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A influência do entorno familiar no desempenho comunicativo de crianças com síndrome de Down

Documento informativo

Letícia Viana Pereira A influência do entorno familiar no desempenho comunicativo de crianças com síndrome de Down Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Medicina Belo Horizonte – MG 2012 Letícia Viana Pereira A influência do entorno familiar no desempenho comunicativo de crianças com síndrome de Down Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Minas Gerais como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências da Saúde – Área de Concentração em Saúde da Criança e do Adolescente. Orientadora: Profa. Dra. Erika Maria Parlato Oliveira Universidade Federal De Minas de Gerias Faculdade de Medicina Belo Horizonte – MG 2012 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Reitor: Prof. Clélio Campolina Diniz Vice-Reitora: Profa. Rocksane de Carvalho Norton Pró-Reitor de Pós-Graduação: Prof. Ricardo Santiago Gomez Pró-Reitor de Pesquisa: Prof. Renato de Lima dos Santos FACULDADE DE MEDICINA Diretor: Prof. Francisco José Penna Vice-Diretor: Prof. Tarcizo Afonso Nunes Coordenador do Centro de Pós-Graduação: Prof. Manoel Otávio da Costa Rocha Subcoordenadora do Centro de Pós-Graduação: Profa. Teresa Cristina de Abreu Ferrari Chefe do Departamento de Pediatria: Profa. Maria Aparecida Martins PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE – SAÚDE DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Coordenadora: Profa. Ana Cristina Simões e Silva Colegiado: Profa. Ana Cristina Simões e Silva Profª. Ivani Novato Silva Prof. Jorge Andrade Pinto Profª. Lúcia Maria Horta Figueiredo Goulart Prof. Marco Antônio Duarte Profª. Maria Cândida Ferrarez Bouzada Viana Michelle Ralil da Costa (Disc. Titular) Marcela Guimarães Cortes (Disc. Suplente) AGRADECIMENTOS Essa dissertação foi elaborada pela ajuda, presença, torcida de inúmeras pessoas que não poderia deixar de agradecer. Agradeço com carinho muito especial a meu pai, por me apresentar ao meio acadêmico, por me fazer encantar pelo mundo científico e das pesquisas, por me mostrar o prazer do estudo incansável e insaciável e por sua presença tão forte na minha vida, mesmo quando a distância física encontrava-se presente. Devo um agradecimento com amor imensurável à minha mãe. Sua paciência, sua dedicação, seu amor e carinho, seus mimos e sua contribuição foram indispensáveis. Meu exemplo de mulher, mãe e profissional. Às minhas queridas e amadas irmãs, por serem uma das melhores partes da minha vida. Agradeço ao Fred pela presença em todos os momentos de construção dessa dissertação. Sua presença nas situações de alegria, estresse, desespero e alívio, sem dúvida me deram a prova do quanto é meu companheiro, além de grande amor. Agradeço com muito apreço, minha orientadora e professora Erika. Agradeço pela confiança que depositou em mim, todo o conhecimento que me ofereceu, todas as oportunidades que me foram dadas, me fizeram crescer profissionalmente e pessoalmente. Às amigas que fiz durante esses dois anos, que me deram a alegria nos momentos tristes, me tranquilizam nos momentos de ansiedade, me ofereceram suas companhias mais que especiais e sem dúvida foram pacientes comigo. A Pati, Aline, Carol, Janete e Vera meu muito obrigado! Cabe aqui um agradecimento carinhoso às amigas da APAE, Jú, Dani e Vivi por terem me recebido tão bem e por toda ajuda que me deram quando precisei. A toda equipe da APAE por terem aceitado e possibilitado a realização dessa pesquisa no espaço da APAE. Agradeço em especial ao meu Tio Sergio e minha Tia Lulute pelo incentivo em todos os sentidos, pelo carinho de pai e mãe e por sempre me acolherem. A Bruninha, Teca e Bela as irmãs que pude escolher e tanto me ajudaram e torceram por mim. Minha querida avó, que aos 74 anos de idade concluiu uma faculdade, aos 80 anos dá aulas de francês e alemão e me passa a cada dia um exemplo de vida. Ao meu Tio Francisco e minha Tia Cacá, por todo apoio na minha vida profissional e no percurso acadêmico que venho construindo. À Mel, minha amiga que compartilhou comigo muitos momentos de ansiedade, angústia e de alegrias principalmente. A Teresa Cristina minha eterna professora. Ao Tio Wilson e ao amigo Lucas que me ajudaram com seus conhecimentos de Excel. Esse estudo não seria possível sem a aceitação em participar da pesquisa pelas às famílias de todas as crianças que avaliei. Obrigada pela participação. A todos que participaram desse processo recebam meus sinceros agradecimentos! LISTA DE QUADROS Artigo 2 Quadro 1: Principais comparações LISTA DE TABELAS Casuísticas e métodos Tabela 1: Participantes do estudo – crianças Tabela 2: Participantes do estudo – mães Artigo 2 Tabela 1: Perfil das crianças Tabela 2: Perfil comunicativo das crianças avaliadas Tabela 3: Perfil comunicativo dos adultos avaliados Artigo 3 Tabela 1: Correlação entre os resultados do ABFW e do RAF das crianças Anexos Tabelas 1: Distribuição do valor total dos atos comunicativos expressos no meio “verbal”, “vocal” e “gestual” das funções comunicativas e o valor das crianças e adultos participantes nestas funções Tabela 2: Perfil comunicativo das crianças - Acompanhamento individual Tabela 3: Perfil comunicativo dos adultos - Acompanhamento individual LISTA DE GRÁFICO Artigo 2 Gráfico 1: Atos comunicativos da criança e do adulto Gráfico 2: Número de atos comunicativos por minuto da criança e do adulto Gráfico 3: Meios comunicativos da criança e do adulto LISTA DE ABREVIAÇÕES APAE: Associação de pais e amigos dos excepcionais BH: Belo Horizonte COEP: Comissão de Ética e Pesquisa RAF: Recursos do Ambiente Familiar SD: Síndrome de Down SUS: Sistema Único de Saúde TCLE: Termo de consentimento livre e esclarecido UFMG: Universidade Federal de Minas Gerais SUMÁRIO Lista de quadros Lista de tabelas Lista de gráficos Lista de abreviaturas e siglas 1 Considerações iniciais.1 2 Referências Bibliográficas .4 3 Revisão de Literatura.5 3.1 Artigo 1: Linguagem, Síndrome de Down e entorno familiar: considerações bibliográficas sobre o tema .5 4 Objetivos .20 5 Casuísticas e Métodos .21 5.1Casuística.21 5.1.1 Critérios de inclusão.22 5.1.2 Critérios de exclusão.22 5.1.3 Seleção da amostra.22 5.1.4 Participantes do estudo.23 5.2 Métodos.24 5.3 Análise estatística.27 5.4 Aspectos éticos.27 6 Resultados e Discussão.28 6.1 Artigo 2: A influência do discurso materno no desempenho linguístico de crianças com Síndrome de Down.28 6.2 Artigo 3: Influência do entorno familiar no desempenho comunicativo de crianças com síndrome de Down.47 7 Considerações Finais.73 8 Anexos / Apêndices.75 Anexo A: Diretrizes para publicação na revista Temas sobre desenvolvimento. .75 Anexo B: Diretrizes para publicação na revista CEFAC.85 Anexo C: Diretrizes para publicação na Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia.104 Anexo D: Termo de consentimento Livre e Esclarecido.115 Anexo E: Carta de apresentação da pesquisa.119 Anexo F: Questionário Recursos do Ambiente Familiar.,.121 Anexo G: Parecer do Comitê de Ética em Pesquisa.,.125 Anexo H: Tabelas.127 Anexo I: Declaração de Aprovação.131 Anexo J: Ata de defesa de dissertação.132 1 1. Considerações Iniciais Para o desenvolvimento infantil devemos considerar o importante papel da linguagem. A linguagem com suas inúmeras manifestações, em seu caráter individual e social inclui o sujeito no mundo, favorece as relações sociais, transforma-nos em seres pensantes, criativos, envolventes, modificadores, capazes de acrescentar e de construir nosso mundo e nossa realidade. São as interações da criança com o outro que contribuem para o surgimento da linguagem e da constituição do sujeito.1-2 A linguagem é objeto de estudo de diversas áreas do conhecimento. Podemos tomar a linguagem a partir de inúmeras teorias, porém não devemos estimar que cada teoria detém o melhor ângulo ou a melhor explicação. As ciências que estudam a linguagem podem ser complementares, e apresentar aspectos sobre o processo de aquisição.2 O processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem considera o corpo, o psiquismo e o entorno da criança. O meio ambiente interfere no desenvolvimento da linguagem. Cada nova descoberta, capacidade de resposta, reconhecimento do outro, compreensão de afetos e emoções, cada tom de voz, expressão facial, e posteriormente discernimento do significado de uma palavra e do discurso oral, constituem o processo de aquisição da linguagem, que depende de fatores internos relacionados às possibilidades de cada um e de fatores externos.3-5 É preciso conhecer como o processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem ocorre em crianças que apresentam alguma dificuldade que interfira no desempenho da linguagem pelo o sujeito. 2 A Síndrome de Down (SD) por um excesso de carga genética, manifesta desequilíbrio da função reguladora dos genes, o que gera uma perda da harmonia no desenvolvimento e nas funções das células. De acordo com esta condição genética, a criança com SD apresenta características que a determinarão ao longo de sua vida, principalmente nos período de suas aquisições.4 De acordo com os sinais e sintomas presentes na SD, é sabido que o desenvolvimento da linguagem é uma das condições que está seriamente prejudicada.5 A constatação da síndrome não se constitui como valor prognóstico, determinando o aspecto físico, ou o grau da eficiência intelectual. A capacidade do sujeito é influenciada de acordo com as possibilidades do meio.4-7 De acordo com a importância do contexto para o estudo das habilidades comunicativas, pesquisas que discorram sobre a possível associação entre o desenvolvimento da linguagem em sujeitos com SD e a influência do entorno familiar neste processo são essenciais. Abordagens nesse sentido podem subsidiar a melhor conduta terapêutica, com a inclusão da família, tornando a intervenção mais eficiente. Diante disso, o presente estudo teve como objetivo: investigar a influência do contexto familiar no desempenho comunicativo de crianças com síndrome de Down. Os resultados desta dissertação serão apresentados ao Programa de PósGraduação em Ciências da Saúde, área de concentração em Saúde da Criança e do Adolescente, na forma de três artigos submetidos a publicações indexadas. O artigo 1, aqui escrito, obedeceu às diretrizes para publicação na REVISTA TEMAS SOBRE DESENVOLVIMENTO – (Rev. Temas sob. desenvol.), ISSN 3 0103-7749, cujas regras para a edição encontram-se anexadas ao final da dissertação. (ANEXO A) O artigo 2, aqui escrito, obedeceu às diretrizes para publicação na REVISTA CEFAC – Atualização Científica em Fonoaudiologia – (Rev. CEFAC.), ISSN 15161846, cujas regras para a edição encontram-se anexadas ao final da dissertação (ANEXO B). O artigo 3, aqui escrito, obedeceu às diretrizes para publicação na REVISTA DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA - (Rev. Soc. Bras. Fonoaudiol.), ISSN 1516-8034, publicação técnico-científica da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, cujas regras para a edição encontram-se anexadas ao final da dissertação (ANEXO C). 4 2. Referências Bibliográficas 1. Aimard, P. Pontos de vista sobre a linguagem. In: Aimard, P. A linguagem da criança. Porto Alegre, ed Artes médicas, 1986. p. 13-34. 2. Spinelli, M. Pensando a linguagem. In: Oliveira, S.L.; Parlato, E.M.; Rabello, S. (org.). O falar da linguagem. São Paulo, editora Lovise, 1996. p. 17-23. 3. Scheuer, CI.; Befi-Lopes, DM.; Wertzner, HF. Desenvolvimento da linguagem: uma introdução. In: Limongi, SCO. (org.). Fonoaudiologia Informação para a formação – Linguagem: Desenvolvimento normal. Alterações e distúrbios. Rio de Janeiro, ed Guanabara Koogan S. A., 2003. p. 1-18. 4. Silva, MFMC.; Kleinhans, ACS. Processos cognitivos e plasticidade cerebral na Síndrome de Down. Rev Bras Edu Espec. 2006; 12(1):123-38. 5. Guerra, GR. Síndrome De Down: aspectos de sua comunicação (apresentação de dois casos). Temas desenvolv. 1997; 6(33):12-17. 6. Cervone, LM.; Fernandes, FDM. Análise do perfil comunicativo de crianças de 4 e 5 anos na interação com o adulto. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2005; 10(2):97-105. 7. Silva, MPV.; Salomão, NMR. Interações verbais e não verbais entre mãescrianças portadoras de Síndrome de Down e entre mães-crianças com desenvolvimento normal. Estud Psicol. 2002; 7(2);311-23. 5 3. Revisão da Literatura 3.1 Artigo 1 Linguagem, Síndrome de Down e entorno familiar: considerações bibliográficas sobre o tema Language, Down syndrome and family environment: considerations literature on the subject Artigo de Revisão Letícia Viana Pereira1,Erika Maria Parlato Oliveira2 1 Fonoaudióloga, mestranda em Ciências da Saúde: Saúde da Criança e do Adolescente – UFMG, BH, MG 2 Fonoaudióloga, Dra. Professora Adjunto da faculdade de Medicina – UFMG, BH, MG Linguagem - Departamento de Pediatria Faculdade de Medicina Universidade Federal de Minas Gerais Endereço para correspondência: Letícia Viana Pereira Rua Joanésia, 492, apto 03, Bairro Serra Belo Horizonte CEP: 30240-030 Minas Gerais - Brasil leka_viana@yahoo.com.br Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES 6 Resumo Introdução: A linguagem ocupa papel primordial no desenvolvimento infantil. A síndrome de Down (SD) como anormalidade genética, apresenta uma desordem intelectual que afeta o desenvolvimento da linguagem. Condições ambientais podem influenciar a aquisição da linguagem, moldando o desempenho do sujeito e tornando-o único em seu prognóstico. Objetivo: Realizar uma revisão da literatura para fornecer informações aos profissionais de saúde e da educação que lidam com crianças com SD. Métodos: A proposta partiu do delineamento de um estudo de natureza bibliográfica que aborda o desenvolvimento da linguagem em crianças com SD e fatores que influenciam nesse processo. Conclusão: Os estudos evidemnciam como a linguagem é essencial na vida de um sujeito e que ela possibilita à criança a aquisição de novos conhecimentos e a relação com o outro. Diante do exposto, devemos considerar a influência do meio ambiente no desenvolvimento da linguagem em crianças com SD. Descritores: Linguagem infantil, desenvolvimento infantil, síndrome de Down, meio ambiente 7 Abstract Introduction: The language occupies key role in child development. The Down Syndrome (DS) as a genetic abnormality, presents an intellectual disorder that affects language’s development. Environmental conditions can influence the language’s acquisition, shaping the subject’s performance and turning his prognosis unique. Objective: The purpose of this article is to make a literature review in order to provide information to health and educational professionals dealing with children with DS. Methods: The proposal came from a bibliographical study that discusses the nature of language development in children with DS and factors that influence this process. Conclusion: This literature review made possible to recognize how language is essential in a subject’s life and how it enables the child to obtain new knowledge and relationship with another. Therefore we need to consider the environment’s influence on the children with DS language’s development. Keywords: child language, Down syndrome, child development, environment 8 Introdução: A linguagem ocupa papel primordial no desenvolvimento infantil. A síndrome de Down (SD) como anormalidade genética, apresenta uma desordem intelectual que afeta a aquisição e o desenvolvimento da linguagem. Porém, sabemos que as condições ambientais podem influenciar essa aquisição e desenvolvimento, moldando o desempenho do sujeito fazendo com que cada criança com SD seja única em seu prognóstico. O objetivo deste artigo foi discutir informações sobre a SD, linguagem e entorno familiar. Assim esperamos enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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