Feedback

A linguagem das trevas na filosofia de Hobbes

Documento informativo

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS – UFMG FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA LINHA DE PESQUISA: HISTÓRIA DA FILOSOFIA ORIENTADOR: PROF. DR. NEWTON BIGNOTTO A LINGUAGEM DAS TREVAS NA FILOSOFIA DE HOBBES VANDER SCHULZ NÖTHLING DE PAULA Tese apresentada ao Curso de Doutorado da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial à obtenção do título de Doutor em Filosofia. Orientador: Prof. Dr. Newton Bignotto. BELO HORIZONTE 2011 VANDER SCHULZ NÖTHLING DE PAULA A LINGUAGEM DAS TREVAS NA FILOSOFIA DE HOBBES 2 Tese defendida e _________________________, com a nota ________________, pela Banca Examinadora constituída pelos Professores: ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________ Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte, _________________________________ 3 Para Babel e minha mãe Astrid 4 Agradecimentos Ao apresentar esta pesquisa, sinto o dever de deixar registrados meus mais sinceros agradecimentos a todos aqueles que, de alguma maneira, contribuíram para sua concretização. Em primeiro lugar, a meu orientador, Prof. Dr. Newton Bignotto , cujas idéias influenciaram de modo decisivo meu trabalho, e que com tanta dedicação leu e criticou meus escritos. A minha co-orientadora, Profa. Dra. Dominique Leydet, por sua preciosa ajuda no encaminhamento e aprofundamento de meus estudos, e pela calorosa acolhida em Montréal. Ao Prof. Dr. Helton Adverse, pelo estimulante curso sobre Hobbes no primeiro semestre de 2006. A minhas professoras de violino, Diane Rodrigue, Emily Sun e Fernanda Mattos, que ao longo desses anos me acompanharam e me conduziram pelo universo divino e inefável da Música. A Andréa Baumgratz, por sua grande colaboração e por fazer da secretaria um lugar tão agradável. Especialmente, agradeço ao CNPQ, que ao longo de quatro anos ofereceu apoio financeiro a meu trabalho, além de uma bolsa de estudos que me permitiu realizar um estágio doutoral no Departamento de Filosofia da UQÀM – Université Du Québec à Montréal, no Canadá, onde tive a oportunidade de vivenciar experiências que guardarei pelo resto de minha vida em minha memória e em meu coração. Por fim, expresso meus mais sinceros agradecimentos a minha família, pela paciência e pelo apoio com que me acompanharam. De modo muito particular, agradeço a Babel, minha avó, e a minha mãe Astrid, por tudo o que fizeram por mim, embora nenhuma 5 palavra de gratidão esteja à altura de sua extraordinária generosidade e de sua incomparável bondade. 6 Resumo Na quarta parte do Leviathan, Hobbes denuncia a fraude instituída por certos grupos religiosos que se servem da linguagem para assegurar seu poder sobre os homens, e discute suas principais doutrinas, apontando não apenas seus fundamentos, mas também os riscos que elas representam para a estabilidade política do Estado. Nesse trabalho, investigaremos algumas dessas doutrinas, e tentaremos demonstrar que cada uma delas pode ser entendida como um abuso de linguagem. 7 Abstract In the fourth part of Leviathan, Hobbes denounces the fraud established by certain religious groups which make use of language to promote their own power over men and discusses their main doctrines, by pointing out not only their foundations, but also the risks they represent to the political stability of the Commonwealth. In this work, we intend to examine some of those doctrines and demonstrate that each one of them may be understood as an abuse of language. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .11 CAPÍTULO I O ARGUMENTO POLÍTICO HOBBESIANO.30 CAPÍTULO II FILOSOFIA E LINGUAGEM.62 CAPÍTULO III O REINO DAS TREVAS.103 CAPÍTULO IV AS TREVAS RESULTANTES DA VÃ FILOSOFIA .158 CONCLUSÃO .205 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .211 9 Nota sobre as referências As referências às obras de Hobbes são indicadas segundo as seguintes regras: título abreviado em itálico, seguido do capítulo em algarismos romanos, do parágrafo (se houver) em algarismos arábicos, e finalmente da página da edição inglesa indicada na bibliografia. Para o Leviathan, a página da tradução brasileira é indicada após uma barra oblíqua que a separa da página da edição inglesa. Para os Elements of Law (Human Nature and De Corpore Politico), a indicação da primeira ou da segunda parte segue imediatamente o título abreviado. A tradução do Leviathan utilizada foi modificada sempre que isso nos pareceu necessário. Para o De Corpore, utilizamos os capítulos selecionados incluídos na edição dos Elements of Law indicada na bibliografia. No caso do De Cive, utilizamos a tradução de Renato Janine Ribeiro, também indicada na bibliografia. B. D.Co. E.L. D.C. Lev. = Behemoth. = De Corpore. = The Elements of Law. = De Cive. = Leviathan. 10 Introdução 11 Your soul is Black like hell, It makes even bloody Satan wonder, Your thoughts are dark, They cannot see your evils, Like blind night groping in darkness, With no star on the firmament Vasile Alecsandri, Legende 12 Introdução Where there is mystery, it is generally supposed that there must also be evil. Christopher Frayling, Vampyres: Lord Byron to Count Dracula A doutrina política de Thomas Hobbes está centrada na idéia de que o Estado é um ser artificial, criado não pela natureza, mas pela vontade dos homens. Segundo o filósofo inglês, a passagem do estado de natureza ao estado político se opera mediante a celebração de um contrato, que é um ato voluntário, por todos aqueles que desejam abandonar aquela miserável condição de guerra de todos contra todos conhecida como estado de natureza. Em cada um de seus tratados consagrados à política, o autor faz questão de ressaltar a importância da linguagem para a celebração de contratos, uma vez que estes se realizam mediante a emissão de signos suficientes que expressam a vontade de contratar1 e, nesse sentido, pressupõem a posse de competências lingüísticas por parte dos contratantes. Nas palavras do Leviathan, “a mais nobre e útil das invenções foi a da LINGUAGEM, que consiste em nomes ou apelações, e suas conexões, pelos quais os homens registram seus pensamentos, os recordam quando são passados, e também os declaram uns aos outros para a utilidade mútua e a conversação” 2, e sem ela, “não teria havido entre os homens nem Estado, nem sociedade, nem contrato, nem paz, não mais que entre os leões, os ursos e os lobos”3. A despeito de todas as suas virtudes, todavia, a linguagem possui uma natureza artificial, e seu uso pode ser manipulado com vistas à satisfação de ambições que vão 1 Cf. Lev. XIV, p. 94. 2 Ibid., IV, p. 24. 3 Ibidem. 13 diretamente de encontro aos direitos e prerrogativas dos soberanos civis legitimamente constituídos, de modo a representar um risco considerável tanto para a manutenção de uma paz duradoura no interior do Estado quanto para a segurança do cidadão. Na quarta parte do Leviathan, nosso filósofo denuncia a fraude instituída por certos grupos religiosos que se servem da linguagem para assegurar seu poder sobre os homens, e discute suas principais doutrinas, apontando não apenas seus fundamentos, mas também os riscos que elas representam para a estabilidade política do Estado. Nesse trabalho, investigaremos algumas dessas doutrinas, que doravante chamaremos de “doutrinas das trevas”, uma vez que Hobbes compara as autoridades eclesiásticas responsáveis por seu ensino ao “Reino das Trevas” tantas vezes mencionado pelas Escrituras, e tentaremos demonstrar que cada uma delas pode ser entendida como um abuso de linguagem, já que uma doutrina nada mais é do que o resultado do uso de denominações ou apelações. Os capítulos iniciais da quarta parte do Leviathan tratam basicamente de três grupos de doutrinas das trevas, que servirão de fio condutor para nosso exame. Em primeiro lugar, temos as trevas resultantes da má interpretação das Escrituras, que são derivadas de abusos de interpretação da palavra escrita, dos quais o maior e principal consiste em “sua distorção, para provar que o Reino de Deus, freqüentemente mencionado nas Escrituras, é a Igreja presente, ou a multidão de cristãos vivendo agora, ou que, estando mortos, hão de se levantar novamente no último dia”4. No âmbito da teologia, o estudo da linguagem coloca em questão o critério da interpretação5 correta e legítima das Escrituras pois, mesmo que se admita que cada indivíduo privado tem condições de ler e compreender o texto bíblico, pelo menos naquilo que diz respeito à 4 Lev. XLIV, p. 419. 5 A esse propósito, observa Zarka que “toda a teologia de Hobbes faz intervir uma reflexão sobre a linguagem, tanto a teologia natural, onde a questão é a palavra natural de Deus, quanto a teologia revelada, onde a questão é a palavra profética que não nos é acessível, em um tempo em que não há mais profeta, senão no texto das Sagradas Escrituras.” (ZARKA. Y. C. Hobbes et la pensée politique moderne. Paris: PUF, 2001, p.68). 14 sua própria salvação, é preciso levar em conta o fato de que nenhum texto é autoexplicativo. Já no âmbito da política, o estudo da linguagem levanta uma questão ainda mais fundamental, que é o problema de se determinar aquilo que confere a uma interpretação particular do texto bíblico a força de lei, tornando sua observância obrigatória a todos os cidadãos. Nesse sentido, podemos dizer que, embora o problema da interpretação seja relevante para a teologia, ele coloca em jogo a própria autonomia da teologia em relação à política. Em segundo lugar, temos as trevas resultantes da demonologia, que são derivadas de um abuso de linguagem cometido por aqueles que “registram como concepções suas aquilo que nunca conceberam, e deste modo se enganam”6. Segundo Hobbes, a palavra demônio é empregada por aqueles homens pouco instruídos que, desconhecendo a natureza da visão, erroneamente denominam certas imagens na imaginação ou nos sentidos como se estas fossem coisas existentes no mundo. O filósofo inglês procura mostrar que não há o que se temer da parte dos demônios, uma vez que estes não passam de imagens existentes apenas no espírito. No entanto, os “governantes das trevas” insistem em promover entre os homens o temor às forças demoníacas, como se os demônios fossem entidades independentes de nossas mentes, pois “por sua demonologia, e pelo uso do exorcismo, e outras coisas pertencentes a isto, conservam (ou julgam conservar) mais o povo espantado por seu poder”7. Em outras palavras, as autoridades eclesiásticas usam o medo dos homens para controlá-los. Em terceiro lugar, temos as trevas resultantes da vã filosofia, como a doutrina das essências separadas, da qual o Leviathan se ocupa a fim de submetê-la a uma severa crítica: “A partir dessa metafísica [de Aristóteles], que misturada às Escrituras constitui a Escolástica, dizem-nos que há no mundo certas essências separadas dos corpos, que 6 Lev. IV, p. 25. 7 Ibid. XLVII, p. 477. 15 eles chamam de Essências Abstratas e Formas Substanciais”8. Segundo nosso filósofo, a doutrina das essências separadas, assim como todas as ilusões metafísicas dela derivadas, é devida à ignorância acerca do estatuto da linguagem e, de modo particular, das funções do verbo ser no discurso. O grande erro da metafísica, na opinião do autor, foi o de ter transformado o verbo ser em objeto do discurso, como se ele constituísse, além de um mero signo lingüístico de ligação, uma denominação de algo. A crítica hobbesiana à metafísica tradicional é feita através de uma reflexão sobre a linguagem e seus aspectos semânticos e sintáticos e, assim como a crítica às deturpações das Escrituras e à demonologia, revela preocupações políticas com a preservação da soberania do Estado contra as investidas ferozes dos “governantes das trevas” pois, como revela o próprio texto do Leviathan, sua inclusão em um tratado que tem por objeto principal as regras do justo e do injusto, assim como a política em geral, justificase na medida em que tem por objetivo fazer com que “os homens possam não mais ser enganados por aqueles que, através desta doutrina das Essências Separadas, construída sobre a vã filosofia de Aristóteles, os tornariam temerosos de obedecer às leis de seu país, com nomes vazios”9. Sob todas as perspectivas acima expostas, portanto, a linguagem das trevas pode ser contada entre os fatores que ameaçam a vida em sociedade, de cuja dissolução derivam todos os males que caracterizam a guerra de todos contra todos, e, só por isso, já merece uma atenção especial, uma vez que a possibilidade real e próxima de uma morte violenta no estado de natureza torna inviáveis todos aqueles benefícios que, em tempos de paz, tornam a vida humana mais confortável, como mostram as sombrias palavras do famoso capítulo XIII do Leviathan: 8 Lev, XLVI, p. 463. 9 Ibid., XLVI, p. 465. 16 “Em tal condição, não há lugar para a indústria, porque seu fruto é incerto, e conseqüentemente nenhuma cultura da terra, nem navegação, nem uso das comodidades que podem ser importadas pelo mar, nem construções cômodas, nem instrumentos para mover e remover aquelas coisas que exigem muita força, nem conhecimento da face da terra, nem contagem do tempo, nem artes, nem letras, nem sociedade, e o que é pior, há medo contínuo, e perigo de morte violenta; e a vida do homem é solitária, pobre, desagradável, embrutecida e curta”10. O exame da linguagem das trevas é importante, portanto, na medida em que confere destaque a um desdobramento fundamental da filosofia política de Hobbes: aquele que trata das precauções a serem tomadas a fim de se preservar a soberania contra suas piores ameaças. O tema da linguagem é abordado por Hobbes em escritos que recobrem campos diversos de interesse e, considerando-se a amplitude do horizonte de interesses do teórico inglês, pode-se dizer que a investigação acima proposta contribui também para a elucidação de questões que ultrapassam enormemente os limites da política. Como teremos a oportunidade de verificar, Hobbes concebeu a filosofia como um grande sistema, construído a partir de princípios gerais em número relativamente pequeno11, e dividido em três partes, que dão nome a três de seus grandes tratados, cronologicamente publicados fora da ordem segundo a qual foram originalmente concebidos: a primeira parte, publicada em 1655, intitula-se De Corpore; a segunda, publicada em 1658, De Homine; a terceira, publicada em 1642, De Cive. Embora o propósito exclusivo de nosso trabalho não seja confrontar o problema da coerência interna do sistema, e tampouco tentar salvar “a todo custo” a coerência12 das idéias nele desenvolvidas, 10 Lev. XIII, p. 89. 11 Cf. SORELL, Tom. Hobbes. London: Routledge, 1991. 12 Na Metodologia teremos a oportunidade de abordar algumas considerações propostas por Quentin Skinner acerca dos absurdos decorrentes do pressuposto segundo o qual os autores clássicos pretenderam apresentar suas idéias de modo perfeitamente consistente e coerente. 17 teremos a oportunidade de verificar a centralidade do lugar ocupado pelo estudo da linguagem no quadro geral da filosofia de Hobbes, assim como sua importância capital para a constituição de um saber genuinamente científico. Vale destacar também que a crítica hobbesiana à doutrina das essências separadas empreendida no capítulo XLVI do Leviathan opera uma ruptura radical com uma longa tradição que, segundo o autor, remonta a Aristóteles, de modo que o estudo da linguagem das trevas contribuiria para a explicitação das relações de Hobbes com a tradição que o precede. Afinal, as idéias de nosso filósofo encontram-se em permanente tensão com a tradição, e sua originalidade deve-se mais às rupturas operadas com o pensamento dos autores clássicos que a uma inspiração completamente alheia às obras de pensamento do passado. Seria muito pouco provável que as idéias do passado, que com o passar do tempo adquiriram uma autoridade considerável, tivessem deixado de imprimir sua marca no pensamento de Hobbes. O estudo da linguagem das trevas é também particularmente importante do ponto de vista histórico, uma vez que traz à luz os adversários aos quais Hobbes endereça suas críticas, assim como seus propósitos. Profundamente contrárias às pretensões políticas da Igreja Católica Romana, as críticas hobbesianas à linguagem eclesiástica retratam com grande riqueza as preocupações prementes de uma época em que o poder civil esforçava-se para conquistar sua independência em relação ao poder dos papas. A dimensão das pretensões da igreja Romana ao poder pode ser avaliada pela doutrina do quarto Concílio de Latrão, reunido sob o pontificado do Papa Inocêncio III, ao qual o Leviathan faz referência: “Que se um rei repreendido pelo Papa não expurgar seu reino das heresias, e sendo excomungado por isso, não der satisfação em um ano, seus súditos estão absolvidos do laço de sua obediência”13. Este é apenas um dos 13 Lev. XLIV, p. 420. 18 muitos exemplos oferecidos por Hobbes em seus escritos, e que colocam suas idéias em uma perspectiva histórica, sem a qual a pesquisa filosófica se tornaria deveras limitada, arriscando-se a deixar escapar os problemas concretos para os quais os filósofos buscaram respostas. * A filosofia de enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. Buschmann S, Warkentin E, Xie H, Langer JD, Ermler U, et al. (2010) The structure of cbb3 cytochrome oxidase provides insights into proton pumping. Science 329: 327–330. 11. Fee JA, Case DA, Noodleman L (2008) Toward a chemical mechanism of proton pumping by the B-type cytochrome c oxidases: application of density functional theory to cytochrome ba3 of Thermus thermophilus. J Am Chem Soc 130: 15002–15021. 12. Chang HY, Hemp J, Chen Y, Fee JA, Gennis RB (2009) The cytochrome ba3 oxygen reductase from Thermus thermophilus uses a single input channel for proton delivery to the active site and for proton pumping. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 16169–16173. 13. Luna VM, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2008) Crystallographic studies of Xe and Kr binding within the large internal cavity of cytochrome ba3 from Thermus thermophilus: structural analysis and role of oxygen transport channels in the heme-Cu oxidases. Biochemistry 47: 4657–4665. PLoS ONE | www.plosone.org 11 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348 The 1.8 Å Structure of ba3Oxidase 27. Vogeley L, Sineshchekov OA, Trivedi VD, Sasaki J, Spudich JL, et al. (2004) Anabaena sensory rhodopsin: a photochromic color sensor at 2.0 A. Science 306: 1390–1393. 28. Cherezov V, Rosenbaum DM, Hanson MA, Rasmussen SG, Thian FS, et al. (2007) High-resolution crystal structure of an engineered human beta2adrenergic G protein-coupled receptor. Science 318: 1258–1265. 29. Jaakola VP, Griffith MT, Hanson MA, Cherezov V, Chien EY, et al. (2008) The 2.6 angstrom crystal structure of a human A2A adenosine receptor bound to an antagonist. Science 322: 1211–1217. 30. Wu B, Chien EY, Mol CD, Fenalti G, Liu W, et al. (2010) Structures of the CXCR4 chemokine GPCR with small-molecule and cyclic peptide antagonists. Science 330: 1066–1071. 31. Chien EY, Liu W, Zhao Q, Katritch V, Han GW, et al. (2010) Structure of the Human Dopamine D3 Receptor in Complex with a D2/D3 Selective Antagonist. Science 330: 1091–1095. 32. Hanson MA, Cherezov V, Griffith MT, Roth CB, Jaakola VP, et al. (2008) A specific cholesterol binding site is established by the 2.8 A structure of the human beta2-adrenergic receptor. Structure 16: 897–905. 33. Cherezov V, Liu W, Derrick JP, Luan B, Aksimentiev A, et al. (2008) In meso crystal structure and docking simulations suggest an alternative proteoglycan binding site in the OpcA outer membrane adhesin. Proteins 71: 24–34. 34. Cherezov V, Clogston J, Papiz MZ, Caffrey M (2006) Room to move: crystallizing membrane proteins in swollen lipidic mesophases. J Mol Biol 357: 1605–1618. 35. Caffrey M (2009) Crystallizing membrane proteins for structure determination: use of lipidic mesophases. Annu Rev Biophys 38: 29–51. 36. Loh HH, Law PY (1980) The role of membrane lipids in receptor mechanisms. Annu Rev Pharmacol Toxicol 20: 201–234. 37. Lee AG (2004) How lipids affect the activities of integral membrane proteins. Biochim Biophys Acta 1666: 62–87. 38. Robinson NC (1993) Functional binding of cardiolipin to cytochrome c oxidase. J Bioenerg Biomembr 25: 153–163. 39. Qin L, Sharpe MA, Garavito RM, Ferguson-Miller S (2007) Conserved lipidbinding sites in membrane proteins: a focus on cytochrome c oxidase. Curr Opin Struct Biol 17: 444–450. 40. Sedlak E, Panda M, Dale MP, Weintraub ST, Robinson NC (2006) Photolabeling of cardiolipin binding subunits within bovine heart cytochrome c oxidase. Biochemistry 45: 746–754. 41. Hunte C, Richers S (2008) Lipids and membrane protein structures. Curr Opin Struct Biol 18: 406–411. 42. Reichow SL, Gonen T (2009) Lipid-protein interactions probed by electron crystallography. Curr Opin Struct Biol 19: 560–565. 43. Yang YL, Yang FL, Jao SC, Chen MY, Tsay SS, et al. (2006) Structural elucidation of phosphoglycolipids from strains of the bacterial thermophiles Thermus and Meiothermus. J Lipid Res 47: 1823–1832. 44. Belrhali H, Nollert P, Royant A, Menzel C, Rosenbusch JP, et al. (1999) Protein, lipid and water organization in bacteriorhodopsin crystals: a molecular view of the purple membrane at 1.9 A resolution. Structure 7: 909–917. 45. Long SB, Tao X, Campbell EB, MacKinnon R (2007) Atomic structure of a voltage-dependent K+ channel in a lipid membrane-like environment. Nature 450: 376–382. 46. Gonen T, Cheng Y, Sliz P, Hiroaki Y, Fujiyoshi Y, et al. (2005) Lipid-protein interactions in double-layered two-dimensional AQP0 crystals. Nature 438: 633–638. 47. Seelig A, Seelig J (1977) Effect of single cis double bound on the structure of a phospholipid bilayer. Biochemistry 16: 45–50. 48. Lomize MA, Lomize AL, Pogozheva ID, Mosberg HI (2006) OPM: orientations of proteins in membranes database. Bioinformatics 22: 623–625. 49. Hoyrup P, Callisen TH, Jensen MO, Halperin A, Mouritsen OG (2004) Lipid protrusions, membrane softness, and enzymatic activity. Phys Chem Chem Phys 6: 1608–1615. PLoS ONE | www.plosone.org 50. Lee HJ, Svahn E, Swanson JM, Lepp H, Voth GA et al (2010) Intricate Role of Water in Proton Transport through Cytochrome c Oxidase. J Am Chem Soc 132: 16225–16239. 51. Aoyama H, Muramoto K, Shinzawa-Itoh K, Hirata K, Yamashita E, et al. (2009) A peroxide bridge between Fe and Cu ions in the O2 reduction site of fully oxidized cytochrome c oxidase could suppress the proton pump. Proc Natl Acad Sci U S A 106: 2165–2169. 52. Schmidt B, McCracken J, Ferguson-Miller S (2003) A discrete water exit pathway in the membrane protein cytochrome c oxidase, Proc Natl Acad Sci U S A 100: 15539–15542. 53. Einarsdottir O, Choc MG, Weldon S, Caughey WS (1988) The site and mechanism of dioxygen reduction in bovine heart cytochrome c oxidase. J Biol Chem 263: 13641–13654. 54. Agmon N (1995) The Grotthuss mechanism. Chem Phys Lett 244: 456– 462. 55. Salomonsson L, Lee A, Gennis RB, Brzezinski P (2004) A single amino-acid lid renders a gas-tight compartment within a membrane-bound transporter. Proc Natl Acad Sci U S A 101: 11617–11621. 56. Yin H, Feng G, Clore GM, Hummer G, Rasaiah JC (2010) Water in the polar and nonpolar cavities of the protein Interleukin-1-beta. J Phys Chem B 114: 16290–16297. 57. Eisenberger P, Shulman RG, Brown GS, Ogawa S (1976) Structure-function relations in hemoglobin as determined by x-ray absorption spectroscopy. Proc Natl Acad Sci U S A 73: 491–495. 58. Chishiro T, Shimazaki Y, Tani F, Tachi Y, Naruta Y, et al. (2003) Isolation and crystal structure of a peroxo-brodged heme-copper complex. Ang Chem Int Ed 42: 2788– 2791. 59. Ostermeier C, Harrenga A, Ermler U, Michel H (1997) Structure at 2.7 A resolution of the Paracoccus denitrificans two-subunit cytochrome c oxidase complexed with an antibody FV fragment. Proc Natl Acad Sci U S A 94: 10547–10553. 60. Kaila VRI, Oksanen E, Goldman A, Bloch D, Verkhovsky MI, et al. (2011) A combined quantum chemical and crystallographic study on the oxidized binuclear center of cytochrome c oxidase. Biochim Biophys Acta 1807: 769–778. 61. Sakaguchi M, Shinzawa-Itoh K, Yoshikawa S, Ogura T (2010) A resonance Raman band assignable to the O-O stretching mode in the resting oxidized state of bovine heart cytochrome c oxidise. J Bioenerg Biomembr 42: 241–243. 62. Chance B, Saronio C, Waring A, Leigh Jr. JS (1978) Cytochrome c-cytochrome oxidase interactions at subzero temperatures. Biochim. Biophys. Acta 503: 37–55. 63. Cheng A, Hummel B, Qiu H, Caffrey M (1998) A simple mechanical mixer for small viscous lipid-containing samples. Chem Phys Lipids 95: 11–21. 64. Cherezov V, Peddi A, Muthusubramaniam L, Zheng YF, Caffrey M (2004) A robotic system for crystallizing membrane and soluble proteins in lipidic mesophases. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 1795–1807. 65. Minor W, Cymborowski M, Otwinowski Z, Chruszcz M (2006) HKL-3000: the integration of data reduction and structure solution - from diffraction images to an initial model in minutes. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 62: 859–866. 66. McCoy AJ, Grosse-Kunstleve RW, Adams PD, Winn MD, Storoni LC, et al. (2007) Phaser crystallographic software. J Appl Crystallogr 40: 658–674. 67. McRee DE (2004) Differential evolution for protein crystallographic optimizations. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 60: 2276–2279. 68. Unno M, Chen H, Kusama S, Shaik S, Ikeda-Saito M (2007) Structural characterization of the fleeting ferric peroxo species in myoglobin, Experiment and theory. J Am Chem Soc 129: 13394–13395. 69. Kuhnel K, Derat E, Terner J, Shaik S, Schlicting I (2007) Structure and quantum chemical characterization of chloroperoxidase compound 0, a common reaction intermediate of diverse heme enzymes. Proc Natl Acad Sci U S A 104: 99–104. 12 July 2011 | Volume 6 | Issue 7 | e22348
A linguagem das trevas na filosofia de Hobbes A Linguagem Das Trevas Na Filosofia De Hobbes
RECENT ACTIVITIES

Autor

Documento similar

A linguagem das trevas na filosofia de Hobbes

Livre