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Inovação institucional no contexto do federalismos brasileiro pós-1988: a emenda constitucional no. 29 de 2000 e os governos estaduais.

Documento informativo

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) Programa de Pós-Graduação em Ciência Política INOVAÇÃO INSTITUCIONAL NO CONTEXTO DO FEDERALISMO BRASILEIRO PÓS-1988: a Emenda Constitucional n. 29 de 2000 e os Governos estaduais Fátima Beatriz Carneiro Teixeira Pereira Fortes BELO HORIZONTE 2008 Fátima Beatriz Carneiro Teixeira Pereira Fortes INOVAÇÃO INSTITUCIONAL NO CONTEXTO DO FEDERALISMO BRASILEIRO PÓS-1988: a Emenda Constitucional n. 29 de 2000 e os Governos estaduais Tese apresentada ao Programa de Pós Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para a obtenção do título de doutor em Ciência Política Orientadora: Profa. Maria de Fátima Junho Anastasia Co-orientador: Prof. José Francisco Soares Belo Horizonte 2008 Fortes, Fátima Beatriz Carneiro Teixeira Pereira. F738i Inovação institucional no contexto do federalismo brasileiro pós-1988: a Emenda constitucional n.29 de 2000 e os governos estaduais / Fátima Beatriz Carneiro Teixeira Pereira Fortes. – Belo Horizonte, 2008. 197 f.: il. Tese (Doutorado em Ciência Política) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. Universidade Federal de Minas Gerais. Orientador: Maria de Fátima Junho Anastasia. Co-orientador: José Francisco Soares 1. Emenda Constitucional 29/2000. 2. Federalismo. 3. Gasto com saúde. 4. Novo institucionalismo. I. Fortes, Fátima Beatriz Carneiro Teixeira Pereira. II. Título. CDU 614(81) FOLHA DE APRESENTAÇÃO INOVAÇÃO INSTITUCIONAL NO CONTEXTO DO FEDERALISMO BRASILEIRO PÓS-1988: a Emenda Constitucional n. 29 de 2000 e os Governos Estaduais Autora: Fátima Beatriz Carneiro Teixeira Pereira Fortes Tese apresentada ao Programa de Pós Graduação em Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para a obtenção do título de doutor em Ciência Política, Belo Horizonte, 3 de outubro de 2008. __________________________________ Maria de Fátima Junho Anastasia (UFMG) Orientadora ____________________________________ José Francisco Soares (UFMG) Co-orientador ______________________________ Celina Souza (UFBA) _____________________________ Carlos Ranulfo Félix de Melo (UFMG) _____________________________ Magna Maria Inácio (UFMG) _____________________________ Renato Boschi (Iuperj) Ao meu pai, em memória. À minha mãe, Anilde; Ao Tonhão, meu companheiro; Às minhas filhas, Renata e Flávia. AGRADECIMENTOS Ainda que os resultados deste trabalho sejam de minha inteira responsabilidade, muitas pessoas contribuíram para a sua realização e a elas eu quero expressar meu profundo agradecimento. À Fátima Anastásia, minha orientadora. Obrigada pelas sugestões, pelas críticas e pelas discussões fundamentais para que eu pudesse concluir este estudo. Ao José Francisco Soares, que se dispôs a co-orientar a elaboração desta tese. Obrigada, Chico, pela paciência, por sua contribuição decisiva para a construção do modelo de análise e por ter “criado” um tempo para me atender. À Edite Mata Machado, com quem tenho tido o privilégio de compartilhar trabalho, idéias e amizade nesta última década. Seu entusiasmo e rigor fizeram deste um período extremamente profícuo e prazeroso. Obrigada, por seu estímulo e atenção constantes. À Ana Carolina Maia, pela imensa disponibilidade em me ajudar na elaboração do modelo de análise desta tese. Obrigada, por tantas conversas. À Luana Marotta, pelo apoio – fundamental ─ nos caminhos sinuosos dos modelos hierárquicos. À Fundação João Pinheiro (FJP), pela liberação parcial de minhas atividades, viabilizando, desta forma, a realização do doutorado. Aos colegas da FJP, pelo apoio e torcida. Em especial, agradeço ao Fernando Prates, à Maria Luíza Marques, à Marta Procópio e ao Olinto Nogueira. Agradeço ainda à Telma Menicucci, pelas sugestões de bibliografia e à Bruna Matias, pela ajuda no trato com o SPSS. À Helena Schirm, sempre pronta a resolver minhas dúvidas quanto à normalização. Às bibliotecárias da FJP ─ em especial, à Maria Judite Pacheco ─, que sempre se mostraram dispostas a me auxiliar nas inúmeras consultas e complacentes com meus atrasos. Às pessoas que me auxiliaram com dados e informações necessárias ao desenvolvimento deste trabalho. Em especial, meu agradecimento à Ana Cecília Faveret, à Maria Amarante Pastor Baracho, ao José Rodrigues de Moraes e ao pessoal do Sistema de Informação sobre Orçamentos Públicos em Saúde (Siops). À Magna Inácio, pelas contribuições oportunas por ocasião da pré-defesa. À minha família, pelo incentivo também nessa empreitada. À minha mãe, aproveito para um agradecimento especial, por tudo, em toda a minha vida. E ao Tonhão, sempre companheiro há 33 anos. À Deus, que “sobre asas de águia vai me conduzindo para junto Dele” (Ex, 19:4). “A saúde é um elemento potencial de consenso, a forma de distribuição desse direito consensual é que é motivo de dissenso” (ESCOREL, S., 1988) RESUMO O objetivo desta tese é investigar os efeitos da Emenda Constitucional n. 29, de 2000 (EC n.29) nas decisões alocativas dos governadores estaduais relativas aos gastos com saúde, buscando identificar os seus condicionantes. Dois argumentos analíticos principais guiaram a análise. O primeiro foi o de que as instituições, entendidas como regras formais, orientam o cálculo e a interação dos atores. O segundo foi o de que, para investigar seus impactos é preciso considerar a importância da agência humana e que as escolhas refletem a interação entre instituições e condições. De fato, após a aprovação da Emenda a grande maioria dos estados aumentou o percentual da receita aplicada na saúde, diferentemente do que se observou no período imediatamente anterior. Constatou-se, também, que o comportamento dos estados variou significativamente. Essa variabilidade das respostas dos governadores instigou a investigação dos possíveis condicionantes de seus comportamentos Mesmo reconhecendo que a relação condicionantes–tomada de decisões seja extremamente complexa, o pressuposto foi o de que, a partir da associação entre variáveis capazes de refletir a diversidade dos estados brasileiros nos aspectos político, econômico e social e as respostas dos governadores em termos do gasto com saúde, fosse possível responder à indagação principal proposta. Os resultados do modelo ajustado mostraram que a variável indicadora emenda para a aprovação da EC n. 29 mostrou-se altamente significativa, confirmando que a sua aprovação induziu os governadores a elevarem o percentual da receita aplicado na saúde. Entre as variáveis de contexto, apenas a receita líquida per capita e o perfil ideológico do partido do governador mostraram-se significativas. No entanto, os resultados encontrados permitem afirmar que tais variáveis condicionam apenas marginalmente o efeito substantivo da Emenda nos estados. O que se pode concluir é que a introdução de uma regra como a EC n.29 foi capaz de induzir os governadores a adotarem comportamentos independentemente das variáveis de contexto aqui consideradas. Ainda que as variáveis selecionadas possam compor o contexto das escolhas, as suas influências, mediadas pelos mais diversos interesses e circunstâncias, não puderam ser captadas numa abordagem dessa natureza. O estudo buscou chamar a atenção ainda para o fato de que, ao mesmo tempo em que induziu o aumento dos gastos com saúde, a EC n.29 passou a estimular outros jogos envolvendo disputas relacionadas ao conceito de “ações e serviços de saúde” e quanto à base de cálculo para a definição da participação da União. Nesse sentido, o estudo confirmou a pertinência do argumento neo-nstitucionalista de que as instituições não podem ser consideradas apenas como “coerções herdadas” e, portanto, exógenas ao processo político, mas que atores racionais tendem a buscar participar da elaboração/alteração das regras, de modo a favorecer suas escolhas. A investigação também lançou luzes sobre os desafios postos ao compartilhamento de responsabilidades pela engenharia federativa. Embora a Emenda tenha sido, de certa forma, bem sucedida no sentido de impor uma dada direção aos gastos com a saúde, constatou-se que alguns estados reduziram o percentual da receita aplicado na saúde quando deveriam tê-lo aumentado e que poucos estados conseguiram atingir o percentual mínimo de 12% em 2004, conforme estipulado. Portanto, ainda que a ação coletiva em países federativos possa ser favorecida por meio de regras, seus efeitos plenos podem ser retardados ou, mesmo, não serem atingidos caso o consenso em torno delas mostre-se frágil. No caso da EC n.29, essa fragilidade manifesta-se nos percalços enfrentados pela sua regulamentação e implementação. ABSTRACT The purpose of this thesis is to investigate the effects of Constitutional Amendment 29 (EC n.29), of 2000, on the decisions of state governors related to the allocation of funds for the health sector, aiming at identifying its conditioning factors. Two main analytical arguments guided the analysis. The first: institutions, understood as formal rules, orientate the calculations and the interaction of actors. The second: in order to investigate its impacts, it is necessary to consider the importance of human agency and that choices reflect the interaction between institutions and conditions. In fact, after the passing of Amendment 29, the great majority of the states increased their revenue percentage invested in the health sector, differently from what was seen in the previous period. It was also a fact that the behavior of the states significantly varied. Such variability regarding the governors´ responses instigated the investigation into the possible factors that condition their behavior. Even recognizing that the relation between conditioning factors and decision-making is extremely complex, the assumption was that, based on the association between variables capable of reflecting the diversity of Brazilian states concerning political, economical and social aspects and the governors´ responses regarding expenditures on health, it would be possible to answer the main proposed question. The results of the adjusted model showed that the variable amendment indicating the passing of EC n.29 was highly significant, confirming that its passing induced governors to raise the revenue percentage invested in the health sector. Among context-related variables, just the net per capita revenue and the ideological profile of the governor´s party were significant. However, the overall results allow to state that such variables only marginally condition the substantial effect of the Amendment on the states. What can be concluded is that the introduction of a rule such as EC n.29 was capable of inducing governors to adopt behaviors despite the context-related variables considered herein. Although the selected variables may compose the context of choice, their influences, mediated by all sorts of interests and circumstances, could not be captured in such an approach. The study also attempted to call attention to the fact that, while inducing the increase in the expenditures on health, EC n.29 started to stimulate other games involving disputes related to the concept of “health actions and services” and concerning the calculation basis that define the participation of the federal entity. In this regard, the present study confirmed the pertinence of the neo-institutionalism argument which states that institutions can not be considered only as “inherited coercions” and, thus, exogenous to the political process, but that rational actors tend to seek the participation in the elaboration/alteration of rules, so as to favor their choices. The investigation brought light as well to the challenges of responsibility sharing set by federative engineering. Although the Amendment was, in a way, well-succeeded in the sense that it imposed a certain direction to expenditures on health, it was possible to see that some states reduced the revenue percentage invested in the health sector when it should have been increased, and that only a few states managed to reach the established minimum of 12% in 2004. Therefore, even though collective actions in federative countries can be favored by means of rules, their full effects may be delayed or even not be reached if consensus on them turns out to be fragile. In case of EC n.29, such fragility is manifested by the drawbacks faced in its regulation and implementation. LISTA DE SIGLAS ADCT - Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADIN - Ação Direta de Inconstitucionalidade AIH - Autorização para Internação Hospitalar AIS - Ações Integradas de Saúde ATRICON - Associação dos Membros dos Tribunais de Contas CEBES - Centro Brasileiro de Estudos da Saúde CES - Conselho Estadual de Saúde CF/88 - Constituição Federal de 1988 Conasems - Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde Conasp - Conselho Nacional de Administração da Saúde Previdenciária Conass - Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde CNS - Conselho Nacional de Saúde CIT - Comissão Intergestores Tripartite CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CPMF - Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira CSLL - Contribuição sobre o Lucro Líquido DF - Distrito Federal DRU - Desvinculação de Arrecadação de Impostos e Contribuições Sociais da União EC n. 29 - Emenda Constitucional 29 EGU - Encargos Gerais da União FAE - Fator de Apoio aos Estados FAEC - Fundo de Ações Estratégicas e Compensação FAM - Fator de Apoio aos Municípios FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador FEF - Fundo de Estabilização Fiscal FES - Fundo Estadual de Saúde Finsocial - Fundo de Investimento Social FMS - Fundo Municipal de Saúde FMI - Fundo Monetário Internacional FNS - Fundo Nacional de Saúde FPE - Fundo de Participação dos Estados e do DF FSE - Fundo Social de Emergência Fundef - Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério GED - Grupo Executivo de Descentralização IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICMS - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e de Comunicação IDTE - Indicador de desempenho tributário e econômico IGP-DI - Índice Geral de Preços- Disponibilidade Interna INAMPS - Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte IPTU - Imposto Predial e Territorial Urbano IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores ITCMD - Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Bens e Direitos LDO - Lei de Diretrizes Orçamentárias LOS - Lei Orgânica da Saúde LRF - Lei de Responsabilidade Fiscal MS - Ministério da Saúde NOBs - Normas Operacionais Básicas OSS - Orçamento da Seguridade Social PAB - Piso de Atenção Básica PACS - Programa de Agentes Comunitários de Saúde Pasep – Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PEC - Proposta de emendas constitucional PIB - Produto Interno Bruto PIS - Programa de Integração Social PLP - Proposta de Lei Complementar PPI - Programação Pactuada Integrada PSF - Programa de Saúde da Família SIA - Sistema de Informações Ambulatoriais SIH - Sistema de Informação Hospitalar Siops - Sistema de Informação sobre Orçamentos Públicos em Saúde SUDS - Sistema Unificado de Saúde STN - Secretaria do Tesouro Nacional SUS - Sistema Único de Saúde TCU - Tribunal de Contas da União UCA - Unidade de Cobertura Ambulatorial LISTA DE TABELAS E GRÁFICOS Tabela 1: Variação percentual da receita líquida aplicada na saúde entre 1998 e 2000 e percentual da receita líquida aplicado na saúde em 2000 – Brasil – Unidades da Federação . 127 Tabela 2: Variação percentual da receita líquida aplicada na saúde entre 2001 e 2004 e percentual da receita líquida aplicado na saúde em 2004 – Brasil – Unidades da Federação . 131 Tabela 3: Percentual da receita líquida aplicado na saúde e mínimo exigido pela Emenda Constitucional 29/2000 – Brasil – Unidades da Federação 2000 / 2004 . 135 Tabela 4: Variação percentual do gasto per capita com saúde entre 1998 e 2000 e gasto per capita com saúde em 2000 – Brasil – Unidades da Federação. . 138 Tabela 5: Variação percentual do gasto per capita com saúde entre 2001 e 2004 e gasto per capita com saúde em 2004 – Brasil – Unidades da Federação . . 139 Tabela 6: Variação percentual da receita líquida per capita entre 2001 e 2004 e receita líquida per capita em 2004 – Brasil – Unidades da Federação. 143 Tabela 7: Gasto com saúde per capita com recursos próprios – Brasil – Unidades da Federação – 2004 . 144 Tabela 8: Características econômicas, fiscais e sociais – Brasil – Unidades da Federação –1998–2004 . 148 Tabela 9: Participação média das três esferas de governo no gasto público total com saúde (%) – Brasil – 1998–2000 e 2001–2004 . 161 Gráfico 1: Percentual da receita líquida aplicado em ações e serviços de saúde – Brasil – Unidades da Federação –1998–2004. 132 Gráfico 2: Percentual da receita líquida aplicado em ações e serviços de saúde – Brasil – Unidades da Federação – 1998–2000 e 2001–2004. 133 Gráfico 3: Gasto com saúde per capita – Brasil – Unidades da Federação – 19982004 (Em R$ constantes de 2004) enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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Inovação institucional no contexto do federalismos brasileiro pós-1988: a emenda constitucional no. 29 de 2000 e os governos estaduais.
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