Avaliação dos modelos logístico bicompartimental e de Gompertz na estimativa da dinâmica de fermentação ruminal in vitro do farelo e da torta de babaçu (Orbignya martiana).

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Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.63, n.1, p.136-142, 2011 Avaliação dos modelos logístico bicompartimental e de Gompertz na estimativa da dinâmica de fermentação ruminal in vitro do farelo e da torta de babaçu (Orbignya martiana) [Avaliation of bicompartimental logistic and Gompertz mathematical models to estimate gas production from babassu (Orbignya martiana) meal and pie using the semi-automated in vitro technique] L.N. Farias1, V.R. Vasconcelos1, F.F.R. Carvalho2, J.L.R. Sarmento3 1Universidade Federal do Piauí 64049-550 – Teresina, PI 2Universidade Federal Rural de Pernambuco – Recife, PE 3Universidade Federal do Piauí – Bom Jesus, PI RESUMO Utilizaram-se dois modelos matemáticos para avaliar a produção de gases do farelo e da torta de babaçu, pela técnica in vitro semiautomática de produção de gases. Foram utilizados o modelo logístico e o de Gompertz. Os parâmetros de validação usados foram o quadrado médio do erro (QME), o coeficiente de determinação (R2), o desvio médio absoluto dos resíduos (DMA) e a análise gráfica dos resíduos. O modelo logístico bicompartimental apresentou menores valores (P<0,05) para o QME e o DMA em relação ao de Gompertz, e não houve diferença (P>0,05) quanto ao R2. Os gráficos de dispersão mostraram semelhanças nos ajustes dos dois modelos. Na análise gráfica dos resíduos, os dois modelos descreveram bem cinética de produção de gases da matéria seca. No entanto, o modelo logístico apresentou melhor valor de QME. Para avaliação da cinética de fermentação ruminal do farelo e da torta de babaçu pela técnica in vitro semiautomática de produção de gases, recomenda-se adotar o modelo logístico. Palavras-chave: produção de gases, inóculo ruminal, modelos matemáticos ABSTRACT Two mathematical models were used to evaluate gas production from the meal and pie of babassu using the semi-automated gas production technique. The logistic and Gompertz models were used and the validation parameters for both models were the residual mean square (RMS), the coefficient of determination (R2), the absolute average residual (AAR), and the graphical analysis of residues. The logistic model showed lower RMS (P<0.05) and AAR in comparison to Gompertz model. Both Gompertz and logistic models showed similar R2. The dispersion graphics showed similarity for both models and graphics analyses demonstrated that both models describe well the kinetic of gas production of dry matter. However, the bicompartimental logistic model showed the best RMS value. Logistic models are recommended to describe the kinetic of gas production from babassu foods using the semi-automated in vitro technique. Keywords: gas production, ruminal inoculums, mathematical models INTRODUÇÃO A eficiência de produção de ruminantes é, em grande parte, atribuída ao balanceamento adequado da ração. Formulações eficientes e econômicas dependem do valor nutritivo dos ingredientes. Portanto, novas metodologias de avaliação de alimentos que possam ser rápidas, pouco onerosas e precisas têm sido constantemente buscadas. A técnica in vitro semiautomática de produção de gases tem sido utilizada para predizer a Recebido em 20 de julho de 2009 Aceito em 28 de dezembro de 2010 E-mail: luciananfvet@yahoo.com.br Avaliação dos modelos logístico. digestibilidade in vivo. Tal técnica tem por objetivo simular as condições normais do rúmen, como atmosfera anaeróbica, temperatura de incubação constante (39°C) e pH ótimo (Maurício et al., 2003; Noguera et al., 2004). Este método pode ser utilizado para determinar as taxas de degradação dos alimentos por monitoramento das taxas de produção de gases durante determinados intervalos de tempo (Beuvink e Kogut, 1993; Jayme et al., 2009). Como principais vantagens, a técnica apresenta baixo custo, possibilita a avaliação dos diferentes ambientes do rúmen e da taxa de fermentação dos constituintes solúveis e estruturais (Maurício et al., 2003). A descrição matemática das curvas de produção de gases permite a análise dos dados, a comparação dos substratos e a evolução de diferentes ambientes de fermentação. Os dados obtidos proporcionam valiosa informação sobre a composição do substrato estudado e a taxa de fermentação dos constituintes solúveis e estruturais dos substratos. Os modelos matemáticos mais utilizados para estimar esta cinética são os de Ørskov e McDonald (1979), Mertens e Loften (1980), Beuvink e Kogut (1993), France et al. (1993), logístico uni ou bicompartimental, proposto por Schofield et al. (1994), Groot et al. (1996) e de Gompertz, proposto por Lavrencic et al. (1997). O modelo de Gompertz supõe que a taxa de produção de gases é equivalente à atividade dos microrganismos, porém, uma vez aumentado o tempo de incubação, esta relação diminui, podendo ser subentendido que, ao longo do processo fermentativo, ocorre diminuição do potencial dos microrganismos (Noguera et al., 2004). O modelo logístico bicompartimental permite caracterizar os carboidratos de rápida e lenta degradação, fornecendo maiores informações a respeito do processo fermentativo. Modelos que representam melhor conjunto de dados apresentam menor soma do quadrado do erro (SQE) (Noguera et al., 2004), e quanto menor o quadrado médio do erro (QME) melhor o ajuste do modelo, segundo Beuvink e Kogut (1993). Valor elevado do R² do modelo pode indicar boa estimativa dos dados em relação aos valores observados, mas não deverá ser usado como único critério de seleção do modelo (Noguera et al., 2004). Este trabalho foi realizado com o objetivo de comparar o modelo de Gompertz e o logístico bicompartimental na estimativa da cinética de fermentação ruminal dos carboidratos de coprodutos do babaçu (Orbignya martiana), pela técnica in vitro semiautomática de produção de gases. MATERIAL E MÉTODOS Foram realizados dois ensaios para se avaliar a capacidade de ajuste dos modelos de Gompertz e do logístico bicompartimental à estimativa da cinética de fermentação ruminal da matéria seca e da FDN do farelo e da torta de babaçu. As amostras do farelo e da torta do babaçu foram obtidas de vários fornecedores do estado do Piauí. Apenas a torta foi submetida à trituração em moinho tipo Willey com peneira de porosidade 1,0mm de diâmetro. Posteriormente, as amostras foram armazenadas em recipientes hermeticamente fechados. Para avaliação dos modelos matemáticos, utilizou-se a técnica in vitro semiautomática de produção de gases, de acordo com Maurício et al. (2001). Foram incubadas amostras de farelo e torta de babaçu em inóculo ruminal. O inóculo foi coletado de um bovino adulto canulado no rúmen, às sete horas, antes do fornecimento da primeira refeição. As alíquotas das frações sólidas e líquidas do conteúdo ruminal foram coletadas diretamente do rúmen e acondicionadas em garrafas térmicas previamente aquecidas a 39ºC. O inóculo ruminal foi obtido após homogeneização, em liquidificador, das frações sólida e líquida do conteúdo ruminal, em igual proporção (1:1), seguida de filtragem. Filtrado, o inóculo foi mantido a 39ºC, sob contínua gaseificação com CO2 para manutenção da anaerobiose até o momento da incubação. As amostras foram incubadas utilizando-se frascos de vidro com capacidade de 160mL. Foram adicionados 1g de amostra e 90mL do meio de cultura, preparado segundo Maurício et al. (2001), e 10mL do inóculo ruminal. O meio foi gaseificado com CO2, os frascos foram vedados com rolhas de borracha e anilhas de alumínio e acondicionados em estufa com circulação forçada de ar a 39ºC. Frascos contendo somente meio de cultura e inóculo foram utilizados como controle. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.63, n.1, p.136-142, 2011 137 Farias et al. As leituras de pressão foram realizadas nos tempos de três, seis, nove, 12, 15, 21, 27, 33, 39, 48, 60, 72 e 96 horas após a incubação, com o auxílio de um transdutor de pressão conectado a uma válvula de três saídas, segundo Maurício et al. (2001). Para a estimativa do volume, utilizouse a equação de regressão: V=0,113P2 + 3,8955P (R2=0,99), em que V= volume em mL e P= pressão em psi. Os modelos matemáticos avaliados estão descritos na Tab. 1. Para validação dos modelos, utilizou-se o quadrado médio do erro (QME), o coeficiente de determinação (R2), o desvio médio absoluto dos resíduos (DMA) e a análise gráfica dos resíduos (Sarmento et al., 2006). O QME foi obtido por meio da análise de variância, com o auxílio do procedimento PROC NLIN do SAS (1999), dividindo-se a SQE pelo número de observações (n). Para o R², o DMA e a análise gráfica dos resíduos, utilizou-se o procedimento PROC CORR do SAS (1999). O R² foi o resultado da divisão da soma do quadrado do modelo (SQM) pela soma do quadrado total (SQT). O DMA foi calculado a partir da diferença do somatório do valor observado pelo estimado, dividido pelo tamanho da amostra; quanto menor o valor do DMA melhor o ajuste (Sarmento et al., 2006). A dispersão dos dados foi estudada pela diferença dos valores observados e os estimados (Sarmento et al., 2006). Tabela 1. Descrição matemática dos modelos avaliados Modelo Nº de parâmetros Equação1 Logístico bicompartimental 5 VT = Vf1/(1+exp (2-4*c1*(T-L))) + Vf2/ (1+exp(2-4*c2*(T-L))) de Gompertz 3 VT =VF x exp(– C*exp (-A x t)) 1VT= volume total de gases (mL/100mg MS) acumulado no tempo T; Vf1= volume final de gases oriundo da degradação da fração solúvel de rápida digestão quando T→∞; c1= taxa específica de produção de gases pela degradação da fração solúvel; c2= taxa específica de produção de gases pela degradação da fração insolúvel; T= tempo de incubação (h); L= fase de latência; Vf2= volume final de gases provenientes da degradação da fração insolúvel de lenta digestão quando→T∞; V F= assíntota ou potencial máximo de produção de gases; C= taxa constante de produção de gases do material potencialmente degradável e A= fator constante de eficiência microbiana. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os valores obtidos para QME, R² e DMA estão apresentados na Tab. 2. O modelo logístico bicompartimental apresentou valor do QME bastante inferior ao de Gompertz, diferente dos resultados obtidos por Beuvink e Kogut (1993) e Noguera et al. (2004), com maior valor do QME para o modelo logístico em comparação ao modelo de Gompertz. Todavia, outros trabalhos corroboram os resultados encontrados neste trabalho. Barbosa (2007) obteve maior valor do QME para o modelo de Gompertz, em relação ao logístico, ao avaliar a cinética fermentativa de vagens de faveira e pau-ferro. Azevedo (2007), ao estudar a cinética fermentativa do pseudofruto do cajueiro, obteve, também, valor do QME mais alto para o modelo de Gompertz. Tabela 2. Médias do quadrado médio do erro (QME), do coeficiente de determinação (R²) e do desvio médio absoluto (DMA) obtidas a partir dos ajustes dos dados de produção de gases da matéria seca com os modelos logístico bicompartimental e de Gompertz Modelo QME R² DMA Logístico bicompartimental 6,18 0,99 2,13 de Gompertz 21,26 0,99 3,79 Os valores de R2 obtidos foram elevados (0,99) e sem diferença (P>0,05) entre os modelos estudados. Barbosa (2007) também não observou diferença significativa quando comparou os modelos. No entanto, Azevedo (2007), apesar de ter encontrado R2 alto para todos os modelos estudados, observou que, para o modelo logístico, o R2 foi maior. Segundo Noguera et al. (2004), utilizar esse parâmetro como único critério de avaliação não é recomendado, pois 138 Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.63, n.1, p.136-142, 2011 Avaliação dos modelos logístico. altos coeficientes podem ser encontrados em modelos com limitada capacidade de predição. O modelo logístico apresentou um valor de DMA menor em relação ao modelo de Gompertz, resultado também obtido por Azevedo (2007) e Barbosa (2007). Na Fig. 1, apresentam-se as dispersões temporais médias dos resíduos para os dois modelos. Figura 1. Dispersão temporal dos resíduos obtidos dos dados médios de produção de gases (mL gases/100 gMS) pelos modelos logístico e de Gompertz. Para o modelo logístico, foi observado que, entre três horas e antes de completar nove, às 24 horas e entre 48 horas e antes de completar 72 horas, os valores foram superestimados. Entre nove e 15 horas, houve subestimativa. Às 33 horas e entre 72 e 96 horas, houve, também, subestimativa dos dados. Em nenhum momento a taxa de produção de gases predita foi igual à observada. Azevedo (2007) obteve menor dispersão temporal dos resíduos nos modelos logísticos e de Gompertz em relação a outros modelos estudados. modelo de Gompertz apresentaram bom resultado. Barbosa (2007) verificou que o modelo logístico foi o que melhor predisse as taxas de produção de gases, assim como Azevedo (2007). Resultado divergente foi obtido por Noguera et al. (2004), em que o melhor ajuste foi para o modelo de Gompertz em relação ao logístico, ao estudarem cinco genótipos de sorgo. Gonçalves et al. (2001), ao estudarem alguns volumosos na alimentação de cabras leiteiras, obtiveram resultados satisfatórios utilizando o modelo logístico. Quando utilizado o modelo de Gompertz, também foi observada variação no ajuste. Entre três horas até antes de 12 horas, 24 horas até antes de 72 horas aproximadamente de incubação, os valores foram superestimados. Subestimativas dos valores foram obtidas entre aproximadamente 12 horas às 24 horas e após 72 horas. Em nenhum momento os dados estimados foram iguais aos observados. Nas Fig. 2 e 3, apresentam-se a produção cumulativa de gases obtidos a partir dos dados observados e dos ajustados pelos dois modelos. Para estimativa da produção de gases, tanto o modelo logístico quanto o modelo de Gompertz podem ser utilizados, porém, de acordo com os parâmetros encontrados, o modelo logístico apresentou melhor valor de QME, critério que recomenda o seu uso. Com base nos gráficos de dispersões, pode-se verificar que tanto o modelo logístico como o Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.63, n.1, p.136-142, 2011 139 Farias et al. Tempo de incubação (h) Figura 2. Curvas de produção cumulativa de gases da matéria seca do farelo e da torta de babaçu (Orbignya martiana) a partir da média dos dados observados e dos ajustados pelo modelo de Gompertz. Tempo de incubação (h) Figura 3. Curvas de produção cumulativa de gases da matéria seca do farelo e da torta de babaçu (Orbignya martiana) a partir da média dos dados observados e dos ajustados pelo modelo logístico bicompartimental. Barbosa (2007) obteve melhor ajuste para o modelo logístico em relação ao modelo de Gompertz, ao estudar a faveira e o pau-ferro. Azevedo (2007) encontrou, nos modelos logístico, exponencial e de France, ajuste adequado a todas as etapas do processo fermentativo, descrevendo as características de fermentação do material avaliado, tanto na fase inicial como na final. Na análise gráfica dos resíduos, o modelo logístico subestimou apenas no final da curva e superestimou no início. As curvas de produção de gases caracterizam-se por apresentar forma sigmoidal, podendo ser distinguidas três fases: inicial de baixa produção, fase exponencial de rápida produção e uma fase assintótica de lenta ou inexistente produção de gases (Noguera et al., 2004). Nas primeiras horas de fermentação, uma parte do substrato, geralmente os açúcares solúveis, é fermentada rapidamente, mas isto representa uma pequena porção do total a ser degradado. Na sequência, uma menor quantidade de alimento é hidratada e colonizada pela microbiota, dando origem a degradações distintas, dependendo do substrato, quanto aos constituintes solúveis e estruturais (Beuvink e Kogut, 1993). Giraldo et al. (2006), em estudo sobre a relação entre pressão e volume para a implantação da técnica in vitro de produção de gases, na Colômbia, obtiveram taxas de fermentação mais altas nas primeiras horas de incubação e atribuíram o fato à fermentação dos carboidratos solúveis, e também observaram grande diferença entre os alimentos estudados. Verificaram, ainda, que, entre seis e 12 horas de incubação, houve aumento na taxa de produção de gases, que foi atribuído à fermentação de carboidratos fibrosos ou estruturais. O QME, o R2 e o DMA dos modelos estudados para descrever a produção de gases oriundos da fermentação ruminal da FDN encontram-se na Tab. 3. Quanto ao QME, o modelo logístico bicompartimental foi o que apresentou menor valor. Os valores de R2 foram elevados (0,99) para os dois modelos. Os desvios médios absolutos diferiram entre os modelos, com o de Gompertz apresentando valor mais elevado. Azevedo (2007) obteve valores de R2 baixos para todos os modelos, sendo o menor valor para o de Gompertz. Schofield et al. (1994), ao compararem alguns modelos para descrever a cinética da digestão da fibra, obtiveram valores elevados de R2 para o logístico bicompartimental e o de Gompertz, com menor valor para o primeiro. 140 Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v.63, n.1, p.136-142, 2011 Avaliação dos modelos logístico. Tabela 3. Médias do quadrado médio do erro (QME), do coeficiente de determinação (R²) e do desvio médio absoluto (DMA) obtidas a partir dos ajustes dos dados de produção de gases da parede celular com os modelos logístico e de Gompertz Modelo QME R² DMA Logístico 6,39 0,99 1,98 de Gompertz 11,1 0,99 3,21 Nas Fig. 4 e 5, apresentam-se as produções cumulativas de gases obtidos a partir dos dados observados e dos ajustados pelos modelos de Gompertz e logístico bicompartimental para a FDN do farelo e da torta de babaçu. Figura 4. Modelo de Gompertz para o farelo e a torta de babaçu. Azevedo (2007) obteve melhor ajuste para o modelo logístico bicompartimental e exponencial do que para os de France e de Gompertz, no entanto utilizou o modelo de Gompertz, que, apesar de ter apresentado maior dispersão do resíduo, assim como valores mais elevados para QME e DMA, apresentou enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad source of circulating FGF-21. The lack of association between circulating and muscle-expressed FGF-21 also suggests that muscle FGF-21 primarily works in a local manner regulating glucose metabolism in the muscle and/or signals to the adipose tissue in close contact to the muscle. Our study has some limitations. The number of subjects is small and some correlations could have been significant with greater statistical power. Another aspect is that protein levels of FGF-21 were not determined in the muscles extracts, consequently we cannot be sure the increase in FGF-21 mRNA is followed by increased protein expression. In conclusion, we show that FGF-21 mRNA is increased in skeletal muscle in HIV patients and that FGF-21 mRNA in muscle correlates to whole-body (primarily reflecting muscle) insulin resistance. These findings add to the evidence that FGF-21 is a myokine and that muscle FGF-21 might primarily work in an autocrine manner. Acknowledgments We thank the subjects for their participation in this study. Ruth Rousing, Hanne Willumsen, Carsten Nielsen and Flemming Jessen are thanked for excellent technical help. The Danish HIV-Cohort is thanked for providing us HIV-related data. PLOS ONE | www.plosone.org 6 March 2013 | Volume 8 | Issue 3 | e55632 Muscle FGF-21,Insulin Resistance and Lipodystrophy Author Contributions Conceived and designed the experiments: BL BKP JG. Performed the experiments: BL TH TG CF PH. Analyzed the data: BL CF PH. Contributed reagents/materials/analysis tools: BL. Wrote the paper: BL. References 1. Kharitonenkov A, Shiyanova TL, Koester A, Ford AM, Micanovic R, et al. (2005) FGF-21 as a novel metabolic regulator. J Clin Invest 115: 1627–1635. 2. Coskun T, Bina HA, Schneider MA, Dunbar JD, Hu CC, et al. (2008) Fibroblast growth factor 21 corrects obesity in mice. Endocrinology 149: 6018– 6027. 3. Xu J, Lloyd DJ, Hale C, Stanislaus S, Chen M, et al. (2009) Fibroblast growth factor 21 reverses hepatic steatosis, increases energy expenditure, and improves insulin sensitivity in diet-induced obese mice. Diabetes 58: 250–259. 4. Inagaki T, Dutchak P, Zhao G, Ding X, Gautron L, et al. 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