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Extração das proteínas do fubá de milho e obtençãode hidrolisados protéicos com baixo teror de fenilalanina

Documento informativo

MICHELY CAPOBIANGO EXTRAÇÃO DAS PROTEÍNAS DO FUBÁ DE MILHO E OBTENÇÃO DE HIDROLISADOS PROTÉICOS COM BAIXO TEOR DE FENILALANINA Faculdade de Farmácia da UFMG Belo Horizonte, MG 2006 MICHELY CAPOBIANGO EXTRAÇÃO DAS PROTEÍNAS DO FUBÁ DE MILHO E OBTENÇÃO DE HIDROLISADOS PROTÉICOS COM BAIXO TEOR DE FENILALANINA Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Ciência de Alimentos da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre em Ciência de Alimentos. Orientadora: Profa. Dra. Marialice Pinto Coelho Silvestre Co-orientador: Prof. Dr. José Virgílio Coelho Faculdade de Farmácia da UFMG Belo Horizonte, MG 2006 A todos que sempre apoiaram. . especialmente, meus pais, Emilson e Helena, meus irmãos Emilson Filho e Gabriela. AGRADECIMENTOS 3 A Deus, pelas oportunidades na vida. À Professora Dra. Marialice Pinto Coelho Silvestre, por ter me recebido tão bem no laboratório, pela orientação deste trabalho, pela confiança, amizade, incentivos e pelo exemplo de profissionalismo. Ao Prof. Dr. José Virgílio Coelho, co-orientador deste trabalho, pela disposição de ensinar, incentivo e serenidade. Aos Professores Dra. Maria Beatriz de Abreu Glória, Dr. Valbert Nascimento Cardoso, Dr. Sérgio Duarte Segall, pelas importantes contribuições na elaboração deste trabalho. Ao Prof. Dr. Roberto Gonçalves Junqueira pelos esclarecimentos e ajuda sempre atendendo às inúmeras dificuldades, sem medir esforços para discutir resultados. Aos professores e a coordenação do Programa de Pós-graduação em Ciência de Alimentos pela contribuição na minha formação científica e na realização deste estudo. Às funcionárias da secretaria de Pós-graduação em Ciência de Alimentos pelas colaborações. Ao funcionário Marcos pela constante convivência e ajuda. Especialmente, aos meus pais, Emilson e Helena, por me incentivar e me apoiar sempre, pela confiança, e exemplo de vida. Aos meus irmãos, Emilson e Gabi, pelo carinho, amor e amizade. Aos meus primos, Fernanda, Paula e Hugo, pela convivência, amizade e paciência. Aos meus grandes amigos que me incentivaram e apoiaram. Pelos grandes momentos de diversão e aprendizado. A todos os amigos do Laboratório, pela convivência diária e ajuda constante na realização deste trabalho, pela amizade e momentos de descontração. A todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho. SUMÁRIO 4 Páginas LISTA DE TABELAS. 5 LISTA DE FIGURAS. 6 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS. 7 RESUMO. 8 ABSTRACT. 9 INTRODUÇÃO. 10 REVISÃO DE LITERATURA. 12 1 DADOS RELEVANTES DO MILHO. 12 1.1 Características agronômicas e sócio-econômicas do milho. 12 1.2 Estrutura do grão. 14 1.3 Classificação. 15 1.4 Composição centesimal. 16 1.5 As proteínas do milho. 17 1.6 Valor nutricional do milho. 18 2 MÉTODOS DE EXTRAÇÃO QUÍMICA DAS PROTEÍNAS. 19 3 MÉTODOS DE EXTRAÇÃO ENZIMÁTICA DAS PROTEÍNAS. 21 4 FENILCETONÚRIA. 23 4.1 Diagnóstico e tratamento. 24 4.2 Substitutos protéicos. 26 5 HIDRÓLISE ENZIMÁTICA DAS PROTEÍNAS. 27 5.1 Corolase PP. 29 6. MÉTODOS DE REMOÇÃO DE FENILALANINA. 30 7. MÉTODOS DE DETERMINAÇÃO DO TEOR DE FENILALANINA. 31 TRABALHO EXPERIMENTAL. 33 1 APRESENTAÇÃO. 33 2 CAPÍTULOS. 2.1 CAPÍTULO I Extração química e enzimática das proteínas do fubá de milho 34 2.2 CAPÍTULO II Ação da corolase PP e uso do carvão ativado na obtenção de 50 hidrolisados protéicos de fubá de milho com baixo teor de fenilalanina. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS. 67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 69 LISTA DE TABELAS 5 Páginas 1 Produção, importação e exportação de milho. 13 2 Composição centesimal aproximada das principais partes do milho. 17 3 Distribuição das frações de proteínas no milho (% base seca). 17 4 Conteúdo de aminoácidos essenciais da proteína do gérmen e do 18 endosperma do milho. 5 A qualidade de proteína do milho e de outros grãos de cereais. 19 I.1 Parâmetros utilizados na extração enzimática das proteínas do fubá 41 de milho. I.2 Composição centesimal do fubá de milho. 43 I.3 Teor de proteínas no resíduo e rendimento da extração química das 43 proteínas do fubá de milho, com diferentes métodos de extração. I.4 Teor de proteínas no resíduo e rendimento da extração enzimática 45 das proteínas do fubá de milho. II.1 Parâmetros empregados no preparo dos hidrolisados de proteínas 55 obtidas do fubá de milho pela ação da corolase PP. II.2 Percentual de remoção e teor final de Phe dos hidrolisados protéicos 58 de fubá de milho, obtidos pela ação da corolase PP. II.3 Efeito da relação proteína: carvão sobre a remoção de fenilalanina. 65 II.4 Efeito do modo de emprego de CA sobre a remoção de fenilalanina. 66 LISTA DE FIGURAS 6 Páginas 1 Distribuição percentual de milho no mundo. 13 2 Distribuição do consumo de milho no Brasil. 14 3 Estrutura do grão de milho. 15 4 Vias metabólicas da Phe dependentes da fenilalanina-hidroxilase e BH4 34 5 Principais etapas do trabalho experimental desenvolvido no capítulo 1 34 6 Principais etapas do trabalho experimental desenvolvido no capítulo 2 52 I.1 Efeito da temperatura no rendimento da extração enzimática. 47 I.1 Efeito do tempo no rendimento da extração enzimática. 48 II.1 Efeito da concentração do extrato protéico sobre a remoção de Phe 61 dos hidrolisados protéicos. II.2 Efeito da relação E:S sobre a remoção de Phe dos hidrolisados 62 protéicos. II.3 Efeito da liofilização sobre a remoção de Phe dos hidrolisados 63 protéicos. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CA: carvão ativado E:S: relação entre a proporção (p/p) da enzima e do substrato EDS: espectrofotometria derivada segunda EPF: extrato protéico de fubá de milho FAO: Food and Agriculture Organization HPA: hiperfenilalaninemia HPLC: cromatografia líquida de alta eficiência Phe: fenilalanina PKU: fenilcetonúria Trp: triptofano Tyr: tirosina UV: ultravioleta 7 RESUMO 8 Levando-se em conta a posição que ocupa o milho na dieta do brasileiro, este cereal foi utilizado neste trabalho como matéria-prima para o desenvolvimento de formulações dietéticas à base de hidrolisados protéicos, visando sua incorporação na dieta de fenilcetonúricos. Diferentes métodos químicos e um enzimático foram testados para a extração das proteínas do fubá de milho. Dentre os métodos químicos testados, o alcalino-alcoólico seqüencial foi o mais eficiente, tendo alcançado 88 % de rendimento. No método enzimático, empregando uma protease de Bacillus liccheniformis, as variáveis, tempo e temperatura influenciaram a extração protéica, sendo os melhores resultados obtidos a 5, 15 e 24 h a 55 °C, atingido-se uma média de 84 % de rendimento. Em seguida, foram preparados dez hidrolisados enzimáticos a partir do extrato protéico obtido, utilizando-se a corolase PP. Diversas condições, tais como, concentração protéica inicial, relação enzima:substrato, emprego da liofilização, relação proteína: carvão e o modo de emprego do carvão ativado foram testadas, com o intuito de se obter um baixo teor final de fenilalanina. Após passagem dos hidrolisados por coluna de carvão ativado para remover a Phe, este aminoácido foi dosado por espectrofotometria derivada segunda. O emprego da enzima corolase PP e o uso do carvão ativado mostraram ser eficientes, obtendo-se hidrolisados com teor final de Phe dentro do limite máximo permitido pela legislação brasileira. Palavras-chaves: fubá de milho, extração protéica, enzimas, hidrolisados protéicos, carvão ativado, remoção de fenilalanina. ABSTRACT 9 Extraction of proteins from Brazilian corn flour and obtention of protein hydrolysates with low phenylalanine content. Considering the important position of corn in the diet of the Brazilian people, this cereal was used as raw matter to prepare dietary supplements for phenylketonuria based on protein hydrolysates. Initially, different chemical methods and an enzymatic one were tested for protein extraction from Brazilian corn flour. For the chemical extraction, the sequential alkaline-alcoholic method was the most efficient, reaching a yield of 88 %. For the enzymatic extraction, a protease of Bacillus liccheniformis was used. The time and the temperature employed in this method influenced the extraction yield. The best results were obtained for 5, 15 and 24 h at 55 °C, reaching a yield of 84 %. Then, ten enzymatic hydrolysates were prepared by the action of corolase PP. Aiming the reduction of phenylalanine content, different conditions were tested, such as protein extract concentration; enzyme:substrate ratio; protein:activated carbon ratio; mode of use of activated carbon and the use of lyophilization. After passing the hydrolysates through a column containing activated carbon for removing phenylalanine, second derivative spectrophotometry was used to determine the amount of this amino acid. The corolase PP and the activated carbon showed to be efficient to obtain protein hydrolysates with Phe content within the limit established Brazilian legislation. Key-words: Corn flour, protein extraction, enzymes, protein hydrolysates, activated carbon, phenylalanine removal. INTRODUÇÃO 10 Os grãos de cereais constituem a principal fonte alimentar da maioria das pessoas nos países em desenvolvimento, e esforços têm sido feitos no sentido de aumentar sua produção. No caso do milho, o melhoramento genético e o aumento da eficiência tecnológica têm contribuído para isto. Nos países em desenvolvimento, a maior parte da produção de milho é destinada ao consumo humano, enquanto que nos países desenvolvidos a produção é destinada à indústria e ração animal. Por causa desta importância na alimentação, o melhoramento genético tem tido um importante papel no desenvolvimento de genótipos com alta qualidade e conteúdo protéico (FAGEER & TINAY, 2004). Levando-se em conta a posição que ocupa o milho na dieta do brasileiro, seria de grande interesse utilizá-lo como matéria-prima para o desenvolvimento de suplementos dietéticos, à base de proteínas. Estes produtos possuem diversas aplicações relevantes para as áreas de nutrição e saúde (alimentação de idosos e crianças, prevenção e/ou tratamento de doenças, etc.), como também, a obtenção de ingredientes ou agentes funcionais para alimentos e medicamentos. Dado o grave problema econômico e social do tratamento de pacientes com fenilcetonúria (MIRA & MARQUEZ, 2000; SANTOS et al., 2003), a presente pesquisa foi direcionada para o desenvolvimento de formulações dietéticas à base de hidrolisados protéicos para estes pacientes. Segundo KAMPEN (1995), 85 a 90 % das proteínas do milho compõem a fração glutelina e prolamina, solúveis em soluções alcalina e alcoólica, respectivamente. Na maioria dos trabalhos encontrados sobre a extração química das proteínas de cereais, o etanol e uma solução de hidróxido de sódio são empregados como solventes em concentrações variadas (LANDRY & MOUREAUX, 1970; PAULIS & WALL, 1977; NEWMANN & WALL, 1984;LANDRY, 1997; YOUSIF & TINAY, 2000; FAGEER & TINAY, 2004). Os trabalhos encontrados na literatura, abordando a extração enzimática de proteínas, foram realizados com outros alimentos, tais como arroz e soja, na obtenção de um isolado protéico (EUBER et al., 1991; FISCHER et al., 2001; TANG et al., 2002; WANG & WANG, 2004; AGBOOLA et al., 2005), não sendo encontrados relatos que utilizassem o milho e derivados. Em alguns trabalhos, o interesse dos autores estava voltado para a separação das proteínas (EUBER et al., 1991; FISCHER et al., 2001, 11 TANG et al., 2002). Em outros casos, a utilização deste método estava associada à separação do amido (WANG & WANG, 2004, AGBOOLA et al., 2005). A fenilcetonúria (PKU) é o resultado de um erro inato do metabolismo, de herança autossômica recessiva. Caracteriza-se por um defeito ou deficiência da enzima fenilalanina hidroxilase, que é responsável pela conversão da fenilalanina (Phe) em tirosina (Tyr). Sem a restrição da ingestão de fenilalanina da dieta, este aminoácido e seus metabólitos se acumulam no sangue e em outros tecidos, e a Tyr se torna ausente, afetando o sistema nervoso (LOPEZ-BAJONERO et al., 1991; MARTINS et al., 1996; OUTINEN et al., 1996; TRAHMS, 1998; PIETZ et al., 1999; SHIMAMURA et al., 1999). O tratamento da fenilcetonúria consiste em dieta alimentar específica e individualizada, com controle da ingestão diária de fenilalanina, complementada por fórmula de aminoácidos, especialmente elaborada para essa doença. Desta forma, o uso de substitutos protéicos, constituídos de misturas de L-aminoácidos ou de hidrolisados protéicos, torna-se indispensável (MILUPA, 1995). No Brasil, os produtos disponíveis são importados, de alto custo e constituídos apenas de aminoácidos livres (ACOSTA & YANNICELLI, 1997). Além disso, a dieta é composta de verduras, legumes e frutas. Hidrolisados protéicos são produtos destinados, primeiramente, para uso nutricional de indivíduos que apresentam necessidades nutricionais e/ou fisiológicas não cobertas pela alimentação convencional. Nos anos 70 iniciou-se no Japão a investigação sobre a possibilidade de produção de hidrolisados protéicos com baixo teor de fenilalanina (MIRA & MARQUEZ, 2000). O processo enzimático é o mais indicado para a produção de tais hidrolisados, pois preserva as propriedades sensoriais e não promove aumento na osmolaridade do meio (MIRA & MARQUEZ, 2000; SANTOS et al., 2003). Diversos autores estudaram a produção desses hidrolisados em escala laboratorial, alguns em escala piloto, que consistem de duas etapas: 1) liberação da fenilalanina pela hidrólise enzimática e 2) remoção da fenilalanina liberada por técnicas e procedimentos diferenciados (ARAI et al., 1986; ADACHI et al., 1991; LOPEZ-BAJONERO et al., 1991; MOSZCZYNSKI & IDIZIAK, 1993). Considerando que em nosso país as formulações usadas em suplementos nutricionais são, normalmente, importadas e de elevado custo, o interesse do laboratório onde foi realizado o presente estudo voltou-se para a preparação destas formulações, contendo os hidrolisados protéicos como a principal fonte de aminoácidos na forma mais disponível, isto é, de oligopeptídeos, especialmente di e tri-peptídeos. Por esta razão, diversos hidrolisados protéicos têm sido preparados e diferentes condições hidrolíticas 12 testadas neste laboratório, para obter perfis peptídicos adequados nutricionalmente (SILVESTRE et al., 1994a,b; MORATO et al., 2000; BARBOSA et al., 2004; CARREIRA et al., 2004; MORAIS et al., 2005; LOPES et al., 2005a,b). Este trabalho teve como objetivos otimizar a extração da proteína do fubá de milho, por alguns métodos químicos e um enzimático, e avaliar a remoção de Phe dos hidrolisados protéicos de fubá de milho, obtidos pela ação da corolase PP e do uso do carvão ativado (CA), empregando diferentes condições de hidrólise, relação proteína: carvão e o modo de emprego do carvão ativado. REVISÃO DE LITERATURA 1 DADOS RELEVANTES DO MILHO 1.1 Características agronômicas e Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos study has some limitations. The study sample consisted of a selected cohort of CML patients, as the enrollment was carried out in a single center. It is part of an observational study that was initially designed to evaluate imatinib-induced cardiotoxicity. Therefore, patients with cardiac disease, who have shown to be at increased risk for drug-induced nephrotoxicity [36], were excluded. The data were collected from the medical records, and the number of measurements differed among patients. Furthermore, only CML patients were enrolled. The effectiveness of imatinib has been demonstrated in several other diseases [3, 38, 39, 40] and it is also important to evaluate nephrotoxicity in these patients, as it is not known whether the propensity to develop imatinibinduced nephrotoxicity is related to the underlying malignancy. conclusions In conclusion, physicians should be aware that imatinib treatment may result in acute kidney injury and that the long- term treatment may cause a significant decrease in the estimated GFR and chronic renal failure. Therefore, it is important to monitor renal function of CML patients under imatinib therapy by measuring the creatinine levels and estimating GFR. Attention must be paid to concomitant administration of other potentially nephrotoxic agents, to avoid additive nephrotoxicity in these patients. acknowledgements We gratefully acknowledge the contributions of our patients, their families, and the hematologists (Cla´udia de Souza, Simone Magalha˜es, and Gustavo Magalha˜es). We also thank Heloisa Vianna for the constructive comments and suggestions, and Ka´tia Lage and Vera Chaves for the expert secretarial assistance. funding Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientı´fico e Tecnolo´ gico (478923/2007-4) to ALR; Fundaxca˜o de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (PPM 328-08) to ALR; Coordenadoria de Aperfeixcoamento do Ensino Superior, Brazil (BEX 1199-09-9), to MSM. disclosure The authors declare no conflict of interest. references 1. Pappas P, Karavasilis V, Briasoulis E et al. Pharmacokinetics of imatinib mesylate in end stage renal disease. A case study. Cancer Chemother Pharmacol 2005; 56: 358–360. 2. 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