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A incubadora em cooperativas do NESTH/UFMG - aproximações para se compreender os processos de incubação: um estudo de caso

Documento informativo
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA SOCIAL A INCUBADORA DE COOPERATIVAS DO NESTH/UFMG – APROXIMAÇÕES PARA SE COMPREENDER OS PROCESSOS DE INCUBAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO Wallasce Almeida Neves Belo Horizonte, 28 de abril de 2006 Wallasce Almeida Neves A INCUBADORA DE COOPERATIVAS DO NESTH/UFMG – APROXIMAÇÕES PARA SE COMPREENDER OS PROCESSOS DE INCUBAÇÃO: UM ESTUDO DE CASO Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Psicologia Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Psicologia. Área de Concentração: Psicologia Social Linha de Pesquisa: Sociedade Contemporânea: Participação Social, Saúde e Trabalho Orientador: Ricardo Augusto Alves Carvalho Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte, 28 de abril de 2006 N514 Neves, Wallasce Almeida. A Incubadora de Cooperativas do NESTH/UFMG – aproximações para se compreender os processos de incubação: um estudo de caso / Wallasce Almeida Neves. – 2006. 101 f., enc. : il. ; 30 cm. Orientador : Ricardo Augusto Alves de Carvalho Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Bibliografia: f. 91-96. Inclui anexo 1. Incubadoras de empresas Brasil. 2. Política empresarial. 3. Trabalho - Aspectos econômicos. 4. Psicologia industrial. II Título. III Carvalho, Ricardo Augusto Alves. IV Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Dissertação intitulada: A Incubadora de Cooperativas do NESTH/UFMG – aproximações para se compreender os processos de incubação: um estudo de caso, apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e submetida, em 28 de abril de 2006, à banca examinadora composta por: Prof. Dr. Ricardo Augusto Alves de Carvalho FAFICH/UFMG (Orientador) Profa. Dra. Christiane Girard Ferreira Nunes UnB Prof. Dr. Jorge Tadeu Ramos Neves FEAD Cornelis Johannes van Stralen Coordenador do Programa de Pós-Graduação EM Psicologia Social da FAFICH/UFMG Agradecimentos Agradeço ao meu orientador, Professor Doutor Ricardo Alves de Carvalho, pela disponibilidade para as discussões e atenção que tem dado a este trabalho. A possibilidade do debate, desde o tempo da graduação, é que ampliou o espaço para a criação de novas perspectivas nesta pesquisa. Agradeço ao Professor Carlos Roberto Horta, Coordenador do NESTH, pelo apoio e pela oportunidade, que me foi dada, de participação na Incubadora do NESTH. Também agradeço à Coordenadora Administrativa da Incubadora do NESTH, Professora Doutora Vera Alice Cardoso. Agradeço a toda a equipe da ITCP/COPPE/UFRJ, em especial ao Professor Doutor Gonçalo Guimarães, pela atenção em nos atender; e também à Coordenadora do Grupo de Autogestão, Aline Rocha. Agradeço à Vívien Gonzaga e Silva, pela revisão criteriosa e paciente deste texto. Agradeço à Renata Kelly de Arruda, pelo tempo precioso dispensado na colaboração a este trabalho. Não menos importante foi o apoio dado a este trabalho, pelo amigo Sergio Toscani. Sumário Resumo. 9 Abstract.10 Introdução. 11 Capítulo 1 – Incubadoras: possibilidade de desenvolvimento e a inclusão.27 1.1- A criação dos parques tecnológicos e suas conseqüências sobre a criação as incubadoras. 32 1.2- As incubadoras de empresas.34 1.3- Universidades como lócus de incubação.38 Capítulo 2 – A Psicossociologia e a Economia Solidária: colocando um “campo” em análise (referencial teórico-metodológico). 46 2.1- Breve apresentação acerca da Economia Solidária. 50 2.2- Em busca de um conceito – o caso das ITCP’s e as outras incubadoras na Economia Solidária. 53 2.3- As ITPC’s – Sua história. 56 2.4- As incubadoras de Cooperativas – as ITCP’s. 61 2.5- A relação entre a Universidade e as ITCP’s.69 2.6- O processo de educação e a construção da autogestão.71 2.6.1- Como e por que se formam os grupos.72 Capítulo 3 – O processo de incubação de cooperativas – o campo de análise específico: a incubadora de cooperativas da UFMG. 75 3.1- A Cooperativa de Produção Industrial. 78 3.2- Afunilando o campo em análise. 81 3.2.1- Os sistemas cultural, simbólico e imaginário como operadores teórico-metodológicos. 82 3.2.2- As instâncias mítica, sócio-histórica e institucional como operadores teórico-metodológicos. 84 Conclusão. 89 Bibliografia. 91 Anexo I – Integram a Rede Universitária de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares. 97 Anexo II – Integram a Rede Universitária das Américas em Estudos Cooperativos e Associativismo 21 Universidades Associadas em 14 países. 98 Anexo III – Campus da COPPE/UFRJ.99 Anexo IV – Motivações das PEBTs para ingresso em Incubadoras. 100 Anexo V – Roteiro de entrevista. 101 Lista de quadros e gráficos Gráfico 1 – Evolução do Número de Incubadoras no Brasil (1985-1997). 44 Quadro 1 – Evolução do número de Incubadoras nos EUA. 28 Quadro 2 – Características dos modelos de incubadoras e parques tecnológicos. 33 Quadro 3 – Empresas incubadas / Ramo de atividades. 37 Quadro 4 – Distribuição geográfica das incubadoras no Brasil em 2004.44 Quadro 5 – Tipos de incubadoras. 57 Quadro 6 – Tipos de incubadoras segundo o Glossário ANPROTEC/SEBRAE. 58 Lista de siglas e abreviaturas utilizadas ANPROTEC – Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária CCQ – Círculos de Controle de Qualidade CENAFOCO – Centro Nacional de Formação Comunitária CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico COPPE – Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia/UFRJ EES – Empreendimentos de Economia Solidária EUA – Estados Unidos da América IEBT – Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica ITCP – Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia MIDIC – Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comercio MIT – Instituto de Tecnologia de Massachussets NBIA – National Bussiness Incubation Association NESTH – Núcleo e Estudos Sobre o Trabalho Humano NIT - Núcleo de Inovação Tecnológica PNI – Programa Nacional de Apoio as Incubadoras de Empresas PRONINC – Programa Nacional de Cooperativas SEBRAE – Serviço de Apoio a Pequenas e Médias Empresas SOFTEX – Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro UNITRABALHO – Rede Interuniversitária de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho A INCUBADORA DE COOPERATIVAS DO NESTH/UFMG – APROXIMAÇÕES PARA SE :COMPREENDER OS PROCESSOS DE INCUBAÇÃO UM ESTUDO DE CASO Wallasce Almeida Neves Resumo 9 O trabalho trata do processo de criação das incubadoras de empresas e de sua posterior diversificação, em modelos variados, para atender às demandas dos inúmeros segmentos econômicos e sociais. As primeiras incubadoras surgiram nos Estados Unidos, e fazem parte de um arranjo econômico mais complexo, que envolve processos urbanísticos, modificação do papel do Estado na economia, participação da iniciativa privada na economia. E, num outro âmbito, inserem-se, também, no processo de mudanças deflagrado por uma gigantesca expansão da tecnologia da informação, com o avanço da computação, que vem permitindo uma completa redefinição dos processos de organização do trabalho e da produção. A função das primeiras incubadoras era garantir que essas empresas de tecnologia avançada pudessem desenvolver seus produtos e/ou serviços. Hoje, os modelos de incubação se expandiram, e surgiu, no meio da década de 1990, a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP), caracterizada por criar condições para a inserção de pessoas em processo de marginalização. O seu objetivo é a inclusão econômica – e, conseqüentemente, social – desse público. Nosso trabalho avança nessa descrição técnica e histórica dos diversos modelos de incubadoras, detendo-se um pouco mais nas incubadoras de cooperativas; e, na pesquisa de campo, busca perceber como estão se articulando as relações entre essas incubadoras, em especial a Incubadora de Cooperativas do NESTH/UFMG, com os grupos aos quais presta atendimento. O nosso recorte de pesquisa de campo está feito sobre a relação da Incubadora com um grupo de produção industrial por ela atendido. Palavras-chave: incubadoras de empresas de base tecnológica; incubadoras de cooperativas; políticas públicas; geração de emprego e renda; desenvolvimento tecnológico; inserção econômica e social. A INCUBADORA DE COOPERATIVAS DO NESTH/UFMG – APROXIMAÇÕES PARA SE :COMPREENDER OS PROCESSOS DE INCUBAÇÃO UM ESTUDO DE CASO Wallasce Almeida Neves Abstract 10 This work deals with the creation process of company incubators and its subsequent diversification, in varied models, to meet the demand of the innumerable economic and social segments. The first incubators appeared in the United States, and are part of a more complex economic arrangement, that involves urban processes, changes in the role of state in the economy, and participation of the private initiative. In one another scope, it is also inserted in the process of changes started by a gigantic expansion of information technology, with the advance of computation, that allows and sometimes determines a complete reorganization of work and production processes. The function of the first incubators was to guarantee that these companies of advanced technology could develop their products and/or services. Now, the incubation models have expanded themselves and, in mid 1990’s appeared (in Brazil) the People’s Cooperative Technology Incubator (ITCP), with the purpose of promoting social reinsertion of marginalized people. Its objective is economic and, consequently, social inclusion of this public. Our work describes, historically technically, the diverse models of incubators, concentrating more on incubators of cooperatives. In the field research, we try to perceive how they are articulating with the client groups they serve. Special emphasis is given to the incubator of Cooperatives of NESTH/UFMG Our phocus on field research is the relation of the incubator with a client group of industrial production. Word-key: incubators of technological base companies; incubator of cooperatives; public policies; job and income generation; technological development; economic and social insertion. A INCUBADORA DE COOPERATIVAS DO NESTH/UFMG – APROXIMAÇÕES PARA SE :COMPREENDER OS PROCESSOS DE INCUBAÇÃO UM ESTUDO DE CASO Wallasce Almeida Neves Introdução 11 As incubadoras de empresas constituem, hoje, um fenômeno mundial, tipicamente ligado à modernidade. O princípio que norteia sua existência é buscar a transferência de pesquisas na área de tecnologias avançadas. Comumente, essas tecnologias são geradas dentro das universidades e centros de pesquisa. Surgidas nos Estados Unidos, elas se disseminaram por todo o mundo e, no decorrer do tempo, o modelo tem se aprimorado, trazendo para si muitas das inovações que dispõem as mais diversas disciplinas e pesquisas acadêmicas, desenvolvidas tanto em projetos de extensão, como em pesquisas de graduação e pós-graduação. O modelo inicial de incubadora priorizava a criação de empresas, cujo objetivo era fazer com que produtos de pesquisas se transformassem em produtos de alta tecnologia, com alto valor agregado. O papel da incubadora é cuidar para que o período de permanência da empresa sob seus cuidados seja uma fase de fortalecimento para que, em seguida, essas empresas possam enfrentar o mercado, já como empresas autônomas. Neste nosso trabalho, um estudo de caso que tomou por objeto a incubadora do Núcleo de Estudos do Trabalho Humano (NESTH/UFMG), tivemos por objetivo entender, do ponto de vista da Psicossociologia, como estão se construindo as relações entre os grupos, em particular, a cooperativa Couro Sim, e a incubadora. Nessa incubadora, composta por cinco áreas – Psicologia Social, Engenharia de Produção, Ciências Políticas, Ciências Econômicas e Direito –, certamente as relações de um grupo com cada uma dessas áreas será diferente. O que diminui essa diferença é o fato de que as áreas trabalham em conjunto, e os arranjos feitos entre elas, no nível da organização do trabalho, é que diminuirão as distâncias entre os diversos empreendimentos dentro da incubadora. No caso em estudo, todo o atendimento, ou seja, o trabalho de acompanhamento, é feito aos grupos1 por equipes multidisciplinares. De modo geral, esse acompanhamento ocorre de duas formas: primeiro, no processo diagnóstico, em que várias equipes visitam o empreendimento; e, depois, na fase de instrução. Esta pode ocorrer de duas maneiras: cumprindo um planejamento anterior – em parte, gerado no 1 É importante observar que existe uma certa flutuação no que se refere à inserção e permanência dos grupos na incubadora. Na data de finalização da pesquisa, havia um total de onze grupos atendidos. A INCUBADORA DE COOPERATIVAS DO NESTH/UFMG – APROXIMAÇÕES PARA SE :COMPREENDER OS PROCESSOS DE INCUBAÇÃO UM ESTUDO DE CASO Wallasce Almeida Neves 12 próprio processo diagnóstico –, busca transferir conteúdos; ou, então, através de solicitação das demandas do grupo atendido. Por exemplo, no caso da APOPATIVA, que demandava uma adaptação da planta do prédio que deveria se adequar às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o trabalho com o grupo ocorreu nas duas vertentes ao mesmo tempo. Contudo, não se aboliu a fase de diagnóstico e nem o conteúdo programático; o que se fez foi direcionar todos os esforços no sentido de atender à demanda do grupo. Para o nosso interesse específico, esse foi um “problema” que serviu para avaliar a coesão grupal e a sua capacidade de mobilização, percebendose que é nas próprias vivências dos grupos que se encontra a chave da administração dos conteúdos programáticos, que não são informações desconexas da realidade dos participantes. Eram questões reais que exigiam análises reais. Não queremos sobrepor a teoria à prática, mas, tão-somente, deixar que os dados se apresentem e fazer uma análise dos mesmos. Todavia, tentamos, durante todo o período de trabalho na incubadora, estabelecer um referencial teórico que pudesse nos auxiliar nesse intuito, a saber, o da Psicossociologia de origem francesa. A percepção das possibilidades e da riqueza teóricas apresentadas por essa vertente surgiu ainda na graduação, mais exatamente, na disciplina Psicologia da Indústria, ministrada pelo professor Ricardo Alves Carvalho. Nas diversas fases de participação no projeto em análise e em outros, busquei, como técnico, pesquisador e, depois, como professor do Departamento de Psicologia, situar o campo da Psicossociologia da corrente francesa no âmbito central das questões discutidas no processo de incubação. A partir dessa ocasião, foram feitas, sob a supervisão do professor Ricardo Alves Carvalho, diversas pesquisas, entre elas no CiM/Icex/UFMG, um centro de inovação multidisciplinar, com duração de dois anos e meio, iniciada em março de 2001. Essa pesquisa se desenvolveu com visitas de inserção, feitas duas vezes por semana, e entrevistas. Os sujeitos entrevistados eram sócios-proprietários de empresas em processo de incubação e funcionários da Incubadora, entre eles, o gerente Paulo Renato Macedo enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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A incubadora em cooperativas do NESTH/UFMG - aproximações para se compreender os processos de incubação: um estudo de caso
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