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Inércia versus inovação: a produção residencial multifamiliar contemporânea em Belo Horizonte e São Paulo

Documento informativo

Grazielle Nunes de Azevedo 2 Inércia versus Inovação: a produção residencial multifamiliar contemporânea em Belo Horizonte e São Paulo Dissertação de Mestrado apresentada ao Núcleo de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (NPGAU) da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (EA-UFMG), como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo. Área de Concentração: Teoria, Produção e Experiência do Espaço Orientadora: Profa. Dra. Denise Morado Nascimento Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte - 2014 3 FICHA CATALOGRÁFICA A994i Azevedo, Grazielle Nunes de. Inércia versus inovação [manuscrito] : a produção residencial multifamiliar contemporânea em Belo Horizonte e São Paulo / Grazielle Nunes de Azevedo. - 2014. 359f. : il. Orientadora: Denise Morado Nascimento. Dissertação – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura. 1. Edifícios de apartamentos – Padrões de produção - Teses. 2. Edifícios de apartamentos – Padrões de produção – Belo Horizonte (MG). 3. Edifícios de apartamentos – Padrões de produção – São Paulo (SP). 4. Planejamento urbano - Teses. 5. Capitais (cidades) – Aspectos sociais. I. Nascimento, Denise Morado. II. Universidade Federal de Minas Gerais. Escola de Arquitetura. III. Título. CDD 728.314 4 Agradecimentos: Aos meus queridos pais Silvério e Penha, pelo carinho e apoio incondicional. À minha irmã Dani, aos meus amigos e demais familiares por todo incentivo e amizade. Aos professores do Núcleo de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo da EA-UFMG, por contribuírem para o meu aprendizado e, aos colegas de mestrado, pela amizade. Às professoras, doutoranda Marcela Silviano Brandão Lopes e doutora Juliana Torres de Miranda, pela presença em meu Seminário de Dissertação, trazendo contribuições fundamentais para o direcionamento do trabalho. À professora doutora Denise Morado Nascimento, minha orientadora, por todos os ensinamentos, guiando meus passos nesse percurso. À agencia financiadora - CAPES, pela viabilização do desenvolvimento deste trabalho, por meio da bolsa de estudos e do apoio financeiro para as pesquisas de campo. 5 6 Resumo Considerando o atual contexto da produção residencial multifamiliar no Brasil, percebe-se o desenrolar de um processo de padronização projetual já bastante disseminado. Tal uniformidade implica efeitos que podem ser observados em escalas distintas - edifício e cidade. Ainda que as escolhas se deem no âmbito do edifício, sendo este um elemento da paisagem urbana, a repercussão de sua produção torna-se bastante evidente no contexto ampliado da cidade. A proliferação de edifícios verticais indistintos que se assemelham a cópias de modelos revela a fotografia de uma paisagem também indistinta, que poderia ser atribuída a qualquer metrópole brasileira. Estabelecida tal constatação, inicia-se a problematização (mais à frente chamaremos de controvérsias) que direciona o estudo pretendido e se refere à condição de “inércia projetual” atrelada à produção contemporânea dos edifícios residenciais multifamiliares no Brasil. O objetivo deste trabalho será investigar como se desenvolve essa produção, tendo como recorte as cidades de Belo Horizonte e São Paulo, atendo-se, justamente, ao processo de padronização arquitetônica - fenômeno que se relaciona à conduta de eleger modelos e replicá-los em massa. Nesse sentido, há que se reconhecer a convergência de uma série de ações e interesses por parte de múltiplos atores, que de maneira articulada, determinam a produção dos edifícios, dentro do amplo e complexo universo que é o contexto de conformação das cidades contemporâneas brasileiras. 7 Palavras-chave: produção residencial multifamiliar, padronização projetual, “inércia projetual”, múltiplos atores, conformação das cidades contemporâneas brasileiras. 8 Abstract “Inertia vs. Innovation: the contemporary residential multifamily production in Belo Horizonte and São Paulo” Considering the current context of multi-family production in Brazil perceives the development of a projetual standardization process is already quite widespread. This uniformity implies effects that can be observed in different scales - building and city. Although the choices are within the building, this being an element of the urban landscape, the impact of their production becomes quite evident in the expanded context of the city. The proliferation of vertical buildings that resemble indistinct copies of models reveals a picture of a indistinct landscape also, which could be attributed to any Brazilian metropolis. Established such a finding, initiates the questioning (we'll call the controversies) that directs the desired study and refers to the condition of “design inertia” linked to contemporary production of multifamily residential buildings in Brazil. The objective of this work is to investigate how to develop this production, having as clipping of a research the cities of Belo Horizonte and Sao Paulo, considering just the architectural standardization process - phenomenon that relates to the conduct of electing models and replicate them massively. In this sense, we must recognize the convergence of actions and interests on the part of multiple actors, who articulately, determine the production of buildings, within the broad and complex universe that is the context of contemporary configuration of Brazilian cities. 9 Keywords: multifamily residential production, projetual standardization, ”projetual inertia”, multiple actors, configuration of Brazilian contemporary cities. 10 Abstracto “Inercia vs. Innovación: la producción contemporánea de viviendas multifamiliares en Belo Horizonte y São Paulo” Teniendo en cuenta el contexto actual de la producción de viviendas multifamiliares en Brasil, percibe la conducta de un proceso de normalización projetual ya bastante extendido. La uniformidad implica efectos que se pueden observar en diferentes escalas - la construcción y de la ciudad. Aunque las opciones se consideren dentro del edificio, siendo éste un elemento del paisaje urbano, el impacto de su producción se hace muy evidente en el contexto más amplio de la ciudad. La proliferación de edificios verticales que se parecen a las copias indistintas de los modelos muestra una fotografía de un paisaje también indistinta, lo que podría atribuirse a cualquier metrópoli brasileña. Establecida esa constatación, inicia el interrogatorio (vamos a llamar a las controversias), que dirige el estudio deseado y se refiere a la condición de “inercia de diseño” vinculado a la producción contemporánea de los edificios de viviendas multifamiliares en Brasil. El objetivo de este trabajo es investigar cómo se desarrolla tal producción, teniendo como recorte de la investigación las ciudades de Belo Horizonte y Sao Paulo, teniendo en cuenta el proceso de normalización de arquitectura - fenómeno que se relaciona con la conducta de elegir y replicar los modelos de forma masiva. En este sentido, hay que reconocer la convergencia de una serie de acciones y los intereses por parte de múltiples actores, que de manera articulada, determinan la producción de los edifícios, dentro del 11 universo amplio y complejo que es el contexto de la configuración de las ciudades brasileñas contemporáneas. Palabras clave: producción de viviendas multifamiliares, normalización projetual, “inercia projetual”, múltiples actores, la configuración de las ciudades brasileñas contemporáneas. 12 Lista de figuras FIGURA 1 Planta esquemática - moradia burguesa oitocentista .67 FIGURA 2 Planta esquemática - apartamento moderno .67 FIGURA 3 Apartamento de edifício parisiense - final do séc, XIX .70 FIGURA 4 Apartamento de edifício parisiense - final do séc, XIX .70 FIGURA 5 Edifício Prudência. Arquiteto Rino Levi. São Paulo .71 FIGURA 6 Edifício Leeds Hall. Arquiteto desconhecido.2007 .71 FIGURA 7 Folder imobiliário 1 .83 FIGURA 8 Folder imobiliário 2 .83 FIGURA 9 Folder imobiliário 3 .84 FIGURA 10 Folder imobiliário 4 .84 FIGURA 11 Folder imobiliário 5 .85 FIGURA 12 Folder imobiliário 6 .85 FIGURA 13 Edifício Av. Angélica - Primeiro edifício moderno em São Paulo . .90 13 FIGURA 14 Edifício Sampaio Moreira - Primeiro edifício vertical em São Paulo .94 FIGURA 15 Edifício Martinelli. São Paulo . . . . . . . .94 FIGURA 16 Edifício A noite. Rio de Janeiro .95 FIGURA 17 Edifício Esther. São Paulo .95 FIGURA 18 Edifício Copan. São Paulo .98 FIGURA 19 Edifício Chrysler Building. Nova York .111 FIGURA 20 Edifício Empire State Building. Nova York .111 FIGURA 21 Edifício Ourânia 77. Incorporadora Idea!Zarvos. São Paulo .114 FIGURA 22 Edifício Oito. Incorporadora Idea!Zarvos. São Paulo .114 FIGURA 23 Edifício Fidalga 772. Incorporadora Idea!Zarvos. São Paulo .114 FIGURA 24 Edifício Aimberê 1749. Incorporadora Idea!Zarvos. São Paulo .115 FIGURA 25 Edifício Simpatia 236. Incorporadora Idea!Zarvos. São Paulo .115 FIGURA 26 Edifício Amelia Teles.Incorporadora Smart!Lifestyle+Design. Porto Alegre .116 FIGURA 27 Edifício Amelia Teles.Incorporadora Smart!Lifestyle+Design. Porto Alegre .116 14 FIGURA 28 Edifício Estúdios Capelinha 244. Incorporador/ arquiteto Carlos Maciel. Belo Horizonte .117 FIGURA 29 Edifício Estúdios Capelinha 244. Incorporador/ arquiteto Carlos Maciel. Belo Horizonte .117 15 16 Lista de tabelas TABELA 1 Unidades residenciais lançadas em empreendimentos verticais na cidade de São Paulo - 2000/2007 .65 17 18 Sumário Introdução .20 Capítulo 1. A abordagem das controvérsias como metodologia de análise - teoria do ator-rede (tar) .32 Capítulo 2. Inércia da repetição / o processo de padronização versus inovação .46 2.1 O evento e a dinâmica das controvérsias no tempo .48 2.2 Atores, ações, discursos e associações .49 2.3 O processo de verticalização no Brasil .88 2.4 O avesso da padronização - as “iniciativas de exceção” .108 Capítulo 3. Cartografia das controvérsias - a produção residencial multifamiliar contemporânea em Belo Horizonte e São Paulo .120 Considerações finais .188 Referências bibliográficas .198 Apêndice - Capítulo 3 .210 19 INTRODUÇÃO 20 21 22 “Para construir bem e barato, a empresa lança partido de duas armas: padronização e simplicidade. A execução de projetos padronizados, repetidos, muitas vezes, leva a um aumento de produtividade natural. Ou seja, a empresa constrói mais e mais rápido. "É o estilo McDonald's de construir". É possível fazer muitos hambúrgueres ao mesmo tempo, mas um prato sofisticado leva muito mais tempo e dificulta a produção em série. Ou seja, um produto despadronizado emperra a produtividade. Nosso maior objetivo é a padronização, que permite a produção em larga escala e a melhoria contínua da qualidade e com economia. Temos seis modelos de projeto padronizados. Só o número de dormitórios é diferente.1 ” Considerando o atual contexto da produção residencial multifamiliar no Brasil, fica evidente o desenrolar de um processo de padronização projetual já bastante disseminado. Basta uma simples busca pelos classificados de imóveis, ou mesmo uma caminhada mais atenta pelas ruas de qualquer grande cidade brasileira para a constatação imediata. Se nos anúncios imobiliários, vemos plantas e fachadas serem reproduzidas com variações essencialmente superficiais, ao percorrer a cidade, tal constatação se reafirma. O percurso por entre a multiplicidade de torres similares nos remete a uma experiência déjà vu. _______________________________ 1 Entrevista dada a revista Construção Mercado - edição 16 / Novembro - 2002 por um agente imobiliário da construtora Tenda - atuação em Belo Horizonte e São Paulo. http://construcaomercado.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/16/artigo281780-1.aspx 23 O termo “padronização projetual” que se pretende discutir neste trabalho se refere aos aspectos relacionados à concepção espacial dos edifícios, ou seja, tanto à composição das unidades/apartamentos - distribuição espacial, articulação entre as ambiências e seus usos quanto a elementos referentes ao edifício como um todo - forma de implantação, arranjo das unidades/apartamentos e soluções relativas à transição do edifício com o meio público (a cidade) - além das escolhas técnico-construtivas. No que se refere às unidades/apartamentos, como se pode ver nas plantas dos anúncios imobiliários, ainda prevalece a reprodução de dois modelos: moradia (unifamiliar) burguesa oitocentista, baseada na tripartição dos espaços em áreas social, intima e de serviços e apartamento moderno, cujos principais preceitos eram a planta livre, o espaço mínimo e a sobreposição de funções. Já em relação à conformação do edifício, nota-se uma significativa prevalência do arranjo vertical, através do empilhamento das unidades e a demarcação de limites rígidos entre público e privado - uso de muros e gradis. Tal homogeneidade conceptual implica efeitos que podem ser percebidos em escalas distintas edifício e cidade. Ainda que as escolhas se deem no âmbito do edifício, sendo este um elemento da paisagem urbana, a repercussão de sua produção torna-se bastante evidente no contexto ampliado da cidade. A proliferação de edifícios verticais indistintos, que se assemelham a cópias de um mesmo modelo, revela a fotografia de uma paisagem também indistinta, que poderia ser atribuída a qualquer metrópole brasileira. 24 Estabelecida a constatação, inicia-se a problematização (mais à frente chamaremos de controvérsias) que direciona o estudo pretendido. Nesse aspecto, as questões ou proposições da pesquisa são lançadas: se a produção de edifícios residenciais multifamiliares no Brasil tem sido vinculada a uma arquitetura de extrema padronização projetual, a que se deve tal condição de “inércia projetual produtiva”²? Como e por que ela tem se perpetuado? Quais os atores3 envolvidos? Como eles atuam e se associam? Há espaço nesse tipo de produção para o que poderíamos considerar “iniciativas de exceção” ou possíveis “inovações” - propostas alternativas ao padrão estabelecido? Uma hipótese a ser levantada explica o fenômeno da padronização projetual na produção residencial multifamiliar como condição para a produtividade, e consequentemente, para a lucratividade. Esse tem sido um discurso recorrente no campo da construção civil, sobretudo por parte de atores ligados ao mercado imobiliário. O trecho da entrevista que abre este trabalho pode ser considerado um indício significativo. A voz em destaque representa mais do _______________________________ 2 Chamo de inércia projetual produtiva a prática da repetição de modelos em massa que tem caracterizado a arquitetura dos edifícios residenciais multifamiliares no Brasil. 3 O termo ator aqui utilizado, proposto por Latour (2012), constitui uma forma neutra de nomear agentes participantes dessa produção, sejam estes 150 3.2 – Por que “urbanizar-se” torna-se uma necessidade: o sentido estrutural da favela na e para a urbanização ______________________________________________ 152 3.3 – Possibilidades de estudo acerca da favela _____________________________ 163 3.4 – Exposição da forma e das questões que orientam a aproximação do Programa de “Urbanização” Vila Viva _______________________________________ 166 3.5 – Formação de favelas e “desfavelamento” em Belo Horizonte. Contradições aparente ou forma aparente da contradição fundamental? _______________________171 3.5.1 – A aparência da contradição: a remoção da favela e do favelado como fundamento da urbanização ______________________________________________ 179 3.6 – Do planejamento que se questiona às questões que se metamorfoseiam em planejamento: O Plano Global Específico como instrumento de ordenamento territorial das favelas ___________________________________________188 3.7 – O lugar do/para o Programa Vila Viva já implantado: a formação do Aglomerado da Serra ______________________________________________________ 207 3.8 – Avanços, retrocessos, rupturas e permanências na reprodução da vida subordinada à reprodução ampliada do capital: reflexões sobre os sentidos e contradições que perpassam o Programa de “urbanização” Vila Viva ______________________ 221 3.8.1 – Desestruturação, reestruturação e rupturas no Aglomerado da Serra: a construção da Avenida do Cardoso _______________________________ 233 3.8.2 – Sentidos e contradições do que se insere no lugar, mas que lhe é externo: quando a Avenida do Cardoso (se) (trans)forma no Anel da Serra _______________ 236 3.8.3 – O Vila Viva e para onde aponta o seu alcance _______________________ 240 Capítulo 04 – A reestruturação urbana de Belo Horizonte e sua região metropolitana: fundamentos da realização da economia política do/no espaço. ___________________________________________________________ 243 4.1 – O ordenamento territorial como reprodutor das condições de reprodução ampliada do capital: sentidos e limites inscritos (e “possibilidades”) engendradas pelo planejamento da RMBH _____________________________________________________ 248 4.2 – A metropolização de Belo Horizonte _________________________________ 253 4.3 – Fundamentos da necessidade do reordenamento territorial engendrado na região norte de expansão pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da RMBH ______ 260 4.4 – As vias de integração/reestruturação da região norte da RMBH ______________ 262 4.4.1 – A ampliação das avenidas Antônio Carlos e Pedro I e a produção da linha verde e seu contexto na reestruturação da RMBH ___________________________ 266 4.5 – Da produção de empreendimentos à reprodução simbólica da região norte de expansão da RMBH: a realização da economia política do espaço _____________________ 287 4. 6 – Caminhos do planejamento e ordenamento territorial sob o planejamento estratégico: a consolidação do empreendedorismo urbano na reprodução da RMBH _______319 4.7 – Outras estratégias de valorização da região norte de expansão: a produção de “condomínios fechados” para as classes de alta renda e os caminhos que compõem a representação simbólica do viver na/fora da metrópole como fundamento da realização da economia política do espaço ____________________________ 324 Capítulo 05 – A reestruturação do espaço da RMBH como fundamento do espaço abstrato e seu alcance sobre a vida cotidiana. _________________ 339 5.1 – A cotidianidade dos espaços periféricos como tributária de estratégias de outros espaços ______________________________________________________ 354 5.2 – A reprodução social do espaço pela reafirmação dos pressupostos da segregação: espaços das classes sociais de rendimentos médios e elevados _______________ 357 Considerações Finais _____________________________________________ 367 Referências Bibliográficas _________________________________________ 274 Lista de Figuras Figura 1: Fragmento da cartilha da URBEL distribuída aos moradores do Vila Viva com orientações sobre como viver em condomínio e que aponta diferenças em relação à forma/conteúdo da habitação anterior _________________________________173 Figura 2: Favelas Aglomerado da Serra________________________________ 207 Figura 3: Localização do Aglomerado da Serra em Belo Horizonte____________ 207 Figura 4: Seções geológico-geotécnicas da favela Santana do Cafezal __________ 209 Figura 5: Seções geológico-geotécnicas da Favela Nossa Senhora de Fátima _____ 209 Figura 6: seções geológico-geotécnicas da Favela Marçola _________________ 210 Figura 7: Mapa multissetorial integrado do Vila Viva, registrando os parques ambientais da 1ª, 2ª e 3ª Água (parte superior da direita para a esquerda). Entre os parques da 2ª e 3ª Água (parte superior à esquerda), observam-se também retângulos rosa e laranja, indicando o lugar em que foram construídos alguns prédios para realocação das famílias removidas ______________________________________________ 214 Figura 8: Pavimentação da Rua Arauto, uma das ações do Vila Viva dentro da Nossa Senhora Aparecida, demandada pelos moradores _______________________ 216 Figura 9: Mapa de atuação da URBEL nas favelas de Belo Horizonte, MG, com destaque para as favelas em que o Programa Vila Viva está em curso ________________ 222 Figura 10: Croqui do conjunto de favelas, com destaque para o modo como a Avenida do Cardoso insere-se no Aglomerado da Serra _________________________ 234 Figura 11: prospecto da estação do VIURBS que deverá substituir a favela São José, atualmente em fase de remoção, como um dos empreendimentos estruturantes de Belo Horizonte para os jogos de 2014 ________________________________ 265 Figura 12: trecho do alargamento da Avenida Antônio Carlos. O trecho destacado em amarelo corresponde ao que já encontrava em acordo com o projeto original ____________________________________________________________ 269 Figura 13: croqui de intervenções na Avenida Pedro I ____________________ 273 Figura 14: croqui de apresentação do alcance da linha verde ________________ 275 Figura 15: Área proposta após linha verde ____________________________ 283 Figura 16: croqui linha verde na MG010 ______________________________ 287 Figura 17: prospecto do CAMG. Fonte: Governo do Estado de Minas Gerais____ 288 Figura 18: Região Metropolitana de Belo Horizonte, com destaque para a região norte de expansão da metrópole ________________________________________ 302 Figura 19: prospecto do hotel Pampulha In ______________________________304 Figura 20: prospecto do empreendimento Bologna Life, Construtora Tenda, localizado na Rua Santo Antônio, 800 – Bairro São João Batista. Disponível no sítio eletrônico da construtora ___________________________________________________ 305 Figura 21: localização da Região do Isidoro a ser incorporada por uma operação urbana consorciada, com destaques para os principais empreendimentos a serem produzidos nos próximos seis anos, prazo de validade da Operação Urbana ____________________________________________________________ 307 Figura 22: Prospecto da planta do residencial Horizonte Verde, da MRV, em Vespasiano ____________________________________________________ 316 Figura 23: Prospecto da planta do residencial Duo Xangrilá, empreendimento da Tenda em Ribeirão das Neves, com previsão de entrega para janeiro de 2013 ____________________________________________________________ 317 Figura24: Prospecto do residencial Portal Santa Luzia, da Construtora Tenda, localizado no bairro Belo Vale em Santa Luzia ___________________________ 317 Figura 25: localização do empreendimento PRECONPARK nos limites de Confins, Pedro Leopoldo e Lagoa Santa ______________________________________ 327 Figura 26: Prospecto do projeto do empreendimento PRECONPARK, da Indústria PRECON _____________________________________________________ 328 Figuras 27 e 28: organização territorial do empreendimento Reserva Real ______ 333 Lista de Fotos Fotos 1 e 2: Pés de mamão, manga, bananeiras e moitas de cana plantados pela moradora de um dos apartamentos do prédio em frente ___________________170 Foto 3: Abertura da Avenida Cristiano Machado na década de 1970 ___________176 Foto 4: Casa inserida no Aglomerado da Serra (Nossa Senhora de Fátima) que no período de chuvas era inundada várias vezes pelas águas poluídas pelo lançamento de esgoto no córrego que a margeia. Fonte: material de divulgação Vila Viva ____________________________________________________________ 202 Foto 5: Casas na Rua São João, Aglomerado da Serra. Os moradores, para se deslocarem, eram sempre obrigados a transpor a vala retratada ____________________________________________________________ 202 Foto 6: Código de controle da URBEL fixado na porta de um apartamento de uma família composta por dois moradores (casal) removidos da favela Nossa Senhora de Fátima e reassentados em um edifício do Vila Viva. Esse prédio já foi entregue há 4 anos as instalações de água e esgoto, para a racionalização da construção. O detalhamento da caixilharia é equivalente ao do Edifício Columbus. Formalmente, as fachadas fronteira e posterior do edifício – que foi construído sobre as divisas laterais do terreno, prevendo-se a construção posterior de prédios vizinhos –,resultam, ambas. da distribuição planimétrica interna e recebem tratamento equivalente, baseado em volumetria movimentada, com balcões em balanço, semelhantes aos existentes no Edifício Columbus (Figura 38). Em relação ao panorama da arquitetura verticalizada em São Paulo nas décadas de 1930 e 1940, pode-se perceber que os edifícios de Rino Levi aqui analisados inserem-se numa etapa inicial das pesquisas sistematicamente empreendidas pelo arquiteto, visando à maior funcionalidade das construções, em termos de implantação no lote e distribuição interna dos ambientes, bem como avanços na qualidade técnica da construção e no que toca ao conforto ambiental. É oportuno observar que as soluções utilizadas por ele nos edifícios aqui analisados passaram a predominar sobre os esquemas primordialmente voltados à maximização dos lucros, usualmente utilizados até então. Chama a atenção, por outro lado, a não-adesão imediata de Levi ao repertório formal moderno– que ele conhecia bem, posto que residiu no Edifício Esther entre 1941 e 1944, além de manter escritório ali 51 –, o que parece indicar seu engajamento pessoal na melhoria efetiva dos parâmetros arquitetônicos vigentes, sem a preocupação de recorrer a soluções apenas superficialmente inovadoras. A análise ora desenvolvida buscou apontar a diversidade de soluções encontradas nos primeiros exemplares da arquitetura residencial verticalizada em São Paulo – rico manancial de temas de pesquisa sobre os modos de construir Anais do Museu Paulista. v. 16. n.1. jan.-jun. 2008. Figura 36 – Terraço do último andar do Prédio Higienópolis, com vista para o vale do Pacaembu (ACRÓPOLE, jul. 1940, p. 109). Figura 37 – Vista do bloco de garagens do Prédio Higienópolis, localizado nos fundos do terreno (ACRÓPOLE, jul. 1940, p. 108). Annals of Museu Paulista. v. 16. n.1. Jan. - June 2008. 145 Figura 38 – Fachada posterior do Prédio Higienópolis (ACRÓPOLE, jul. 1940, p. 108). 146 Anais do Museu Paulista. v. 16. n.1. jan.-jun. 2008. e de viver em São Paulo, no período em questão. Trata-se de conjunto significativo, porém envolto em flagrante indiferença, por não enquadrar-se facilmente nos valores arquitetônicos consagrados; com efeito, não se trata de edifícios excepcionais, nem muito antigos, nem tampouco inequivocamente modernos; são, isto sim, representativos deste momento menosprezado da história de nossa arquitetura situado entre as décadas de 1930 e 1940. Os numerosos exemplares remanescentes, muitos deles ainda razoavelmente íntegros, constituem importante patrimônio de São Paulo, pois evidenciam caminhos diversos e não necessariamente vitoriosos na produção imobiliária da cidade voltada à habitação. A pouca atenção a eles dispensada pela historiografia é risco certo à tentativa de compreender este período das moradias verticais da cidade, pois foram pouco documentados e poucos deles lograram obter proteção pelos instrumentos oficiais de preservação. Seu desaparecimento ou descaracterização acarretará, portanto, a transformação radical da imagem da área central da cidade – a obliteração de mais uma camada daquele pergaminho de que, com tanta pertinência, falou Benedito Lima de Toledo: A cidade de São Paulo é um palimpsesto – um imenso pergaminho cuja escrita é raspada de tempos em tempos, para receber outra nova, de qualidade literária inferior, no geral52. 52. Cf. Benedito Lima de Toledo (1981, p. 67). REFERÊNCIAS ANELLI, Renato. 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