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A corrupção policial: um estudo sobre a atuação das corregedorias de polícia em Minas Gerais

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS A CORRUPÇÃO POLICIAL: UM ESTUDO SOBRE A ATUAÇÃO DAS CORREGEDORIAS DE POLÍCIA EM MINAS GERAIS. Jeannie Daier de Andrade Belo Horizonte 2010 Jeannie Daier de Andrade A CORRUPÇÃO POLICIAL: UM ESTUDO SOBRE A ATUAÇÃO DAS CORREGEDORIAS DE POLÍCIA EM MINAS GERAIS. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública/CRISP da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais. Orientador(a): Prof.(a) Professor Robson Sávio Reis Souza Belo Horizonte 2010 Jeannie Daier de Andrade A CORRUPÇÃO POLICIAL: UM ESTUDO SOBRE A ATUAÇÃO DAS CORREGEDORIAS DE POLÍCIA EM MINAS GERAIS. Trabalho Final apresentado ao Curso de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, requisito para obtenção do Título de Especialista. Belo Horizonte, 2010. Nome Orientador Professor Robson Sávio Reis Souza (Orientador) Nome Examinador: Examinador Agradeço à Deus por permitir-me a vida. Aos meus pais pela imensa e infinita dedicação às filhas, ao meu esposo Rafael e filha Ana Lívia pelo amor incondicional, aos Delegados e Militares Corregedores entrevistados, pela especial atenção ao meu Projeto. RESUMO Este trabalho tem como objeto de estudo a atuação das Corregedorias de Polícia de Minas Gerais na prevenção e repressão à corrupção policial, e dos meios atualmente utilizados por elas para se coibir a incidência da corrupção nas instituições policiais mineiras. A corrupção policial é insatisfatoriamente abordada pelas ciências sociais no Brasil. A Análise científica do fenômeno da corrupção policial carece de dados empíricos e embasamento teórico. Os poucos estudos já realizados no Brasil concentram-se basicamente em analisar as formas de punição e repressão, deixando de lado as formas preventivas de se coibir a corrupção. Defende-se neste trabalho que a corrupção policial, por ser um dos principais fatores determinantes do aumento da violência e da criminalidade, segundo análise de alguns autores, tais como, Marcelo Cataldo, Marco Antonio Veneziani, e Nathalie Teyssonneyre, é um sério problema de gerência com o qual se defronta qualquer autoridade governamental ou executiva das polícias atualmente. Esse autores, defendem que “a corrupção policial aparece como fator determinante do aumento da violência por dois principais motivos. Primeiro, devido à uma certa permissividade com que é vista entre a corporação, algo corriqueiro, sem valor ético ou moral. O segundo ponto diz respeito à impunidade, uma vez que as apurações dos delitos muitas vezes não são conclusivas”. (CATALDO; VENEZIANI; TEYSSONNEYRE, 2009) Assim como ocorre na repressão ao crime cometido por cidadão comum, as formas reativas de combate à corrupção policial demandam mais recursos financeiros e humanos. A prevenção à corrupção policial além de diminuir a incidência da prática de corrupção, ainda é mais barata e eficiente. Ainda que seja um planejamento a longo prazo, torna-se mais rápida em relação à um processo administrativo para punição de alguma conduta corrupta, que em muitas das vezes, terminam por ser arquivado, pelo advento da prescrição e nada contribui para a diminuição da corrupção. Após a análise dos modelos de combate à corrupção existentes, apontaremos as falhas e os pontos positivos, com a finalidade de chamar a atenção dos atuais gestores para o aperfeiçoamento de tais ações, visando combater o problema da corrupção de forma estratégica e específica. O estudo apresentado é requisito para conclusão do curso de Pós Graduação em Criminalidade e Segurança Pública com a titulação de especialista em Estudos da Criminalidade e Segurança Pública. Palavras-chave: corrupção policial; corregedorias de polícia de minas gerais; combate à corrupção policial. ABSTRATC This work aims to study the performance of Internal Affairs departments in the prevention and repression of police corruption, and the means currently used by them to curb the incidence of corruption in police institutions mining. Police corruption is poorly addressed by the social sciences in Brazil. The scientific analysis of the phenomenon of police corruption, lack of empirical data and theoretical sophistication. The few previous studies in Brazil are largely concentrated on analyzing the forms of punishment and repression, leaving aside the preventive ways to curb corruption. It is argued here that the police corruption, as one of the main determinants of increased violence and crime, according to an analysis of some authors, such as Marcelo Cataldo, Marco Veneziani, and Nathalie Teyssonneyre is a serious problem management which is faced with any governmental authority or executive of the police today. Such authors argue that "police corruption appears as a factor determining the increase in violence for two main reasons. Firstly, due to a certain permissiveness that is seen between the corporation, lightly, without ethical or moral. The second point relates to impunity, since the counting of crimes are often not conclusive. " (CATALDO; VENEZIANI; TEYSSONNEYRE, 2009) Curb corruption seems to be an easy task taking into account only the reactive forms of combat. But prevention is proving to be easier and more efficient in fighting corruption. Just as the repression of crime committed by ordinary citizens, the reactive forms of fighting corruption require more financial and human resources. The prevention of police corruption and also decrease the incidence of corrupt practices, it is still cheaper and effective, although it is a long-term planning, it becomes faster relative to an administrative process to punish any corrupt conduct, that in many cases, end up being shelved by the advent of the prescription. After the analysis of models exist to combat corruption, we will identify gaps and strengths in order to draw the attention of today's managers for the improvement of such actions, to combat the problem of corruption and specific strategic way. The study presented is a requirement for graduation in the Pós Graduação em Criminalidade e Segurança Pública with the title of specialist in the Estudos da Criminalidade e Segurança Pública. Keywords: police corruption, police internal affairs division of mines, anti-corruption police. LISTA DE ABREVIATURAS CGPC - CORREGEDORIA GERAL DE POLÍCIA CIVIL CPB- CÓDIGO PENAL BRASILEIRO COM – CORREGEDORIA DE POLÍCIA MILITAR CPMB – CÓDIGO PENAL MILITAR BRASILEIRO CRISP – CENTRO DE ESTUDOS DA CRIMINALIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA DIPAD- DISCIPLINAR, PROMOÇÃO DA INTEGRIDADE, ÉTICA E TRANSPARÊNCIA INSTITUCIONAL EPQ – EQUIPES DE PREVENÇÃO E QUALIDADE IP – INQUÉRITO POLICIAL IPM – INQUÉRITO POLICIAL MILITAR PA – PROCESSO ADMINISTRATIVO PADI – PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR INTEGRADO PCMG – POLÍCIA CIVIL DE MINAS GERAIS PC NET- POLÍCIA CIVIL NETWORK PMMG – POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS REDS - REGISTRO DE EVENTOS DE DEFESA SOCIAL SA – SINDICÂNCIA ADMINISTRATIVA SICODS-SISTEMA INTEGRADO DE CORREGEDORIAS DE DEFESA SOCIAL SUMÁRIO INTRODUÇÃO ---------------------------------------------------------------------------------------- 8 Considerações iniciais ---------------------------------------------------------------------------- 8 Metodologia --------------------------------------------------------------------------------------- 13 1. CORRUPÇÃO POLICIAL -------------------------------------------------------------------- 15 1.1 Conceito de Corrupção-------------------------------------------------------------- 15 1.2 Corrupção Policial no Brasil e no Mundo---------------------------------------- 21 2. CORREGEDORIAS DE POLÍCIA DE MINAS GERAIS -------------------------------- 28 3. FORMAS DE PROCESSAMENTO DAS DENÚNCIAS DE CORRUPÇÃO E SUA ANÁLISE --------------------------------------------------------------------------------------------- 33 4. AÇÕES IMPLEMENTADAS PARA COIBIR A CORRUPÇÃO------------------------ 40 5. CONCLUSÃO------------------------------------------------------------------------------------ 49 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS -------------------------------------------------------- 55 ANEXOS-------------------------------------------------------------------------------------------------59 CONSEP. Outro fator importante é que somente partir de 2003, a APM passa a exigir a elaboração e defesa de monografias pelos alunos do CFO, anteriormente não havia esse requisito. O ano de 2007 se destaca por possuir o maior volume de trabalhos publicados no período considerado, num total de 28 monografias. Destacam-se nesse ano a publicação de trabalhos referentes ao GEPAR e à setorização, que foram objetos de estudo de quatro trabalhos cada. O aumento dos trabalhos a respeito de polícia comunitária em 2007 pode ser reflexo da publicação da Instrução n. 05/8ª RPM, em 2005, que trata da malha protetora da Polícia Militar sobre Belo Horizonte. Entre outros assuntos, esse documento aborda o GEPAR, o Posto de Policiamento Comunitário, a Patrulha Escolar, a Setorização e a Prevenção Ativa, que foram alvos de estudo no ano de 2007. No total, 14.300 (quatorze mil e trezentas) páginas foram redigidas sobre o tema Polícia Comunitária entre os anos 2000 e 2009, e se encontram distribuídas entre as 129 monografias disponíveis na Biblioteca da APM. A distribuição desta produção pelos cursos é apresentada na TAB. 1. TABELA 1 Distribuição da produção científica sobre Polícia Comunitária por cursos da PMMG no período de 2000-2010. Cursos Número de trabalhos CFO 45 CESP CEGESP 70 14 Total 129 44 O maior número de trabalhos foi elaborado pelo CESP, 70 monografias ou 54,3% do total, em seguida vem o CFO com 45 monografias ou 34,9% e o curso que menos publicou trabalhos a respeito de polícia comunitária foi o CEGESP, com 14, ou 10,8%. Contudo, essa análise se torna superficial, pois o número de alunos participantes desses cursos não é o mesmo. Daí surge a necessidade de se avaliar a relação entre o número de alunos que concluíram cada curso entre os anos de 2000 e 2009 e os que decidiram escrever sobre polícia comunitária. Nesse período, 214 alunos concluíram o CEGESP, sendo que 14 elaboraram monografias sobre polícia comunitária, ou 6,54% do total. Pelo CESP foram elaborados 608 trabalhos no período, sendo que 70, ou 11,51% trataram do tema em questão. O período a ser considerado para o CFO é a partir de 2003, pois antes desse ano a elaboração de monografia não era exigida como requisito para aprovação no curso. Entre 2003 e 2009 foram publicadas 533 monografias, sendo que 45 delas, ou 8,44% foram referentes a polícia comunitária. Nota-se que os policiais que mais se interessam pelo tema são os que cursam o CESP, tanto em termos relativos quanto absolutos. Tal fato pode ser explicado pelo fato do CESP ser cursado exclusivamente por Oficiais no posto de Capitão, que, via de regra, 45 são responsáveis por comandar companhias2. As companhias de polícia são a caracterização da descentralização da burocracia policial e da aproximação da polícia com a comunidade. A companhia também é célula policial responsável por apoiar e incentivar a estruturação do CONSEP, na forma em que trata a DPSSP 05/2002. Na estrutura atual da Polícia Militar, os comandantes de companhia são grandes responsáveis pelo sucesso ou fracasso em mobilizar a comunidade em sua área de atuação, logo devem apresentar grande interesse pelo tema. A Instrução 05/2005 – 8ª RPM destaca, como atribuições gerais dos comandantes de companhia, dentre outras, as de coordenar as atividades do CONSEP; manter contatos comunitários visando reforçar a interação com a população e o processo de setorização da respectiva Cia e participar ativamente das reuniões com representantes da comunidade. Os trabalhos também foram analisados quanto ao seu contexto empírico de análise. Quatro tipos específicos de contextos foram identificados: análise de polícia comunitária na Capital, no interior do Estado, no Estado como um todo e em outros Estados. A distribuição segue na TAB. 2. TABELA 2 Distribuição dos trabalhos produzidos por local estudado. 2 Há alguns casos em que a Companhia de Polícia Militar é comandada por Oficiais no posto de Major, ficando os Capitães responsáveis pelo subcomando, como ocorre na Capital. 46 Observa-se equilíbrio entre os trabalhos que contextualizaram o interior do Estado e os trabalhos que contextualizaram a Capital, com 47% e 43%, respectivamente; 7% dos trabalhos abordaram todo o Estado e 3% abordaram outros Estados. Estes últimos trabalhos foram elaborados por policiais pertencentes à Polícia Militar de outros estados da federação e que, por motivos específicos3, realizaram seu curso na APM/PMMG. Os Estados contextualizados foram Espírito Santo, Paraíba, Rio de Janeiro e Sergipe. Apesar do contexto empírico de análise estar focado em outro Estado, os trabalhos tratam sobre o tema Polícia Comunitária e estão disponíveis na biblioteca da APM, cumprindo as exigências desta pesquisa. Apenas 25 trabalhos, o que equivale 19,4% do total dos trabalhos identificados, abordam a metodologia de Polícia Orientada ao Problema (POP). Conforme visto na segunda seção deste trabalho, a associação desta metodologia à filosofia de Polícia Comunitária tende a produzir melhor resultados. Uma grande parte dos trabalhos, 59 ou 45,74%, procurou combinar as abordagens qualitativa e quantitativa em suas análises. Esta combinação de abordagens permite análises mais profundas e detalhadas sobre o objeto investigado. Um total de 53 trabalhos, ou 41,08%, utilizou apenas abordagem quantitativa e 17 trabalhos, ou 13,18%, utilizaram abordagem qualitativa. Cerca de 236 pesquisadores (autores e orientadores) estão envolvidos nesta produção científica acadêmica de Polícia Comunitária. Destaca-se a participação dos policiais: Armando Leonardo Linhares de Araújo Ferreira da Silva, Alexandre Magno de Oliveira e Renato Vieira de Souza como os principais orientadores de trabalhos, com sete, seis e cinco orientações, respectivamente. Importante destacar que esses três policiais atualmente ocupam cargos estratégicos na estrutura da Polícia Militar, o que lhes permite difundir e sedimentar a filosofia de polícia 3 A PMMG recebe em seus cursos, mediante convênio, policiais militares e bombeiros de outros estados da federação, ou ainda de outras instituições como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e, por vezes, policiais de outros países. 47 comunitária por toda Minas Gerais. Renato Vieria de Souza é Coronel e está na função de Comandante-Geral da PMMG, ou seja, é a maior autoridade policial militar do Estado. Armando Leonardo L. A. F. Silva ocupa o posto de Tenente Coronel e é chefe da Assessoria de Articulação da Seção de Planejamento. Por sua vez, Alexandre Magno ocupa o posto de Capitão e é chefe da Seção de Apoio a Prevenção Ativa, da Diretoria de Apoio Operacional. Portanto, alguns locais onde é possível tomar decisões importantes acerca dos rumos da Polícia Militar têm sido ocupados por pessoas que se interessam e se dedicam a pesquisar a polícia comunitária, fato que serve para fortalecer e disseminar essa estratégia de policiamento. Quanto ao objeto central dos estudos, devido à grande quantidade de objetos identificados, os trabalhos foram subdivididos em três categorias: 1- Programas ou Projetos Preventivos Comunitários; 2- Polícia Comunitária e contexto de atuação; 3Estratégias e Ações Preventivas Comunitárias. As tabelas 3, 4 e 5 detalham os objetos contidos em cada uma destas categorias. TABELA 3 Objetos de estudos da categoria Programas ou Projetos Preventivos Comunitários. Programas ou Projetos Preventivos Comunitários Número de trabalhos % relativo à % relativo ao total categoria de trabalhos Adolescente cidadão Artista da Paz Bom na Escola, bom de bola Programa Fica Vivo Garotos para Paz JCC - Jovens Construindo a Cidadania Programa Educacional de Resistência as Drogas - PROERD Programa "Grande Santos Reis" Projeto "Comunidade Viva em Ação" Projeto Jandira Projeto "Juventude e Polícia" Projeto "Nosso Sul" Projeto "Quarteirão Seguro " Projeto "Se esta Rua fosse minha" Rede de Vizinhos Protegidos Total 1 1 1 3 1 2 11 1 1 1 1 1 1 1 5 32 3.13% 3.13% 3.13% 9.38% 3.13% 6.26% 34.38% 3.13% 3.13% 3.13% 3.13% 3.13% 3.13% 3.13% 15.63% 100% 0.78% 0.78% 0.78% 2.33% 0.78% 1.55% 8.53% 0.78% 0.78% 0.78% 0.78% 0.78% 0.78% 0.78% 3.88% 24.80% 48 Os trinta e dois estudos agrupados na categoria “programas e projetos preventivos comunitários” representam, aproximadamente, um quarto de toda a publicação sobre Polícia Comunitária da APM. Nesta categoria, o PROERD é o objeto mais investigado pelos policiais, com 11 trabalhos, seguido pela Rede de Vizinhos Protegidos e pelo Programa Fica Vivo com 5 e 3 trabalhos, respectivamente. Inspirado no programa norte-americano D.A.R.E. (Drug Abuse Resistance Education) o PROERD já está bastante sedimentado na PMMG e é realizado em todo o Estado, motivo pelo qual é alvo do maior número de pesquisas nesta categoria. A Rede de Vizinhos Protegidos, que aparece em segundo lugar, é um projeto relativamente novo, mas já implantado em vários bairros da
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