The purpose of this study was to identify paths for defining actions that might transform situations associated with reports of violence in the municipal healthcare sector. The results described here strengthen the premises that support actions aimed towards innovation in management models, so as to ensure greater social support and better adaptation of working conditions. Acknowledgments This study was supported a Grant from the FAPEMIG (Fundação de Amparo a Pesquisa de Minas Gerais – PPM-00567-13) and from CNPq (National Counsel of Technological and Scientific Development). REFERENCES ABUALRUB, R. F.; AL-ASMAR, A. H. 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Doenças ocupacionais em trabalhadores das unidades do Sistema Único de Saúde de Belo Horizonte, MG
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