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Crescimento urbano-industrial e a dinâmica migratória na região metropolitana da Grande Vitória (1960-2010): as particularidades socioespaciais dos impactos no município da Serra

Documento informativo

0 UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA MESTRADO EM HISTÓRIA SOCIAL DAS RELAÇÕES POLÍTICAS MADSON GONÇALVES DA SILVA CRESCIMENTO URBANO-INDUSTRIAL E A DINÂMICA MIGRATÓRIA NA REGIÃO METROPOLITANA DA GRANDE VITÓRIA (1960-2010): AS PARTICULARIDADES SOCIOESPACIAIS DOS IMPACTOS NO MUNICÍPIO DA SERRA Vitória 2015 MADSON GONÇALVES DA SILVA 1 CRESCIMENTO URBANO-INDUSTRIAL E A DINÂMICA MIGRATÓRIA NA REGIÃO METROPOLITANA DA GRANDE VITÓRIA (1960-2010): AS PARTICULARIDADES SOCIOESPACIAIS DOS IMPACTOS NO MUNICÍPIO DA SERRA Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em História, do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em História, na área de concentração História Social das Relações Políticas. Orientadora: Prof.ª Dr.ªMaria Cristina Dadalto. Co-Orientadora: Prof.ª Dr.ª Márcia Barros Ferreira Rodrigues Vitória 2015 2 MADSON GONÇALVES DA SILVA CRESCIMENTO URBANO-INDUSTRIAL E A DINÂMICA MIGRATÓRIA NA REGIÃO METROPOLITANA DA GRANDE VITÓRIA (1960-2010): AS PARTICULARIDADES SOCIOESPACIAIS DOS IMPACTOS NO MUNICÍPIO DA SERRA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História do Centro de Ciências Humanas e Naturais, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em História na área História Social das Relações Políticas. Aprovada em: 28 de Maio de 2015 COMISSÃO EXAMINADORA ___________________________________________________________________ Prof.ª Dr.ªMaria Cristina Dadalto (Orientadora) Universidade Federal do Espírito Santo ___________________________________________________________________ Prof.ª Dr.ªMárcia Barros Ferreira Rodrigues (Co-Orientadora) Universidade Federal do Espírito Santo ___________________________________________________________________ Prof. Dr. Julio César Bentivoglio (Examinador Interno) Universidade Federal do Espírito Santo ___________________________________________________________________ Prof.ª Dr.ª Lúcia Maria Machado Bógus (Examinadora Externa) Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ___________________________________________________________________ Prof. Dr. Sebastião Pimentel Franco (Membro Suplente) Universidade Federal do Espírito Santo 3 A Jesus Cristo, meu senhor e mestre; o resplendor da glória de Deus, o alfa e o ômega, a estrela da manha, o verbo, o cordeiro de Deus, o Filho do homem aquele por quem todas as coisas subsistem, aquele a quem o vento e o mar obedecem, o Eu Sou. 4 Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) (Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo, ES, Brasil) S586c Silva, Madson Gonçalves da, 1984- Crescimento urbano-industral e a dinâmica migratória na região metropolitana da grande Vitória (1960-2010) : as particularidades socioespaciais dos impactos no municipio da Serra / Madson Gonçalves da Silva. – 2015. 121 f. : il. Orientador: Maria Cristina Dadalto. Coorientador: Márcia Barros Ferreira Rodrigues. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Ciências Humanas e Naturais. 1. Industrialização – Serra (ES). 2. Urbanização – Serra (ES). 3. Serra (ES) – Migração. I. Dadalto, Maria Cristina. II. Rodrigues, Márcia Barros Ferreira. III. Universidade Federal do Espírito Santo. Centro de Ciências Humanas e Naturais. IV. Título. CDU: 93/99 AGRADECIMENTOS 5 A Deus, por enviar seu filho para morrer em meu lugar e me comissionar nesta vida para desenvolver meu ministério, também, por meio dos meus estudos. Faço todas as coisas na certeza de que tudo o que tenho e tudo o que sou é por Ele e para Ele, que me capacita e proporciona os meios para que eu prossiga. À minha amada esposa Suellen, que muito me ajudou e incentivou na confecção deste trabalho, pelas correções textuais e dicas, por me ajudar na organização das ideias; pelo café, água, lanchinhos e paciência. Pela compreensão com minhas ausências e pela falta dela (de compreensão), quando realmente precisava de mim nos cuidados com a casa e com o bebê. Agradeço pela dedicação e tantas outras coisas que não caberiam aqui. Ao meu filho Henrique Madson, cujo choro de seus primeiros meses serviu de canção aos meus ouvidos, pelo sorriso nunca negado e pelo abraço sempre disponível. Ele é um presente e vê-lo andar pela casa fazendo bagunça me dá muita alegria, muita esperança; mesmo quando estou digitando e percebo vários caracteres a mais no meu texto e aquele sorriso com apenas dois dentes ao meu lado. Também, aos meus filhos, Davi, cuja presença gostaria que fosse mais constante, e Rian, que demonstra admiração, mas não compreende, ainda, o porquê de eu dedicar tanto tempo aos estudos. À minha família, pois cada um à sua maneira contribuiu para que eu cumprisse essa etapa. Aos meus sogros Jorge e Cleuza pela admiração e presença constante, me ajudando e “atrapalhando”, também. Aos meus cunhados Thiago e Michele, principalmente, pelos sobrinhos lindos que ganhei durante o mestrado, Luiz Miguel e Helena, dois sobrinhos em dois anos. Esses bebês eu cuidei, acompanhei na maternidade, dei os primeiros banhos, curei os umbigos e troquei as primeiras fraldas, são meus filhos. Aos meus pais Pedro e Neuselina, que de alguma forma forjaram meu caráter para que algumas conquistas fossem obtidas, dentre elas, a conclusão do mestrado. Ao 6 meu irmão Dagner e cunhada Rose, pela consideração e por me dar sobrinhos tão amados e tão amáveis: João Victor, Luís Gustavo e Helena. Sempre que me encontram me trazem muita alegria com a maneira que dizem “bença tio”. Aos meus pais espirituais, Rev. Ronaldo e Sória por toda atenção, pelo carinho, orações, conselhos, incentivo, tudo aquilo que pai e mãe sabem fazer bem. À orientadora Maria Cristina Dadalto pela bondade, franqueza e incentivo, demonstrando cuidado acadêmico e pessoal, pela sinceridade em dizer o que eu precisava ouvir; também, pelas palavras de afirmação que me lançaram à frente, sempre quando eu esmorecia. À Co-orientadora Márcia Barros Ferreira Rodrigues, pelas oficinas e seminários, primando pela qualidade na produção acadêmica. Aos professores do Programa de Pós-Graduação em História, pela quantidade de conhecimento compartilhado. Ao Valter Pires Pereira que sempre demonstrou boa vontade em ajudar, opinando e emprestando materiais muito úteis; Adriana Pereira Campos, pelas aulas provocativas, por não me deixar na inércia e incentivar. À turma de mestrado 2013/01, que caminhou junto comigo, auxiliando em minhas limitações. Ao Natan Henrique pela amizade e dicas; ao “General” Élio, meu companheiro; à Giselly Rezende, Marcela Camporez, Rodrigo Mello e Fernando Santa Clara pelo apoio. Ao Joel Soprani, companheiro de caminhada. Ao professor Júlio Bentivoglio e à Bruna Bigossi, pela amizade. À professora Aurélia Castiglioni pelas observações no seminário de qualificação. Aos amigos Arlécio e Ludmila, Paulo Roberto e Luana, cuja presença é terapêutica. Ao Pr. Gilvandro Salles pelos cuidados dispensados. Aos amigos que esbarrei na graduação, especialmente, Rogério, Bruno e Larissa. Aos amigos Filipo e Maria Rita, pela parceria incondicional, pelo apoio, pelos cafés, sucos, papos, e tantas outras coisas que só quem caminhou junto sabe o que é. Aos integrantes do Laboratório de Estudos do Movimento Migratório, pela disponibilidade em ler e ouvir as apresentações decorrentes da pesquisa e pelas contribuições para a produção do trabalho. 7 Aos irmãos da IPB Nova Jerusalém pelas orações, especialmente, Flávio, Adriana, João Pedro e Gabriel, pelo incentivo e amizade, sempre companheiros. Ao Rev. Carlos Henrique, Cláudia Márcia, Daniel e Carla pela amizade e apoio. De tanto o Rev. Carlos Henrique dizer que se orgulha de mim, talvez não tenha percebido o quanto eu me orgulho dele. Vocês são canais de bênçãos na minha vida e motivo, também, do meu crescimento. Aos amigos que fiz na Faculdade Unida, especialmente, os professores Sérgio Marlow, Francisco de Assis, Wanderley Rosa, Osvaldo Ribeiro, Antonio Geraldo, Alex Assis, Vilmar Diniz e Ronaldo Cavalcante. À turma de Aspirantes 2011, que sem saber muito atenuavam meu cansaço dos estudos com as brincadeiras no nosso grupo. Ao meu amigo Tenente Cassimiro, que, apesar da distância, contribuiu na produção deste trabalho. Aos irmãos da Polícia Militar; ao Major Roger, Major Rogério Fernandes e à equipe “Eco”. Ao Cap Bergamim, pelos conselhos oportunos e por sempre se preocupar comigo. Aos Capitães Margon, Walter, Miranda e Portela. Ao Tenente Pedrini pela consideração e apoio dispensado e ao Ten. Loureiro, sempre solícito nas trocas de serviço quando eu precisava estudar. Em especial, aos irmãos que fiz no Sexto batalhão; ao Tenente Coronel Barreto, pelo incentivo e reconhecimento, sempre com uma visão no futuro; aos Majores Rogério e Bezerra pelas conversas e conselhos, pelo apoio e incentivo. Aos demais oficiais, especialmente, Cap Wanderson, pelo considerável apoio, estímulo e conselhos à sombra do “pé de manga”. 8 δουλος Apóstolo Paulo (Rm 1.1) 9 RESUMO Busca analisar o acentuado crescimento urbano-industrial, de 1960-2010, na Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), relacionando-o com o fluxo migratório e os desdobramentos socioespaciais verificados neste período. Aponta, ainda, que a implantação dos “Grandes Projetos industriais”, no final da década de 1960, correlacionou-se a um cenário regional, nacional e global, que colocou o Espírito Santo na economia global. Insere-se na linha de pesquisa “Estado e Políticas Públicas”, do mestrado em História Social das Relações Políticas. Apresenta como problema a relação entre o processo de industrialização com fluxo migratório na RMGV; e como os efeitos socioespaciais dessa interação podem ser observados no município da Serra. Avalia que há um processo intenso de industrialização que se relacionou com o de urbanização na Capital e nos municípios circunjacentes, proporcionando um crescimento populacional abrupto, não acompanhado pelas políticas públicas do Estado, intensificando as desigualdades sociais e espaciais. Objetiva relacionar o desenvolvimento industrial e o crescimento urbano ao fluxo migratório, a partir de uma análise que apresenta as sobredeterminações dos efeitos resultantes deste processo por meio dos indicadores de desigualdade socioespaciais e dos homicídios, com foco, no município da Serra. Palavras-chave: Migração; Industrialização; Espírito Santo; Serra; Desigualdade socioespacial. 10 ABSTRACT Analyzes the sharp urban-industrial growth of 1960-2010 in the Metropolitan Region of Great Vitória, relating it with migration and the socio-spatial developments seen in this period. Also points out that the implementation of the "Large industrial projects", in the late 1960s, correlated to a regional, national and global stage, which placed the Espírito Santo in the global economy. It is part of the research line "State and Public Policy", the MA in Social History of Political Relations. Presents as a problem the relationship between industrialization process with migration in the metropolitan region of Great Vitória and how the socio-spatial effects of this interaction can be observed in the municipality of Serra. Believes that there is an intense process of industrialization which was associated with urbanization in the capital and surrounding municipalities, providing an abrupt population growth not accompanied by public policies of the State, which intensified the social and spatial inequalities. It aims to relate industrial development and urban growth to migration from an analysis that shows the “overdeterminations” of the effects of this process through sociospatial inequality indicators and homicides, focusing, in the municipality of Serra. Keywords: Migration; Industrialization; Espírito Santo; Serra; Socio-spatial inequality. 11 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – Família de imigrantes no campo no início do século XX. 26 Figura 2 – Localização da CST, pelotizadoras da CVRD, Aracruz Celulose e da Samarco. 32 Figura 3 – Cais de Minério do Atalaia, em 1952. 33 Figura 4 – Construção do Porto de Tubarão, no final da década de 1960. 35 Figura 5 – Construção da Samarco Mineração, em 1976. 40 Figura 6 – Início das obras no Portocel, Barra do Sahy em Aracruz, final década de 1970. 41 Figura 7 – Corredor Centro-Leste. 47 Figura 8 – Investimentos Previstos por Município - Espírito Santo: 2008-2013. 49 Figura 9 – Panfleto com propaganda de incentivo à imigração para o Brasil. 54 Figura 10 – Imagem do filme Viramundo, de 1965, retratando a chegada de migrantes nordestinos na cidade de São Paulo. 60 Figura 11 – Vista panorâmica do município da Serra. Ao fundo, o Mestre Álvaro. 73 Figura 12 – Serra, em 1875, ano em que foi elevada à categoria de cidade. 74 Figura 13 – Transporte de café por meio de canoas no Rio Santa Maria, início do século XX. 75 Figura 14 – Tropa de mula sendo empregada no transporte de produtos, Calogi, década de 1920. 75 Figura 15 – Vista aérea do município da Serra. A BR 101 corta ao meio e é possível observar diversos galpões e também aglomerados urbanos 77 ao longo da Rodovia. Figura 16 – Trator à margem da construção da BR 101. 78 Figura 17 – Bairro Eurico Sallles, 1979. 80 Figura 18 – Construção do Conjunto residencial Calabouço, atual bairro Eldorado, Serra, em 1981. 81 12 Figura 19 – Central Carapina, antigo bairro Sossego, Serra, em 1979. 82 Figura 20 – Bairro Planalto Serrano, no início da década de 1990. 85 Figura 21 – Proporção da população no município da Serra sem rendimentos. 87 Figura 22 – Mapa de concentração de homicídios por bairros no município da Serra, em 2000. 99 Figura 23 – Mapa de concentração de homicídios por bairros no município da Serra, em 2010. 100 Gráfico 1 – Produção de Petróleo total no Espírito Santo em milhões de barris, entre 2000 e 2013. 44 Gráfico 2 – Produção de Gás natural no Espírito Santo, em milhões de barris, entre 2000 e 2013. 45 Gráfico 3 – Participação do Espírito Santo na produção nacional de petróleo e gás natural, em %. 45 Gráfico 4 – Crescimento populacional do município da Serra, de 1960 a 2010. 79 Gráfico 5 – Números absolutos dos homicídios no município da Serra, de 1989 a 2010. 96 Gráfico 6 – Taxa de homicídios, para cada 100 mil habitantes, no município da Serra, de 1991 a 2010. 97 Gráfico 7 – Taxa de homicídios para cada 100 mil habitantes no Brasil, Espírito Santo, Região Metropolitana da Grande Vitória e Serra, no período de 98 1991 a 2010. Quadro 1 – Grandes Projetos Industriais. 38 13 LISTA DE TABELAS 1 - População Urbana e Rural do Estado do Espírito Santo, no período 1960 – 2010. 30 2 - Crescimento do PIB do Espírito Santo e do Brasil por décadas, 1960 – 2010. 48 3 - Composição do PIB por setor, 1953-2010. 48 4 - Participação dos setores da econômica no PIB brasileiro no período de 1955 – 2008. 62 5 - População absoluta e percentual da população urbana e rural brasileira, no período 1960-2010. 63 6 - Saldo migratório do Espírito Santo em números absolutos, no período 1960 – 2010. 68 7 - Crescimento populacional da Região Metropolitana do Espírito Santo 1960 – 2010. 69 8 - Quantitativo dos habitantes da RMGV em números absolutos, em 2000 e 2010. 70 9 - Quantitativo dos habitantes do município da enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. Buschmann S, Warkentin E, Xie H, Langer JD, Ermler U, et al. (2010) The structure of cbb3 cytochrome oxidase provides insights into proton pumping. Science 329: 327–330. 11. Fee JA, Case DA, Noodleman L (2008) Toward a chemical mechanism of proton pumping by the B-type cytochrome c oxidases: application of density functional theory to cytochrome ba3 of Thermus thermophilus. J Am Chem Soc 130: 15002–15021. 12. Chang HY, Hemp J, Chen Y, Fee JA, Gennis RB (2009) The cytochrome ba3 oxygen reductase from Thermus thermophilus uses a single input channel for proton delivery to the active site and for proton pumping. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 16169–16173. 13. Luna VM, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2008) Crystallographic studies of Xe and Kr binding within the large internal cavity of cytochrome ba3 from Thermus thermophilus: structural analysis and role of oxygen transport channels in the heme-Cu oxidases. Biochemistry 47: 4657–4665. PLoS ONE | www.plosone.org 11 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348 The 1.8 Å Structure of ba3Oxidase 27. Vogeley L, Sineshchekov OA, Trivedi VD, Sasaki J, Spudich JL, et al. (2004) Anabaena sensory rhodopsin: a photochromic color sensor at 2.0 A. Science 306: 1390–1393. 28. Cherezov V, Rosenbaum DM, Hanson MA, Rasmussen SG, Thian FS, et al. (2007) High-resolution crystal structure of an engineered human beta2adrenergic G protein-coupled receptor. Science 318: 1258–1265. 29. Jaakola VP, Griffith MT, Hanson MA, Cherezov V, Chien EY, et al. (2008) The 2.6 angstrom crystal structure of a human A2A adenosine receptor bound to an antagonist. Science 322: 1211–1217. 30. Wu B, Chien EY, Mol CD, Fenalti G, Liu W, et al. (2010) Structures of the CXCR4 chemokine GPCR with small-molecule and cyclic peptide antagonists. Science 330: 1066–1071. 31. Chien EY, Liu W, Zhao Q, Katritch V, Han GW, et al. (2010) Structure of the Human Dopamine D3 Receptor in Complex with a D2/D3 Selective Antagonist. 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