Feedback

Estudo do desempenho de rejunte fabricado com agregado de microesferas de vidro

Documento informativo

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Programa de Pós Graduação em Construção Civil Dissertação de Mestrado ESTUDO DO DESEMPENHO DE REJUNTE FABRICADO COM AGREGADO DE MICROESFERAS DE VIDRO. Pedro Paulo Ponciano Belo Horizonte 2011 . Programa de Pós-graduação em Construção Civil ii PEDRO PAULO PONCIANO ESTUDO DO DESEMPENHO DE REJUNTE FABRICADO COM AGREGADO DE MICROESFERAS DE VIDRO. Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Construção Civil da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Construção Civil. Área de Concentração: Materiais de Construção Civil. Orientador: Prof. Dr. Antônio Neves de Carvalho Júnior. Co-orientadora: M. Sc. Tereza Cristina Miranda de Magalhães. Belo Horizonte 2011 iii UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS ESCOLA DE ENGENHARIA CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CONSTRUÇÃO CIVIL ESTUDO DO DESEMPENHO DE REJUNTE FABRICADO COM AGREGADO DE MICROESFERAS DE VIDRO. Pedro Paulo Ponciano Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Construção Civil Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Construção Civil. Comissão Examinadora ________________________________ Prof. Dr. Antônio Neves de Carvalho Júnior DEMC/UFMG (Orientador) ________________________________ Profa. M. Sc. Tereza Cristina Miranda de Magalhães NEWTON PAIVA (Co-Orientadora) ________________________________ Prof. Dr. Eduardo Chahud DEMC/UFMG ________________________________ Prof. Dr. Antônio Alves Dias ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS/USP Belo Horizonte, 29 de Junho de 2011. iv À Aparecida de Souza Lemos-Minha querida mãe, Ao Professor Antônio Júnior-Orientador, companheiro e amigo, A Tereza-Co-orientadora, colaboradora e amiga, A Suely-Minha amável esposa, Aos funcionários e professores do Departamento de Materiais de Construção. v AGRADECIMENTOS Agradecer é reconhecer a ajuda que tantas pessoas ofereceram a mim em vários momentos nesta caminhada. Agradeço a Deus pela oportunidade de aprender um pouco mais. A minha esposa Suely por me ajudar e sempre me compreender nos momentos em que eu mais precisei de concentração e principalmente estar ao meu lado a todo o momento. Amo-te eternamente. A minha mãe pelo incentivo e companheirismo. Aos meus irmãos que sempre se orgulharam de mim, principalmente a minha querida irmã Marinete que sempre acreditou e me apoiou em todas as coisas que fiz e sonhei em fazer. À equipe do Laboratório da PRECON S.A., em Pedro Leopoldo, principalmente ao Alberto Luciano, Leandro, Ricardo e Valquíria pelo grande desempenho e ajuda na elaboração dos ensaios. Ao colega Alexandre Lopes Vieira por me incentivar no curso de Mestrado em construção civil. Ao amigo Rafael Martins dos Santos e a Empresa Persinal Ltda por me informar e doar as microesferas de vidro. A Tereza Cristina a minha Co-orientadora que sempre me apoiou, foi amiga e insistente mesmo tendo que se dividir no momento mais sublime de uma mulher que é a gravidez. Ao meu orientador e amigo, Antônio Júnior que aos poucos fui aprendendo a admirar pela sua forma harmoniosa de conduzir a vida. Considerei uma honra inexplicável ser orientado e auxiliado por uma pessoa de extrema educação e simplicidade. ‘’Utilize os talentos que tiver: haveria silêncio nos bosques se só os pássaros que cantam bem cantassem´´. Henry Van Dyke vi RESUMO Os sistemas e revestimentos têm adotado inúmeras inovações para melhorar o desempenho dos seus componentes nas mais variadas situações de aplicação. No entanto são constantes os estudos para buscar novas tecnologias que vão atender cada vez mais a enorme demanda que os sistemas de revestimentos necessitam em relação ao tipo de ambiente de aplicação, materiais e tipos de rejuntes. Neste trabalho foram estudadas três amostras com substituição de dolomita por microesferas de vidro em proporções de 5,10 e 15%. Estas amostras foram desenvolvidas com intuito de verificar as propriedades do rejunte fabricado com agregados de microesferas de vidro utilizadas para demarcação viária. Ao comparar os resultados obtidos com os requisitos exigidos pela norma, foi possível verificar que a argamassa com a introdução das microesferas de vidro na argamassa de rejuntamento influenciou no aumento da resistência à compressão e tração e a capacidade de retenção de água na amostra. O fator de maior destaque foi à redução na absorção de água por capilaridade nas amostras com substituição parcial de dolomita por microesferas de vidro. Palavras-chave: Microesferas de vidro, rejunte e dolomita. vii ABSTRACT The systems and coatings have adopted several innovations to improve the performance of its components in various application situations. However the studies are listed to seek new technologies that will increasingly meet the huge demand that the coating systems need for the type of application environment, materials and types of sealants. In this study three samples with replacement of dolomite by glass microspheres in proportions of 5.10 and 15%. These samples were developed in order to verify the properties of the grout made with clusters of glass beads used for road marking. By comparing the results with the standards required by the standard, we observed that the mortar with the introduction of glass beads in a grout influence the increased resistance to compression and tension and the ability to retain water in the sample. The most prominent factor was the reduction in water absorption by capillarity in the samples with partial substitution of dolomite for glass beads. Key-Word: glass beads, grout and dolomite. 8 SUMÁRIO Lista de Figuras.12 Lista de Tabelas.16 Lista de Quadros.17 Siglas e abreviaturas.18 Capítulo 1 – INTRODUÇÃO .19 1.1.Justificativa do trabalho.20 1.2.Objetivos.22 1.2.1.Objetivo Geral.22 1.2.2.Objetivos Específicos.22 Capítulo 2 – ARGAMASSA DE REJUNTAMENTO.23 2.1.Definição e Histórico.24 2.2.Tipos de rejuntes. .26 2.3.Modelo de Aplicação do Rejunte. .31 2.4.Componentes do Rejunte. .34 Capítulo 3 – NBR 14992-ARGAMASSA DE REJUNTAMENTO .39 3.1.Requisitos Exigíveis.40 3.2.Ensaios Específicos da NBR 14992.41 . Programa de Pós-graduação em Construção Civil 9 3.2.1.Preparo da Mistura.41 3.2.2.Determinação da Retenção de água .43 3.2.3.Determinação da Variação Dimensional.44 3.2.4.Determinação da Resistência à compressão.46 3.2.5.Determinação da Resistência à tração na flexão.46 3.2.6.Determinação da absorção de água por capilaridade.48 3.2.7.Determinação da permeabilidade.49 Capítulo 4 –O VIDRO.51 4.1.Histórico.52 4.2.Definição. .53 4.3.Propriedades. .53 4.4.Resistência Química.55 4.5.Composição do vidro.57 4.6.O processo de Produção.58 Capítulo 5 –REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.61 5.1.Microesferas de vidro.62 5.1.1.Histórico.62 5.1.2.Definição.62 5.1.3.Microesferas de vidro sólidas.62 . Programa de Pós-graduação em Construção Civil 10 5.1.4. Microesferas de vidro ocas .63 5.1.5. Aplicação.64 5.1.5.1.Microesferas de vidro sólidas .64 5.1.5.2.Microesferas de vidro ocas .68 5.1.6.Vantagens da Aplicação das Microesferas de Vidro.69 5.1.6.1.Melhoria do Fluxo.69 5.1.6.2.Maior capacidade de carregamento.70 5.1.6.3.Revestimento de Pisos.71 5.2.Sinalização viária –Microesferas de vidro.73 5.2.1.Objetivo.73 5.2.2.Classificação.73 5.2.3.Requisitos para utilização das Microesferas de Vidro.75 5.3.Agregados do rejunte.78 5.3.1.Calcita.78 5.3.2.Dolomita.80 . Programa de Pós-graduação em Construção Civil 11 Capítulo 6 –PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL.82 6.1.Materiais e Métodos .82 6.1.1.Materiais . 82 6.1.2. Métodos. 85 6.1.2.1.Levantamento de dados. . 86 6.1.2.2.O processo experimental. . 86 Capítulo 7–RESULTADOS E ANÁLISE DOS RESULTADOS. 107 7.1.Retenção de água.109 7.2.Variação dimensional.111 7.3.Resistência à compressão.113 7.4.Resistência a tração na flexão.115 7.5.Absorção de água por capilaridade.117 7.6.Permeabilidade aos 240 min.118 Capítulo 8 –CONSIDERAÇÕES FINAIS.121 Capítulo 9–SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS.123 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.125 . Programa de Pós-graduação em Construção Civil 12 LISTA DE FIGURAS Figura 2.1-Assentamento de placas cerâmicas com excesso de argamassa nas juntas.32 Figura 3.1-Misturador Mecânico utilizado na mistura de argamassas.43 Figura 3.2-Demarcação da mancha no ensaio de retenção de água.44 Figura 3.3-Suporte para medir a variação dimensional.45 Figura 3.4-Forma metálica para execução de corpos de prova para ensaio de tração na flexão.47 Figura 3.5-Coluna de vidro utilizada no ensaio de permeabilidade.50 Figura 4.1-Fluxograma de locais atingidos pelo vidro por ação de agentes.56 Figura 4.2-Quantidade de sílica removida pela ação da água (ARKEMAN 1990).56 Figura 4.3-Tijolos de vidro com cores variadas .57 Figura 4.4-Processo de produção de vidros para janela no ano de 1800.59 Figura 5.1-Microesferas de vidro para demarcação viária.63 Figura 5.2-Tratamento superficial de peças metálicas (POTTERS, 2010).,.64 . Programa de Pós-graduação em Construção Civil 13 Figura 5.3- Microesferas Ocas de Vidro (Glass Bubbles® tipo K-37); micrografia eletrônica de varredura (aumento de 100 vezes) (BARBOZA E PAOLI, 2010).65 Figura 5.4-Microesferas de vidro com resina(POTTERS,2010).66 Figura 5.5-Retrorrefletividade da microesfera de vidro (SCHWAB, 1999).67 Figura 5.6 - Comparação da geometria de diferentes materiais (b, c e d) com as microesferas de Vidro (a) (3M,2010) .70 Figura 5.7 - Preenchimento com material esférico (3M, 2010).71 Figura 5.8-Calcita utilizada na fabricação do rejunte.79 Figura 5.9-Calcitas com várias cores (ZIMBRES, 2010).79 Figura 6.1-Aditivo retentor de água.84 Figura 6.2-Pesagem das microeferas de vidro a) 150 g (5% de substituição) b) 300 g (10% de substituição) c) 450 g(15% de substituição).90 Figura 6.3-Execução do ensaio de retenção de água: a) confecção do corpo de prova. b) amostra sobre o papel filtro (10 min.).92 Figura 6.4-Execução do ensaio de variação dimensional: a) medição do corpo de prova; b) aferição do aparelho; b) pinos inferior e superior. 94 Figura 6.5-Execução do ensaio de variação dimensional: a) confecção da amostra; b) confecção da amostra; c) equipamento para controlar a. temperatura e umidade relativa do ar.96 . Programa de Pós-graduação em Construção Civil 14 Figura 6.6-Execução do ensaio de resistência à compressão: a) montagem da célula de carga; b) célula de carga; c) rompimento do corpo de prova.98 Figura 6.7-Dispositivo para apoio do corpo de prova-Ensaio de resistência a tração na flexão.100 Figura 6.8-Rompimento do corpo de prova-Ensaio de resistência da tração na flexão.101 Figura 6.9-Aplicação de água para o ensaio de absorção.102 Figura 6.10: a) limpeza da estufa b) secagem dos corpos de prova em estufa.103 Figura 6.11- Coluna de vidro sobre os corpos de prova-Ensaio de permeabilidade.106 Figura 6.12-Preenchimento da Coluna de vidro usada como testemunho.106 Figura 7.1–Comparação dos resultados de retenção de água aos 10 minutos entre as amostras de referência e as amostras com substituições parciais de Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos study has some limitations. The study sample consisted of a selected cohort of CML patients, as the enrollment was carried out in a single center. It is part of an observational study that was initially designed to evaluate imatinib-induced cardiotoxicity. Therefore, patients with cardiac disease, who have shown to be at increased risk for drug-induced nephrotoxicity [36], were excluded. The data were collected from the medical records, and the number of measurements differed among patients. Furthermore, only CML patients were enrolled. The effectiveness of imatinib has been demonstrated in several other diseases [3, 38, 39, 40] and it is also important to evaluate nephrotoxicity in these patients, as it is not known whether the propensity to develop imatinibinduced nephrotoxicity is related to the underlying malignancy. conclusions In conclusion, physicians should be aware that imatinib treatment may result in acute kidney injury and that the long- term treatment may cause a significant decrease in the estimated GFR and chronic renal failure. Therefore, it is important to monitor renal function of CML patients under imatinib therapy by measuring the creatinine levels and estimating GFR. Attention must be paid to concomitant administration of other potentially nephrotoxic agents, to avoid additive nephrotoxicity in these patients. acknowledgements We gratefully acknowledge the contributions of our patients, their families, and the hematologists (Cla´udia de Souza, Simone Magalha˜es, and Gustavo Magalha˜es). We also thank Heloisa Vianna for the constructive comments and suggestions, and Ka´tia Lage and Vera Chaves for the expert secretarial assistance. funding Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientı´fico e Tecnolo´ gico (478923/2007-4) to ALR; Fundaxca˜o de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (PPM 328-08) to ALR; Coordenadoria de Aperfeixcoamento do Ensino Superior, Brazil (BEX 1199-09-9), to MSM. disclosure The authors declare no conflict of interest. references 1. Pappas P, Karavasilis V, Briasoulis E et al. Pharmacokinetics of imatinib mesylate in end stage renal disease. A case study. Cancer Chemother Pharmacol 2005; 56: 358–360. 2. Baccarani M, Cortes J, Pane F et al. Chronic myeloid leukemia: an update of concepts and management recommendations of European LeukemiaNet. J Clin Oncol 2009; 27: 6041–6051. 6 | Marcolino et al. Downloaded from annonc.oxfordjournals.org at Universidade Federal de Minas Gerais on February 10, 2011 Annals of Oncology original article 3. Blackstein ME, Blay JY, Corless C et al. Gastrointestinal stromal tumours: consensus statement on diagnosis and treatment. Can J Gastroenterol 2006; 20: 157–163. 4. Vandyke K, Fitter S, Dewar AL et al. Dysregulation of bone remodelling by imatinib mesylate. Blood 2010; 115: 766–774. 5. Kitiyakara C, Atichartakarn V. Renal failure associated with a specific inhibitor of BCR-ABL tyrosine kinase, STI 571. Nephrol Dial Transplant 2002; 17: 685–687. 6. Foringer JR, Verani RR, Tjia VM et al. Acute renal failure secondary to imatinib mesylate treatment in prostate cancer. Ann Pharmacother 2005; 39: 2136–2138. 7. Pinder EM, Atwal GS, Ayantunde AA et al. Tumour lysis syndrome occurring in a patient with metastatic gastrointestinal stromal tumour treated with glivec (imatinib mesylate, Gleevec, STI571). Sarcoma 2007; 2007: 82012. 8. Al-Kali A, Farooq S, Tfayli A. Tumor lysis syndrome after starting treatment with Gleevec in a patient with chronic myelogenous leukemia. J Clin Pharm Ther 2009; 34: 607–610. 9. Pou M, Saval N, Vera M et al. Acute renal failure secondary to imatinib mesylate treatment in chronic myeloid leukemia. Leuk Lymphoma 2003; 44: 1239–1241. 10. Vora A, Bhutani M, Sharma A, Raina V. Severe tumor lysis syndrome during treatment with STI 571 in a patient with chronic myelogenous leukemia accelerated phase. Ann Oncol 2002; 13: 1833–1834. 11. Naughton CA. Drug-induced nephrotoxicity. Am Fam Physician 2008; 78: 743–750. 12. Gafter-Gvili A, Ram R, Gafter U et al. Renal failure associated with tyrosine kinase inhibitors—case report and review of the literature. Leuk Res 2010; 34: 123–127. 13. Kelly RJ, Billemont B, Rixe O. Renal toxicity of targeted therapies. Target Oncol 2009; 4: 121–133. 14. Takikita-Suzuki M, Haneda M, Sasahara M et al. Activation of Src kinase in platelet-derived growth factor-B-dependent tubular regeneration after acute ischemic renal injury. Am J Pathol 2003; 163: 277–286. 15. O’Brien SG, Guilhot F, Larson RA et al. Imatinib compared with interferon and low-dose cytarabine for newly diagnosed chronic-phase chronic myeloid leukemia. N Engl J Med 2003; 348: 994–1004. 16. Hochhaus A, O’Brien SG, Guilhot F et al. Six-year follow-up of patients receiving imatinib for the first-line treatment of chronic myeloid leukemia. Leukemia 2009; 23: 1054–1061. 17. Druker BJ, Sawyers CL, Kantarjian H et al. Activity of a specific inhibitor of the BCR-ABL tyrosine kinase in the blast crisis of chronic myeloid leukemia and acute lymphoblastic leukemia with the Philadelphia chromosome. N Engl J Med 2001; 344: 1038–1042. 18. National Kidney Foundation. K/DOQI clinical practice guidelines for chronic kidney disease: evaluation, classification, and stratification. Am J Kidney Dis 2002; 39: S1–S266. 19. Coresh J, Byrd-Holt D, Astor BC et al. Chronic kidney disease awareness, prevalence, and trends among U.S. adults, 1999 to 2000. J Am Soc Nephrol 2005; 16: 180–188. 20. Ribeiro AL, Marcolino MS, Bittencourt HN et al. An evaluation of the cardiotoxicity of imatinib mesylate. Leuk Res 2008; 32: 1809–1814. 21. Calhoun DA, Jones D, Textor S et al. Resistant hypertension: diagnosis, evaluation, and treatment: a scientific statement from the American Heart Association Professional Education Committee of the Council for High Blood Pressure Research. Circulation 2008; 117: e510–e526. 22. Soares AA, Eyff TF, Campani RB et al. Glomerular filtration rate measurement and prediction equations. Clin Chem Lab Med 2009; 47: 1023–1032. 23. Mehta RL, Kellum JA, Shah SV et al. Acute kidney injury network: report of an initiative to improve outcomes in acute kidney injury. Crit Care 2007; 11: R31. 24. Levey AS, Stevens LA, Schmid CH et al. A new equation to estimate glomerular filtration rate. Ann Intern Med 2009; 150: 604–612. 25. Bash LD, Coresh J, Kottgen A et al. Defining incident chronic kidney disease in the research setting: the ARIC Study. Am J Epidemiol 2009; 170: 414–424. 26. Sokal JE, Cox EB, Baccarani M et al. Prognostic discrimination in ‘‘good-risk’’ chronic granulocytic leukemia. Blood 1984; 63: 789–799. 27. Cairo MS, Bishop M. Tumour lysis syndrome: new therapeutic strategies and classification. Br J Haematol 2004; 127: 3–11. 28. Lindeman RD, Tobin J, Shock NW. Longitudinal studies on the rate of decline in renal function with age. J Am Geriatr Soc 1985; 33: 278–285. 29. O’Brien S, Berman E, Borghaei H et al. National Comprehensive Cancer Networkâ (NCCN) Practice Guidelines in Oncologyä: Chronic Myelogenous Leukemia Version 2.2010. JNCCN 2009; 7: 984–1023. 30. Martin JE, Sheaff MT. Renal ageing. J Pathol 2007; 211: 198–205. 31. Wetzels JF, Kiemeney LA, Swinkels DW et al. Age- and gender-specific reference values of estimated GFR in Caucasians: the Nijmegen Biomedical Study. Kidney Int 2007; 72: 632–637. 32. Lechner J, Malloth N, Seppi T et al. IFN-alpha induces barrier destabilization and apoptosis in renal proximal tubular epithelium. Am J Physiol Cell Physiol 2008; 294: C153–C160. 33. Vuky J, Isacson C, Fotoohi M et al. Phase II trial of imatinib (Gleevec) in patients with metastatic renal cell carcinoma. Invest New Drugs 2006; 24: 85–88. 34. Ozkurt S, Temiz G, Acikalin MF, Soydan M. Acute renal failure under dasatinib therapy. Ren Fail 2010; 32: 147–149. 35. Shemesh O, Golbetz H, Kriss JP, Myers BD. Limitations of creatinine as a filtration marker in glomerulopathic patients. Kidney Int 1985; 28: 830–838. 36. Launay-Vacher V, Oudard S, Janus N et al. Prevalence of renal insufficiency in cancer patients and implications for anticancer drug management: the renal insufficiency and anticancer medications (IRMA) study. Cancer 2007; 110: 1376–1384. 37. Demetri GD. Structural reengineering of imatinib to decrease cardiac risk in cancer therapy. J Clin Invest 2007; 117: 3650–3653. 38. Vega-Ruiz A, Cortes JE, Sever M et al. Phase II study of imatinib mesylate as therapy for patients with systemic mastocytosis. Leuk Res 2009; 33: 1481–1484. 39. David M, Cross NC, Burgstaller S et al. Durable responses to imatinib in patients with PDGFRB fusion gene-positive and BCR-ABL-negative chronic myeloproliferative disorders. Blood 2007; 109: 61–64. 40. Gotlib J, Cools J, Malone JM et al. The FIP1L1-PDGFRalpha fusion tyrosine kinase in hypereosinophilic syndrome and chronic eosinophilic leukemia: implications for diagnosis, classification, and management. Blood 2004; 103: 2879–2891. doi:10.1093/annonc/mdq715 | 7
Estudo do desempenho de rejunte fabricado com agregado de microesferas de vidro
RECENT ACTIVITIES

Autor

Documento similar

Tags

Estudo do desempenho de rejunte fabricado com agregado de microesferas de vidro

Livre