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Subjetividade e aids: a experiência da doença e da militância na trajetória de vida de mulheres HIV+ vista sob a perspectiva dos estudos de gênero

Documento informativo
FLÁVIA FERNANDES DE CARVALHAES SUBJETIVIDADE E AIDS: a experiência da doença e da militância na trajetória de vida de mulheres HIV+ vista sob a perspectiva dos estudos de gênero Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências e Letras de Assis - UNESP - Universidade Estadual Paulista, para obtenção do título de Mestre em Psicologia (Área de Conhecimento: Psicologia e Sociedade). Orientador: Prof. Dr. Fernando Silva Teixeira Filho ASSIS 2008 Catalogação na publicação elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca Central da Universidade Estadual de Londrina. C331s Carvalhaes, Flávia Fernandes de. Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) Subjetividade e aids : a experiência da doença e da militância na trajetória de vida de mulheres HIV+ vista sob a perspectiva dos estudos de gênero / Flávia Fernandes de Carvalhaes. – Assis, 2008. 133f. : il. Orientador: Fernando Silva Teixeira Filho. Dissertação (Mestrado em Psicologia) − Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Campus de Assis), Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, 2008. Inclui bibliografia. 1. AidsFERNANDES (Doença) em mulheres 2. Movimentos sociais – FLÁVIA DE– Teses. CARVALHAES Mulheres – Teses. 3. Aids (Doença) – Aspectos sociais – Teses. I. Teixeira Filho, Fernando Silva. II. Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Campus de Assis). Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Programa de Pós-Graduação em Psicologia. III. Título. SUBJETIVIDADE E AIDS: CDU 159.923 Ao meu pai, meu passarinho. AGRADECIMENTOS Às mulheres que entrevistei, pela generosidade em compartilhar suas histórias e sua intimidade. À pequena Lú, pela paciência, delicadeza e profundidade com que compartilha sua história comigo. Obrigado pelo cuidado, carinho e apoio. À minha mãe, Fernanda, e sua eterna parceria, que me ensinou que a vida pode ser encantadora frente à dor. Ao Gustavo, por me impor reflexões. Ao meu orientador, Fernando Teixeira Silva Filho, por me acompanhar neste percurso. A Leila S. Jeolás e Wiliam S. Peres, pelos toques e companheirismo nos últimos anos de minha trajetória de militância, e agora no mestrado. À Carol, por me iniciar nos estudos de gênero, ajudar na elaboração do projeto de pesquisa e no texto para a qualificação. Aos membros do Núcleo Londrinense de Redução de Danos e da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids, por contribuírem na construção de parte das minhas concepções. Ao grupo de pesquisa “Risco, Gênero e Masculinidades” da Universidade Estadual de Londrina, especialmente à Marta, pelas cirúrgicas contribuições. À minha vó, que sempre rezou para Santo Antônio, para que ele me ajudasse nas provas e a entrar no mestrado. Deu certo, vó! À minha amada prima Cintia, pela irmandade. À Livinha e Tânia, por darem suporte às minhas angústias e me acolherem em sua casa. Meu encontro com vocês é incrível! Ao Márcio, pelas conversas secretas no caminho para as aulas do mestrado. À Léo, meu lagarto, que sempre me apóia, mesmo quando eu duvido da sua opinião. Aos meus amados Shimba e Val, por vibrarem com quaisquer das minhas pequenas conquistas. A Lú, Jô, Joyce, Miriam, Brunão, Silvia, Cris, Lisi, Dani, Bacana, Bel, Cândida, Roberta, Luiz, Solange e Cristina, pela amizade e por suportarem meu silêncio. Aos meus alunos, pela paciência com o meu tempo corrido. Às secretárias do Programa de Mestrado da Unesp de Assis, pela prontidão em esclarecer minhas dúvidas. E à Capes, pela concessão da bolsa de estudos. E, finalmente, à minha grande amiga Branca, por clarear minhas idéias e estar fielmente ao meu lado. CARVALHAES, Flávia Fernandes de. Subjetividade e aids: a experiência da doença e da militância na trajetória de vida de mulheres HIV+ vista sob a perspectiva dos estudos de gênero. 2008. 133f. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual Paulista, Assis, 2008. RESUMO As questões relacionadas à aids têm sido problematizadas por pesquisadores de diferentes campos, linhas e áreas de atuação devido à complexidade de perspectivas históricas, sociais, biológicas e psicológicas da epidemia. Nestes anos de seu reconhecimento, a aids tem obrigado a desnaturalizar questões sociais e culturais construídas historicamente e que são parte dos signos, normas e códigos que balizam a estrutura e a organização da sociedade, impondo outros olhares e novas perspectivas para a complexidade de questões relacionadas aos gêneros, aos corpos e à cultura. Considerando essa conjuntura, esta pesquisa foi realizada com quatro mulheres HIV+ ativistas no movimento de aids com o objetivo de apreender suas concepções sobre aids; os contextos de vulnerabilidade que possibilitaram sua infecção; suas vulnerabilidades à reinfecção; e mudanças e permanências nos campos afetivo-conjugal e da maternidade a partir da experiência da doença e da militância. Para mapear suas experiências pessoais utilizei o método das histórias de vida, e, para a coleta de dados, entrevistas semiestruturadas. As categorias de análise estão articuladas à perspectiva teórica de autores que problematizam as construções sócio-históricas relacionadas às questões de gênero e da aids. O discurso militante revelou-se importante na construção de experiências singulares e coletivas que são fundamentais para a reconfiguração de trajetórias individuais e disparadoras de rupturas na cultura ocidental. Contudo, as histórias demonstram, também, que valores como a família e o reconhecimento próprio através da maternidade e de relações de conjugalidade não foram completamente subvertidos pelas particularidades da relação doença/política. Palavras-chave: Aids, Gênero e Ativismo CARVALHAES, Flávia Fernandes de. Subjectivity and AIDS: The disease and the activism experience in the HIV+ women’s life trajectory under the perspective of gender ‘studies. 2008. 133 s. Dissertation (Master Degree in Psychology). Science and Languages College of Assis, Paulista State University, Assis, 2008. ABSTRACT The questions related to AIDS have been problematized by researchers from different fields, lines and areas of acting due to the historical, social, biological and psychological perspectives complexity of the epidemic. In these acknowledgment years, the AIDS has obliged us to denaturalize social cultural questions historically built, and that are part of the signs, rules and codes that mark out the society structure and organization, imposing other views and new perspectives towards the questions complexity related to gender, the bodies and the culture. Taking this conjuncture into consideration, this research was carried out with four HIV+ women activists in the AIDS movement with the objective of apprehending their conceptions about AIDS, the vulnerability contexts that made their infection possible, their vulnerabilities towards the reinfection, and changes and permanency in the affective-conjugal and motherhood fields, from the disease and activism experience. Aiming to map their personal experiences, I used the life’s histories method, and for the data collection, semistructured interviews. The analysis categories are articulated to authors’ theoretical perspectives that problematize the social-historical constructions towards AIDS and gender issues. The activism speech develop a construction of a personal and plural’s experiences that are important to rebuilding of individual’s trajectory and discharge a disruption on the ocidental culture. Whenever, the histories shows too that values like the family and the own recognize true the maternity and the relationship were not completely subversive on the particularity of the relation disease/politics. Key-words: AIDS, Gender and Activism 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO . 8 1 APRESENTAÇÃO DAS HISTÓRIAS DE VIDA . 21 1.1 A História de Solange: “eu não ia morrer só porque eu era pobre, eu não ia mesmo!” . 21 1.2 A História de Clara: “quando você assume que tem aids com confiança, é diferente, as pessoas te respeitam” . .25 1.3 A História de Ana: “estou mais viva depois que eu peguei aids”. 30 1.4 A História de Sandra: “eu tenho ódio da aids” . 35 2 O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO SOCIAL DO CORPO FEMININO. 42 2.1 Do Sexo Único à Diferença Sexual: Uma Perspectiva Histórica de Gênero. 42 2.2 A Maternidade é o Destino: Estratégias do Biopoder . 49 2.3 As Conquistas e Contradições do Século XX . 59 2.3 A História da Mulher no Brasil . 64 3 A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA AIDS, HISTÓRIAS DE DESIGUALDADES. 71 3.1 A Doença do Outro. 71 3.2 A Construção da Militância em HIV/Aids no Brasil. 74 3.3 A Aids entre Mulheres: O Silêncio das “Inocentes” . 82 4 ANÁLISE DAS HISTÓRIAS DE VIDA DE MULHERES HIV+: MUDANÇAS E PERMANÊNCIAS . 88 4.1 Os Sentidos da Doença Através das Experiências de Militância . 88 4.2 Vulnerabilidades. 95 4.3 As Relações Afetivo-Conjugais . 106 4.4 Maternidade . 117 CONSIDERAÇÕES FINAIS. 125 REFERÊNCIAS . 127 9 INTRODUÇÃO Desde o surgimento, no início da década de 1980, dos primeiros casos reconhecidos como sendo de aids, esta tem sido problematizada por pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento devido à complexidade das perspectivas sócio-históricas, políticas, subjetivas e biológicas que a atravessam (PARKER; GALVÃO, 1996). A aids trouxe o debate sobre questões historicamente veladas como a morte, o uso de drogas, as sexualidades, as relações de gênero, a hierarquia de poder entre homens e mulheres, o desejo sexual de adolescentes, mulheres e idosos e as diversas dimensões do prazer. Com isso, tem ajudado a desnaturalizar questões sociais e culturais construídas historicamente — que são parte dos significados, normas e códigos que balizam a estrutura e a organização da sociedade —, impondo outros olhares para a complexidade de questões relacionadas às sexualidades, aos gêneros, ao corpo e à cultura (WEEKS, 2001). Inicialmente associada aos homossexuais masculinos (DANIEL; PARKER, 1991) e, depois, ao uso de drogas injetáveis e à prostituição — os chamados “grupos de risco” (nos quais se incluíam, ainda, os hemofílicos) —, a aids logo mostrou outras faces. Desde o começo da década 1990, o número de mulheres infectadas pelo vírus HIV no Brasil, como nos demais países em desenvolvimento, aumentou radicalmente, apontando para um processo de feminização da epidemia (GUIMARÃES, 2001, p.29), e, já na segunda metade dessa década, Parker e Galvão (1996, p.8) chamavam a atenção para o fato de que “em parte alguma do mundo a epidemia de HIV/AIDS sofreu transformações tão profundas e tão rápidas. Em lugar algum do mundo deu-se uma feminização tão rápida da epidemia”. No Brasil, até 1984, haviam sido notificados 127 casos de aids, e 126 referiam-se à infecção em homens; em 1994, os números demonstravam que a dinâmica de infecção do HIV tomava outros rumos, pois já se registravam mais de 50 mil casos em homens e mais de 10 mil em mulheres (PARKER; GALVÃO, 1996, p.8)1. Em 1986, a razão homem/mulher era de 15,1 homens por mulher; em 2005, de 1,5 por 1 — e, até junho de 2006, dos 433.055 casos que já haviam sido notificados no país, 142.138 referiam-se ao sexo feminino (BRASIL, 2007, p.10)2. 1 2 Os dados de 1984 e 1994 citados pelos autores constam em Brasil (1988) e Brasil (1994-1995), respectivamente. É importante lembrar que esses números representam os casos notificados de pessoas HIV+. Segundo Guimarães (2001, p.17), “os números oficiais apresentam um grau de incerteza não apenas quantitativo, mas deixam também de incluir os casos ‘ocultos’ ou ‘não reconhecidos’”, pois, além da subnotificação, há dificuldades no estabelecimento de diagnósticos devido aos problemas de classificação da via de transmissão 10 Para se ter uma idéia do cenário internacional de avanço da epidemia entre as mulheres, em todo o mundo, 17,3 milhões de mulheres com 15 anos ou mais têm HIV, o que representa cerca de 50% do total de pessoas infectadas (BRASIL, 2007, p.9) — e, em sua maior parte, elas estão em países subdesenvolvidos3. As razões que explicam essa dinâmica de infecção são complexas, mas ressaltam-se aquelas vinculadas às desigualdades de gênero, tais como: - A inexistência ou a insuficiência de políticas públicas que efetivem os direitos humanos das mulheres, conforme estabelecido em diferentes instrumentos acordados internacionalmente como a Plataforma de Ação da IV Conferência Mundial sobre a Mulher (Beijing, 1995) e o Plano de Ação da Conferência Mundial de População e Desenvolvimento (Cairo, 1994); - A persistência de um olhar sobre a saúde das mulheres com um enfoque meramente reprodutivo, concentrando esforços na proteção à maternidade; - A falta de acesso a serviços de saúde que promovam a efetivação dos direitos sexuais e reprodutivos de meninas e mulheres; - A falta de acesso à educação por parte de vastos contingentes de meninas e mulheres, notadamente na África e alguns países da América Latina e Caribe; - A persistência de padrões culturais e religiosos que interferem negativamente na adoção de medidas preventivas, como o uso do preservativo tanto masculino quanto feminino; - A menor empregabilidade feminina, a ocupação das posições mais precárias pelas mulheres e nos setores informais da economia; - A violência doméstica e sexual. (BRASIL, 2007, p.9) Durante a década de 1980 e em parte da de 1990, o debate sobre o aumento da infecção pelo HIV nas mulheres esteve praticamente excluído das discussões sobre a epidemia, principalmente nas políticas públicas propostas; a “vulnerabilidade das mulheres frente ao HIV/Aids e o impacto da epidemia nas suas vidas” eram “colocados como uma questão secundária, cercada, quase sempre, pelo silêncio e descaso tradicionalmente associados com a sexualidade e a saúde femininas” (PARKER; GALVÃO, 1996, p.7). A feminização da aids aponta para os contextos de exclusão e estigmatização a que as mulheres estão submetidas devido à “limitação de acesso à informação, aos insumos de prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento”, e para o atravessamento das questões socioculturais relacionadas às desigualdades entre os gêneros (BRASIL, 2007, p.8). Isso 3 do HIV e dos sintomas apresentados, dificuldades em realizar o teste de anticorpo para o HIV em municípios do interior e dificuldades relacionadas aos estigmas e preconceitos que as pessoas HIV+ temem sofrer. Hoje, 76% de todas as mulheres HIV+ vivem na África sub-sahariana, onde representam 59% dos adultos infectados e 75% das pessoas entre 15 e 24 anos infectadas. Na Ásia, as mulheres representam 30% dos adultos HIV+, e, em países como Tailândia e Camboja, a proporção de infecção de mulheres é de 39% e 46%, respectivamente. No Caribe, a proporção é de 51% de mulheres HIV+ entre os adultos infectados, e as estatísticas nas Bahamas e em Trinidade e Tobago apontam 59% e 56%, respectivamente (BRASIL, 2007, p.9). 11 evidencia a importância de pensar as vulnerabilidades das mulheres à infecção pelo HIV também a partir de determinantes históricos e culturais (BARBOSA; VILLELA, 1996; GUIMARÃES, 1996). No contexto da epidemia, o conceito de vulnerabilidade ao HIV vem possibilitando mudanças de pressupostos, nas propostas de intervenção e nas categorias de análise. Inicialmente formulado por Jonathan Mann (MANN; TARANTOLA; NETTER, 1993) como instrumento para ajudar a entender o avanço da epidemia de aids no mundo, o conceito de vulnerabilidade permitiu abandonar a lógica dual de “culpados” ou “vítimas” quando se fala de pessoas HIV+ e trabalhar com a perspectiva de que são coletivos afetados por uma doença de caráter epidêmico, que exige do Estado e da sociedade entendimentos e propostas de intervenção mais amplas e eficazes (AYRES, 1995). Segundo Ayres (1995), esse conceito revela a complexidade de aspectos científicos e as implicações de caráter sociopolítico que atravessam os debates sobre a epidemia, contribuindo para a superação das concepções tecnocráticas no que se refere a conhecimento e práticas de saúde, e das idéias de “grupos de risco” e “comportamentos de risco” (ou “situação de risco”)4. Além disso, A conceituação de vulnerabilidade ao HIV/Aids expressa o esforço de produção e difusão de conhecimento, debate e ação sobre os diferentes graus e naturezas da suscetibilidade de indivíduos e coletividades à infecção, adoecimento ou morte pelo HIV, segundo a particularidade de sua situação quanto ao conjunto integrado dos aspectos sociais, programáticos e individuais que enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad source of circulating FGF-21. The lack of association between circulating and muscle-expressed FGF-21 also suggests that muscle FGF-21 primarily works in a local manner regulating glucose metabolism in the muscle and/or signals to the adipose tissue in close contact to the muscle. Our study has some limitations. The number of subjects is small and some correlations could have been significant with greater statistical power. Another aspect is that protein levels of FGF-21 were not determined in the muscles extracts, consequently we cannot be sure the increase in FGF-21 mRNA is followed by increased protein expression. In conclusion, we show that FGF-21 mRNA is increased in skeletal muscle in HIV patients and that FGF-21 mRNA in muscle correlates to whole-body (primarily reflecting muscle) insulin resistance. These findings add to the evidence that FGF-21 is a myokine and that muscle FGF-21 might primarily work in an autocrine manner. Acknowledgments We thank the subjects for their participation in this study. Ruth Rousing, Hanne Willumsen, Carsten Nielsen and Flemming Jessen are thanked for excellent technical help. The Danish HIV-Cohort is thanked for providing us HIV-related data. PLOS ONE | www.plosone.org 6 March 2013 | Volume 8 | Issue 3 | e55632 Muscle FGF-21,Insulin Resistance and Lipodystrophy Author Contributions Conceived and designed the experiments: BL BKP JG. Performed the experiments: BL TH TG CF PH. Analyzed the data: BL CF PH. Contributed reagents/materials/analysis tools: BL. Wrote the paper: BL. References 1. Kharitonenkov A, Shiyanova TL, Koester A, Ford AM, Micanovic R, et al. (2005) FGF-21 as a novel metabolic regulator. J Clin Invest 115: 1627–1635. 2. Coskun T, Bina HA, Schneider MA, Dunbar JD, Hu CC, et al. (2008) Fibroblast growth factor 21 corrects obesity in mice. Endocrinology 149: 6018– 6027. 3. Xu J, Lloyd DJ, Hale C, Stanislaus S, Chen M, et al. (2009) Fibroblast growth factor 21 reverses hepatic steatosis, increases energy expenditure, and improves insulin sensitivity in diet-induced obese mice. Diabetes 58: 250–259. 4. Inagaki T, Dutchak P, Zhao G, Ding X, Gautron L, et al. 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