A eficácia do mentol como anestésico para tambaqui (Colossoma macropomum, Characiformes: Characidae).

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A eficácia do mentol como anestésico para tambaqui (Colossoma macropomum, Characiformes: Characidae). Michelle Ferreira FAÇANHA1 e Levy de Carvalho GOMES2 RESUMO Os anestésicos são importantes na piscicultura para reduzir o estresse e a mortalidade no manejo. Este trabalho tem como objetivo determinar a eficácia do mentol para tambaqui durante o manejo. Na primeira série de testes, foi examinado o efeito da concentração de anestésico sobre indução à anestesia e o estresse de tambaqui. Na segunda série de testes, foi avaliada a recuperação dos peixes após a exposição a uma concentração de 150 mg/L de mentol por diferentes tempos. Na terceira série, foi avaliada se a melhor concentração encontrada para juvenil (150 mg/L) também era adequada para peixes maiores. A melhor concentração para uma anestesia cirúrgica foi 150 mg/L, pois o tempo de indução é rápido, porém a recuperação é significativamente mais demorada do que para as menores concentrações testadas. Para uma anestesia, com finalidade de biometria, a melhor concentração foi 100 mg/L. Nesta concentração o tempo de indução à anestesia é prolongado, porém o tempo de recuperação está dentro da faixa considerada adequada. O tempo de recuperação do tambaqui quando exposto a 150 mg/L é significativamente igual para 10, 20 e 30 minutos de anestesia. Os resultados obtidos mostram que o mentol é um anestésico eficiente para o tambaqui. PALAVRAS-CHAVE anestesia, sedação, peixe, manejo, estresse. Efficacy of menthol as an anesthetic for tambaqui (Colossoma macropomum, Characiformes: Characidae). ABSTRACT Anesthetics are important in fish culture to reduce handling stress and mortality. The objective of this work is to investigate menthol as an anesthetic for tambaqui. In the first series of tests, fish were exposed to various concentrations of menthol to evaluate induction time and stress responses. The second series examined the effect of exposure period to menthol at 150 mg/L on recovery time. The third assessed the best dosage for juveniles in larger tambaqui. The best concentration for surgical anesthesia is 150 mg/L. At this concentration the induction time is short, but their recovery time is significantly longer than that for lower concentrations. For biometry procedures, the best concentration is 100 mg/L. At this concentration the induction time is prolonged, but the recovery time is within the desired period. Recovery time for fish exposed to 150 mg/L is equal for 10, 20 or 30 minutes of exposure. The results confirmed that menthol is an adequate anesthetic for tambaqui. KEY WORDS anesthesia, sedation, fish, handling, stress. INTRODUÇÃO Anestésicos são importantes na piscicultura para reduzir o estresse e a mortalidade no manejo. Vários produtos químicos são usados para anestesia de peixes, sendo os mais comuns a tricaína metanosulfato (MS222), a quinaldina e o 2-fenoxietanol (Mgbenka & Ejiofor, 1998; Ross & Ross, 1999; Hovda & Linley, 2000). Porém, estes anestésicos são de difícil obtenção e apresentam alto custo (Roubach & Gomes, 2001). Não existem leis que regulamentem o uso de anestésicos para peixes no Brasil. Desta forma, procura-se seguir as recomendações da Food and Drug Administration (FDA). A obtenção de anestésicos é difícil, pois o MS222, o único anestésico químico aprovado pelo FDA para uso em peixes, não é produzido no Brasil. O seu preço é proibitivo, sendo a concentração necessária para anestesiar um peixe cerca de dez vezes mais cara que uma concentração similar de benzocaína 1Escola Superior Batista do Amazonas. Endereço atual: INPA/CPAQ, Caixa Postal 478, CEP 69011-970, Manaus, AM. 2 Embrapa Amazônia Ocidental, Caixa Postal 319, CEP 69011-970, Manaus, AM. E-mail: levy@cpaa.embrapa.br. Autor para correspondência. 71 VOL. 35(1) 2005: 71 - 75 A EFICÁCIA DO MENTOL COMO ANESTÉSICO PARA TAMBAQUI (COLOSSOMA MACROPOMUM, CHARACIFORMES: CHARACIDAE) (Gomes et al., 2001). Desta forma, justifica-se a necessidade de se buscar alternativas seguras para procedimentos de anestesia de peixes no Brasil, subsidiando as autoridades responsáveis por este tipo de regulamentação. O anestésico mais utilizado no Brasil é a benzocaína. Resultados obtidos por Gomes et al. (2001) com juvenis de tambaqui sugerem que a benzocaína atende a maioria dos critérios estabelecidos por Ross & Ross (1999) para um anestésico ideal para peixes. De forma similar à benzocaina, o mentol tem várias características que o qualificam como um anestésico adequado para peixes: eficácia e boa margem de segurança para o peixe e para o operador na concnetração utilizada (Roubach & Gomes, 2001). O mentol é um óleo essencial extraído de plantas do gênero Mentha (Martins et al., 2000), com conhecida propriedade anestésica (Ruppert & Barnes, 1994) e antiinflamatória (Lorenzo et al., 2002). Uma vantagem do uso do mentol como anestésico para peixes é que este é utilizado em farmácias de manipulação, sendo a exemplo da benzocaína, facilmente encontrado no mercado local a baixo custo. O objetivo deste trabalho foi determinar a eficácia do mentol durante o manejo e determinar um protocolo de anestesia com este produto para tambaqui. Para isto, foram avaliadas várias concentrações para anestesia e o tempo máximo de exposição à solução de mentol. MATERIAL E MÉTODOS Juvenis de tambaqui foram obtidos na Estação de Piscicultura de Balbina, Amazonas-Brasil. Os peixes (n= 74, 88,69±23,85 g; média ± desvio padrão) foram aclimatados em aquários de 120 L, com sistema de aeração constante, por 7 dias. Os testes foram conduzidos em aquários estáticos de 6 L, contendo apenas 3 L de água. O mentol foi dissolvido em uma concentração de 1g/10mL de álcool para o preparo da solução estoque (100 mg de mentol para cada mL de solução). A água do aquário foi trocada ao término de cada teste. Os protocolos experimentais estavam de acordo com Waterstrat (1999) e Gomes et al. (2001). Na primeira série de testes, foi examinado o efeito da concentração de mentol sobre à indução a anestesia e o estresse de tambaqui. Os peixes (n=10 para cada concentração) foram individualmente expostos a concentrações de 50, 100, 150, 200 e 250 mg/L de mentol por dez minutos. Durante a exposição, foram observados os diferentes estágios de indução à anestesia. Após este período, os peixes foram removidos da solução de anestésico e colocados em um aquário com capacidade de 60 L, contendo 40 L de água e aeração constante, para monitorar a recuperação. Imediatamente após a recuperação, foi coletado sangue dos vasos caudais de 5 peixes de cada concentração. Com o sangue foram analisados a glicemia e os íons plasmáticos Na+ e K+. A glicose foi mensurada com um leitor digital (Advantage™) e os íons analisados em um fotômetro de chama. Na segunda série de testes, foi avaliado o efeito de duração da anestesia no tempo de recuperação do tambaqui. Os peixes (n=8 para cada tempo de exposição) foram expostos individualmente à concentração de 150 mg/L de mentol por 10, 20 e 30 minutos e posteriormente transferidos para recuperação em um aquário de 60 L contendo 40 L de água com aeração constante. Após a recuperação os peixes foram transferidos para um aquário de criação contendo 120 L pelo período de 96 horas para monitorar a mortalidade. Na terceira série de testes, a concentração mais adequada para juvenis de 88g (150 mg/L) foi testada em peixes maiores (415±20,33 g; média ± desvio padrão). Os peixes (n=5) foram expostos individualmente à concentração de 150 mg/L de mentol em um aquário de 60 L com 25 L de água, durante dez minutos, quando foram observados os diferentes estágios de indução à anestesia. Após a exposição ao anestésico, os peixes foram colocados em um aquário de 60 L, contendo 40 L de água e aeração constante, para monitorar a recuperação. Para avaliar os estágios de evolução da anestesia foi usado critério proposto por Stoskopf (1993). O peixe foi considerado recuperado quando retornava os movimentos e nadava ativamente (Gomes et al., 2001). O tempo para atingir os diferentes estágios de anestesia e a recuperação, assim como, a glicose e os íons plasmáticos, foram avaliados para as diferentes concentrações de mentol por uma análise de variância e teste de Tukey a 5% de probabilidade. Os diferentes estágios de anestesia foram comparados entre juvenis e os peixes maiores pelo teste T de Student a 5% de probabilidade. As análises foram realizadas pelo pacote estatístico Systat 9.0. RESULTADOS E DISCUSSÃO O tambaqui exposto ao mentol (50-250 mg/L) passa seqüencialmente por todos estágios de anestesia descritos por Stoskopf (1993) (Tabela 1). O tempo para indução à perda de reação a estímulos é semelhante para todas as concentrações testadas. O tempo para perda parcial e total de equilíbrio, redução e parada dos movimentos operculares é semelhante nos peixes expostos a 50 e 100 mg/L e significativamente maior que nos peixes expostos às demais concentrações. O tempo para indução à perda total de equilíbrio e parada dos batimentos operculares dos peixes anestesiados com mentol é significativamente maior na concentração 100 mg/L do que 150 mg/L. A concentração 150 mg/L de mentol é a mais adequada para indução de anestesia cirúrgica, pois o tempo de indução a perda total de equilíbrio é de 0,51 minutos e o da concentração 100 mg/L é de 1,92 minutos. Para a parada total dos batimentos operculares, o tempo de indução à anestesia, quando exposto a uma concentração de 150 mg/L é significativamente menor (2,16 minutos) do que quando exposto a 100 mg/L (4,39 minutos). Resultado semelhante foi obtido por Roubach et al. (2001) para anestesia de matrinxã (Brycon cephalus) com 150 mg/L MS222. Porém, uma concentração de MS222 pouco superior a ideal causa mortalidade para o matrinxã, enquanto o mentol apresenta uma boa margem de segurança para o tambaqui, pois não ocorreu mortalidade entre os peixes nas concentrações testadas. 72 VOL. 35(1) 2005: 71 - 75 FAÇANHA & GOMES A EFICÁCIA DO MENTOL COMO ANESTÉSICO PARA TAMBAQUI (COLOSSOMA MACROPOMUM, CHARACIFORMES: CHARACIDAE) Tabela 1 - Eventos comportamentais dos juvenis de tambaqui expostos a diferentes concentrações de mentol. Os estágios de anestesia estão de acordo com os critérios de Stoskopf (1993). Recuperação = recuperação do equilíbrio e natação ativa. Médias seguidas pela mesma letra em coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey (5%); os resultados são média ± desvio padrão. Mentol (mg/L) 50 100 150 200 250 Eventos comportamentais (minutos) Perdade reação Perda parcial Perda total à estímulos de equilíbrio de equilíbrio Redução dos batimentos operculares Parada dos batimentos operculares Recuperação 0,24± 0,03a 1,08± 0,14a 2,58± 0,29a 3,36± 0,40a 5,97± 0,39a 5,32± 0,55a 0,29± 0,05a 1,22± 0,14a 1,92± 0,25a 2,59± 0,26ab 4,39± 0,42b 5,04± 0,66a 0,17± 0,02a 0,29± 0,02b 0,51± 0,11b 1,50± 0,29bc 2,16± 0,34c 10,93± 1,72b 0,18± 0,02a 0,39± 0,09b 0,96± 0,17b 1,37± 0,19c 2,03± 0,28c 12,54± 2,11b 0,21± 0,04a 0,33± 0,04b 0,72± 0,15b 1,53± 0,27bc 1,76± 0,30c 12,94± 1,53b Para anestesia voltada para biometria e breve manejo, a Os valores plasmáticos de Na+em peixes anestesiados com concentração recomendada é 100 mg/L, pois apesar de demorar mentol não apresentaram diferenças significativas (Tabela 2), a induzir o peixe aos diferentes estágios de anestesia, provoca mostrando não haver um distúrbio eletrolítico deste íon. Por uma recuperação rápida (5 minutos). outro lado, o K+ plasmático sofreu aumento significativo nos O tempo de recuperação do tambaqui anestesiado com peixes anestesiados em concentrações superiores a 50 mg/L mentol por 10 minutos (±11 minutos) é maior que o de (Tabela 2). O K+ é um íon intracelular e seu aumento no plasma peixes da mesma espécie anestesiados com eugenol (±8 significa um rompimento das células (Kirschner, 1991). Este minutos) (Roubach et al., 2002) e benzocaína (±5 minutos) rompimento provavelmente ocorreu nos peixes anestesiados (Gomes et al., 2001). O tempo de recuperação de peixes com mentol, pois houve aumento de até três vezes nos valores anestesiados com mentol é maior do que o ideal (5 do K+. Brinn (1999) observou que o tambaqui também minutos), estando no limite da faixa considerada crítica (>10 apresenta um rompimento celular quando exposto a altas minutos) por Marking & Meyer (1985). Este padrão de concentrações de cloreto de sódio. recuperação de juvenis já havia sido observado com o O tempo de recuperação para juvenis expostos a 150 mg/ eugenol após a anestesia do salmão do atlântico (Salmo L foi de 12,00±5,44, 12,85±3,61 e 17,75±6,41 minutos para salar) (Iversen et al., 2003) e pacu vermelho (Piaractus 10, 20 e 30 minutos de anestesia, respectivamente. O tempo brachypomus) (Sladky et al., 2001). de recuperação independe do tempo de anestesia até o limite A glicose sangüínea é significativamente menor nos testado de 30 minutos. Também não há mortalidade entre os peixes expostos a 100 mg/L, do que aos expostos a 200 e peixes anestesiados por até 30 minutos. Este resultado é 250 mg/L (Tabela 2). A glicose dos peixes expostos a 150 semelhante ao obtido por Keene et al. (1998) para anestesia mg/L não difere das demais concentrações testadas. Os de truta arco-íris (Oncorhynchus mykiss) com óleo de cravo valores de glicose mostram que peixes expostos à (derivado do eugenol) por até 20 minutos de duração e concentração 150 mg/L, apresentam valores (73,40 mg/dL) diferente do obtido com bagre do canal (Ictalurus punctatus) próximos dos basais desta espécie 70 mg/dL (Gomes et que apresenta mortalidade após 20 minutos de exposição à al., 2003). Este resultado é semelhante aos obtidos por concentração ideal de óleo de cravo (Watertrast, 1999). Este Gomes et al. (2001) com 100 mg/L de benzocaina, e resultado reforça a hipótese de que o mentol é um anestésico Roubach et al. (2002), com 66 mg/L de eugenol. Este seguro para o tambaqui. resultado sugere o mentol como alternativa à benzocaína Não houve diferença no tempo de indução e e ao eugenol durante o manejo do tambaqui. recuperação entre juvenis e peixes maiores (Figura 1). Este resultado é o inverso ao esperado, pois segundo Roubach et al. (2002) a superfície de absorção é Tabela 2 - Concentrações sanguíneas de glicose, sódio (Na+) e potássio (K+) em maior nos peixes menores, desta juvenis de tambaqui expostos a diferentes concentrações de mentol. Médias seguidas forma, o peixe menor absorve mais pela mesma letra em coluna não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5% de anestésicos do que os peixes maiores probabilidade; os resultados são média ± desvio padrão. e conseqüentemente seu tempo de Mentol(mg/L) 50 Glicose(mg/dL) 88,80± 9,78ab Na+(mEq/L) 139,90±28,98a K+(mEq/L) 3,70±1,25b indução a anestesia é mais rápido e sua recuperação mais lenta. Por outro lado, este resultado é favorável, pois se pode 100 63,20± 7,19b 166,52±13,49a 8,90±1,90a recomendar o uso de mentol para a 150 73,40± 11,69ab 136,76±9,52a 10,75±1,92a espécie como um todo. 200 90,60± 22,86a 141,98±6,55a 10,34±2,03a Fazendo uma comparação entre os 250 100,50± 12,26a 140,07±6,57a 8,87±3,08a anestésicos testados para o tambaqui 73 VOL. 35(1) 2005: 71 - 75 FAÇANHA & GOMES A EFICÁCIA DO MENTOL COMO ANESTÉSICO PARA TAMBAQUI (COLOSSOMA MACROPOMUM, CHARACIFORMES: CHARACIDAE) (Tabela 3), observa-se que o mentol, de forma geral, atende aos mesmos critérios estabelecidos para um bom anestésico por Ross & Ross (1999) que a benzocaína e o eugenol. Para que o uso do mentol como anestésico seja aprovado pelas autoridades competentes é necessário conhecer o tempo residual desta substância no tecido do peixe. CONCLUSÕES O mentol é um anestésico eficaz para o tambaqui; A melhor concentração de mentol para uma indução cirúrgica é 150mg/L. Para uma sedação com finalidade de biometria a melhor concentração é 100 mg/L; A exposição do tambaqui ao mentol, em concentração adequada, pode durar até 30 minutos, sem causar mortalidade; Exposição à concentração ideal não causa distúrbios fisiológicos de glicose plasmática e no Na+ plasmático, porém ocorre um distúrbio no K+ plasmático. AGRADECIMENTOS A Pesquisadora Edsandra Campos Chagas, pelo auxílio na análise de íons plasmáticos. Ao Senhor José Pereira de Souza pela coleta e alimentação dos peixes experimentais. Aos alunos de Iniciação científica da Embrapa Amazônia Ocidental: André silva, Lucelle Dantas e Franmir Brandão pela ajuda prestada durante a realização deste trabalho. Trabalho financiado pelos projetos BASA/TANQUE-REDE e TANRE/FINEP. Figura 1 - Tempo para indução aos diferentes estágios de anestesia em juvenis de 88g e de 415g expostos a 150 mg/L de mentol. Os BIBLIOGRAFIA CITADA estágios de anestesia estão de acordo com os critérios de Stoskopf (1993). Recuperação = recuperação do equilíbrio e natação ativa. Brinn, R.P. 1999. Efeitos da salinidade na homeostase iônica As colunas representam os valores médios de 5 peixes de cada tamanho, e as barras o desvio padrão. DL50 e fluxo iônico do tambaqui, Colossoma macropomum (Cuvier, 1818). Dissertação de Mestrado, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/ Tabela 3 - Comparação dos efeitos da benzocaína (Gomes et al., 2001), eugenol Universidade Federal do (Roubach et al., 2002) e mentol para anestesia de tambaqui. Critérios de acordo com Ross & Ross (1999). Amazonas, Amazonas. 41pp. Gomes, L.C.; Chippari-Gomes, A.R.; Critério Facilmente administrado Eficaz em curto período de exposição Eficaz em concentração baixa Benzocaína Eugenol Mentol +++ +++ +++ +++ +++ +++ +++ +++ +++ Lopes, N.P.; Roubach, R.; AraujoLima, C.A.R. 2001. Efficacy of benzocaine as an anesthetic in juvenile tambaqui Colossoma macropomum. Journal of the World enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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