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Competição, orientação estratégica e desempenho em ambiente turbulento: uma abordagem empírica

Documento informativo
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Faculdade de Ciências Econômicas Departamento de Ciências Administrativas Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração CEPEAD COMPETIÇÃO, ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA E DESEMPENHO EM AMBIENTE TURBULENTO: uma abordagem empírica Alexandre Teixeira Dias Matrícula: 2002200020 Belo Horizonte/Minas Gerais 2004 Alexandre Teixeira Dias COMPETIÇÃO, ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA E DESEMPENHO EM AMBIENTE TURBULENTO: uma abordagem empírica Dissertação apresentada ao Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Administração. Área de Concentração: Mercadologia e Administração Estratégica Orientador: Prof. Dr. Carlos Alberto Gonçalves Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Ciências Econômicas 2004 Aos meus pais, pela educação que me concederam; à minha esposa, Margarida, pela paciência, amor e suporte durante o período de construção deste trabalho; aos meus filhos, Igor e Amanda, fonte de inspiração e força; e aos meus irmãos, pelo apoio constante. AGRADECIMENTOS Antes de tecer os merecidos agradecimentos a todos que me apoiaram para a construção deste trabalho, gostaria de me desculpar com aqueles que não foram citados, certamente não por desconsideração, mas por falha de memória, e de ressaltar que a ordem de citação não obedece a nenhum critério de importância previamente estabelecido. Inicialmente, gostaria de agradecer à minha família, pelo apoio nos momentos de aperto e de estresse quando da realização da pesquisa, principalmente à minha esposa, Margarida, pela paciência nas minhas ausências, e ao Igor, por não poder me dedicar como deveria às atividades de pai. Obrigado ao Marcos Antônio de Camargos, amigo e companheiro de publicações, pelo incentivo à minha entrada para o meio acadêmico. Aos mestres João Carlos Neves de Paiva e Luiz Carlos dos Santos, vulgo Pistico, parceiros em congressos e publicações, amigos com quem aprendi que a busca pela excelência passa pela humildade e pelo rigor metodológico. Aos professores Marcelo Bronzo Ladeira, Ricardo Teixeira Veiga e Reynaldo Maia Muniz, pelos aconselhamentos quando da defesa do projeto de dissertação, e aos demais professores do Cepead, pelo compartilhamento de seu conhecimento. Aos pesquisadores do NUME, principalmente a Renata, pelas sugestões e suporte conceitual estatístico. Ao Cepead/Face/UFMG, na pessoa do Prof. Doutor Francisco Vidal Barbosa, pela disponibilização da infra-estrutura necessária à realização do trabalho de pesquisa em todas as suas etapas, desde a seleção e construção do referencial teórico até a coleta e análise dos dados. Aos funcionários e funcionárias da Secretaria do Cepead, pela disponibilidade e cortesia no atendimento e pela cordialidade no relacionamento, formal e informal, principalmente Fátima, Vera, Érika, Érica, Edna, Joseane, Augusto, Iury, Carmo e Leonardo. A Lauro, Arimar, Alexandre Rolim; aos "louvados" mestres Clayton e Avelino; e ao mestre Ernani, amigos de todas as horas. A Cris, Esther, Jaqueline, Andréia, Celso Matos, Lousanne e demais companheiros das turmas 2001, 2002 e 2003, com quem dividi momentos agradáveis e de ansiedade pela conclusão de nossos trabalhos. Agradeço, em especial, ao meu orientador, Prof. Doutor Carlos Alberto Gonçalves, pela confiança, pela visão crítica e ampla das questões a ele por mim levadas, pelo aprendizado, pela dedicação de valiosos minutos e horas de seu tempo e, principalmente, pela amizade construída nesses dois anos de parceria. A Deus, que se expressa por meio de todos nós. Cuide bem dos prolegômenos, sendo rigorosos com a propedêutica, com vistas finas para o contexto e a hermenêutica. Sejam pacientes com o aprendizado – o caminho é bem longo. Gonçalves, C. A. RESUMO Constitui objetivo deste trabalho identificar os fatores que influenciam o desempenho das empresas atuantes em um ambiente turbulento. Foram estudadas empresas brasileiras atuantes no setor da indústria manufatureira, ativas no período entre 1996 e 2001, caracterizado por intensas alterações nos cenários macroeconômicos nacional e mundial. Os dados financeiros e macroeconômicos de fonte secundária foram coletados pelo processo de “mineração literal de dados”. Para compreender as relações entre o desempenho das empresas em foco e as diversas variáveis macro e microeconômicas determinantes do ambiente competitivo, bem como a orientação estratégica referente à alocação de recursos e o contexto macroeconômico, propôs-se um modelo estrutural em que as relações entre constructos são a expressão das hipóteses de pesquisa. Como metodologia de mensuração e análise das relações entre os constructos, adotou-se a estimação de parâmetros pelo método PLS (Partial Least Squares), em função da característica formativa dos constructos e da flexibilidade do método em termos de tamanho de amostra e distribuição amostral dos dados. Como resultados, o trabalho identificou relações de intensidade e sentido diferentes entre a orientação estratégica e o desempenho, assim como deste com o ambiente competitivo. Tal conclusão carateriza: predominância do ambiente como fator determinante do desempenho, quando analisadas empresas com faturamento entre R$10 milhões e R$100 milhões; equilíbrio para as empresas que faturaram entre R$100 milhões e R$1 bilhão; e maior influência da orientação estratégica para empresas com faturamento acima de R$1 bilhão. Palavras-chave: estratégia, orientação estratégica, desempenho, competição, PLS ABSTRACT This study will address the proposed research question, namely, identification of factors which influence the performance of companies operating in a turbulent environment - some Brazilian companies, belonging to the manufacturing industry, and active during the 19962001 period. This interlude of time was characterized by intense changes in the national and international macroeconomic scenarios. Financial and macroeconomic data were collected from secondary sources through a process called “verbatim data mining”. In a way to understand the performance of the focused companies concerning the diverse macro and microeconomic variables that determine the competitive environment, the strategic orientation, the allocation of resources and the macroeconomic context, a structural model - in which the relation among the various constructs expresses the research hypotheses - is proposed. The methodology employed in the measurement and analysis of the relation among constructs was the PLS – Partial Least Squares modeling – due to the formative nature of the constructs, and the flexibility of this method in terms of the sample size and sample data distribution. As a result, relations with different intensity and significance, were identified among strategic orientation and performance, as well as among performance and competitive environment - indicating a clear predominance of environment as a determinant factor of performance, when analyzing companies with revenues between R$10 and R$100 Million, an equilibrium for companies with revenues between R$100 Million and R$1 Billion, and a higher influence of strategic orientation among companies with revenues over R$1 Billion. Key-words: strategy, strategic orientation, performance, competition, PLS LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Recursos como base para a lucratividade. 45 FIGURA 2 Modelo STROBER. 55 FIGURA 3 Modelo STROBE. 55 FIGURA 4 Modelo nomológico estrutural. 60 FIGURA 5 Modelo esquemático – aderência como moderação. 74 FIGURA 6 Modelo esquemático – aderência como mediação. 76 FIGURA 7 Modelo esquemático – aderência como covariância. 80 FIGURA 8 Modelos estrutural e de mensuração. 84 FIGURA 9 Modelo nomológico estrutural resultante para amostra completa. 102 FIGURA 10 Modelo nomológico estrutural resultante para subamostra 1. 112 FIGURA 11 Modelo nomológico estrutural resultante para subamostra 2. 113 FIGURA 12 Modelo nomológico estrutural resultante para subamostra 3. 115 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 Abordagem do tema estratégia, por autores. 20 QUADRO 2 Variáveis do modelo. 61 QUADRO 3 Hipóteses de pesquisa. 67 QUADRO 4 Tipos de pesquisa em estratégia – Hambrick (1980). 70 QUADRO 5 Componentes principais da validação de constructos. 73 QUADRO 6 Classificação NAICS dos setores analisados. 93 QUADRO 7 Hipóteses de pesquisa – avaliação para amostra completa. 102 QUADRO 8 Hipóteses de pesquisa – avaliação para subamostra 1. 111 QUADRO 9 Hipóteses de pesquisa – avaliação para subamostra 2. 113 QUADRO 10 Hipóteses de pesquisa – avaliação para subamostra 3. 115 LISTA DE TABELAS TABELA 1 Pesos das variáveis observadas. 96 TABELA 2 Modelos de mensuração – critérios de avaliação. 98 TABELA 3 Modelo estrutural – critérios de avaliação. 99 TABELA 4 Modelo estrutural – variância explicada – amostra completa. 100 TABELA 5 Coeficientes de caminho. 100 TABELA 6 Pesos das variáveis observadas por subamostra. 104 TABELA 7 Modelos de mensuração – critérios de avaliação para subamostras. 107 TABELA 8 Modelo estrutural – critérios de avaliação para subamostras. 108 TABELA 9 Modelo estrutural – variância explicada – subamostras. 109 TABELA 10 Coeficientes de caminho para subamostras. 110 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.14 1.1 Problema de pesquisa . 17 1.2 Objetivos . 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO.19 2.1 Estratégia – abordagens e definições . 21 2.2 Teoria da competição e estratégia . 29 2.3 Estratégia e ambiente competitivo. 34 2.4 Recursos e vantagens competitivas . 40 2.5 Orientação estratégica. 49 2.6 Modelo STROBER. 54 2.7 Modelo proposto . 59 2.8 Contexto macroeconômico . 62 3 HIPÓTESES DE PESQUISA.67 4 METODOLOGIA .68 4.1 Caracterização da pesquisa . 68 4.2 Metodologia de pesquisa no campo da estratégia . 71 4.3 Modelagem de Equações Estruturais . 82 4.4 Mínimos Quadrados Parciais – Partial Least Squares (PLS). 89 4.5 Caracterização da amostra . 92 5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS .95 5.1 Estimação dos parâmetros do modelo . 95 5.1.1 Modelos de mensuração – amostra completa . 95 5.1.2 Modelo estrutural – amostra completa . 99 5.1.3 Avaliação geral do modelo – teste de hipóteses para amostra completa . 100 5.1.4 Modelos de mensuração – subamostras . 103 5.1.5 Modelo estrutural – subamostras . 108 5.1.6 5.1.7 Avaliação geral do modelo – teste de hipóteses para subamostras . 110 Avaliação geral do teste de hipóteses para amostra completa e subamostras . 116 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.118 6.1 Conclusões. 118 6.2 Aspectos dificultadores da realização de pesquisa de campo. 123 6.3 Limitações da pesquisa . 125 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .127 ANEXOS .136 Anexo A – Empresas por subsetor . 136 Anexo B – Informações setoriais . 137 Anexo C – Matriz de covariância dos resíduos – amostra completa . 140 Anexo D – Matrizes de covariância dos resíduos – subamostras. 141 1 INTRODUÇÃO 14 Diversos autores têm abordado o relacionamento entre o desempenho econômicofinanceiro e as estratégias competitivas de empresas atuantes em setores em desenvolvimento (KIM e LIM, 1988), em ambientes competitivos instáveis (FREDRICKSON e MITCHELL, 1984) e em ambientes competitivos estáveis (FREDRICKSON, 1984). Dentre esses estudos, destaca-se o modelo proposto por Venkatraman (1989a): Strategic Orientation of Business Enterprises (STROBE), no qual aborda questões relativas às dimensões orientação estratégica e competitividade em unidades de negócios de empresas atuantes em diversos setores. Tal modelo foi posteriormente refinado e ampliado por Tan e Litschert (1994), que incluíram a dimensão ambiente competitivo, em pesquisa realizada com empresas chinesas do setor de alta tecnologia. Para fins de diferenciação em relação ao modelo proposto por Venkatraman (1989a), o modelo refinado e ampliado por Tan e Litschert (1994) será referenciado como STROBER. Na busca pela prosperidade em seu ambiente de atuação, as organizações necessitam de um referencial para ações futuras que lhes permita: a) estabelecer uma estrutura interna capaz de atender a seus objetivos de desempenho, bem como de monitorar as ações da concorrência; b) antecipar os movimentos da concorrência; c) atuar de forma preventiva, evitando ataques às posições já conquistadas; e d) agir proativamente, visando promover inovações e assegurar conquistas de novas posições. Tais necessidades fazem com que a importância do papel da estratégia para garantir às empresas a sobrevivência, a expansão e a manutenção de seu posicionamento no mercado seja objeto de intensos estudos, realizados por pesquisadores ligados ao tema. 15 De acordo com Mintzberg1, citado por Snow e Hambrick (1980), as estratégias organizacionais podem ser classificadas como: planejadas e implementadas. As estratégias planejadas baseiam-se nos princípios, objetivos e ideologias da organização, abordando quais as intenções dos gestores em termos de ações e políticas, ao formularem a estratégia organizacional. As estratégias implementadas tratam da efetivação das proposições da organização no tocante à realização das metas organizacionais, denominando-se deliberadas, quando ocorre planejamento; ou emergentes quando implementadas sem o respectivo planejamento. No âmbito desta pesquisa, o foco de análise são as estratégias implementadas, não distinguindo-se entre deliberadas e emergentes. O Núcleo de Marketing e Estratégia do Cepead/UFMG – vem alertando para a necessidade de desenvolver competências em áreas relacionadas ao tema da estratégia quando da atuação das organizações em ambientes turbulentos. Nesse sentido, destaca a relevância do ramo da indústria de manufatura para os resultados da economia brasileira e a necessidade de se estabelecer um referencia l de conhecimento acerca das ações gerenciais e competitivas das empresas dos setores caracterizados por ampla competitividade, concorrência e alta rentabilidade. Este segmento mostra-se adequado à realização de pesquisa que contemple Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos study has some limitations. The study sample consisted of a selected cohort of CML patients, as the enrollment was carried out in a single center. It is part of an observational study that was initially designed to evaluate imatinib-induced cardiotoxicity. Therefore, patients with cardiac disease, who have shown to be at increased risk for drug-induced nephrotoxicity [36], were excluded. The data were collected from the medical records, and the number of measurements differed among patients. Furthermore, only CML patients were enrolled. The effectiveness of imatinib has been demonstrated in several other diseases [3, 38, 39, 40] and it is also important to evaluate nephrotoxicity in these patients, as it is not known whether the propensity to develop imatinibinduced nephrotoxicity is related to the underlying malignancy. conclusions In conclusion, physicians should be aware that imatinib treatment may result in acute kidney injury and that the long- term treatment may cause a significant decrease in the estimated GFR and chronic renal failure. Therefore, it is important to monitor renal function of CML patients under imatinib therapy by measuring the creatinine levels and estimating GFR. Attention must be paid to concomitant administration of other potentially nephrotoxic agents, to avoid additive nephrotoxicity in these patients. acknowledgements We gratefully acknowledge the contributions of our patients, their families, and the hematologists (Cla´udia de Souza, Simone Magalha˜es, and Gustavo Magalha˜es). We also thank Heloisa Vianna for the constructive comments and suggestions, and Ka´tia Lage and Vera Chaves for the expert secretarial assistance. funding Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientı´fico e Tecnolo´ gico (478923/2007-4) to ALR; Fundaxca˜o de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (PPM 328-08) to ALR; Coordenadoria de Aperfeixcoamento do Ensino Superior, Brazil (BEX 1199-09-9), to MSM. disclosure The authors declare no conflict of interest. references 1. Pappas P, Karavasilis V, Briasoulis E et al. Pharmacokinetics of imatinib mesylate in end stage renal disease. A case study. Cancer Chemother Pharmacol 2005; 56: 358–360. 2. 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