Feedback

As torcidas de futebol como organizações diversificadas: um estudo de caso sobre a torcida organizada Gaviões da Fiel

 0  6  70  2017-02-01 13:18:17 Report infringing document
Documento informativo
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS CAMPUS DE JABOTICABAL AS TORCIDAS DE FUTEBOL COMO ORGANIZAÇÕES DIVERSIFICADAS: um estudo de caso sobre a Torcida Organizada Gaviões da Fiel HUGO BERLINGERI CAMPOS JABOTICABAL – SP 2º SEMESTRE DE 2011 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS CAMPUS DE JABOTICABAL AS TORCIDAS DE FUTEBOL COMO ORGANIZAÇÕES DIVERSIFICADAS: um estudo de caso sobre a Torcida Organizada Gaviões da Fiel Hugo Berlingeri Campos Orientador: Prof. Dr. Roberto Louzada Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias UNESP, Campus de Jaboticabal, como parte das exigências para graduação em Administração. JABOTICABAL – SP 2º SEMESTRE DE 2011 i AGRADECIMENTOS À Deus. O que seria de mim sem a fé que tenho Nele? À minha Mãe, por toda a força, por todo o amor, por toda a paciência e por sempre me incentivar a lutar pelos meus sonhos. Meu maior exemplo de persistência e amor. Obrigado por cada oração, por cada bronca, por cada gesto de carinho. Ser criado por uma mulher foi o que me fez um homem. Você é tudo na minha vida! Ao meu irmão Breno, por estar sempre torcendo por mim e por me fazer rir nos momentos mais tristes! Eu amo você! À minha avó Marilena, pelos primeiros passos na educação, pelo incentivo à leitura, pelas longas conversas no Colégio e por estar sempre ao meu lado! Obrigado Vó Lena! Ao meu avô Aldo, que mesmo não tendo a oportunidade de me ver entrar na faculdade, esteve sempre presente nas minhas principais decisões. Quero, um dia, ser metade do ser humano que o senhor foi. Aos meus “primos-irmãos” Thiago, Karina e Daniele, aos meus tios Ivo e Marly e aos meus “pequenos” Enzo e Maria Eduarda. Agradeço pelas oportunidades, pelas conversas, pelos exemplos, pelas risadas e pelos dias em família. À minha namorada Débora, pelo incentivo na realização deste trabalho, pelo apoio nas dificuldades, pela amizade, pela compreensão, pelo amor e por ser um exemplo de dedicação. Você é incrível, Di! Obrigado por tudo! Ao Prof. Dr. Roberto Louzada, por ter orientado este e outros trabalhos acadêmicos de maneira sempre empolgante e motivadora. ii Ao Projeto Suporte, por ter me transformado no decorrer da Universidade. Agradeço a oportunidade de ter conhecido tantas pessoas especiais, tantos lugares interessantes e valores que levarei sempre comigo. Aos amigos da “ADM07 – Poblema”: Janaína (Surubinha), Jaqueline (Maraca), Júlio (Tony), Fernando (Djey), Camila (Mijim-mim), Juliana (Pentelha), Gabriel (Xurros), Victor (Super Nanny), Lyvia (Pixo), Mariana (Casta), Thiago (Meda), Alex (DiCáprio), Roberta (Suporte) e Mario (Sabião). Obrigado por cada momento inesquecível ao lado de vocês e por me ensinarem o significado da palavra amizade. Às melhores pessoas com as quais eu poderia ter convivido na universidade: Letícia (Gastrite), Flávia (Mijanta) e Lais (Ktupiri). Agradeço pela sintonia, pelo carinho e pela amizade mais do que especial. Agradeço por cada risada, por cada lágrima, por cada saudade sentida dos momentos felizes. Levo, sempre, cada uma de vocês no meu coração. Aos “Trutas e Quebradas”, Breno (Torão), João Roberto (Jobinho), Douglas Savan, Jarbas, Ricardo, Renzo, José Roberto (My Life), Mateus (MatSaens) e Jordano, pela compreensão nos momentos de ausência. Vocês são grandes irmãos e agradeço a Deus diariamente por ter amigos como vocês. “Família não é sangue, família é sintonia!” E finalmente, agradeço à todos que direta ou indiretamente ajudaram na realização deste trabalho. Muito obrigado à todos vocês! iii CAMPOS, H. B. As Torcidas de Futebol como Organizações Diversificadas: um estudo sobre a Torcida Organizada Gaviões da Fiel. Trabalho de Graduação. 61 p. UNESP – FCAV – Campus de Jaboticabal. 2011. RESUMO Apesar de serem duas práticas sociais de campos distintos, futebol e carnaval são componentes da identidade nacional. De acordo com a tradição das pesquisas acadêmicas, esses dois fenômenos são estudados separadamente. Todavia, por características da cidade de São Paulo essas duas práticas sociais, são realizadas pelos mesmos atores sociais: torcedores dos times da cidade que, além de associarem em organizações de torcedores – as torcidas organizadas – criam, a partir dessas mesmas instituições, as escolas de samba e passam também a disputar o carnaval paulista, como é o caso da Torcida Organizada Gaviões da Fiel, tomada como objeto de estudo para esse trabalho. A aproximação destas manifestações culturais permitiu definir a pergunta que pautou a pesquisa realizada: as associações de torcedores de futebol, quando observadas por uma perspectiva administrativa, podem ser caracterizadas como organizações diversificadas? A partir desta questão, busca-se descrever a maneira pela qual se constitui uma torcida organizada através da divisão de trabalho que adota, bem como explicitar o tipo de estrutura organizacional adequado para realizar os dois objetivos a que ela se propõe: torcer pelo time de futebol preferido e desfilar no carnaval. Palavras-chave: Torcidas organizadas; Organização; Diversificação; Escola de Samba. iv CAMPOS, H. B. The Organized Fan Groups How Diversified Organizations: a study of a Torcida Organizada Gaviões da Fiel. Graduate Work. 61 p. UNESP – FCAV – Campus de Jaboticabal. 2011. Abstract Although they are two distinct fields of social practices, football and carnival are components of national identity. According the academic research tradition, these two phenomenons are studied separately. However, by characteristics of the city of Sao Paulo, these two social practices are performed by the same social actors: the fans of teams in the city, and join organizations of supporters - the cheerleaders created from these same institutions, schools samba and now also compete in the Carnival of Sao Paulo, as is the case of Torcida Organizada Gaviões da Fiel, used as an object of study for this work. The approach of these cultural events helped define the question that guided the research: the associations of football fans, when observed by an administrative perspective, can be characterized as diverse organizations? From this question, one tries to describe the way a fan club is organized through the division of tasks that takes, as well as explain the type of organizational structure appropriate to accomplish the two goals it is intended for: cheer for the favorite team and be a part of the carnival parade. Keywords: Organized Fan Groups; Organization; Diversification; Samba School. v LISTA DE QUADROS E FIGURAS Figuras 1- Componentes do Vetor de Crescimento.12 2- Estrutura funcional.14 3- Estrutura matricial.15 4- Estrutura divisional.16 5- Modelo de Estrutura Ajustado para Torcidas Organizadas.17 6- Símbolo da Torcida Organizada Gaviões da Fiel.33 7- Organograma da Diretoria de Torcida.42 8- Organograma da Diretoria de Carnaval.44 9- Organograma da Torcida Organizada Gaviões da Fiel.48 Quadros 1- As Torcidas Organizadas dos três Clubes da Cidade de São Paulo.27 vi SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO. 1 2. METODOLOGIA . 6 3. UM OLHAR ADMINISTRATIVO SOBRE AS TORCIDAS ORGANIZADAS . 12 4. DE TORCEDORES A ASSOCIAÇÃO DE TORCEDORES DE FUTEBOL . 20 5. AS TORCIDAS ORGANIZADAS E SUAS ESCOLAS DE SAMBA . 27 6. O ESTUDO DE CASO: A TORCIDA ORGANIZADA GAVIÕES DA FIEL . 33 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS . 49 8. REFERÊNCIAS . 532 APENDICE . 554 1 1. INTRODUÇÃO Futebol e carnaval, apesar de serem duas práticas sociais de campos distintos são fortemente associados à imagem do Brasil. A explicação para a importância que estas duas atividades assumiram no imaginário popular, tanto nacional como internacional, pode ser encontrada no modo como se imbricaram na cultura nacional a ponto de se tornarem componentes da identidade nacional. O carnaval tem a sua origem no entrudo, que era um folguedo carnavalesco e caracterizava-se como uma brincadeira que consistia em jogar água nas pessoas que transitavam pelas ruas da cidade, nos dias dedicados aos festejos carnavalescos. Esta forma de diversão chega ao Brasil junto com a colonização portuguesa e é considerada como a origem dos chamados “blocos de sujos”, uma das primeiras formas de organização do carnaval no país. Com a incorporação de músicas marcadas com os ritmos de origem africana, surgem no inicio do século XX, as primeiras escolas de samba, que se tornam um dos símbolos do carnaval brasileiro, apesar de em outras regiões do país, esta festa 2 ser comemorada com outros ritmos e ter referências em outras manifestações culturais. De maneira semelhante, o futebol é introduzido no país no final do século XIX, inicialmente como um esporte apreciado e praticado pela elite econômica, mas se difunde, por meio de um processo denominado de “deselitização” (NEGREIROS, 1992), para outros segmentos econômicos da sociedade e se caracteriza, juntamente com o carnaval e o samba, como os três produtos mais importantes da nossa cultura popular. As semelhanças entre essas manifestações culturais são explicitadas, por Damatta (1994, p. 13), da seguinte forma: “esporte e arte são esferas da vida que negam o utilitarismo dominante e, por isso mesmo, promovem um efeito de pausa, feriado, ou descontinuidade com a sofreguidão exigida pela lógica do lucro, do trabalho e do êxito a qualquer custo”. Além dessa visão convergente, o futebol e o carnaval possuem outros pontos em comum: caracterizam-se por serem praticas coletivas, isto é, o futebol em torno dos times que disputam as partidas com equipes adversárias e, no caso do carnaval brasileiro, com as escolas de samba, que organizam desfile com a participação de suas congêneres, que são avaliadas por uma comissão julgadora que, por meio de notas, indica uma das participantes como a vencedora do desfile. Apesar das semelhanças entre estas duas manifestações, mas seguindo a tradição das pesquisas acadêmicas, esses dois fenômenos são estudados separadamente. No entanto, por peculiaridades da cidade de São Paulo essas duas práticas sociais, que ocorrem em momentos distintos do calendário, são realizadas pelos mesmos atores sociais, ou seja, os torcedores dos times da cidade que, além de associarem em organizações de torcedores – as chamadas torcidas organizadas 3 – criam, a partir dessas mesmas organizações, as escolas de samba e, com elas passam também a disputar o carnaval paulista. Algumas das escolas de samba, criadas pelas associações de torcedores de futebol, já participam do chamado “grupo especial”, que reúne as maiores e mais importantes agremiações da cidade. As torcidas organizadas, à primeira vista, podem ser consideradas como instituições que possuem uma organização bastante informal, uma vez são dirigidas por torcedores dos clubes de futebol, que realizam essa atividade como trabalho voluntário. Entretanto, como se propõe a realizar duas atividades distintas, acreditase que possuem uma estrutura organizacional formal e, até com alguns inícios de complexidade, de tal modo que mobilizam os associados para torcerem pelo clube e, ainda, possuem algum tipo de organização para produzirem os desfiles carnavalescos. Esta particularidade que ocorre na cidade de São Paulo, que aproximou estas duas manifestações culturais, permitiu formular a pergunta que orientou a pesquisa realizada: “as associações de torcedores de futebol, quando observadas por uma perspectiva administrativa, podem ser caracterizadas como organizações diversificadas?” A partir desta pergunta, formulou-se o objetivo da pesquisa, que foi definido da seguinte forma: Objetivo geral Descrever a forma de organização de uma torcida organizada a partir da divisão de trabalho que adotam e explicitar o tipo de estrutura organizacional adequado para realizar os dois objetivos que se propõe, ou seja, torcer pelo time de futebol preferido e desfilar no carnaval. Objetivos específicos: 4 1. Descrever a organização encontrada na torcida organizada tomada como objeto de estudo. 2. Descrever o contexto que permitiu os torcedores se organizarem em associações de torcedores de futebol. 3. Descrever o processo como se envolveram com o carnaval e as condições que permitiram criar os grêmios recreativos e culturais escola de samba e com elas participarem dos desfiles oficiais do carnaval paulista. Para atender ao objetivo proposto, este trabalho está organizado em quatro partes. Na primeira, descreveu-se a metodologia utilizada para realizar a pesquisa. Entretanto, optou-se por relatar as dificuldades encontradas para coletar os dados da maneira como foi planejado inicialmente. Este fato obrigou a redefinir o objetivo inicial e todo o planejamento da pesquisa. Decidiu-se incluir esse relato na metodologia para registrar a dificuldade para se coletar dados primários, quando se toma como objeto de estudo organizações controversas como são as torcidas organizadas de futebol. Na sequência são apresentados os conceitos administrativos que foram selecionados para analisar os dados coletados. A terceira e a quarta parte são dedicadas à apresentação do contexto que permitiram surgir as associações de torcedores e o modo como se envolveram com o carnaval com a criação dos seus grêmios recreativos e culturais escolas de samba. No capitulo seis apresenta-se os dados coletados, ou seja, a partir da descrição da divisão do trabalho encontrada na torcida organizada, tomada como objeto de estudo, projeta-se a estrutura organizacional construída a partir dos referenciais teóricos. Além disso, o material coletado permitiu definir a razão de ser de organizações dessa natureza e classificar a atuação da torcida estudada. 5 Na última parte, as considerações finais, descreve-se a trajetória adotada para realização da pesquisa e análise dos dados coletados o que permite elaborar os argumentos necessários para responder a pergunta formulada inicialmente. 6 2. METODOLOGIA Para atender ao objetivo proposto escolheu-se como objeto de estudo a Torcida Organizada Gaviões da Fiel, por ser a primeira associação de torcedor de futebol a se constituir e, também, por ser a primeira que criou um Grêmio Recreativo, Cultural e Escola de Samba. Optou-se por estudar apenas uma torcida organizada por entender que se trata de um tipo de organização que possui especificidades que ainda não se encontram devidamente firmadas em uma perspectiva administrativa. Na bibliografia pesquisada foram encontrados estudos históricos e sociológicos, mas nenhum sob a ótica da administração. Desse modo, entendeu-se que seria prudente para um trabalho no nível de graduação restringir a pesquisa a apenas uma das torcidas organizadas existentes na cidade de São Paulo. Esta decisão orientou a metodologia a ser adotada, que é definida como um estudo de caso, que de acordo com Yin (2007, p. 30), “como o experimento não representa uma ‘amostragem’, e, ao fazer isto, seu objetivo é expandir e generalizar teorias (generalização analítica) e não enumerar frequência (generalização estatística)”. Esta característica da metodologia escolhida atende de modo adequado ao objetivo proposto uma vez que propõe, a partir dos dados coletados, 7 verificar o modo como se constitui e o nível de complexidade da estrutura organizacional de uma instituição criada por torcedores de futebol, que são geridas de forma amadora, por meio de trabalho voluntário, pelos próprios associados eleitos ou indicados para dirigi-las. Decidida a metodologia, passou-se para a etapa de planejamento da pesquisa, que previa, inicialmente, a coleta de dados com várias fontes de informação com a finalidade de obter evidências que, no seu conjunto, deveriam convergir em formato de triângulo para explicitar razão de ser e a estrutura organizacional da Torcida Organizada Gaviões da Fiel, que é o objetivo do trabalho. O planejamento inicial, seguindo a estratégia utilizada por César (1981), previa acompanhar a torcida em um jogo de futebol. Estava-se consciente dos riscos envolvidos nessa etapa do levantamento de dados. Por esse motivo, escolheu-se um jogo realizado fora da cidade de São Paulo, por entender que haveria uma redução dos riscos, uma vez que era menor a probabilidade de ocorrer algum enfrentamento entre as torcidas rivais em jogos realizados no interior do Estado de São Paulo. O objetivo desta etapa era captar o clima e o ambiente que envolve assistir espetáculos esportivos junto com torcedores apaixonados pelo seu time e, com isso, penetrar num espaço simbólico que permitiria descrever o que é ser um gavião, ou seja, um torcedor que sente mais corintiano do que os outros. Para isso seria utilizado o método etnográfico. O planejamento dessa etapa incluiu o levantamento de um conjunto de informações que deveria ser utilizada pelo pesquisador para permitir vivenciar aquele espetáculo esportivo como um gavião. Deveria utilizar as manifestações simbólicas da torcida nos momentos enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. Buschmann S, Warkentin E, Xie H, Langer JD, Ermler U, et al. (2010) The structure of cbb3 cytochrome oxidase provides insights into proton pumping. Science 329: 327–330. 11. Fee JA, Case DA, Noodleman L (2008) Toward a chemical mechanism of proton pumping by the B-type cytochrome c oxidases: application of density functional theory to cytochrome ba3 of Thermus thermophilus. J Am Chem Soc 130: 15002–15021. 12. Chang HY, Hemp J, Chen Y, Fee JA, Gennis RB (2009) The cytochrome ba3 oxygen reductase from Thermus thermophilus uses a single input channel for proton delivery to the active site and for proton pumping. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 16169–16173. 13. Luna VM, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2008) Crystallographic studies of Xe and Kr binding within the large internal cavity of cytochrome ba3 from Thermus thermophilus: structural analysis and role of oxygen transport channels in the heme-Cu oxidases. Biochemistry 47: 4657–4665. PLoS ONE | www.plosone.org 11 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348 The 1.8 Å Structure of ba3Oxidase 27. Vogeley L, Sineshchekov OA, Trivedi VD, Sasaki J, Spudich JL, et al. (2004) Anabaena sensory rhodopsin: a photochromic color sensor at 2.0 A. Science 306: 1390–1393. 28. Cherezov V, Rosenbaum DM, Hanson MA, Rasmussen SG, Thian FS, et al. (2007) High-resolution crystal structure of an engineered human beta2adrenergic G protein-coupled receptor. Science 318: 1258–1265. 29. Jaakola VP, Griffith MT, Hanson MA, Cherezov V, Chien EY, et al. (2008) The 2.6 angstrom crystal structure of a human A2A adenosine receptor bound to an antagonist. Science 322: 1211–1217. 30. Wu B, Chien EY, Mol CD, Fenalti G, Liu W, et al. (2010) Structures of the CXCR4 chemokine GPCR with small-molecule and cyclic peptide antagonists. Science 330: 1066–1071. 31. Chien EY, Liu W, Zhao Q, Katritch V, Han GW, et al. (2010) Structure of the Human Dopamine D3 Receptor in Complex with a D2/D3 Selective Antagonist. Science 330: 1091–1095. 32. Hanson MA, Cherezov V, Griffith MT, Roth CB, Jaakola VP, et al. (2008) A specific cholesterol binding site is established by the 2.8 A structure of the human beta2-adrenergic receptor. Structure 16: 897–905. 33. Cherezov V, Liu W, Derrick JP, Luan B, Aksimentiev A, et al. (2008) In meso crystal structure and docking simulations suggest an alternative proteoglycan binding site in the OpcA outer membrane adhesin. Proteins 71: 24–34. 34. Cherezov V, Clogston J, Papiz MZ, Caffrey M (2006) Room to move: crystallizing membrane proteins in swollen lipidic mesophases. J Mol Biol 357: 1605–1618. 35. Caffrey M (2009) Crystallizing membrane proteins for structure determination: use of lipidic mesophases. Annu Rev Biophys 38: 29–51. 36. Loh HH, Law PY (1980) The role of membrane lipids in receptor mechanisms. Annu Rev Pharmacol Toxicol 20: 201–234. 37. Lee AG (2004) How lipids affect the activities of integral membrane proteins. Biochim Biophys Acta 1666: 62–87. 38. Robinson NC (1993) Functional binding of cardiolipin to cytochrome c oxidase. J Bioenerg Biomembr 25: 153–163. 39. Qin L, Sharpe MA, Garavito RM, Ferguson-Miller S (2007) Conserved lipidbinding sites in membrane proteins: a focus on cytochrome c oxidase. Curr Opin Struct Biol 17: 444–450. 40. Sedlak E, Panda M, Dale MP, Weintraub ST, Robinson NC (2006) Photolabeling of cardiolipin binding subunits within bovine heart cytochrome c oxidase. Biochemistry 45: 746–754. 41. Hunte C, Richers S (2008) Lipids and membrane protein structures. Curr Opin Struct Biol 18: 406–411. 42. Reichow SL, Gonen T (2009) Lipid-protein interactions probed by electron crystallography. Curr Opin Struct Biol 19: 560–565. 43. Yang YL, Yang FL, Jao SC, Chen MY, Tsay SS, et al. (2006) Structural elucidation of phosphoglycolipids from strains of the bacterial thermophiles Thermus and Meiothermus. J Lipid Res 47: 1823–1832. 44. Belrhali H, Nollert P, Royant A, Menzel C, Rosenbusch JP, et al. (1999) Protein, lipid and water organization in bacteriorhodopsin crystals: a molecular view of the purple membrane at 1.9 A resolution. Structure 7: 909–917. 45. Long SB, Tao X, Campbell EB, MacKinnon R (2007) Atomic structure of a voltage-dependent K+ channel in a lipid membrane-like environment. Nature 450: 376–382. 46. Gonen T, Cheng Y, Sliz P, Hiroaki Y, Fujiyoshi Y, et al. (2005) Lipid-protein interactions in double-layered two-dimensional AQP0 crystals. Nature 438: 633–638. 47. Seelig A, Seelig J (1977) Effect of single cis double bound on the structure of a phospholipid bilayer. Biochemistry 16: 45–50. 48. Lomize MA, Lomize AL, Pogozheva ID, Mosberg HI (2006) OPM: orientations of proteins in membranes database. Bioinformatics 22: 623–625. 49. Hoyrup P, Callisen TH, Jensen MO, Halperin A, Mouritsen OG (2004) Lipid protrusions, membrane softness, and enzymatic activity. Phys Chem Chem Phys 6: 1608–1615. PLoS ONE | www.plosone.org 50. Lee HJ, Svahn E, Swanson JM, Lepp H, Voth GA et al (2010) Intricate Role of Water in Proton Transport through Cytochrome c Oxidase. J Am Chem Soc 132: 16225–16239. 51. Aoyama H, Muramoto K, Shinzawa-Itoh K, Hirata K, Yamashita E, et al. (2009) A peroxide bridge between Fe and Cu ions in the O2 reduction site of fully oxidized cytochrome c oxidase could suppress the proton pump. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 2165–2169. 52. Schmidt B, McCracken J, Ferguson-Miller S (2003) A discrete water exit pathway in the membrane protein cytochrome c oxidase, Proc Natl Acad Sci U S A 100: 15539–15542. 53. Einarsdottir O, Choc MG, Weldon S, Caughey WS (1988) The site and mechanism of dioxygen reduction in bovine heart cytochrome c oxidase. J Biol Chem 263: 13641–13654. 54. Agmon N (1995) The Grotthuss mechanism. Chem Phys Lett 244: 456– 462. 55. Salomonsson L, Lee A, Gennis RB, Brzezinski P (2004) A single amino-acid lid renders a gas-tight compartment within a membrane-bound transporter. Proc Natl Acad Sci U S A 101: 11617–11621. 56. Yin H, Feng G, Clore GM, Hummer G, Rasaiah JC (2010) Water in the polar and nonpolar cavities of the protein Interleukin-1-beta. J Phys Chem B 114: 16290–16297. 57. Eisenberger P, Shulman RG, Brown GS, Ogawa S (1976) Structure-function relations in hemoglobin as determined by x-ray absorption spectroscopy. Proc Natl Acad Sci U S A 73: 491–495. 58. Chishiro T, Shimazaki Y, Tani F, Tachi Y, Naruta Y, et al. (2003) Isolation and crystal structure of a peroxo-brodged heme-copper complex. Ang Chem Int Ed 42: 2788– 2791. 59. Ostermeier C, Harrenga A, Ermler U, Michel H (1997) Structure at 2.7 A resolution of the Paracoccus denitrificans two-subunit cytochrome c oxidase complexed with an antibody FV fragment. Proc Natl Acad Sci U S A 94: 10547–10553. 60. Kaila VRI, Oksanen E, Goldman A, Bloch D, Verkhovsky MI, et al. (2011) A combined quantum chemical and crystallographic study on the oxidized binuclear center of cytochrome c oxidase. Biochim Biophys Acta 1807: 769–778. 61. Sakaguchi M, Shinzawa-Itoh K, Yoshikawa S, Ogura T (2010) A resonance Raman band assignable to the O-O stretching mode in the resting oxidized state of bovine heart cytochrome c oxidise. J Bioenerg Biomembr 42: 241–243. 62. Chance B, Saronio C, Waring A, Leigh Jr. JS (1978) Cytochrome c-cytochrome oxidase interactions at subzero temperatures. Biochim. Biophys. Acta 503: 37–55. 63. Cheng A, Hummel B, Qiu H, Caffrey M (1998) A simple mechanical mixer for small viscous lipid-containing samples. Chem Phys Lipids 95: 11–21. 64. Cherezov V, Peddi A, Muthusubramaniam L, Zheng YF, Caffrey M (2004) A robotic system for crystallizing membrane and soluble proteins in lipidic mesophases. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 1795–1807. 65. Minor W, Cymborowski M, Otwinowski Z, Chruszcz M (2006) HKL-3000: the integration of data reduction and structure solution - from diffraction images to an initial model in minutes. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 62: 859–866. 66. McCoy AJ, Grosse-Kunstleve RW, Adams PD, Winn MD, Storoni LC, et al. (2007) Phaser crystallographic software. J Appl Crystallogr 40: 658–674. 67. McRee DE (2004) Differential evolution for protein crystallographic optimizations. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 2276–2279. 68. Unno M, Chen H, Kusama S, Shaik S, Ikeda-Saito M (2007) Structural characterization of the fleeting ferric peroxo species in myoglobin, Experiment and theory. J Am Chem Soc 129: 13394–13395. 69. Kuhnel K, Derat E, Terner J, Shaik S, Schlicting I (2007) Structure and quantum chemical characterization of chloroperoxidase compound 0, a common reaction intermediate of diverse heme enzymes. Proc Natl Acad Sci U S A 104: 99–104. 12 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348
As torcidas de futebol como organizações diversificadas: um estudo de caso sobre a torcida organizada Gaviões da Fiel
RECENT ACTIVITIES
Autor
Documento similar
Tags

As torcidas de futebol como organizações diversificadas: um estudo de caso sobre a torcida organizada Gaviões da Fiel

Livre