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A ironia na obra de Cristina Peri Rossi :: ditadura, exílio e depois

Documento informativo
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG) FACULDADE DE LETRAS (FALE) PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS (POSLIT) A ironia na obra de Cristina Peri Rossi: ditadura, exílio e depois Janaína Aguiar Mendes Galvão Belo Horizonte Fevereiro / 2007 PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com Janaína Aguiar Mendes Galvão 2 A ironia na obra de Cristina Peri Rossi: ditadura, exílio e depois Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em Letras: Estudos Literários (POSLIT) da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Teoria da Literatura. Área de Concentração: Teoria da Literatura Linha de Pesquisa: Literatura, História e Memória Cultural Orientadora: Profª Drª Graciela Inés Ravetti Gómez Faculdade de Letras - UFMG Belo Horizonte 2007 PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 3 Dissertação de Mestrado intitulada “A ironia na obra de Cristina Peri Rossi: ditadura, exílio e depois”, apresentada ao Programa de Pós-graduação em Estudos Literários (POSLIT), da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e submetida à Banca Examinadora composta por: _________________________________________________ Profa. Dra. Graciela Inés Ravetti Gómez (Orientadora - UFMG) ________________________________________________ Profa. Dra. Haydée Ribeiro Coelho – (UFMG) __________________________________________________ Prof. Dr. Antônio Roberto Esteves – (UNESP) PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 4 Para as minhas filhinhas e para a mãe da mãe delas PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 5 Agradecimentos À Profa. Dra. Graciela Inés Ravetti Gómez, minha orientadora, pela leitura sempre dedicada e urgente deste trabalho. Ao Alexandre, meu amor, por não ter me deixado só. Aos meus irmãos e às minhas irmãs Aline e Simone, pela escuta solidária. Aos Professores de Espanhol e de Literatura em Língua Espanhola da FALE, pelo carinho e incentivo. A todos os demais familiares e amigos, em especial à Júlia e Ludmila, pela presença. PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 6 Siempre en lo que el “otro” escucha hay una parte que es la que se prefiere escuchar. Cristina Peri Rossi PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 7 Resumo Este texto propõe um estudo da ironia na obra da escritora Cristina Peri Rossi, analisando contos dos livros La tarde del dinosaurio (1976) e Una pasión prohibida (1986). Circunscritos no marco histórico da ditadura e pós-ditadura uruguaia, buscamos examinar como se reflete a tensão gerada pela ironia na significação que este momento político exerce sobre os elementos que compõem seus contos e influenciam sua narração. Num primeiro momento, o confronto entre direita e esquerda se faz mais presente, e a ironia expressa a concomitância dos dois discursos na composição dos contos. Num segundo momento, os contos retratam a transição para uma ordem homogeneizante de redemocratização, e a ironia exacerba um vazio de um futuro que não avança e induz à interrogação da própria consciência que, na impossibilidade de fixarse em um objetivo a conquistar, busca no passado uma re-significação irônica que culmina num vazio não preenchível – como uma ironia que não possui um sentido único e não pode ser significada em uma única perspectiva. PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 8 Resumen Este texto propone un estudio de la ironía en la obra de la escritora Cristina Peri Rossi, analizando cuentos de los libros La tarde del dinosaurio (1976) y Una pasión prohibida (1986). Circunscritos en el marco histórico de la dictadura y post-dictadura uruguaya, buscamos examinar como se refleja la tensión generada por la ironía en la significación que este momento político ejerce sobre los elementos que componen sus cuentos e influencian su narración. En un primer momento, el confronto entre derecha e izquierda se hace más presente, y la ironía expresa la concomitancia de los dos discursos en la composición de los cuentos. En un segundo momento, los cuentos retratan la transición a un orden homogeneizante de redemocratización, y la ironía exacerba un vacío de un futuro que no avanza e induce a la interrogación de la propia conciencia que, en la imposibilidad de fijarse en un objetivo a conquistar, busca en el pasado una re-significación irónica que radica en un vacío no rellenado – como una ironía que no posee un sentido único y no puede ser significada en una única perspectiva. PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 9 SUMÁRIO Introdução . 10 Capítulo 1 - Sobre a ironia . 21 Capítulo 2 - Um dinossauro na areia . 37 Capítulo 3 - Revelar a ironia: o inesgotável . 67 Considerações finais . 90 Bibliografia . 95 PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 10 INTRODUÇÃO Cristina Peri Rossi nasceu em Montevidéu em 1941 e vive em Barcelona desde 1972, quando do seu exílio. Sua primeira obra foi publicada em 1963 e, desde então, produziu um número bastante expressivo de títulos em prosa e poesia. É formada em Literatura Comparada e exerceu o jornalismo e a tradução, colaborando em jornais como El popular, e Marcha, ainda no Uruguai, e mais tarde na Espanha escreveu para El país, Diario 16, El periódico, El Noticiero Universal, La vanguardia e El Mundo1. O início de sua carreira literária contou com o apoio de importantes nomes da literatura latino-americana, em grande medida, responsáveis por sua apresentação. Mario Benedetti se encarrega da orelha de seu segundo livro de contos, “Los museos abandonados” (1968), publicado como vencedor do “Premio de Narrativa de la editorial Arca”. No ano seguinte recebe o “Premio de novela” com “El libro de mis primos” (1969), publicado pela Biblioteca Marcha. Tal prêmio lhe teria aberto as portas do semanário Marcha, no qual escreveu crítica literária para o caderno de literatura dirigido por Ángel Rama e Jorge Rufinelli. Em 1976 recebe o “Premio Inventarios Provisionales” e Julio Cortázar se encarrega do prólogo de “La tarde del dinosaurio” (1976) intitulado “Invitación a entrar en una casa” e escreve: 1 Cf. PERI ROSSI, 2003. PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 11 (.) Una mujer que conoce los infiernos de la tierra – la suya, allá en el sur – y los de la escritura en nuestro tiempo – aquí, en todas partes. Su hermosa opción está en proyectar a planos imaginarios un contenido histórico, trágicamente real, que no sólo guarda su sentido más preciso, sino que multiplica su fuerza en la otra imaginación, la de ese lector que ahora entra en la casa, que tiende la mano hacia la primera puerta, por supuesto prohibida, por supuesto fascinante, abriéndose a un recinto en cuyo extremo hay una segunda puerta, por supuesto prohibida, por supuesto fascinante.2 Ressaltemos, pois, o desafio de iniciar um estudo desta autora em nosso âmbito nacional. Trabalhar com a obra de Peri Rossi é inaugurar um trabalho local, uma vez que sua obra é totalmente desconhecida, não havendo, até os dias atuais, traduções ao português. Não obstante, as obras da autora estão traduzidas a mais de dez idiomas. É raro, entretanto, que no Brasil, tão fértil no estudo das literaturas hispano-americanas, sua obra esteja até então desconhecida. Muito se tem investigado a obra de Cristina Peri Rossi, principalmente seus romances. Os contos, no entanto, permanecem quase impenetráveis pelo discurso crítico, e raras vezes figuram como corpus de pesquisas sobre a produção da própria autora. Este trabalho pretende, no entanto, debruçar-se sobre a contista Cristina Peri Rossi, estudando dois livros de contos, considerando-os fundamentais para a apreensão de sua escrita, uma vez que através deles a autora revela sua arte literária de forma mais abrilhantada e surpreendente. É também através dos contos que poderemos difundir a obra da autora mais facilmente, exercendo, assim que possível, o trabalho de tradução dos que mais nos 2 PERI ROSSI, 1976, p. 17 [(.) Uma mulher que conhece os infernos da terra – a sua, lá no sul – e os da escrita de nosso tempo – aqui, em toda parte. A beleza de sua opção está em projetar a planos imaginários um conteúdo histórico, tragicamente real, que não guarda somente seu sentido mais exato, e sim, multiplica sua força na outra imaginação, a desse leitor que agora entra na casa, que estende a mão até a primeira porta, obviamente proibida, obviamente fascinante, abrindo-se a um recito em cujo extremo há uma segunda porta, obviamente proibida, obviamente fascinante.] PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 12 interessarem. Temos também o projeto de tentar a montagem de alguns deles, cujas características performáticas são adequadas para empreendimentos teatrais. O corpus deste estudo se constitui a partir dos contos produzidos nas décadas de 70 e 80. O primeiro deles – “La tarde del dinosaurio” – foi publicado em 1976, contexto em que a autora já havia estabelecido-se como exilada em Barcelona; o segundo se chama “Una pasión prohibida”, publicado em 1986 - já inscrito num período de redemocratização tanto de seu país de origem quanto da América Latina em grande parte. A seleção deste corpus enfoca as produções da escritora a partir do momento em que ela foge, exila-se na Espanha, em função do contexto de repressão política instaurado pela ditadura militar. Enrique Coraza de los Santos, em um texto sobre a instauração da ditadura no Uruguai, explica que ainda que a ditadura militar neste país comece em 1973, o autoritarismo se mostrava desde a década de sessenta, em que já havia indícios do golpe de estado por alguns grupos políticos e militares. A situação é agravada dentro do contexto de uma crise em toda a América Latina, relacionada com o esgotamento do modelo de substituição de importações e os fracassos dos modelos de desenvolvimento elaborados desde a perspectiva industrial e urbana, que sobreviviam em virtude de uma conjuntura internacional favorável. Com o fim da 2ª guerra mundial, da guerra na Coréia e com o restabelecimento da Europa, a distribuição internacional do trabalho retorna e as tentativas de industrialização fracassam frente à recuperação da industrialização norte-americana e européia. A dimensão real do país é evidenciada com a permanência das estruturas tradicionais de produção e exportação de matérias primas com destino ao mercado internacional. Evidencia-se, na mesma medida, a falta de respostas políticas, especialmente desde o governo, aos indicadores da crise e às mudanças no interior das forças armadas. Da mesma forma, há um crescimento de certos agrupamentos da esquerda, assim como reações PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 13 sindicais que, na presença de indicativos de golpe de estado, começam a reagir com a estruturação de planos de resistência. Surgem também organizações armadas da esquerda revolucionária – o MLN (Movimiento de Liberación Nacional Tupamaro), o mais expressivo no Uruguai, e também da direita – a JUP (Juventud Uruguaya de Pie) além de outros. Esses fatos culminam no golpe de 27 de junho de 1973. Também as forças armadas sofrem mudanças no interior de sua estrutura e crescem certos grupos que planejavam sua ação à margem de sua função constitucional.3 Sob este aspecto, Hugo Achugar faz importantes observações que reproduzimos a seguir. 1968 pertenece ya indudablemente al mito. Es en ese año que las tensiones sociales y políticas, en medio de la crisis general del modelo económico en curso desde la década anterior, conocen un agudizamiento particular y es en ese año que comienza a ser notorio el creciente autoritarismo del gobierno, precursor de los hechos de inicios de la década siguiente y del golpe de estado cívico-militar de 1973. Entre 1968 y 1973 (o 74) son derrotados o casi desarticulados la guerrilla, el movimiento sindical y estudiantil y la mayoría de los partidos políticos. El país cultural, sin embargo, no es desmontado con el mismo cronograma. Si bien la censura, la clausura de periódicos, la reglamentación de la enseñanza, la destitución de los cuadros docentes y la migración de muchos cuadros culturales es permanente durante todo el período 68-73; con posterioridad al golpe hay todavía elecciones universitarias que son ganadas por la oposición democrática y algunos semanarios e instituciones culturales contrarias al régimen militar sobreviven un corto tiempo más. En realidad, el desmontaje total del Uruguay anterior por parte del nuevo régimen termina de procesarse entre 1974 y 1976. Para el final de ese plazo el país, en todos sus aspectos, está bajo el control de la dictadura cívico-militar y permanecerá, sin mayores variantes, hasta cuando, luego del desgranamiento del período final, en marzo de 1985 se vuelva a la democracia.4 3 Cf. SANTOS, 2004. 4 ACHUGAR, 1990, p. 63. (1968 pertence já indubitavelmente ao mito. Nesse ano é que as tensões sociais e políticas, em meio da crise geral do modelo econômico em curso desde a década anterior, conhecem um agravamento particular e é nesse ano que começa a ser notório o crescente autoritarismo do governo, precursor dos fatos do início da década seguinte e do golpe de estado cívico-militar de 1973. Entre 1968 e 1973 (ou 74) são derrotados ou quase desarticulados a guerrilha, o movimento sindical e estudantil e a maioria dos partidos políticos. O país cultural, no entanto, não é desmontado com o mesmo cronograma Ainda que a censura, o fechamento de periódicos, a regulamentação do ensino, a destituição do quadro de docentes e a migração de muitos quadros culturais é permanente durante todo o período 68-73; com posterioridade ao golpe há ainda eleições universitárias que são vencidas pela oposição democrática e alguns semanários e instituições culturais contrárias ao regime militar sobrevivem mais um curto período tempo. Na realidade, a desmontagem total do Uruguai anterior por parte do novo regime termina de processar-se entre 1974 e 1976. Para o final desse prazo PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 14 Neste contexto da repressão, muitos escritores se exilam. Na impossibilidade de acesso a um estudo sistematizado sobre os escritores uruguaios que se dispersaram em virtude do exílio, reproduzimos aqui alguns nomes encontrados, diretamente relacionados à literatura e à crítica. São eles: Mario Benedetti, Ángel Rama, Emir Rodríguez Monegal, Roberto Echavarren, Hugo Verani, Eduardo Galeano, Juan Carlos Onetti, Carlos Quijano, Nelson Marra, Alberto Oreggioni, Hugo Giovanetti, Hiber Conteris, Hugo Achugar, Jorge Rufinelli, Mario Levrero, Jacobo Langsner, Mauricio Rosencof, Carlos Martínez Moreno. É importante salientar a importância de um estudo específico sobre o período como um todo, que dentro da diversidade de produção destes intelectuais fosse capaz de estabelecer alguns parâmetros de comparação entre eles e permitir que a história deste período ganhasse coesão enquanto corpus de estudo. Os trabalhos encontrados estão pautados em obras individuais e em nomes mais conhecidos e difundidos, nos quais raramente encontrase o nome da autora estudada neste trabalho. Como observa a professora Haydée Ribeiro Coelho, existe a necessidade de considerar as produções durante o período do exílio de escritores e intelectuais latino-americanos, numa investigação que busque abarcar a criação e a investigação dos mesmos. Para grande parcela dos intelectuais, o exílio representou trabalho, produção, construção de uma nova ordem, alargamento de fronteiras culturais, sem o abandono de uma postura política e crítica, necessária ao entendimento de nossa existência no mundo.5 Esperamos, com este trabalho, contribuir para a realização de parte desta tarefa e estimular que outros estudos, neste âmbito, venham a fazer parte de nossas pesquisas. Esta idéia está proposta também por Abril Trigo, segundo o qual o Uruguai o país, em todos seus aspectos, está sob o controle da ditadura cívico-militar e permanecerá, sem maiores variações, até quando, logo do desmanche do período final, em março de 1985 se volte à democracia.) 5 COELHO, 2002, p. 222. PDF created with pdfFactory trial version www.pdffactory.com 15 ( ) al igual que muchos otros países del mundo actual, debe pensarse desde más allá de sus propias fronteras geopolíticas, ya que resulta inviable conceptualizarlo sólo desde el territorio único que lo conforma en su dimensión más física, por estar fragmentado en realidades e imaginarios desplazados, en diversos territorios desterritorializados.6 O contato com a escritora foi estabelecido em uma das disciplinas oferecidas no curso de graduação de Letras (FALE / UFMG) intitulada ‘O cânone Literário hispano- americano’, ministrada pela professora Graciela Ravetti. Omitindo aqui a complexa discussão sobre a questão de como se constitui o cânone e os valores que norteiam essa “instituição”, faz-se necessário aclarar que a nossa autora somente poderia incluir-se na disciplina mencionada pelo fato de estar a cargo de uma intelectual que tem desenvolvido seu trabalho acadêmico interessada no papel de mulheres que falam a partir dos novos movimentos sociais e do protagonismo que hoje assumem (ou lutam para assumir) os sujeitos que, por não ocuparem espaços consagrados, são classificados como alternativos, especialmente as mulheres que se posicionam contra a neutralidade genérica na enunciação dos discursos, deixando ver que o escamoteio em tratar a questão do gênero não é mais que uma máscara que encobre uma falha pela qual se perdem sentidos. 7 Paralelo ao estudo dos consagrados autores hispano-americanos, nos foi possível conhecer também uma literatura escrita por enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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A ironia na obra de Cristina Peri Rossi :: ditadura, exílio e depois
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