Feedback

Juventude quilombola: projetos de vida, sonhos comunitários e luta por reconhecimento

Documento informativo
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Programa de Pós-Graduação Educação Aline Neves Rodrigues Alves JUVENTUDE QUILOMBOLA: PROJETOS DE VIDA, SONHOS COMUNITÁRIOS E LUTA POR RECONHECIMENTO Belo Horizonte 2015 Aline Neves Rodrigues Alves JUVENTUDE QUILOMBOLA: PROJETOS DE VIDA, SONHOS COMUNITÁRIOS E LUTA POR RECONHECIMENTO Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito para obtenção do título de Mestre em Educação Orientadora: Nilma Lino Gomes. Co-orientador: Rodrigo Ednilson de Jesus Belo Horizonte A474j T Alves, Aline Neves Rodrigues, 1981Juventude quilombola : projetos de vida, sonhos comunitários e luta por reconhecimento / Aline Neves Rodrigues Alves. - Belo Horizonte, 2015. 206 f., enc. Dissertação - (Mestrado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Educação. Orientadora: Nilma Lino Gomes. Co-orientador: Rodrigo Ednilson de Jesus. Bibliografia: f. 170-180. Apêndices: f. 181-199. Anexos: f. 200-207. 1. Educação -- Teses. 2. Juventude rural -- Teses. 3. Educação -- Relações etnicas -- Teses. 4. Quilombos -- Educação -- Minas Gerais -- Teses. 5. Quilombos -- Educação -- Minas Gerais -- Teses. 6. Juventude -- Condições sociais -- Teses. 7. Reconhecimento (Psicologia) -- Teses. 8. Sociologia educacional -- Teses. 9. Negros -- Identidade racial -- Teses. 10. Negros -- Educação -- Teses. I. Título. II. Gomes, Nilma Lino. III. Jesus, Rodrigo Ednilson de. IV. Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Educação. CDD- 370.19342 Catalogação da Fonte : Biblioteca da FaE/UFMG JUVENTUDE QUILOMBOLA: PROJETOS DE VIDA, SONHOS COMUNITÁRIOS E LUTA POR RECONHECIMENTO Aline Neves Rodrigues Alves BANCA EXAMINADORA Profa. Dra. Nilma Lino Gomes – Orientadora Universidade Federal de Minas Gerais Prof. Dr. Rodrigo Ednilson de Jesus – Co-Orientador Universidade Federal de Minas Gerais Profa. Dra. Maria Clareth Gonçalves Reis Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro Prof. Dr. Geraldo Magela Leão Universidade Federal de Minas Gerais Profa. Dra. Vanda Lúcia Praxedes (Suplente) Universidade do Estado de Minas Gerais Prof. Dr. Juarez Dayrell (Suplente) Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte, 21 de agosto de 2015. A Dona Perpetua e família, em nome da Comunidade Quilombola de Barro Preto: “Para que nossos filhos possam conhecer a nossa origem.” E aprendi que se depende sempre De tanta, muita, diferente gente Toda pessoa sempre é as marcas Das lições diárias de outras tantas pessoas (Luiz Gonzaga, Caminhos da vida) AGRADECIMENTOS De memória e projetos nos construímos humanamente. Com os jovens-adolescentes da Comunidade Quilombola de Barro Preto, conheci um novo modo de ser jovem. O trabalho se preencheu em apreender suas práticas, gestos, falas e imagens: uma cultura que se perpetua sempre, mas de um modo novo. Toda minha gratidão, por me permitirem estar em suas vidas. Agradeço por ter participado do Curso Afirmação na Pós (convênio UEMG, UFMG e CEFETMG). À CAPES, pela bolsa de mestrado no ano de 2014. Aos idealizadores do Observatório da Educação Escolar Indígena e Quilombola, pela minha primeira experiência de bolsista na PósGraduação e continuidade dos estudos com o Grupo de Estudos Interdisciplinar Quilombola. À Profa. Nilma, minha orientadora e amiga, que me ensina muitas lições, entre elas, de que “desânimo é coisa de gente reacionária”. Ao Prof. Rodrigo, meu Co-Orientador, pela paciência ao longo deste trabalho e por acreditar na minha competência, quando sugeriu minha participação junto ao Observatório da Juventude-UFMG. Ao Programa Ações Afirmativas, por sonhar/projetar comigo este mestrado: momento de autodescoberta e autoafirmação sempre. Aos professores e colegas do Programa de PósGraduação em Educação, especialmente Profa. Lucinha e Prof. Luiz Alberto. À Profa. Shirley Miranda e à Profa. Ana Gomes, pelas excelentes aulas e importantes comentários sobre a dissertação ao longo desses encontros. Ao Prof. Geraldo Leão, pelas sugestões e incentivo através do Parecer de Pesquisa. Bem como, pela acolhida e pelo acompanhamento junto aos cursos Jubemi e Juviva do Observatório da Juventude. Aos colegas da Graduação e amigos de toda vida que respeitaram meu isolamento para a escrita. Especialmente ao Franz Galvão, por dividir comigo artigos que refletiam sobre a realidade da juventude negra de nosso país. Aos funcionários da Pós-Graduação, Biblioteca e Serviços Gerais, por me fazerem sentir „em casa‟. Às minhas amigas Ana Laborne, Tânia Aretuza e Yone Gonzaga, por me darem forças a todo instante e momento. Às minhas novas amigas: Michele Lopes, por me acompanhar nos trabalhos de campo, Marlene, por compartilhar sentimentos próprios desta trajetória, Lílian Gomes e Suely dos Santos, pelo apoio e confiança. À Lílian Bernardes, pela companhia e autoria da capa deste trabalho, e à Profa. Magna Rodrigues, pela revisão atenta e ágil. Às boas energias da acupuntura de Cristiane Mota e à cromoterapia de Dona Márcia. Aos meus filhos Rafaelle e Joaquim, por viverem esta experiência comigo, de maneira leve e feliz, às sobrinhas Íris e Talita, por alegrarem as nossas vidas. Ao marido Sérgio, por acreditar e me incentivar nas horas felizes e também mais difíceis. À minha mãe, pela vida, e a meus irmãos Elaine, Cristina, Raíssa e Bruno, pela generosidade. Ao meu pai Joaquim, em memória, que me faz acreditar no bem. A Deus, pela oportunidade de realizar um sonho e alimentar outros. RESUMO A presente pesquisa é de continuidade e se deriva de trabalho realizado nos anos de 2010-2012. O objetivo central desta é compreender como as mudanças oriundas do reconhecimento identitário, firmado entre comunidade e Estado, são percebidas por seis jovens-adolescentes quilombolas, moradores de uma comunidade rural situada no município de Santa Maria de Itabira/Minas Gerais. Investigamos como essas mudanças interferem em seus projetos de vida e projetos para sua comunidade de origem. A fim de alcançar os objetivos deste trabalho, realizamos uma pesquisa qualitativa a partir do estudo de caso, com entrevista focal, com a técnica participativa denominada „Árvore dos Sonhos‟ e produção de mapas mentais. Interessados em aprofundar os conhecimentos acerca dos desdobramentos do autorreconhecimento de comunidades quilombolas, valemo-nos do arcabouço da teoria crítica do reconhecimento em três importantes autores, a saber, os filósofos Charles Taylor, Axel Honneth e a cientista política Nancy Fraser. Dentre as conclusões apontamos a existência de um reconhecimento que se inicia vinculado à esfera privada, mas em contínua reprodução na esfera pública, com foco na identidade cultural e em projetos coletivos, voltados às questões de redistribuição e representação política. No âmbito escolar, os jovens quilombolas apresentam as ambiguidades de se viver uma identidade marcada por momentos de invisibilidade, conflitos, mas também orgulho justificado, por se ver digno da estima dos outros; contudo esse orgulho ocorre apenas em determinados momentos do currículo escolar. Palavras-chave: comunidade quilombola ― teoria do reconhecimento ― autorreconhecimento – jovem quilombola ― juventudes ― identidade. ABSTRACT The main objective of this research is to understand how changes resulting from the identity recognition, signed between community and state, are perceived by Quilombola teens and young adults who live in a rural community in the municipality of Santa Maria de Itabira / Minas Gerais. It was investigated how these changes interfere with their life projects and projects for their home community. In order to achieve the objectives of this study, we conducted a qualitative research from a case study, with focal interviews, with the participatory technique called 'Dream Tree' and production of mental maps. By being interested in deepening the knowledge about the deployments of self-recognition in the Quilombola communities is that we used the framework of critical theory of recognition in three important authors, namely the philosophers Charles Taylor, Axel Honneth and political scientist Nancy Fraser. Among the conclusions we pointed out that there is a recognition that begins linked to the private sphere, but in continuous play in the public sphere, focusing on cultural identity and collective projects, geared to redistribution issues and political representation. In schools, young Quilombolas have the ambiguities of living an identity marked by moments of invisibility, conflicts but also justifiable pride, at being worthy of the esteem of others; but only at certain times of the school curriculum. For the rest, it is worth noting that this research is a continuity and derives from work done in the years 2010-2012. Keywords: Quilombola community ― recognition of the theory ― Young Quilombolas ― youths ― identity LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Figura 2 – Figura 3 – Figura 4 – Figura 5 – Figura 6 – Figura 7 – Figura 8 – Figura 9 – Figura 10 – Figura 11 – Figura 12 – Figura 13 Mapas mentais dos participantes da pesquisa de 2010-2012 Barro Preto Meu lugar Barro Preto A evolução Barro Preto A minha comunidade Barro Preto História Barro Preto Diferença Barro Preto Mudanças 17 138 138 139 139 141 141 142 142 143 143 145 145 LISTA DE FOTOGRAFIAS Foto 1 – Foto 2 – Foto 3 – Foto 4 – Foto 5 – Foto 6 – Foto 7 – Foto 8 – Foto 9 – Foto 10 – Foto 11 – Foto 12 – Árvore dos sonhos 29 Vista área da Comunidade de BarroPreto 44 Rua Principal da Comunidade de Barro Preto 47 Casas pintadas da Comunidade de Barro Preto 47 Novas construções na Comunidade de Barro Preto 48 Casas com muros da Comunidade de Barro Preto 48 Novas construções na Comunidade de Barro Preto 49 Jovens participando dos preparativos para festa da Marujada de 50 Santo Antônio na Comunidade de Barro Preto Mulheres e crianças pelas ruas da Comunidade de Barro Preto 51 em Marujada de Santo Antônio Campo de Futebol na Comunidade de Barro Preto 51 Ônibus fretado que transporta trabalhadores da Comunidade de 52 Barro Preto Quadra de esportes e, ao fundo, construção da sede do centro 63 comunitário. LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Comunidades quilombolas certificadas no Brasil (2001-2014) 62 Mapa 1 – Mapa 2 – LISTA DE MAPAS Localização do município de Santa Maria de Itabira em Minas 45 Gerais Mapa da Microrregião de Itabira (MG) 46 LISTA QUADROS Quadro 1 – Quadro 2 – Quadro 3 – Quadro 4 – Quadro 5 – Quadro 6 – Quadro 7 – Quadro 8 – Quadro 9 – Quadro 10 – Quadro 11 – Quadro 12 – Quadro 13 – Datas de aplicação das técnicas de pesquisa junto à 29 Comunidade Quilombola de Barro Preto Perspectivas sobre Reconhecimento e Redistribuição 91 conforme Honneth e Fraser Projetos de vida, identidade e relações com o entorno (escola 115 e comunidades) dos participantes da pesquisa Aspectos de interpretação dos mapas mentais 136 Interpretação quanto à especificidade dos ícones / 139 Comparação entre imagens confeccionadas por Amira Interpretação quanto à especificidade dos ícones / 140 Comparação entre imagens confeccionadas por Lui Interpretação quanto à especificidade dos ícones / 142 Comparação entre imagens confeccionadas por Dalila Interpretação quanto à especificidade dos ícones / 143 Comparação entre imagens confeccionadas por Zahra Interpretação quanto à especificidade dos ícones / 144 Comparação entre imagens confeccionadas por Latifah Interpretação quanto à especificidade dos ícones / 146 Comparação entre imagens confeccionadas por Radhiya Relação dos jovens-adolescentes entrevistados com os lugares 148 da Comunidade que costumavam/costumam frequentar Elementos da paisagem – comparação entre mapas (2010 e 149 2014) Sonhos/projetos citados pelos jovens-adolescentes da 158 Comunidade de Barro Preto LISTA DE SIGLAS APN's – Agentes de Pastoral Negros AQUBI – Associação de Quilombos de Barro Preto e Indaiá CEB – Câmara de Educação Básica CEDEFES – Centro de Documentação Eloy Ferreira da SilvaCERBRAS – Centro de Estudos Republicanos Brasileiros CNE – Conselho Nacional de Educação COEP – Comitê de Ética em Pesquisa CONAQ – Coordenação Nacional das Comunidades Quilombolas CONEP – Comissão Nacional de Ética em Pesquisa ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente EJA – Educação de Jovens e Adultos Fafich – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas FCP – Fundação Cultural Palmares Funcesi – Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira GEIQ – Grupo de Estudos Interdisciplinar Quilombola GESAC – Programa Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária IPEA – Instituto de Pesquisas Aplicadas IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ITERRAs – Institutos de Terra JUBEMI – Juventude Brasileira Ensino Médio Inovador JUVIVA – Curso de Atualização Eja e Juventude Viva LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação MEC – Ministério da Educação MG – Minas Gerais N„GOLO – Federação das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais NuQ – Núcleo de Estudos de Populações Quilombolas e Tradicionais OBEDUC – Observatório de Educação Quilombola e Indígena OJB – Observatório da Justiça Brasileira PBA – Programa Brasil Alfabetizado PCT‟s – Povos e Comunidades Tradicionais PNGPR – Projeto Nomes Geográficos do Estado do Paraná PR– Presidência da República SECADI – Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão SEPPIR/PR – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial SMED – Secretaria Municipal de Educação UEMG – Universidade Estadual de Minas Gerais UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais e Uni-BH – Centro Universitário de Belo Horizonte Unileste – Centro Universitário do Leste de Minas Gerais SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 17 1.1 APRESENTAÇÃO 17 1.2 NAS TRILHAS DE UM PERCURSO TEÓRICO 22 1.3 PERCURSO METODOLÓGICO: FENOMENOLOGIA E ESTUDO 25 DE CASO 1.4 EM CAMPO: APROXIMANDO E FAZENDO O CONVITE 27 1.5 TÉCNICAS 28 1.5.1 Árvore dos Sonhos 29 1.5.2Mapas Mentais 32 1.5.3Entrevista focal 34 1.6 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO 37 2 COMUNIDADES QUILOMBOLAS E TEORIA DO 40 RECONHECIMENTO 2.1 A COMUNIDADE QUILOMBOLA DE BARRO PRETO 43 2.1.1 Entre o Autorreconhecimento e o Reconhecimento 54 2.1.2 A certificação enquanto resultado da Mobilização Política 61 2.2 A LUTA POR RECONHECIMENTO À LUZ DOS PRINCIPAIS 66 TEÓRICOS DO CAMPO 2.2.1 A Teoria do Reconhecimento de Charles Taylor 68 2.2.2 A Teoria do Reconhecimento de Axel Honneth 75 2.2.3 A Teoria do Reconhecimento de Nancy Fraser 83 2.3 O DIÁLOGO ENTRE HONNETH E FRASER E AS 90 CONTRIBUIÇÕES PARA PENSAR A COMUNIDADE QUILOMBOLA DE BARRO PRETO 3 JUVENTUDE E JUVENTUDES: OS JOVENS QUILOMBOLAS DE 99 BARRO PRETO 3.1 ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A JUVENTUDE DE/EM 102 COMUNIDADES QUILOMBOLAS 3.2 OS JOVENS QUILOMBOLAS DA COMUNIDADE DE BARRO 105 PRETO 3.3 JUVENTUDES NO PLURAL: SONHOS E PERCEPÇÕES DE 114 JOVENS QUILOMBOLAS DE BARRO PRETO 4 MUDANÇAS, PROJETO E CULTURA: ESTRATÉGIAS DE UMA 129 JUVENTUDE QUILOMBOLA 4.1 AUTORRECONHECIMENTO: ENTRE A MEMÓRIA COLETIVA 129 E MEMÓRIA HISTÓRICA 4.1.1 Juventude, memória e uso de mapas mentais: a identidade de si 132 e dos lugares 4.2 CONTRIBUIÇÕES DOS JOVENS-ADOLESCENTES: EM 136 DIÁLOGO COM OS MAPAS MENTAIS 4.2.1 Barro Preto e a condição juvenil: uma interpretação das 146 mudanças a partir dos mapas mentais 4.2.2 Percepções dos jovens-adolescentes sobre as mudanças em 152 Barro Preto: pós-suporte dos mapas 4.3 RECONHECIMENTO E SONHOS COLETIVOS: PROJETOS DE E 154 PARA BARRO PRETO 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS APÊNDICES ANEXOS 162 170 181 200 1 INTRODUÇÃO 1.1 APRESENTAÇÃO Figura 1: Mapas mentais dos participantes da pesquisa de 2010-2012 17 Fonte: Adaptado de Alves, Deus e Gomes, Lá e Acolá: Experiências e Debates Multiculturais, 2013, p.45-49. 18 E é tão bonito quando a gente entende Que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá E é tão bonito quando a gente sente Que nunca está sozinho por mais que pense estar (“Caminhos do Coração”, Luiz Gonzaga) A intenção em iniciarmos este texto com as imagens que constam na figura 1 está no sentido que atribuímos à participação de seus autores na minha trajetória de mestranda. Tais imagens foram construídas por crianças entre 10 e 11 anos de idade no ano de 2010. Elas são moradoras de uma comunidade que se autoatribuiu quilombola no ano de 2006, quando, então, tinham entre 5 e 6 anos de idade e estudavam na educação infantil da escola local ― Escola Municipal Padre Estevam Viparelli. Contudo, uma autoatribuição depende de um processo de autorreconhecimento, que significa rememorar e reconhecer com grande investimento de causa a formação do grupo e do território, aí incluídas as origens de sua cultura, saberes, reprodução econômica e ancestralidade daquela comunidade. Pois bem, a recuperação dessas informações, não sem conflitos, que estão vivas na memória coletiva, começou a ser organizada, transformada em memória escrita, a partir de 1999, por uma das moradoras dessa comunidade, exatamente no ano de nascimento das crianças-autoras dos desenhos que apresento nesta introdução. Dito isso, cabe afirmarmos que essas crianças nasceram junto com um forte movimento de afirmação de pertença étnico-racial de seu grupo. Dessa forma, não seria estranho se elas se orgulhassem de um modo próprio de ser, a partir da autoafirmação e autodescobrimento. Entretanto, não era isso que me mobilizava à época, mas a ideia de que seria possível a existência de quilombos em um país cujo ranço da escravização repercute até hoje, em diferentes formas de discriminação racial e de racismo, aí incluído o racismo institucional. Talvez, por isso, eu, Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos study has some limitations. The study sample consisted of a selected cohort of CML patients, as the enrollment was carried out in a single center. It is part of an observational study that was initially designed to evaluate imatinib-induced cardiotoxicity. Therefore, patients with cardiac disease, who have shown to be at increased risk for drug-induced nephrotoxicity [36], were excluded. The data were collected from the medical records, and the number of measurements differed among patients. Furthermore, only CML patients were enrolled. The effectiveness of imatinib has been demonstrated in several other diseases [3, 38, 39, 40] and it is also important to evaluate nephrotoxicity in these patients, as it is not known whether the propensity to develop imatinibinduced nephrotoxicity is related to the underlying malignancy. conclusions In conclusion, physicians should be aware that imatinib treatment may result in acute kidney injury and that the long- term treatment may cause a significant decrease in the estimated GFR and chronic renal failure. Therefore, it is important to monitor renal function of CML patients under imatinib therapy by measuring the creatinine levels and estimating GFR. Attention must be paid to concomitant administration of other potentially nephrotoxic agents, to avoid additive nephrotoxicity in these patients. acknowledgements We gratefully acknowledge the contributions of our patients, their families, and the hematologists (Cla´udia de Souza, Simone Magalha˜es, and Gustavo Magalha˜es). We also thank Heloisa Vianna for the constructive comments and suggestions, and Ka´tia Lage and Vera Chaves for the expert secretarial assistance. funding Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientı´fico e Tecnolo´ gico (478923/2007-4) to ALR; Fundaxca˜o de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (PPM 328-08) to ALR; Coordenadoria de Aperfeixcoamento do Ensino Superior, Brazil (BEX 1199-09-9), to MSM. disclosure The authors declare no conflict of interest. references 1. Pappas P, Karavasilis V, Briasoulis E et al. Pharmacokinetics of imatinib mesylate in end stage renal disease. A case study. Cancer Chemother Pharmacol 2005; 56: 358–360. 2. Baccarani M, Cortes J, Pane F et al. Chronic myeloid leukemia: an update of concepts and management recommendations of European LeukemiaNet. J Clin Oncol 2009; 27: 6041–6051. 6 | Marcolino et al. Downloaded from annonc.oxfordjournals.org at Universidade Federal de Minas Gerais on February 10, 2011 Annals of Oncology original article 3. Blackstein ME, Blay JY, Corless C et al. Gastrointestinal stromal tumours: consensus statement on diagnosis and treatment. Can J Gastroenterol 2006; 20: 157–163. 4. Vandyke K, Fitter S, Dewar AL et al. Dysregulation of bone remodelling by imatinib mesylate. Blood 2010; 115: 766–774. 5. Kitiyakara C, Atichartakarn V. Renal failure associated with a specific inhibitor of BCR-ABL tyrosine kinase, STI 571. Nephrol Dial Transplant 2002; 17: 685–687. 6. Foringer JR, Verani RR, Tjia VM et al. Acute renal failure secondary to imatinib mesylate treatment in prostate cancer. Ann Pharmacother 2005; 39: 2136–2138. 7. Pinder EM, Atwal GS, Ayantunde AA et al. Tumour lysis syndrome occurring in a patient with metastatic gastrointestinal stromal tumour treated with glivec (imatinib mesylate, Gleevec, STI571). Sarcoma 2007; 2007: 82012. 8. Al-Kali A, Farooq S, Tfayli A. Tumor lysis syndrome after starting treatment with Gleevec in a patient with chronic myelogenous leukemia. J Clin Pharm Ther 2009; 34: 607–610. 9. Pou M, Saval N, Vera M et al. Acute renal failure secondary to imatinib mesylate treatment in chronic myeloid leukemia. Leuk Lymphoma 2003; 44: 1239–1241. 10. Vora A, Bhutani M, Sharma A, Raina V. Severe tumor lysis syndrome during treatment with STI 571 in a patient with chronic myelogenous leukemia accelerated phase. Ann Oncol 2002; 13: 1833–1834. 11. Naughton CA. Drug-induced nephrotoxicity. Am Fam Physician 2008; 78: 743–750. 12. Gafter-Gvili A, Ram R, Gafter U et al. Renal failure associated with tyrosine kinase inhibitors—case report and review of the literature. Leuk Res 2010; 34: 123–127. 13. Kelly RJ, Billemont B, Rixe O. Renal toxicity of targeted therapies. Target Oncol 2009; 4: 121–133. 14. Takikita-Suzuki M, Haneda M, Sasahara M et al. Activation of Src kinase in platelet-derived growth factor-B-dependent tubular regeneration after acute ischemic renal injury. Am J Pathol 2003; 163: 277–286. 15. O’Brien SG, Guilhot F, Larson RA et al. Imatinib compared with interferon and low-dose cytarabine for newly diagnosed chronic-phase chronic myeloid leukemia. N Engl J Med 2003; 348: 994–1004. 16. Hochhaus A, O’Brien SG, Guilhot F et al. Six-year follow-up of patients receiving imatinib for the first-line treatment of chronic myeloid leukemia. Leukemia 2009; 23: 1054–1061. 17. Druker BJ, Sawyers CL, Kantarjian H et al. Activity of a specific inhibitor of the BCR-ABL tyrosine kinase in the blast crisis of chronic myeloid leukemia and acute lymphoblastic leukemia with the Philadelphia chromosome. N Engl J Med 2001; 344: 1038–1042. 18. National Kidney Foundation. K/DOQI clinical practice guidelines for chronic kidney disease: evaluation, classification, and stratification. Am J Kidney Dis 2002; 39: S1–S266. 19. Coresh J, Byrd-Holt D, Astor BC et al. Chronic kidney disease awareness, prevalence, and trends among U.S. adults, 1999 to 2000. J Am Soc Nephrol 2005; 16: 180–188. 20. Ribeiro AL, Marcolino MS, Bittencourt HN et al. An evaluation of the cardiotoxicity of imatinib mesylate. Leuk Res 2008; 32: 1809–1814. 21. Calhoun DA, Jones D, Textor S et al. Resistant hypertension: diagnosis, evaluation, and treatment: a scientific statement from the American Heart Association Professional Education Committee of the Council for High Blood Pressure Research. Circulation 2008; 117: e510–e526. 22. Soares AA, Eyff TF, Campani RB et al. Glomerular filtration rate measurement and prediction equations. Clin Chem Lab Med 2009; 47: 1023–1032. 23. Mehta RL, Kellum JA, Shah SV et al. Acute kidney injury network: report of an initiative to improve outcomes in acute kidney injury. Crit Care 2007; 11: R31. 24. Levey AS, Stevens LA, Schmid CH et al. A new equation to estimate glomerular filtration rate. Ann Intern Med 2009; 150: 604–612. 25. Bash LD, Coresh J, Kottgen A et al. Defining incident chronic kidney disease in the research setting: the ARIC Study. Am J Epidemiol 2009; 170: 414–424. 26. Sokal JE, Cox EB, Baccarani M et al. Prognostic discrimination in ‘‘good-risk’’ chronic granulocytic leukemia. Blood 1984; 63: 789–799. 27. Cairo MS, Bishop M. Tumour lysis syndrome: new therapeutic strategies and classification. Br J Haematol 2004; 127: 3–11. 28. Lindeman RD, Tobin J, Shock NW. Longitudinal studies on the rate of decline in renal function with age. J Am Geriatr Soc 1985; 33: 278–285. 29. O’Brien S, Berman E, Borghaei H et al. National Comprehensive Cancer Networkâ (NCCN) Practice Guidelines in Oncologyä: Chronic Myelogenous Leukemia Version 2.2010. JNCCN 2009; 7: 984–1023. 30. Martin JE, Sheaff MT. Renal ageing. J Pathol 2007; 211: 198–205. 31. Wetzels JF, Kiemeney LA, Swinkels DW et al. Age- and gender-specific reference values of estimated GFR in Caucasians: the Nijmegen Biomedical Study. Kidney Int 2007; 72: 632–637. 32. Lechner J, Malloth N, Seppi T et al. IFN-alpha induces barrier destabilization and apoptosis in renal proximal tubular epithelium. Am J Physiol Cell Physiol 2008; 294: C153–C160. 33. Vuky J, Isacson C, Fotoohi M et al. Phase II trial of imatinib (Gleevec) in patients with metastatic renal cell carcinoma. Invest New Drugs 2006; 24: 85–88. 34. Ozkurt S, Temiz G, Acikalin MF, Soydan M. Acute renal failure under dasatinib therapy. Ren Fail 2010; 32: 147–149. 35. Shemesh O, Golbetz H, Kriss JP, Myers BD. Limitations of creatinine as a filtration marker in glomerulopathic patients. Kidney Int 1985; 28: 830–838. 36. Launay-Vacher V, Oudard S, Janus N et al. Prevalence of renal insufficiency in cancer patients and implications for anticancer drug management: the renal insufficiency and anticancer medications (IRMA) study. Cancer 2007; 110: 1376–1384. 37. Demetri GD. Structural reengineering of imatinib to decrease cardiac risk in cancer therapy. J Clin Invest 2007; 117: 3650–3653. 38. Vega-Ruiz A, Cortes JE, Sever M et al. Phase II study of imatinib mesylate as therapy for patients with systemic mastocytosis. Leuk Res 2009; 33: 1481–1484. 39. David M, Cross NC, Burgstaller S et al. Durable responses to imatinib in patients with PDGFRB fusion gene-positive and BCR-ABL-negative chronic myeloproliferative disorders. Blood 2007; 109: 61–64. 40. Gotlib J, Cools J, Malone JM et al. The FIP1L1-PDGFRalpha fusion tyrosine kinase in hypereosinophilic syndrome and chronic eosinophilic leukemia: implications for diagnosis, classification, and management. Blood 2004; 103: 2879–2891. doi:10.1093/annonc/mdq715 | 7
Juventude quilombola: projetos de vida, sonhos comunitários e luta por reconhecimento
RECENT ACTIVITIES
Autor
Documento similar
Tags

Juventude quilombola: projetos de vida, sonhos comunitários e luta por reconhecimento

Livre