Inibição de Listeria monocytogenes em salsicha por Leuconostoc mesenteroides isolada de grãos de Kefir

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE FARMÁCIA MURIELLE FERREIRA DE MORAIS INIBIÇÃO DE Listeria monocytogenes EM SALSICHA POR Leuconostoc mesenteroides ISOLADA DE GRÃOS DE KEFIR Belo Horizonte - MG 2015 1 MURIELLE FERREIRA DE MORAIS INIBIÇÃO DE Listeria monocytogenes EM SALSICHA POR Leuconostoc mesenteroides ISOLADA DE GRÃOS DE KEFIR Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciência de Alimentos, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciência de Alimentos. Área de Concentração: Ciência de Alimentos Orientador: Prof. Dr. Afonso de Liguori Oliveira Coorientadora: Profa. Dra. Roseane Batitucci Passos de Oliveira Belo Horizonte - MG 2015 2 3 DEDICATÓRIA Dedico aos meus queridos Murilo, Maria Luíza, Maísa e Davi, minha base. 4 AGRADECIMENTOS A Deus, pela vida, saúde, força, fé e tudo o que sou. Por ser o alicerce que me sustenta em todos os momentos. Aos meus pais, Murilo e Luíza, pela criação, cuidado, carinho, ensinamentos e exemplos mais fortes na vida. Sem vocês, com toda a certeza, eu não seria a mesma. À minha irmã, Maísa, por ser a minha companheira tão esperada e cúmplice de toda uma vida. Pelo presente mais recente em nossas vidas, um anjo, Davi. Ao Renato, pela doação, segurança, amor, cumplicidade, força e estímulos em todos os momentos, incondicionalmente. À Marlene, pelo acolhimento, carinho, dedicação, amizade e por ser a minha família quando eu mais precisei. Aos professores, Afonso de Liguori Oliveira e Roseane Batitucci Passos de Oliveira, pelas orientações, direcionamentos, ensinamentos, paciência, dedicação e por me transmitirem os conhecimentos necessários para me tornar uma pesquisadora. A vocês, presto todo o meu respeito e admiração. Ao professor Ivan Barbosa Machado Sampaio, pela disponibilidade e prontidão nas análises estatísticas do projeto. Ao Programa de Pós-Graduação em Ciência de Alimentos (PPGCA), por oportunizar o Mestrado e toda a estrutura necessária para a sua realização. Aos professores e funcionários do Departamento de Alimentos da Faculdade de Farmácia (FAFAR), pelos ensinamentos e contribuições. Aos amigos e funcionários do Laboratório de Microbiologia Industrial e Biocatálise (LAMIB) e Microbiologia de Alimentos (MICROAL), por todos os momentos divididos de alegrias, frustrações, descontrações, muito trabalho e, principalmente, amizade e companheirismo. Ao Departamento de Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal da Escola de Veterinária e seus funcionários, pela infraestrutura e disponibilidade. Aos membros da banca examinadora, professores Inayara Cristina Alves Lacerda e Tadeu Chaves de Figueiredo, pela disponibilidade, participação, contribuição e enriquecimento do trabalho. À Let, por toda a amizade incondicional, estímulo, parceira de grandes momentos vividos, minha torcedora preferida. Você é um dos motivos por eu estar aqui hoje. 5 À Vanessa, minha grande amiga. Deus não te colocou em meu caminho por acaso. Agradeço por tudo; minha vida ficará um pouco mais vazia com a sua ausência. À Elaine, por ter se tornado uma grande amiga, companheira e parceira de ótimos momentos de trabalho e descontração. Ficará guardada em meu coração! À Lígia, pela amizade e parceria. Agradeço a contribuição para o início do meu trabalho, pela ajuda constante e troca de experiências. À Fernanda e sua família, por todos os momentos divididos de amizade, carinho, apoio e ajuda constante. À Sarah, Amanda, Bruna e Larissa, pelo convívio familiar. Vocês deixaram um pouco de vocês em mim. Ao CNPq, pela concessão da bolsa de estudo. Ao Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), pelo consentimento da licença e por ser o meu lar querido. A todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a realização deste trabalho. 6 RESUMO Algumas cepas de bactérias ácido-láticas (BAL) produzem substâncias com capacidade de controlar/inibir microrganismos deteriorantes e/ou patogênicos, como Listeria monocytogenes. Neste estudo, 12 cepas de BAL isoladas de kefir, pertencentes aos gêneros Lactobacillus, Lactococcus e Leuconostoc foram avaliadas numa 1ª etapa (fase 1) por meio de testes de atividade inibitória pelo método Spot-on-the-lawn e pelo método Difusão em poços, resultando na préseleção de quatro BAL. Estas foram avaliadas quanto ao potencial inibitório frente a quatro cepas de L. monocytogenes de diferentes sorotipos (1/2a, 4a, 4b e uma cepa isolada de salsicha). A cepa de BAL que apresentou halos de inibição mais expressivos foi Leuconostoc mesenteroides, e o sorotipo de L. monocytogenes com maior sensibilidade foi o 4b. Em uma 2ª etapa (fase 2), amostras de salsichas, esterilizadas por irradiação, foram inoculadas isoladamente ou em combinação com as cepas de Leuconostoc mesenteroides e L. monocytogenes 4b, e também nisina comercial, constituindo os tratamentos BL (L. monocytogenes), BLN (L. monocytogenes e nisina), BLB (L. monocytogenes e L. mesenteroides) e BB (L. mesenteroides). Nos tratamentos, foram avaliadas as atividades inibitórias da cepa de BAL e da nisina comercial (Nisaplin®) frente à Listeria monocytogenes; armazenadas sob refrigeração a 10ºC e analisadas em cinco momentos (início, 1ª, 2ª, 4ª e 8ª semana). Estas amostras, no início, apresentaram médias de contagens de L. monocytogenes de 2,77 log UFC.g-1 em BL, 1,55 log UFC.g -1 em BLN, 2,66 log UFC.g-1 em BLB, sendo a contagem de L. mesenteroides em BB de 6,1 log UFC.g-1. Durante o período de estocagem, as contagens de L. monocytogenes aumentaram. Porém, no tratamento BLB, observou-se uma menor elevação das contagens (p<0,05), sendo a variação observada de 5,90 log UFC.g-1, 7,14 log UFC.g-1 e 2,73 log UFC.g-1 para BL, BLN e BLB, respectivamente, ao final do período de armazenamento. Desde a 2ª semana até o final do período de estocagem, a atividade inibitória da cepa de L. mesenteroides foi superior à da nisina comercial. Esses resultados sugerem que L. mesenteroides selecionado do kefir tem potencial promissor na biopreservação, pela capacidade de produção de substâncias inibitórias (similares a bacteriocinas), com efeito antagonista frente a cepas de L. monocytogenes, superior, inclusive, à da nisina comercial em salsicha. Palavras-chave: Salsichas, BAL, L. monocytogenes, L. mesenteroides, inibição. 7 ABSTRACT Some strains of lactic acid bacteria (LAB) have the ability to produce antimicrobial substances that control/inhibit spoilage microorganisms and/or pathogens, such as Listeria monocytogenes. In this study, 12 LAB strains isolated from kefir, belonging to the genera Lactobacillus, Lactococcus and Leuconostoc were evaluated in a 1st stage (stage 1) through inhibitory activity tests by Spot-on-the-lawn method and well diffusion assay, resulting in pre-selection of four LAB. These LAB were evaluated for inhibitory potential against four strains of L. monocytogenes from different serotypes (1/2a, 4a, 4b and an isolated sausage strain). The LAB strain Leuconostoc mesenteroides showed the highest inhibition halo, and L. monocytogenes serotype with the highest sensitivity was 4b. In a 2nd stage (stage 2), samples of sausages, sterilized by irradiation, were inoculated with L. mesenteroides and L. monocytogenes 4b strains (alone or in combination), and also commercial nisin (Nisaplin®) resulting in BL (L. monocytogenes), BLN (L. monocytogenes and Nisin), BLB (L. monocytogenes and L. mesenteroides) and BB (L. mesenteroides) treatments, which were used to evaluate BAL strain and commercial nisin (Nisaplin®) inhibitory activity against L. monocytogenes. The samples were stored under refrigeration at 10° C and analyzed in five times (first, 1st, 2nd, 4th and 8th week). These samples, at first, showed means of L. monocytogenes counts of 2.77 log CFU g-1 in BL, 1.55 log CFU g-1 in BLN, 2.66 log CFU.g-1 in BLB, and L. mesenteroides count of 6.1 log CFU g-1 in BB. During storage period, L. monocytogenes counts increased. However, BLB treatment revealed a smaller increase in counts (p <0.05) with an observed variation of 5.90 log CFU g -1; 7.14 log CFU g-1 and 2.73 log CFU g1 to BL, BLN and BLB, respectively. From the 2nd week to the end of the storage period, the inhibitory activity of L. mesenteroides strain was higher than that of commercial nisin. These results suggest that L. mesenteroides, selected from kefir, have promising potential in bio preservation, by inhibitory substances (similar to bacteriocins) production capacity with antagonistic effect against strains of L. monocytogenes, superior even to commercial nisin, in some ready-to-eat sausagelike products. Keywords: sausages, LAB, L. monocytogenes, L. mesenteroides, inhibition. 8 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Teores de composição do Kefir. 21 Quadro 2 - Padrão microbiológico para salsicha. 34 Quadro 3 - Regulamentação sobre limite máximo permitido de L. monocytogenes em alimentos para alguns países. 40 Quadro 4 - Cepas de bactérias láticas isoladas do kefir utilizadas neste estudo. 46 Quadro 5 - Cepas de L. monocytogenes utilizadas neste estudo. 46 Quadro 6 - Inoculação dos tratamentos. 56 Quadro 7 - Coeficientes de variação e médias gerais dos valores de halos de inibição (mm) de BAL sobre cepas de L. monocytogenes pelo método Spot-on-the-lawn - teste de atividade inibitória direta. 62 Quadro 8 - Resultados da inoculação e recuperação (UFC.g-1) das cepas de BAL e L. monocytogenes nas marcas de salsicha. 71 9 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Metabólitos produzidos por BAL e seu efeito inibitório sobre outros microrganismos em placas (halos de inibição) . 25 Figura 2 - Coloração de Gram de L. monocytogenes 4b e teste de motilidade. 49 Figura 3 - Preparação das amostras experimentais de salsicha em embalagem plástica. 53 Figura 4 - Esquema ilustrativo da inoculação dos tratamentos. 56 Figura 5 - Modelo ilustrativo da análise de recuperação e contagem microbiana. 58 Figura 6 - Colônias de Leuconostoc mesenteroides 9U2 em MRS e colônias de L. monocytogenes 4b em Palcam. 59 Figura 7 - Crescimento das colônias de BAL e sua atividade antimicrobiana contra cepa de L. monocytogenes 4b por método Spot-onthe-lawn do teste de atividade inibitória direta. 65 Figura 8 - Valores das médias dos halos de inibição (em mm) de cada cepa de BAL dentro de cada cepa de L. monocytogenes. 65 Figura 9 - Atividade antimicrobiana dos sobrenadantes livres de células obtidos de BAL contra cepa de L. monocytogenes 4b por método Difusão em poços. 70 Figura 10 - Comportamento dos tratamentos a partir das médias das contagens de L. monocytogenes (log UFC.g-1) ao longo do período de armazenamento. 80 Figura 11 - Comportamento de Leuconostoc mesenteroides 9U2 pelas médias das contagens da BAL (log UFC.g-1) durante o período de armazenamento. 81 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Valores das médias dos halos de inibição (mm) de BAL sobre cepas de L. monocytogenes pelo método Spot-on-the-lawn - teste de atividade inibitória direta. 63 Tabela 2 - Atividade inibitória indireta dos sobrenadantes livres de células obtidos de BAL sobre cepas de L. monocytogenes pelo método Difusão em poços. 68 Tabela 3 - Resultados das contagens dos inóculos das cepas de BAL Leuconostoc mesenteroides 9U2 e L. monocytogenes 4b. 73 Tabela 4 - Concentração inicial e variações observadas nas médias das contagens de L. monocytogenes (log UFC.g-1) entre os tratamentos nos diferentes intervalos de tempo. 74 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária APPCC: Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle ATCC: American Type Culture Collection (Coleção de Culturas tipo Americana) BAL: Bactéria Lática BB: Bloco do tratamento com bactéria lática BHI: Brain Heart Infusion (Infusão cérebro-coração) BL: Bloco do tratamento com Listeria monocytogenes BLB: Bloco do tratamento com Listeria monocytogenes e L. mesenteroides BLN: Bloco do tratamento com Listeria monocytogenes e nisina comercial B.O.D.: Biochemical Oxygen Demand (Demanda Bioquímica de Oxigênio) BPA: Boas Práticas Agropecuárias BPF: Boas Práticas de Fabricação CDTN: Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear DIPOA: Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal DETEN: Departamento Técnico-Normativo da Secretaria de Vigilância Sanitária EC: European Community (Comunidade Europeia) ECDC: European Centre for Disease Prevention and Control (Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças) EDTA: ácido etilenodiamino tetra-acético EFSA: European Food Safety Authority (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos) EUA: Estados Unidos da América FAFAR: Faculdade de Farmácia da UFMG GRAS: Generally Recognized As Safe (Normalmente reconhecido como seguro) FAO: Food and Agriculture Organization (Organização de Agricultura e Alimentação) FAT: Fundação André Tosello FDA: United States Food and Drug Administration (Administração de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos) Fiocruz: Fundação Oswaldo Cruz ICB: Instituto de Ciências Biológicas da UFMG ICMSF: International Commission on Microbiological Specifications for Foods (Comissão Internacional em Especificações Microbiológicas para Alimentos) INS: International Numbering System (Sistema Internacional de Numeração de Aditivos Alimentares) KABH: Kefir de Água de Belo Horizonte KACU: Kefir de Água de Curitiba KASA: Kefir de Água de Salvador KAVI: Kefir de Água de Viçosa kGy: Kilogray (quilogray) KLCU: Kefir de Leite de Curitiba KLDI: Kefir de Leite de Divinópolis KLSA: Kefir de Leite de Salvador KLVI: Kefir de Leite de Viçosa LEFM: Laboratório de Ecologia e Fisiologia de Microrganismos LGMPP: Laboratório de Genética Molecular de Protozoários e Parasitas LTDA: Limitada 12 MAPA: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MICROAL: Laboratório de Microbiologia de Alimentos da Faculdade de Farmácia MRS: de Man, Rogosa, Sharpe MS: Ministério da Saúde Nº: Número NAGE: Núcleo de Análise de Genoma e Expressão Gênica OMS: Organização Mundial da Saúde PPM: Partes por milhão PCR: Polymerase Chain Reaction (Reação em Cadeia de Polimerase) PPHO: Procedimentos-Padrão de Higiene Operacional PVC: Polyvinyl chloride (Policloreto de vinila) RDC: Resolução de Diretoria Colegiada RTE: Ready-to-eat (Alimentos prontos para o consumo) SCOTS: Selective Capture Of Transcribed Sequences (Captura Seletiva de Sequências Transcritas) SCF: Sobrenadante Concentrado Filtrado SCNF: Sobrenadante Concentrado Neutralizado Filtrado SDA: Secretaria de Defesa Agropecuária SF: Sobrenadante Filtrado SIF: Serviço de Inspeção Federal SIM: Sulphur Indol Motility (Ágar Indol Sulfeto Motilidade) SNC: Sistema Nervoso Central SNF: Sobrenadante Neutralizado Filtrado UE: União Europeia UFC: Unidades Formadoras de Colônias UFMG: Universidade Federal de Minas Gerais UI: Unidade Internacional WHO: World Health Organization (Organização Mundial de Saúde) 13 LISTA DE SÍMBOLOS ®: Registered (registrado) ™: Trade Mark (marca registrada) %: porcentagem µL: microlitro µm: micrômetro °C: graus Celsius CO2: dióxido de carbono cm: centímetro g: grama (unidade de medida de massa) g: gravidade (unidade de medida de rotação) g-1: por grama h: horas Kg: quilo L: litro M: molar mg: miligrama mL: mililitro mL-1: por mililitro mm: milímetro m/m: massa por massa 14 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .16 2. OBJETIVOS .20 2.1 Objetivos específicos.20 3. REVISÃO DE LITERATURA.21 3.1 Kefir .21 3.2 Bactérias Ácido-Láticas (BAL).23 3.2.2 Gênero Leuconostoc .26 3.2.3 Bacteriocinas e outras substâncias antimicrobianas .27 3.2.3.1 Nisina .29 3.3 Salsicha.32 3.4 Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos Kim, J.; Saito, K.; Sakamato, A.; Inoue, M.; Shirouzu, M.; Yokoyama, S. Crystal structure of the complex of the human Epidermal Growth Factor and receptor extracellular domains. Cell, v. 110, p. 775-787, 2002. Ortega, A.; Pino, J.A. Los constituyentes volátiles de las frutas tropicales. II. Frutas de las especies de Carica. Alimentaria. Revista Tecnología Higiene Alimentos, v. 286, p. 27-40, 1997. Oshima, J.; Campisi, J. 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