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O caminhar faz a trilha: o comportamento de busca da informação sob o enfoque da cognição situada

Documento informativo

Escher, M. C. Relativity, 1953. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciência da Informação. Área de concentração: Utilização da Informação. Produção, Linha de Pesquisa: Gestão Conhecimento da Organização Informação e Orientadora: Profa. Dra. Mônica Erichsen Nassif Borges Belo Horizonte Escola de Ciência da Informação Universidade Federal de Minas Gerais 2007 e do ii iii A meus pais Venâncio e Antonieta, meus irmãos Michele e Daniel, pela convivência e incentivo. Ao Luiz Fernando, pelo amor, companheirismo, cumplicidade e apoio constante. iv Durante o processo de concepção, desenvolvimento e finalização desta dissertação, muitos foram os momentos de incertezas e várias as situações de aprendizagem tanto acadêmicas quanto pessoais. Aprendi a conhecer amigos e mestres que me ensinaram não somente o valor das teorias, mas a importância inestimável das descobertas. Agradeço a minha orientadora Mônica Erichsen Nassif Borges por nossas conversações e por me indicar os caminhos e as decisões importantes a serem tomadas. Aos meus amigos e colegas do mestrado Fabrício, Leandro, Ana Paula, Raquel, Patrícia, André, Leonardo, Adriana, Daniela e Wilson, a lembrança das horas em sala de aula e das conversas inspiradoras. A minha amiga Tania Covas pela amizade e troca de idéias, ainda que de terras lusitanas. Aos professores Juliana do Couto Bemfica, Renato Rocha Souza e Ricardo Rodrigues Barbosa por seus comentários e pontos de vista sempre motivadores. Ao professor Henrique Elias Borges pelos contatos iniciais no campo das ciências cognitivas. À Secretaria do Programa de Pós-Graduação, em particular, à Gisele e às exsecretárias Goreth e Viviany, que no decorrer destes dois anos estiveram sempre disponíveis a me ajudar. Aos empresários que tão amigavelmente aceitaram participar desta investigação. Em especial, à Patrícia, Célia, João Filho, Celinha, Mônica e Dácio pela disponibilidade em conversar comigo. À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, pelo apoio financeiro concedido. v Conta-se que havia uma ilha, que ficava em Algum Lugar, em que os habitantes desejavam intensamente ir para outra parte e fundar um mundo mais sadio e digno. O problema era que a arte e a ciência de nadar e navegar ainda não tinham sido desenvolvidas – ou talvez tivessem sido há muito esquecidas. Por isso, havia habitantes que simplesmente se negavam a pensar nas alternativas à vida na ilha, enquanto que outros tentavam encontrar soluções para os seus problemas, sem preocupar-se em recuperar o conhecimento de como cruzar as águas. De vez em quando, alguns ilhéus reinventavam a arte de nadar e navegar. Também de vez em quando chegava a eles algum estudante, e então acontecia um diálogo assim: ― Quero aprender a nadar. ― O que quer fazer para conseguir isso? ― Nada. Só quero levar comigo uma tonelada de repolho. ― Que repolho? ― A comida de que vou precisar no outro lado, ou seja lá onde for. ― Mas há outras coisas para comer no outro lado. ― Não sei o que quer dizer. Não tenho certeza. Tenho que levar meu repolho. ― Mas assim não vai poder nadar. Uma tonelada de repolho é uma carga muito pesada. ― Então não posso aprender. Para você, meu repolho é uma carga. Para mim é alimento essencial. ― Suponhamos que – como numa alegoria – os repolhos representem idéias adquiridas, pressupostos ou certezas. ― Hum. Vou levar meus repolhos para onde haja alguém que entenda as minhas necessidades. Conto Sufi transcrito de Maturana e Varela (2004, p. 271-272). vi No campo da ciência da informação, os estudos de comportamento de busca de informação são, em sua maioria, baseados nas abordagens cognitivas tradicionais. Essas abordagens enfatizam a natureza individual das estruturas cognitivas dos usuários de informação e consideram o comportamento informacional constituído de fases, que o indivíduo experiencia na resolução de uma situação problemática ou vazio cognitivo, cuja transposição é viabilizada pela assimilação de informação. Em oposição a essa visão tradicional, uma perspectiva fundamentada nos princípios da cognição situada possibilita abordar o usuário em suas múltiplas dimensões (individual, social, emocional e lingüística) e compreender a busca de informação como um processo social, experiencial, histórico e contingencial. Adotando essa perspectiva, a presente pesquisa objetivou investigar o comportamento de busca de informação de pessoas responsáveis pela tomada de decisão organizacional. Para realizar esse propósito, em uma primeira etapa da pesquisa, selecionou-se e caracterizou-se uma situação de tomada de decisão inesperada, equívoca e mal definida, dentre as descritas por empresários de quatro empresas de médio porte da cidade de Belo Horizonte. Essa situação constituiu o caso pesquisado. Na segunda etapa da metodologia empregada, realizaram-se entrevistas semi-estruturadas com os seis executivos que vivenciaram a situação escolhida. A análise dos dados empíricos obtidos mostrou como os comportamentos de busca de informação dos entrevistados, na situação específica, foram influenciados por suas histórias pessoais, pelas interações e relações estabelecidas com outros sujeitos e por suas disposições emocionais. Argumentou-se que a cognição situada possibilita uma abordagem inovadora para o estudo de busca de informação e pode contribuir, de forma significativa, para os estudos de usuários na ciência da informação. Palavras-chave: comportamento de busca de informação, cognição situada, usuários de informação, abordagem cognitivista, tomada de decisão. vii In the field of information science, the studies of information seeking are mainly based in the traditional cognitive approaches. These approaches emphasize the individual cognitive frames of the information users and consider the information behavior as constituted of phases which are lived by the individual while resolving problematic situations or cognitive gaps, which are overcome by the assimilation of information. Opposing this traditional view, a perspective grounded on the principles of situated cognition makes possible to approach the information user in multiple dimensions (individual, social, emotional and linguistic) and understand information seeking as a social, experiential, historic and contingent process. Under this view, this study intended to investigate the information-seeking behavior of persons in charge of organizational decision-making. For achieving this goal, in the first stage of this study, an equivocal, unexpected and ill-defined decision-making situation was selected and characterized from situations described by managers of medium-seized firms in Belo Horizonte city. This situation was the case study. In the second stage of the methodology employed, semi-structured interviews were made with the six managers who lived the situation. Analysis of the empirical data revealed that the information-seeking behavior of the interviewed executives, in the specific situation, was influenced by their life histories, their emotional dispositions and the relations and interrelations established with other subjects. It was argued that situated cognition is an innovative approach for the study of information-seeking behavior, which contributes, significantly, for the user studies in the field of information science. Keywords: information-seeking behavior, situated cognition, information users, cognitivist approach, decision-making. viii Quadro 1: Situações de tomada de decisão identificadas.65 Quadro 2: Apresentação dos resultados da pesquisa.95 1. Introdução.1 2. A transcendência da individualidade e a emergência do sujeito: das abordagens cognitivas tradicionais à cognição situada .8 2.1 Processamento simbólico: a hipótese cognitivista . 9 2.2 Conexionismo: a alternativa de inspiração biológica. 14 2.3 Cognição situada: princípios para a compreensão da dinâmica social humana, da informação e do conhecimento . 15 2.4 A superação da individualidade: o sujeito em suas múltiplas dimensões. 21 3. Gaps cognitivos e estoques de conhecimento: a análise do estudo tradicional do comportamento de busca de informação .24 3.1 A abordagem do Sense-Making: situação, gap e uso na busca de informação . 28 3.2 O processo de busca de informação de Kuhlthau: dimensões físicas, cognitivas e afetivas . 31 3.3 Novas perspectivas nos estudos de busca de informação: as limitações do modelo tradicional . 35 4. Tomada de decisão: a situação em foco.37 4.1 Ambiente e comportamento informacional dos gerentes: a constituição da situação. . 38 4.2 Modelos de tomada de decisão. 42 4.2.1 O modelo da racionalidade limitada. 43 4.2.2 O modelo processual. 44 4.3 Novos olhares sobre a tomada de decisão. 45 5. Procedimentos metodológicos .48 5.1 Elaboração e validação dos instrumentos de coleta de dados. 50 5.2 Unidades de análise . 51 5.3 Coleta de dados . 52 5.4 Análise e interpretação dos dados. 53 6. Uma análise do comportamento de busca de informação na perspectiva da cognição situada .56 6.1 Situações de tomada de decisão: seleção do estudo de caso. 57 6.1.1 Setor de serviços: empresa da área de organização e realização de festas e eventos . 58 6.1.2 Setor de serviços: empresa da área de assistência técnica e extensão rural . 60 6.1.3 Setor industrial: empresa da área de beneficiamento e tecelagem de algodão 61 6.1.4 Setor industrial: empresa da área de fabricação de medicamentos. 62 6.1.5 Seleção da situação de tomada de decisão. 63 6.2 A situação estudada: a organização e os entrevistados . 65 6.3 Análise do comportamento de busca de informação sob o enfoque da cognição situada. . 78 7. Considerações finais .96 8. Referências .103 9. Anexos .111 Anexo I: Carta de apresentação da pesquisa. 112 Anexo II: Roteiro de entrevistas – Identificação da situação de tomada de decisão. 113 Anexo III: Roteiro de entrevistas – Análise do comportamento de busca de informação 114 Anexo IV: Tela do software QSR N6 . 116 Anexo V: Estrutura de categorias gerada pelo software QSR N6. 117 ! " #$ 2 A ciência da informação tem sido muito influenciada pelas ciências cognitivas. Essas influências mostram-se mais incisivas e pertinentes quando se nota que o foco de análise da ciência da informação privilegia a compreensão dos múltiplos processos cognitivos dos usuários, o que pode ser melhor entendido quando se toma como exemplo a observação detalhada, efetuada em muitos trabalhos do campo, com o intuito de descrever os diversos comportamentos dos usuários na busca da informação. As ciências cognitivas abrangem diversas áreas do conhecimento, tais como: lingüística, neurociência, psicologia cognitiva, antropologia e filosofia da mente. Cada uma contribui, de acordo com suas perspectivas, com subsídios que ajudam a compreender, conceber e pensar o conhecimento humano (DUPUY, 1996; VARELA; THOMPSON; ROSCH, 1991). Inúmeras abordagens têm sido propostas para explicar o fenômeno da cognição, mas, de modo geral, pode-se agrupá-las em duas vertentes distintas, conforme o estatuto ontológico da realidade que assumem. A primeira, representada pelas abordagens cognitivista e conexionista, enfatiza a realidade como pré-concebida e independente do sujeito; a segunda, representada pelas abordagens contemporâneas, concebe a realidade como construída pelo sujeito no seu curso de interação com o ambiente. Os estudos cognitivos de usuários no campo da ciência da informação, em sua maioria, incorporam vários princípios da perspectiva cognitivista. Sob essa abordagem, a informação é vista como fator de mudança de estruturas cognitivas a qual, uma vez percebida, afeta e transforma o estado de conhecimento do indivíduo. Com esse enfoque, muitos estudos de busca de informação1 privilegiam a discussão sobre a captação, a representação e o processamento de informações advindas do meio, entendidos como processos essenciais para descrição do comportamento do usuário. Nessa perspectiva, toda e qualquer situação de busca da informação pode ser caracterizada pela existência de lacunas ou anomalias no conhecimento do indivíduo com relação a um problema ou tópico específico as quais devem, necessariamente, ser transpostas, para que ele tenha acesso às informações necessárias. A informação é, então, vista como algo que auxilia o preenchimento dessas lacunas. 1 Entre eles, Belkin; Oddy e Brooks (1982a, 1982b), Dervin (1983, 1992), Kuhlthau (1991, 1993a). 3 Dentre as inúmeras definições de comportamento de busca de informação utilizouse aquela condizente com a abordagem cognitiva adotada neste trabalho, proposta por Ellis (1997, p. 216), qual seja, “padrões complexos de ações e interações nas quais as pessoas se engajam quando buscam informações de qualquer tipo e para qualquer finalidade”. Dessa forma, este estudo compreende o comportamento de busca de informação como a conduta interativa e social para ter acesso à informação, abrangendo a escolha e uso das fontes e, em certa medida, também, percepções referentes à acessibilidade e à confiabilidade das fontes, as quais influenciam a busca de informação. Nos estudos organizacionais, a busca de informação é freqüentemente associada à tomada de decisão. A literatura sobre processos decisórios discute modelos que oscilam em um continuum que vai desde modelos mais formais e processuais – adequados para situações em que os problemas são bem definidos e os objetivos e técnicas são claros para os membros da organização, até modelos menos formais, que privilegiam aspectos como emoção, experiências vivenciadas e relações pessoais para análise de situações inesperadas, incompreensíveis, pouco definidas e com alto nível de equivocidade e incerteza percebidas. Este trabalho buscou analisar situações de tomada de decisão consideradas altamente ambíguas, equívocas, incertas, freqüentes no cotidiano organizacional, especialmente em fases de mudanças, e que repercutem intensamente no desempenho da organização. Consideram-se essas situações adequadas para a análise com base no corpo teórico adotado. Embora sejam o padrão das pesquisas no campo da ciência da informação, os princípios das abordagens cognitivistas mostram-se freqüentemente inadequados para o estudo do comportamento de busca de informação do usuário, tanto por considerá-lo restritivamente como um indivíduo processador de informações, que responde com saídas às entradas geradas pelo mundo exterior, como por enfatizar a natureza individual de suas estruturas cognitivas, colocando em segundo plano as relações sociais e os contextos de ação nos quais ele está inserido. 4 Em contraposição a tais linhas de pesquisa e pensamento, situam-se algumas abordagens cognitivas contemporâneas, entre elas o arcabouço teórico-conceitual que, na literatura, vem sendo denominado de cognição situada. Sob essa perspectiva, o usuário é um ser que vive uma série de experiências pessoais e intransferíveis, determinadas por sua estrutura biológica e história particular, mas que, ao mesmo tempo, permanece em contínua interação com outros sujeitos em diversos domínios de ação, operando emocionalmente e na linguagem. Nessa concepção, a informação deixa de ser vista como um produto final de um processo de representação, ou como algo transportado para a mente do indivíduo, e passa a ser vista como uma perturbação enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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