Feedback

Caracterização epidemiológica dos casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, Pernambuco, Brasil, 1998 a 2008.

Documento informativo
COMUNICAÇÃO BREVE BRIEF COMMUNICATION 2131 Caracterização epidemiológica dos casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, Pernambuco, Brasil, 1998 a 2008 Epidemiological characteristics of AIDS cases in persons aged 60 years or older, Pernambuco State, Brazil, 1998 to 2008 Caracterización epidemiológica de casos de SIDA en personas mayores de 60 años o más, estado de Pernambuco, Brasil, de 1998 a 2008 Marcella Monteiro da Silva 1 Ana Lúcia Ribeiro de Vasconcelos 1 Leila Karina de Novaes P. Ribeiro 2 Abstract Resumo 1 Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz, Recife, Brasil. 2 Prefeitura da Cidade do Recife, Recife, Brasil. Correspondência M. M. Silva Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz . Rua Newton Braga 118, Olinda, PE 53110-020, Brasil. marcellaonline@ig.com.br Changes have occurred in the world scenario in recent years due to declining fertility and mortality, and longevity has thus appeared as a real phenomenon. Sexuality of the elderly is viewed with various prejudices. The current study characterized AIDS cases in persons 60 years or older in Pernambuco State, Brazil, reported to the State Health Department from January 1, 1998, to December 31, 2008. A cross-sectional descriptive study was performed with data from the Information System on Diseases of Notification (SINAN). In 1998 the AIDS incidence rate in the target age bracket was 1.6 cases per 100 thousand, increasing to 4.8 per 100 thousand in 2008, or an increase of 200%. There is thus an evident need to develop measures for prevention, diagnosis, and patient care specifically targeting the elderly, since sexuality in this age bracket is still enshrouded by myths and taboos. HIV; Acquired Immunodeficiency Syndrome; Demographic Aging Mudanças vêm acontecendo no panorama mundial nos últimos anos devido ao declínio das taxas de fertilidade e mortalidade, e como decorrência a longevidade tem sido apresentada como um fenômeno real. Na maturidade, a sexualidade vem acrescida de vários preconceitos. O presente trabalho caracterizou os casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, residentes no Estado de Pernambuco, Brasil, notificados à Secretaria de Saúde de Pernambuco entre 1o de janeiro de 1998 e 31 de dezembro de 2008. Foi realizado um estudo transversal/descritivo, com base nos dados de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Em 1998 a taxa de incidência de AIDS, na população de estudo, era de 1,6 caso/100 mil habitantes, passando para 4,8 casos/100 mil habitantes em 2008, caracterizando um aumento de 200%. Fica evidente a necessidade de desenvolvimento de ações de prevenção, diagnóstico e assistência direcionada especificamente para a terceira idade, uma vez que a sexualidade nesta fase da vida ainda é envolta por muitos tabus e mitos. HIV; Síndrome de Imunodeficiência Adquirida; Envelhecimento da População http://dx.doi.org/10.1590/0102-311X00161112 Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 29(10):2131-2135, out, 2013 2132 Silva MM et al. Introdução Resultados A infecção pelo HIV constitui um fenômeno global, dinâmico e instável, dependente, dentre outros, do comportamento individual e coletivo 1. Recordando, os primeiros casos de AIDS datam de 1977-1978, nos Estados Unidos, Haiti e África Central, concentrados nos grandes centros urbanos, acometendo principalmente homossexuais. Gradativamente atingiu outros grupos populacionais: usuários de drogas injetáveis (UDI), indivíduos expostos a sangue e hemoderivados, mulheres e crianças 2. No Brasil, os primeiros casos de AIDS notificados datam de 1982, localizado no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, sugerindo ter sido a Região Sudeste o foco inicial dessa epidemia 3. No período entre 1982-2008, o Ministério da Saúde registrou 465 mil casos novos de AIDS no Brasil, sendo a maioria (61%) na Região Sudeste 4. Em Pernambuco, a epidemia de AIDS teve início em 1983, com o primeiro caso identificado no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. Desde então, apresenta tendências crescentes, chegando a 533 casos em 1990 e a 5.395 no ano 2000 3. Assim, o presente estudo teve por objetivo caracterizar os casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, residentes em Pernambuco, entre 1o de janeiro de 1998 e 31 de dezembro de 2008. Metodologia Trata-se de um estudo transversal, descritivo, realizado com base nos dados do Sistema de Informações sobre Agravos de Notificação (SINAN), do Núcleo Estadual de Epidemiologia da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco. A população estudada foi de pessoas com 60 anos ou mais, residentes em Pernambuco, diagnosticadas com AIDS entre 1998-2008. Os dados populacionais utilizados foram provenientes de censos demográficos ou projeções e estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE; http://www.ibge.gov.br), acessados por meio eletrônico. As variáveis analisadas foram: faixa etária, sexo, raça/cor, grau de escolaridade (anos de estudos), categoria de exposição, município de residência e ano do diagnóstico, sendo demonstrada a frequência e distribuição dos casos. Com base nos municípios de residência os casos foram agrupados e demonstrados segundo as regionais de saúde do estado. Foram calculadas as taxas de incidência de AIDS na população do estudo, por ano de diagnóstico. Tem-se na Tabela 1 o número de casos de AIDS na população do trabalho, notificados segundo as Gerências Regionais de Saúde (GERES). Pode-se observar um total de 293 casos, e que 183 (62,5%) residiam na I GERES. Verifica-se ainda, que apenas essa regional notificou casos em todos os anos analisados, caracterizando indícios de subnotificação – não houve notificação na XI GERES. Está na Figura 1 a constatação de crescimento de 200% do número de casos notificados – incidência de 1,6 caso/100 mil habitantes em 1998 e 4,8 casos/100 mil habitantes em 2008. As características epidemiológicas estão demonstradas na Tabela 2, evidenciando que 195 casos (66,5%) foram em homens. O grupo etário de 60 a 69 anos foi o mais acometido (79,5%). Quanto à escolaridade, os analfabetos são quase 8%, demonstrando igual proporção com 12 anos ou mais de estudos. Pode-se observar que predomina a baixa escolaridade: 82 casos (53,95%) com escolaridade menor que oito anos de estudos e 23 (15,13%) analfabetos, que somados totalizam 105 casos (69,08%). Demonstra-se, ainda, que a maioria dos casos – 131 (44,7%) – foi da categoria heterossexual, e que os homens que fazem sexo com outros homens (HSH) corresponderam a 32 casos (10,9%). Observou-se que não houve nenhum caso em mulheres nas categorias homo/bissexual; tendose dentre os classificados como heterossexual 58 homens (19,8%) e 73 mulheres (24,9%). Dos 130 casos com essa informação ignorada, 105 (35,9%) foram em homens e 25 (8,5%) em mulheres. Quanto à variável raça/cor, 67 casos (22,9%) foram classificados como brancos; 104 (35,5%) como pardos ou pretos; 01 (0,3%) como amarelo; e 121 casos (41,3%) como “ignorados”. Discussão A epidemia da AIDS tem hoje no critério vulnerabilidade seu maior foco. No Brasil e no mundo os dados epidemiológicos demonstram que a epidemia avançou acometendo grupos sociais mais vulneráveis, estando os idosos entre estes 1,2. A expansão da AIDS, apesar das campanhas preventivas, é apontada em pesquisas como consequência de mudanças comportamentais impulsionadas pelo fenômeno da globalização, da massificação da notícia e da relativização de valores 5,6. É dito, ainda, que o aumento da infecção em idosos se deve a não assimilação/ adoção por parte desta população das medidas para o sexo seguro. Atualmente, medicamentos Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 29(10):2131-2135, out, 2013 CARACTERIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS DE AIDS 2133 Tabela 1 Distribuição dos casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, segundo as Gerências Regionais de Saúde (GERES) de Pernambuco, Brasil, 1998 a 2008. GERES 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Total % I 12 11 9 15 21 15 20 27 18 15 20 183 62,5 II 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 2 0,7 III 0 1 1 0 0 0 0 0 1 0 0 3 1,0 IV 0 1 1 0 3 1 0 3 2 4 2 17 5,8 V 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 3 1,0 VI 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0,3 VII 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0,3 VIII 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0 1 3 1,0 IX 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 2 0,7 X 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0,3 XI 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0,0 Pernambuco 12 14 12 16 26 17 20 32 25 19 23 216 73,7 Ignorado 0 0 9 8 10 7 7 2 15 19 0 77 26,3 Total 12 14 21 24 36 24 27 34 40 38 23 293 100,0 Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), 2010. Figura 1 Incidência dos casos de AIDS por 100 mil habitantes em pessoas com 60 anos ou mais, segundo ano de diagnóstico. Pernambuco, Brasil, 1998 a 2008. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), 2010. que inibem a impotência sexual e a reposição hormonal fazem com que os idosos passem a ter uma vida sexual mais ativa, não utilizando, contudo, medidas preventivas por não se sentirem vulneráveis 6. Pesquisas brasileiras constatam o aumento de casos de AIDS em pessoas com menor escolaridade 7,8,9,10,11, ficando esta condição demonstrada neste estudo. A via heterossexual foi a categoria de maior expressão, reforçando que a prática sexual, sem proteção, constitui a mais importante via de transmissão também entre os idosos, denotando a necessidade de abordagens para o sexo seguro também para esta faixa etária. Chama a atenção o fato de não ter havido nenhum caso de UDI entre os idosos deste trabalho. Possivelmente, assumindo erroneamente que es- Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 29(10):2131-2135, out, 2013 2134 Silva MM et al. Tabela 2 Distribuição dos casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, segundo sexo, anos de estudos e categoria de exposição. Pernambuco, Brasil, 1998 a 2008. Variáveis 60-69 n% Faixa etária (anos) 70-79 80 e mais n%n% Sexo Masculino 159 54,2 33 11,3 Feminino 74 25,3 18 6,2 Anos de estudos Nenhum 19 6,4 3 1,0 1-3 38 13,0 6 2,1 4-7 28 9,5 7 2,4 8-11 21 7,1 2 0,7 12 e mais 20 6,8 3 1,0 Ignorado 107 36,5 30 10,2 Categoria de exposição Homossexual 15 5,1 3 1,0 Bissexual 10 3,4 2 0,7 Heterossexual 108 36,9 19 6,5 UDI 0 0,0 0 0,0 Ignorado 100 34,2 27 9,2 Total 233 79,5 51 17,4 UDI: usuários de drogas injetáveis. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), 2010 3 6 1 1 2 0 1 4 2 0 4 0 3 9 1,0 2,0 0,3 0,3 0,7 0,0 0,3 1,4 0,7 0,0 1,4 0,0 1,0 3,1 Total n% 195 66,5 98 33,5 23 7,8 45 15,4 37 12,6 23 7,8 24 8,2 141 48,1 20 6,8 12 4,1 131 44,7 0 0,0 130 44,4 293 100,0 se grupo não é passível de tal comportamento, os profissionais de saúde não tenham investigado essa prática (no presente ou no passado) nessa população, embora seja essa abordagem um fator importante na investigação epidemiológica do caso 10,11. A ausência de casos em alguns anos deste estudo pode refletir a falta de diagnóstico, a subnotificação, atraso na investigação, denotando, todavia, baixa qualidade da informação coletada, sendo este um dos principais problemas da vigilância epidemiológica 12. Considerações finais O envelhecimento para ser experiência positiva exige independência e qualidade de vida, concebendo o exercício da sexualidade como natural e, portanto, inerente a essa população. A incidência de AIDS na população estudada faz supor que as campanhas de prevenção sobre HIV/AIDS e outras DST, até então realizadas, não estão atingindo eficazmente essa população. Faz-se necessário que campanhas específicas sejam pensadas e que os serviços de saúde abordem essa temática durante as consultas de rotina em atendimento aos idosos, possibilitando a prevenção primária. Para isso, é preciso capacitar profissionais, não só os envolvidos com a vigilância epidemiológica, mas, especificamente, os que assistem aos pacientes, para que atentem sobre a importância da informação. A confiabilidade, completude e atualização dos dados de notificação melhoram a qualidade e privilegiarão as tomadas de decisões. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 29(10):2131-2135, out, 2013 CARACTERIZAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DOS CASOS DE AIDS 2135 Resumen Colaboradores Se están produciendo cambios en el escenario mundial durante los últimos años, debido a la reducción de las tasas de fecundidad y mortalidad, y como resultado, la longevidad se presenta como un fenómeno real. Durante la madurez, la sexualidad viene asociada a prejuicios más diversos. Este estudio caracteriza los casos de SIDA en personas de 60 años o más que vivían en el estado de Pernambuco, Brasil, y que se notificaron al Departamento de Salud de Pernambuco entre el 1 enero 1998 al 31 diciembre 2008. Se realizó un estudio transversal/ datos descriptivos con información del Sistema de Notificación de Resultados. En 1998, la tasa de incidencia del SIDA en la población estudiada fue de 1,6 casos por cada 100 mil habitantes, elevándose a 4,8 casos/100 mil habitantes en 2008, con un incremento del 200%. Es evidente la necesidad de desarrollo de la prevención, el diagnóstico y la asistencia dirigida específicamente a las personas mayores, ya que la sexualidad esa etapa de la vida, sigue rodeada de muchos tabúes y mitos. M. M. Silva, A. L. R. Vasconcelos e L. K. N. P. Ribeiro contribuíram na concepção do desenho, análise e interpretação dos dados, redação do artigo, e elaboraram e fizeram todas as correções necessárias até a aprovação da versão final. Agradecimentos Agradecemos ao Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo Cruz e ao Núcleo de Epidemiologia da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, pelo incentivo à pesquisa e ao fornecimento de dados. VIH; Síndrome de Inmunodeficiencia Adquirida; Envejecimiento de la Población Referências 1. Brito A, Castilho E, Szwarcwald C. AIDS e infecção pelo HIV no Brasil: uma epidemia multifacetada. Rev Soc Bras Med Trop 2001; 34:207-17. 2. Ministério da Saúde. Curso básico de vigilância epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde; 2005. 3. Barbosa LM. A dinâmica da epidemia de AIDS nas regiões nordeste e sudeste [Tese de Doutorado]. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais; 2001. 4. Rede Interagencial de Informação para a Saúde. Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. 2a Ed. Brasília: Organização PanAmericana da Saúde; 2008. 5. Grangeiro A, Escuder M, Castilho E. Magnitude e tendência da epidemia de AIDS em municípios brasileiros de 2002-2006. Rev Saúde Pública 2010; 44:430-40. 6. Rodrigues LCB. As vivências da sexualidade de idosos [Dissertação de Mestrado]. Rio Grande: Universidade Federal do Rio Grande; 2008. 7. Rique J, Pinto KM. Perfil epidemiológico dos pacientes HIV/AIDS que abandonaram a terapia retroviral [Monografia de Graduação]. Recife: Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças, Universidade de Pernambuco; 2001. 8. Rodrigues Jr. A, Castilho E. A epidemia de AIDS no Brasil, 1991-2000: descrição espaço-temporal. Rev Soc Bras Med Trop 2004; 37:312-7. 9. Pottes F, Brito A, Gouveia G, Araújo C, Carneiro R. AIDS e envelhecimento: características dos casos com idade igual ou maior que 50 anos em Pernambuco, de 1990 a 2000. Rev Bras Epidemiol 2007; 10:338-51. 10. Toledo L, Maciel E, Rodrigues L, Tristão-Sá R, Fregona G. Características e tendência da AIDS entre idosos no Estado do Espírito Santo. Rev Soc Bras Med Trop 2010; 43:264-7. 11. Perez B, Gasparini S. A vivência do idoso no processo de envelhecer e o HIV/AIDS: uma reconstrução dupla com suas possibilidades e limites. J Bras AIDS 2005; 6:106-9. 12. Gonçalves V, Kerr L, Mota R, Mota J. A Estimativa de subnotificação de casos de AIDS em uma capital do Nordeste. Rev Bras Epidemiol 2008; 11:356-64. Recebido em 06/Nov/2012 Versão final reapresentada em 10/Mai/2013 Aprovado em 05/Jun/2013 Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 29(10):2131-2135, out, 2013 enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. Buschmann S, Warkentin E, Xie H, Langer JD, Ermler U, et al. (2010) The structure of cbb3 cytochrome oxidase provides insights into proton pumping. Science 329: 327–330. 11. Fee JA, Case DA, Noodleman L (2008) Toward a chemical mechanism of proton pumping by the B-type cytochrome c oxidases: application of density functional theory to cytochrome ba3 of Thermus thermophilus. J Am Chem Soc 130: 15002–15021. 12. Chang HY, Hemp J, Chen Y, Fee JA, Gennis RB (2009) The cytochrome ba3 oxygen reductase from Thermus thermophilus uses a single input channel for proton delivery to the active site and for proton pumping. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 16169–16173. 13. Luna VM, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2008) Crystallographic studies of Xe and Kr binding within the large internal cavity of cytochrome ba3 from Thermus thermophilus: structural analysis and role of oxygen transport channels in the heme-Cu oxidases. Biochemistry 47: 4657–4665. PLoS ONE | www.plosone.org 11 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348 The 1.8 Å Structure of ba3Oxidase 27. Vogeley L, Sineshchekov OA, Trivedi VD, Sasaki J, Spudich JL, et al. (2004) Anabaena sensory rhodopsin: a photochromic color sensor at 2.0 A. Science 306: 1390–1393. 28. Cherezov V, Rosenbaum DM, Hanson MA, Rasmussen SG, Thian FS, et al. (2007) High-resolution crystal structure of an engineered human beta2adrenergic G protein-coupled receptor. Science 318: 1258–1265. 29. Jaakola VP, Griffith MT, Hanson MA, Cherezov V, Chien EY, et al. (2008) The 2.6 angstrom crystal structure of a human A2A adenosine receptor bound to an antagonist. Science 322: 1211–1217. 30. Wu B, Chien EY, Mol CD, Fenalti G, Liu W, et al. (2010) Structures of the CXCR4 chemokine GPCR with small-molecule and cyclic peptide antagonists. Science 330: 1066–1071. 31. Chien EY, Liu W, Zhao Q, Katritch V, Han GW, et al. (2010) Structure of the Human Dopamine D3 Receptor in Complex with a D2/D3 Selective Antagonist. Science 330: 1091–1095. 32. Hanson MA, Cherezov V, Griffith MT, Roth CB, Jaakola VP, et al. (2008) A specific cholesterol binding site is established by the 2.8 A structure of the human beta2-adrenergic receptor. Structure 16: 897–905. 33. Cherezov V, Liu W, Derrick JP, Luan B, Aksimentiev A, et al. (2008) In meso crystal structure and docking simulations suggest an alternative proteoglycan binding site in the OpcA outer membrane adhesin. Proteins 71: 24–34. 34. Cherezov V, Clogston J, Papiz MZ, Caffrey M (2006) Room to move: crystallizing membrane proteins in swollen lipidic mesophases. J Mol Biol 357: 1605–1618. 35. Caffrey M (2009) Crystallizing membrane proteins for structure determination: use of lipidic mesophases. Annu Rev Biophys 38: 29–51. 36. Loh HH, Law PY (1980) The role of membrane lipids in receptor mechanisms. Annu Rev Pharmacol Toxicol 20: 201–234. 37. Lee AG (2004) How lipids affect the activities of integral membrane proteins. Biochim Biophys Acta 1666: 62–87. 38. Robinson NC (1993) Functional binding of cardiolipin to cytochrome c oxidase. J Bioenerg Biomembr 25: 153–163. 39. Qin L, Sharpe MA, Garavito RM, Ferguson-Miller S (2007) Conserved lipidbinding sites in membrane proteins: a focus on cytochrome c oxidase. Curr Opin Struct Biol 17: 444–450. 40. Sedlak E, Panda M, Dale MP, Weintraub ST, Robinson NC (2006) Photolabeling of cardiolipin binding subunits within bovine heart cytochrome c oxidase. Biochemistry 45: 746–754. 41. Hunte C, Richers S (2008) Lipids and membrane protein structures. Curr Opin Struct Biol 18: 406–411. 42. Reichow SL, Gonen T (2009) Lipid-protein interactions probed by electron crystallography. Curr Opin Struct Biol 19: 560–565. 43. Yang YL, Yang FL, Jao SC, Chen MY, Tsay SS, et al. (2006) Structural elucidation of phosphoglycolipids from strains of the bacterial thermophiles Thermus and Meiothermus. J Lipid Res 47: 1823–1832. 44. Belrhali H, Nollert P, Royant A, Menzel C, Rosenbusch JP, et al. (1999) Protein, lipid and water organization in bacteriorhodopsin crystals: a molecular view of the purple membrane at 1.9 A resolution. Structure 7: 909–917. 45. Long SB, Tao X, Campbell EB, MacKinnon R (2007) Atomic structure of a voltage-dependent K+ channel in a lipid membrane-like environment. Nature 450: 376–382. 46. Gonen T, Cheng Y, Sliz P, Hiroaki Y, Fujiyoshi Y, et al. (2005) Lipid-protein interactions in double-layered two-dimensional AQP0 crystals. Nature 438: 633–638. 47. Seelig A, Seelig J (1977) Effect of single cis double bound on the structure of a phospholipid bilayer. Biochemistry 16: 45–50. 48. Lomize MA, Lomize AL, Pogozheva ID, Mosberg HI (2006) OPM: orientations of proteins in membranes database. Bioinformatics 22: 623–625. 49. Hoyrup P, Callisen TH, Jensen MO, Halperin A, Mouritsen OG (2004) Lipid protrusions, membrane softness, and enzymatic activity. Phys Chem Chem Phys 6: 1608–1615. PLoS ONE | www.plosone.org 50. Lee HJ, Svahn E, Swanson JM, Lepp H, Voth GA et al (2010) Intricate Role of Water in Proton Transport through Cytochrome c Oxidase. J Am Chem Soc 132: 16225–16239. 51. Aoyama H, Muramoto K, Shinzawa-Itoh K, Hirata K, Yamashita E, et al. (2009) A peroxide bridge between Fe and Cu ions in the O2 reduction site of fully oxidized cytochrome c oxidase could suppress the proton pump. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 2165–2169. 52. Schmidt B, McCracken J, Ferguson-Miller S (2003) A discrete water exit pathway in the membrane protein cytochrome c oxidase, Proc Natl Acad Sci U S A 100: 15539–15542. 53. Einarsdottir O, Choc MG, Weldon S, Caughey WS (1988) The site and mechanism of dioxygen reduction in bovine heart cytochrome c oxidase. J Biol Chem 263: 13641–13654. 54. Agmon N (1995) The Grotthuss mechanism. Chem Phys Lett 244: 456– 462. 55. Salomonsson L, Lee A, Gennis RB, Brzezinski P (2004) A single amino-acid lid renders a gas-tight compartment within a membrane-bound transporter. Proc Natl Acad Sci U S A 101: 11617–11621. 56. Yin H, Feng G, Clore GM, Hummer G, Rasaiah JC (2010) Water in the polar and nonpolar cavities of the protein Interleukin-1-beta. J Phys Chem B 114: 16290–16297. 57. Eisenberger P, Shulman RG, Brown GS, Ogawa S (1976) Structure-function relations in hemoglobin as determined by x-ray absorption spectroscopy. Proc Natl Acad Sci U S A 73: 491–495. 58. Chishiro T, Shimazaki Y, Tani F, Tachi Y, Naruta Y, et al. (2003) Isolation and crystal structure of a peroxo-brodged heme-copper complex. Ang Chem Int Ed 42: 2788– 2791. 59. Ostermeier C, Harrenga A, Ermler U, Michel H (1997) Structure at 2.7 A resolution of the Paracoccus denitrificans two-subunit cytochrome c oxidase complexed with an antibody FV fragment. Proc Natl Acad Sci U S A 94: 10547–10553. 60. Kaila VRI, Oksanen E, Goldman A, Bloch D, Verkhovsky MI, et al. (2011) A combined quantum chemical and crystallographic study on the oxidized binuclear center of cytochrome c oxidase. Biochim Biophys Acta 1807: 769–778. 61. Sakaguchi M, Shinzawa-Itoh K, Yoshikawa S, Ogura T (2010) A resonance Raman band assignable to the O-O stretching mode in the resting oxidized state of bovine heart cytochrome c oxidise. J Bioenerg Biomembr 42: 241–243. 62. Chance B, Saronio C, Waring A, Leigh Jr. JS (1978) Cytochrome c-cytochrome oxidase interactions at subzero temperatures. Biochim. Biophys. Acta 503: 37–55. 63. Cheng A, Hummel B, Qiu H, Caffrey M (1998) A simple mechanical mixer for small viscous lipid-containing samples. Chem Phys Lipids 95: 11–21. 64. Cherezov V, Peddi A, Muthusubramaniam L, Zheng YF, Caffrey M (2004) A robotic system for crystallizing membrane and soluble proteins in lipidic mesophases. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 1795–1807. 65. Minor W, Cymborowski M, Otwinowski Z, Chruszcz M (2006) HKL-3000: the integration of data reduction and structure solution - from diffraction images to an initial model in minutes. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 62: 859–866. 66. McCoy AJ, Grosse-Kunstleve RW, Adams PD, Winn MD, Storoni LC, et al. (2007) Phaser crystallographic software. J Appl Crystallogr 40: 658–674. 67. McRee DE (2004) Differential evolution for protein crystallographic optimizations. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 2276–2279. 68. Unno M, Chen H, Kusama S, Shaik S, Ikeda-Saito M (2007) Structural characterization of the fleeting ferric peroxo species in myoglobin, Experiment and theory. J Am Chem Soc 129: 13394–13395. 69. Kuhnel K, Derat E, Terner J, Shaik S, Schlicting I (2007) Structure and quantum chemical characterization of chloroperoxidase compound 0, a common reaction intermediate of diverse heme enzymes. Proc Natl Acad Sci U S A 104: 99–104. 12 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348
Caracterização epidemiológica dos casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, Pernambuco, Brasil, 1998 a 2008.
RECENT ACTIVITIES
Autor
Documento similar

Caracterização epidemiológica dos casos de AIDS em pessoas com 60 anos ou mais, Pernambuco, Brasil, 1998 a 2008.

Livre