Fibra de calotropis procera: uma alternativa eficaz na remoção de hidrocarbonetos de petróleo em meio salino como bioadsorvente

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA ANAXMANDRO PEREIRA DA SILVA FIBRA DE CALOTROPIS PROCERA: UMA ALTERNATIVA EFICAZ NA REMOÇÃO DE HIDROCARBONETOS DE PETRÓLEO EM MEIO SALINO COMO BIOADSORVENTE Natal-RN Janeiro de 2016 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO FIBRA DE CALOTROPIS PROCERA: UMA ALTERNATIVA EFICAZ NA REMOÇÃO DE HIDROCARBONETOS DE PETRÓLEO EM MEIO SALINO COMO BIOADSORVENTE ANAXMANDRO PEREIRA DA SILVA ORIENTADOR Prof. Dr. RASIAH LADCHUMANANANDASIVAM CO-ORIENTADORA Profa. Dra. KÉSIA KARINA DE OLIVEIRA SOUTO SILVA Natal-RN Janeiro de 2016 ANAXMANDRO PEREIRA DA SILVA FIBRA DE CALOTROPIS PROCERA: UMA ALTERNATIVA EFICAZ NA REMOÇÃO DE HIDROCARBONETOS DE PETRÓLEO EM MEIO SALINO COMO BIOADSORVENTE Dissertação submetida ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE como parte dos requisitos para a obtenção do grau de MESTRE EM ENGENHARIA MECÂNICA. Área de concentração: Tecnologia dos Materiais ORIENTADOR Prof. Dr. RASIAH LADCHUMANANANDASIVAM CO-ORIENTADORA Profa. Dra. KÉSIA KARINA DE OLIVEIRA SOUTO SILVA Natal-RN Janeiro de 2016 UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede Catalogação da Publicação na Fonte Silva, Anaxmandro Pereira da. Fibra de calotropis procera: uma alternativa eficaz na remoção de hidrocarbonetos de petróleo em meio salino como bioadsorvente / Anaxmandro Pereira da Silva. – Natal, RN, 2016. 109 f. : il. Orientador: Prof. Dr. Rasiah Ladchumananandasivam. Coorientadora: Prof.ª Dr.ª Késia Karina De Oliveira Souto Silva. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica. 1. Adsorção - Dissertação. 2. Fibra natural - Dissertação. 3. Petróleo Dissertação. 4. Calotropis Procera - Dissertação. 5. Bioadsorvente Dissertação. 6. Meio ambiente - Dissertação. I. Ladchumananandasivam, Rasiah. II. Silva, Késia Karina De Oliveira Souto. III. Título. RN/UF/BCZM CDU 665.6 ANAXMANDRO PEREIRA DA SILVA FIBRA DE CALOTROPIS PROCERA: UMA ALTERNATIVA EFICAZ NA REMOÇÃO DE HIDROCARBONETOS DE PETRÓLEO EM MEIO SALINO COMO BIOADSORVENTE Dissertação submetida ao Programa de PósGraduação em Engenharia Mecânica da UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE como parte dos requisitos para a obtenção do grau de MESTRE EM ENGENHARIA MECÂNICA. Área de concentração: Tecnologia dos Materiais. Aprovado em _____ de ____________ de _______. RASIAH LADCHUMANANANDASIVAM Presidente - 6346998 KÉSIA KARINA DE OLIVEIRA SOUTO SILVA Externo ao Programa - 2614285 JOSE HERIBERTO OLIVEIRA DO NASCIMENTO Externo ao Programa - 2941160 CÁTIA GUARACIARA FERNANDES TEIXEIRA ROSSI Externo à Instituição - FANEC Dedico A Deus, a minha esposa Késia Karina, meu filho Lucas e aos meus pais Francisco e Francisca. AGRADECIMENTOS À Deus trino Pai, Filho e Espírito Santo, supremo criador de todas as coisas, meu grande amigo pessoal e grande consolador, mesmo que em muitos momentos possa ter até duvidado de sua presença ao meu lado, sempre esteve zelando por mim e me guardando em cada tomada de decisão e até nos momentos mais difíceis esteve e está sempre comigo. Aos meus pais Francisco e Francisca, sei que me amam muito e sempre fizeram tudo pensando no meu melhor, minha querida esposa Késia Karina, não tenho palavras para descrever minha gratidão por tudo que fostes para mim neste trabalho e és em minha vida, meu filho Lucas, pelo seu jeito singular de compreender seu pai em todos os momentos. Espero que ao ler este trabalho um dia, possa ter descoberto o que tanto quis lhe falar, ensinar e orientar com minhas próprias experiências e o mais importante de tudo em toda a minha vida, a sua felicidade. Sempre estarei batalhando para que o melhor de mim possa ser irradiado para você e que o seu sucesso seja fruto de sua persistência e aprendizado e minhas enteadas Ana Beatriz e Anne Isabelle, pela forma tão alegre e delicada que sempre me trouxeram a mais pura prova de amor através de seu carinho e atenção. Meu orientador, Professor Sivam como gosto de chamar carinhosamente, sem sua atenção em me ouvir, conselhos a seguir e incentivo no caminho a tomar dentro do programa, nada disso teria acontecido, minha co-orientadora, Professora Késia, pela constante cobrança que sempre impôs e um ritmo forte que muitas das vezes até não correspondia, mas agora com o resultado posso ver que todas as suas decisões foram cirurgicamente precisas e espero poder orgulhá-la sempre enquanto puder ter sua contribuição e professor Heriberto, pela colaboração nas considerações, ensinamentos, orientações das análises e ponderações. Ao Capitão-de-Corveta Fuzileiro Naval Eric Ricardo de Souza, Capitão-Tenente Fuzileiro Naval Stanley Couto Rocha e meus colegas de trabalho, Gautier, Ivanildo, Ricardo, Fonseca, Francitonio, Valeriano, A. Souza, Danilo e Jonas no Grupamento de Fuzileiros Navais de Natal pela motivação e ajuda sempre oferecida em nosso ambiente de trabalho. Ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica e Departamento de Engenharia Têxtil, pela oportunidade e estrutura oferecida para o desenvolvimento do meu trabalho. Ao Grupo de Pesquisa em Processos Químicos, Nanociência e Têxteis Funcionais (PQNTF) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte pela significativa colaboração em meus experimentos em todos os momentos que estivemos envolvidos. Ao Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pela água salina para o desenvolvimento de meu trabalho, Professora Ana Rita do Instituto pela parceria firmada e documentada (Instituto Federal do Sertão Pernambucano - IFPE, campus Petrolina, Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias - EMBRAPA e Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN) com a disponibilização das fibras de Calotropis Procera para o desenvolvimento de meu trabalho, a Central Resources do Brasil, estação coletora Ponta do Mel, Areia Branca pela disponibilização do petróleo utilizado neste trabalho. Aos laboratórios da UFRN: Laboratório químico do Departamento de Engenharia Têxtil (DET), Laboratórios do Núcleo de Pesquisa em Petróleo e Gás (NUPEG II) do Departamento de Engenharia Química (DEQ), Laboratório de mecânica dos fluidos do Departamento de Engenharia Mecânica (DEM), Laboratórios de análises térmicas e análises estruturais do Departamento de Engenharia dos Materiais (DEMAT) e Laboratório do Grupo de Nanoestruturas Magnéticas e Semicondutoras (GNMS) do Departamento de Física Teórica e Experimental (DFTE) pelas análises realizadas na parte experimental de minha pesquisa. A todos que contribuíram direta ou indiretamente no desenvolvimento deste trabalho. Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. (Eclesiastes 3:1) A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento. (Platão) RESUMO (SILVA A. P.) FIBRA DE CALOTROPIS PROCERA: UMA ALTERNATIVA EFICAZ NA REMOÇÃO DE HIDROCARBONETOS DE PETRÓLEO EM MEIO SALINO COMO BIOADSORVENTE. 109 f, DISSERTAÇÃO DE MESTRADO – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, UFRN, 2016. Acidentes ambientais envolvendo derramamento de petróleo e seus derivados em meios hídricos e solo são comuns e preocupantes, comprometendo a qualidade do meio ambiente. Uma forma econômica e eficiente de remediar estes derramamentos de óleo é o emprego do método de adsorção utilizando fibras naturais ou biomassa. O objetivo deste trabalho foi de investigar a capacidade adsorvente da fibra de Calotropis Procera para remoção de petróleo em meio salino através das suas características microestruturais. Estas características foram avaliadas através de: MEV, DRX, FRX, FTIR, densidade da fibra, ângulo de contato e TG/DSC. O petróleo foi classificado em seu grau API, viscosidade e densidade. Foram realizados ensaios de adsorção em sistema dinâmico nos tempos de 30 e 60 segundos, e uma rotação de 100 RPM. Os efluentes gerados foram caracterizados pelo teor de óleos e graxas. Os resultados obtidos através das análises de caracterização da fibra evidenciaram suas propriedades hidrofóbica, oleofílica, baixa cristalinidade, baixa densidade confirmando sua característica de flutuabilidade, e a presença de compostos orgânicos caracterizando sua origem natural e biodegradável. A estabilidade térmica da fibra se mantém até a temperatura aproximada de 230ºC, ocorrendo perda de massa significativa de 50 % na temperatura de 330ºC. O petróleo possui seu grau API 33º, viscosidade de 0,0139 Pas (T=40°C) e densidade de 0,68 g/cm3 (T=15,55ºC). O melhor ensaio de adsorção foi no tempo de 60 segundos, obtendo o valor médio de TOG menor que 20 mg/L, atendendo as exigências da resolução nº 430/2011CONAMA. A fibra Calotropis Procera apresentou capacidade de sorção de hidrocarbonetos, mostrando sua viabilidade no tratamento de efluentes da indústria petrolífera em meio salino, contribuindo para a preservação ambiental. Palavras-chave: adsorção, fibra natural, petróleo, Calotropis Procera, bioadsorvente. ABSTRACT (SILVA A. P.) FIBER CALOTROPIS PROCERA: AN EFFECTIVE ALTERNATIVE IN PETROLEUM REMOVAL IN SALINE WATER AS BIOADSORBENT. 109 p., MASTER OF SCIENCE DISSERTATION – Post-graduate Program in Mechanical Engineering, UFRN, 2016. Environmental accidents involving petroleum oil spills and its derivatives in water environment bodies and soil is common and troubling, compromising the quality to the environment. To rectify these oil spills is the use of sorption method by employing natural fibers and biomass is one form of an economic and efficient way. The objective of this work was to investigate the adsorbent capacity of Calotropis Procera fiber for the removal of petroleum oil in a saline water environment, using its microstructural characteristics. These characteristics of the fibers were evaluated using SEM, XRD, XRF, FTIR, fiber density, contact angle and TGA / DSC. The petroleum oil was classified according to its API degree, viscosity and density. Adsorption experiments, under a dynamic system for the times of 30 and 60 seconds and at 100RPM, were carried out. The effluents generated were characterized by the oil and grease content. The results from the fiber characterization analysis, evidenced their properties of hydrophobic, oleophilic, low crystallinity and low density, furthermore, confirming their buoyancy characteristic, and the presence of organic compounds, characterize the fibre being a natural and biodegradable source. The thermal stability of the fiber was maintained until an approximate temperature of 230°C, occurring significant loss of mass of 50% at a temperature of 330°C. The oil has its API 33º degree, viscosity of 0.0139 Pas (T = 40°C) and density 0.68 g / cm3 (T = 15,55ºC). The best adsorption test was in the time of 60 seconds, getting an average value of TOG less than 20 mg / L, attending the requirements of Resolution No. 430/2011-CONAMA The Calotropis Procera fiber proved to have an acceptable sorption capacity of hydrocarbon, showing its viability in the treatment of the oil industry effluents in saline conditions, contributing toward the preservation of environment. Keywords: adsorption, natural fiber, petroleum, Calotropis Procera, bioadsorbent. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Geologia ilustrando a disposição geológica de uma área petrolífera desde a rocha geradora até as jazidas. .23 Figura 2 - Mapa da Bacia potiguar, RN - Brasil. Campos produtores de petróleo descobertos.24 Figura 3 - Campo de Ubarana, Bacia Potiguar, RN - Brasil. .24 Figura 4 - Composição global do petróleo pelo teor.26 Figura 5 - Reservas de Petróleo e países membros da OPEP. .31 Figura 6 - Reservas de petróleo no mundo. Produção anual de 2012 em milhões de barris. .31 Figura 7 - Reservas de petróleo no mundo. Produção anual de 2014 em milhões de barris. .32 Figura 8 - Reservas mundiais de petróleo no mundo. Produção média diária do ano de 2012 em milhões de barris. .32 Figura 9 - Reservas de petróleo no mundo. Produção anual de 2014 em milhões de barris. .33 Figura 10 - Histórico de produção de petróleo no Brasil de agosto de 2014 a agosto de 2015. .33 Figura 11 - Histórico de produção de petróleo no Brasil por Estado nos últimos 12 meses.34 Figura 12 - Histórico de produção de petróleo no Brasil por bacia nos últimos 12 meses.34 Figura 13 - Classificação das Fibras Têxteis.39 Figura 14 – Arbusto de Calotropis Procera .42 Figura 15 - Fruto da Calotropis Procera. a) fruto em estágio inicial de amadurecimento; b) fruto maduro com as fibras liberadas. .42 .Figura 16 – Classificação têxtil da fibra de Calotropis Procera. .43 Figura 17 - pirâmide hierárquica da classificação botânica da Calotropis Procera. .43 Figura 18 - Fibra de Calotropis Procera. a. limpa; b. retirada do fruto com sementes e impurezas.53 Figura 19 - Esquema de renovação contínua da água salina para o local de retirada no Departamento de Oceanografia e Limnologia da UFRN – Natal/RN - Brasil.54 Figura 20 - Equipamentos utilizados para a confecção dos corpos de prova. a. Pressa hidráulica; b. balança de precisão; d. Molde de aço; e c. Disco fibroso. .56 Figura 21 - Microscópio NOVA UCMOS 03100KPA. .57 Figura 22 - Microscópio Eletrônico de Varredura TM 3000. .58 Figura 23 - Equipamento DRX do Laboratório de Nanoestruturas Magnéticas do DFTE.61 Figura 24 - Ilustração de ângulo de contato: a. Ponto do Cosθ, b. Cosθ com ângulo hidrofóbico. C. Cosθ com ângulo hidrofílico .63 Figura 25 - Eixos de medição do ângulo de contato entre um líquido e uma superfície sólida de acordo com Young. .64 Figura 26 - Reômetro Brookfield do Laboratório de Tensoativos do NUPEG II/UFRN. .65 Figura 27 - Microscopia ótica da fibra de Calotropis Procera. a. fibra crua 40x; b. fibra adsorvida 40x; c e d. disco fibroso após processo de adsorção 5x e10x. .70 Figura 28 - Micrografias obtidas pelo MEV da fibra de Calotropis Procera. .71 Figura 29 - Gráfico de FTIR da fibra de Calotropis Procera .73 Figura 30 - Gráfico de Difração de Rios-X (DRX) da fibra de Calotropis Procera crua. .75 Figura 31 - Gráfico de resultados de TG/DSC da fibra de Calotropis Procera. .76 Figura 32 - Gráfico de intensidade da fibra de Calotropis Procera.77 Figura 33 - Análise gráfica do ângulo de contato da fibra de Calotropis Procera.78 Figura 34 - Gráfico de viscosidade e coeficiente de regressão em função da temperatura na análise de viscosidade do óleo. .79 Figura 35 - Gráfico de percentual de adsorção da fibra de Calotropis Procera em meio dinâmico.82 Figura 36 - Histórico de produção de petróleo no Brasil de agosto de 2013 a agosto de 2014. .108 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Composição elementar do petróleo cru.25 Tabela 2 - Composição típica do petróleo por grupos funcionais.26 Tabela 3 - Classificação dos petróleos por componentes. .27 Tabela 4 - Derivados do petróleo e suas aplicações. .28 Tabela 5 - Classificação do petróleo segundo ºAPI.29 Tabela 6 - Petróleos de diferentes partes do mundo pelo grau de API e teor de enxofre. .30 Tabela 7 - Aspectos ambientais nos processos de obtenção e beneficiamento de petróleo. Acesso em: 17 jul. 2009) 65 O Marechal Castelo Branco assumiu a Presidência da República em 15.04.1964. 116 A denominação do bairro remete à figura de Francisco dos Santos, o Chico dos Santos, dono de um rancho às margens do rio Machado onde ele administrava um entreposto de mercadorias, uma venda e uma pousada para os viajantes que comercializavam produtos através da estação de Fama (1896) da Estrada de Ferro Muzambinho e do barco que ia de Fama até a Cachoeira (ainda existente no rio Machado e próxima ao bairro). Segundo um de seus descendentes, Sr. João Esmeraldo Reis, nascido em 1932, figura de destaque no bairro, quando da construção de Furnas, a expectativa dos moradores é que a energia elétrica chegasse ao bairro. Até então apenas os moradores mais abastados do bairro eram sócios de uma pequena usina elétrica, inaugurada em 12 de abril de 1951.66 Em seu depoimento à pesquisadora, em estudo prévio sobre a comunidade atendida pela Fundamar, em 1994, Sr. João Esmeraldo relembrou as várias pontes construídas sobre o rio Machado, interligando o bairro do Chico dos Santos ao bairro do Coroado no município vizinho de Alfenas. Antes da construção da primeira ponte a travessia era de barco e para o gado era na água. Segundo o depoente, quando a primeira ponte foi construída, em torno de 1920, só aqueles que contribuíram para a obra tinham livre acesso. Os demais tinham que pagar para atravessar ou se valerem dos préstimos do barqueiro, Chiquinho Cordeiro. Depois que o rio Machado foi represado por Furnas, no bairro Chico dos Santos (1965?) a terceira ponte foi construída pela comunidade com ajuda de ambas prefeituras – Paraguaçu e Alfenas. O Sr. João Esmeraldo 66 O jornal “O Paraguassu”, Paraguaçu (MG), n. 496 de 15 abr. 1951 traz a notícia: “Inauguração da Luz Eletrica no Bairro Chicos dos Santos”. Segundo Sr. João Esmeraldo, eram vinte e dois sócios envolvidos na construção da usina de energia elétrica, captando as águas do ribeirão que deságua no rio Machado, no bairro Chico dos Santos. O responsável pela usina era Geraldo de Abreu, de Alfenas. 117 participou da construção da ponte de madeira amarrada com cipó, a base era de pedra e sua extensão era de 22m. Foi construída entre 25 de julho e 25 de agosto de 1967. Edição de “A Voz da Cidade” de 1º de outubro de 1967 confirma a informação de nosso depoente. Furnas só viria construir a ponte sobre o rio Machado, em substituição à antiga, já interditada, em 1981. O jornal “A Voz da Cidade” de 28 de março de 1981 refere-se a um convênio entre a Prefeitura Municipal de Paraguaçu e Furnas – Centrais Elétricas S/A para construção de obras para evitar o ilhamento de alguns produtores rurais, cujas propriedades localizam-se nas margens do lago de Furnas. Refere-se ainda à construção da nova ponte do rio Machado, de interesse direto dos moradores do Bairro dos Santos (bairro Chico dos Santos, em Paraguaçu) e do Coroado, no município de Alfenas, a ser executada diretamente por Furnas. Raro exemplo de publicação de memórias sobre um bairro rural do município de Paraguaçu, o livro “Memórias do Chico dos Santos”, de autoria de Edson Vianei Alves (1949-2002), sobrinho materno do depoente João Esmeraldo, registra suas lembranças sobre o rio Machado, ao tempo de seu pai, Joaquim Felipe: “No rio Machado, ele [o pai] pescava dourado, curimba, tubarana, piapava, mandi, bagre e lambari.” (ALVES, 2000, p. 34) Sr. José Cavaleiro, mais conhecido por Tonico Cavaleiro (1933), também nascido e ainda morador no bairro Chico dos Santos, lembra-se também das boas pescarias no rio Machado. Mas afirma que o represamento do rio facilitou muito a vida, pela facilidade de captação d‟água para a lavoura, 118 principalmente do alho, principal atividade do bairro na década de 50 a 60.67 Sr. Hélio Meirante, nascido em 1935, também nascido e ainda residente nas mesmas terras que foram de seus pais, às margens do rio Machado, lembra-se que seu pai perdeu três alqueires de terra e foi indenizado pelo valor nominal das mesmas. Seu irmão, Ademir de Souza Meirante, nascido em 1953, calcula em dez alqueires as terras perdidas por seu pai para Furnas. A chegada dos técnicos de Furnas no bairro é rememorada pelos irmãos Meirante: Foi uma coisa. Da moda que a gente nem esperava. Que antes a gente via passar, fazer a marcação, e ficava abismado de ver aquelas condução no meio do pasto. Que era para fazer a marcação, onde a água ia atingir. [.] Eles não explicava nada. Eles entrava [sic] no meio do pasto, com aqueles jipes, com aqueles aparelhos, marcando tudinho. Eles nunca veio [sic] aqui. (Depoimento do Sr. Hélio Meirante, 2009) Foi enchendo e foi acabando tudo. Se não vendesse [para Furnas] já perdia tudo. Lá no retiro, pra baixo do Matão, o rapaz não quis vender a casa, o terreno, de jeito nenhum. Não vendeu. Eu vi a casa, o terreno foi subindo, sumiu tudo. Perdeu tudo. [.] Que nem eles falou [sic]: „aqui tando cheio é nossa, tando seco é seu‟. (Depoimento do Sr. Ademir Meirante, 2009) Sr. Tonico Cavaleiro, quando indagado sobre a reação da população do bairro à chegada de Furnas, disse: “o povo achou bão [sic] e é bão [sic] até hoje”.68 67 O almanaque “O Sul-Mineiro Ilustrado” em reportagem intitulada “O Desenvolvimento de Paraguassú e a Administração Cristiano Otoni do Prado”, datado de 1941, informa sobre a cultura de alho no município, cuja produção “figura em primeiro logar no Brasil”. 68 Os depoimentos desses moradores ribeirinhos foram filmados por um grupo de educadores da Fazenda-Escola Fundamar, em 2009. Fragmentos de seus depoimentos foram incorporados a uma apresentação em PowerPoint integrante do instrumento de capacitação dos educadores, objeto dessa dissertação. 119 6.9. CINQUENTENÁRIO DE FURNAS: DUAS VERSÕES DISTINTAS Em 2000, a denúncia sobre as péssimas condições sanitárias do lago de Furnas era objeto do jornal “A Voz da Cidade”, em 1º de setembro. À época a preocupação era com o baixo nível das águas do lago, que prejudicava o turismo, principal fonte de renda da população lindeira. O jornal faz um paralelo entre os prejuízos daquele momento e aqueles sofridos à época da constituição do lago. E especula sobre as causas do rebaixamento do nível das águas, entre elas, a rivalidade entre o então presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador Itamar Franco69, sobre a privatização de Furnas. Segundo essa versão, frente às ameaças do governador contra a privatização, o Presidente teria pedido à direção da empresa para esvaziar o lago. O jornal ainda noticia uma reunião de representantes da Associação dos Municípios do Lago de Furnas (ALAGO) com a diretoria da empresa em 28.11.2000, para encontrar soluções para as agressões ambientais que a represa vinha sofrendo, bem como recuperar o passivo que a empresa tinha com os municípios lindeiros: Diariamente são despejados no local, dejetos sanitários, industriais e agrotóxicos. A falta de infra-estrutura e a de uma política de utilização do Lago vem comprometendo o desenvolvimento da região, que aposta no turismo como uma das ferramentas para reverter a estagnação econômica. (A VOZ DA CIDADE, 12 set. 2000, p. 1) Em 2007, ano do cinqüentenário de Furnas, o jornal Estado de Minas, de Belo Horizonte, trouxe dois artigos sobre o evento, que evidenciam opiniões distintas sobre os impactos gerados pelo empreendimento. 69 O governador Itamar Franco e o Presidente Fernando Henrique Cardoso assumiram seus respectivos cargos em 1999. O Presidente iniciava então seu segundo mandato. 120 Luiz Neves de Souza, mestre em turismo e meio ambiente, em artigo intitulado “Os 50 Anos do Lago de Furnas”, denuncia a ausência de políticas públicas que canalizassem esforços voltados à preservação ambiental e também de projetos consistentes e objetivos para o fomento e desenvolvimento do turismo na região. E reclama: Basta percorrer as 34 cidades do Lago de Furnas e observar, em todas elas, toneladas de rejeitos em esgoto e lixo, além de defensivos agrícolas que são despejados em diversas regiões que se dizem próprias para o turismo e para a prática de esportes náuticos, para não falar da situação caótica da rede viária local. (SOUZA, 2007) O senador Eliseu Resende, no artigo intitulado “A Epopéia de Furnas” em “homenagem evocativa ao cinqüentenário”, imagina que sem a energia elétrica e a Petrobrás, o Brasil estaria hoje nos mesmos níveis de muitos países da África. Durante esse tempo [desde 1957] construímos nossos portos e modernizamos outros; instalamos a indústria química de base; desenvolvemos a produção de veículos e de navios; e entramos, firmes, na aeronáutica. Para tudo isso contribuiu a energia de Furnas e a que ela transporta e distribui, pelo principal sistema de interligação das grandes geradoras nacionais (RESENDE, 2007, p. 9). Ambos pontos de vista refletem faces distintas de um mesmo fato histórico. A percepção do ganho pela geração de energia para o desenvolvimento industrial nacional versus os prejuízos Kim, J.; Saito, K.; Sakamato, A.; Inoue, M.; Shirouzu, M.; Yokoyama, S. Crystal structure of the complex of the human Epidermal Growth Factor and receptor extracellular domains. Cell, v. 110, p. 775-787, 2002. Ortega, A.; Pino, J.A. Los constituyentes volátiles de las frutas tropicales. II. Frutas de las especies de Carica. Alimentaria. Revista Tecnología Higiene Alimentos, v. 286, p. 27-40, 1997. Oshima, J.; Campisi, J. 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