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A questão racial pensada entre o método científico e a paixão: um estudo comparado entre José Ingenieros e Manoel Bomfim - Argentina e Brasil (1900-1920)

Documento informativo

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA RUTH CAVALCANTE NEIVA A QUESTÃO RACIAL PENSADA ENTRE O “MÉTODO CIENTÍFICO” E A PAIXÃO: UM ESTUDO COMPARADO ENTRE JOSÉ INGENIEROS E MANOEL BOMFIM – ARGENTINA E BRASIL (1900-1920) VITÓRIA 2015 RUTH CAVALCANTE NEIVA A QUESTÃO RACIAL PENSADA ENTRE O “MÉTODO CIENTÍFICO” E A PAIXÃO: UM ESTUDO COMPARADO ENTRE JOSÉ INGENIEROS E MANOEL BOMFIM – ARGENTINA E BRASIL (1900-1920) Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em História Social das Relações Políticas do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para a obtenção de grau de Mestre em História. Orientador: Professor Dr. Fabio Muruci dos Santos. VITÓRIA 2015 Ruth Cavalcante Neiva A questão racial pensada entre o “método científico” e a paixão: um estudo comparado entre José Ingenieros e Manoel Bomfim – Argentina e Brasil (1900-1920) Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História Social das Relações Políticas do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em História. Aprovada em ______ de ________ de 2015. Comissão examinadora: ____________________________________________ Prof. Dr. Fabio Muruci dos Santos (Orientador) Universidade Federal do Espírito Santo ____________________________________________ Prof. Dr. Antonio Carlos Amador Gil (Examinador interno) Universidade Federal do Espírito Santo ____________________________________________ Prof. Dr. Marcelo de Mello Rangel (Examinador externo) Universidade Federal de Ouro Preto Dedico este trabalho à minha amada avó Zildeth, à minha querida tia Penha e ao meu doce tio Jorge. Saudade eterna. AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu orientador, Fabio Muruci, por todos os ensinamentos ao longo destes anos. Fabio, muito obrigada por ser um guia para minha jornada acadêmica e um exemplo de competência e honestidade, influenciando não somente a minha forma de pensar a História, mas também a minha forma de pensar a vida. Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CAPES - pela bolsa de fomento à pesquisa durante os dois anos de investigação, e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo - FAPES - pelo auxílio financeiro oferecido para a realização do Estágio-técnico Científico na Argentina, onde fiz pesquisa bibliográfica na Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires - UNICEN. Ao professor Ricardo Pasolini, da UNICEN, por ter me orientado no Estágiotécnico e por ter me recebido na Argentina com imensa generosidade e paciência. À professora Alejandra Mailhe, da Universidad Nacional de la Plata, por ser imensamente generosa comigo, dando-me sua atenção, orientação e conselhos fundamentais para o desenvolvimento desta pesquisa. Ao professor Tom Gil, da UFES, por ter sido sempre uma inspiração e por ter estado presente desde os meus primeiros passos acadêmicos, dando-me lições preciosas de comprometimento e de responsabilidade acadêmica. Ao professor Marcelo Rangel, da UFOP, por ser tão paciente, atencioso, amigo e por ter acompanhado e apoiado a minha pesquisa, além de ter me apresentado ao pensamento de Manoel Bomfim. Ao professor Aluizio Alves Filho, da PUC-RJ, pela sua generosa atenção e palavras de incentivo que me impulsionaram a desenvolver o meu trabalho. Agradeço também a todos aqueles que contribuíram de forma menos direta, porém não menos importante, entre eles, a auxiliar de artigos, Georgina Ferrara e toda a equipe do Centro de documentación e investigación de la cultura de izquierdas en Argentina – CeDinCi; à professora Cristina Fernandez, da Universidad Nacional de Mar del Plata; e ao professor Julio Bentivoglio, da UFES. Aos meus queridos amigos, Thiago Brito, Marcela Vitali, Fernando Viana, Miqueline Freitas, Natan Baptista, Karulliny Siqueira, Elio Ramires e Vanessa Santos pelo enorme companheirismo e estímulo ao longo do mestrado. À minha mãe, Rosa Linda Cavalcante, por sempre ter me incentivado a estudar e por ter me ensinado que sem estudo eu nunca chegaria a lugar nenhum. E por fim, agradeço em especial ao meu marido, Alexandre Silva Reis, pelo imenso companheirismo, amor, paciência, consideração, “puxões de orelha” e, sobretudo, pelo grande incentivo que sempre me deu para que eu me dedicasse à minha pesquisa e à minha jornada acadêmica. RESUMO Esta dissertação de Mestrado tem como objetivo analisar comparativamente a forma pela qual a temática da Raça foi discutida pelo ítalo-argentino José Ingenieros e pelo brasileiro Manoel Bomfim nas duas primeiras décadas do século XX. A hipótese deste trabalho é que ambos os autores buscaram definir qual seria o “legítimo povo” dos seus respectivos países a partir de um critério racial. Esta pesquisa está dividida em três partes. O primeiro capítulo busca traçar o perfil intelectual de Ingenieros e de Bomfim para que os leitores possam visualizar a trajetória profissional destes homens e entendê-los melhor; o segundo capítulo demonstra as concepções de mundo em meio a qual estes autores cresceram e como elas repercutiram em seus escritos; o último capítulo é dedicado a fazer a análise das fontes Sociologia Argentina, de Ingenieros, e América Latina: males de origem, de Bomfim, para que seja possível refletir sobre como estes intelectuais pensaram a questão da raça e como eles a relacionaram às suas concepções de “povo ideal” em seus respectivos países. Palavras-chave: José Ingenieros. Manoel Bomfim. Ciências. Raça. ABSTRACT This paper aims to make a comparative analysis of how the thematic of Race was discussed by the Italian-Argentinian José Ingenieros and by the Brazilian Manoel Bomfim in the first two decades of the twentieth century. The hypothesis of this work is that both authors seek to define what would be the “legitimate folk” of their respective nations based on a racial bias. This research is divided into three parts: The first chapter seeks to delineate the intellectual profile of Ingenieros and Bomfim so that the reader can visualize the professional trajectory of these men and have a better understanding of them; The second chapter demonstrates the conceptions of world in which the authors were raised and how they echoed in their writings; and the last chapter is dedicated to the analysis of the fonts Sociologia Argentina by Ingenieros, and América Latina: males de origem by Bomfim, in a way that makes it possible to reflect on how these intellectuals thought the race issue and how they related it to their conceptions of “ideal folk” in their respective nations. Keywords: José Ingenieros. Manoel Bomfim. Science. Race. SUMÁRIO INTRODUÇÃO. 13 CAPÍTULO 1: “PERFIL” DE JOSÉ INGENIEROS E DE MANOEL BOMFIM .17 1.1 MÉTODO COMPARATIVO .17 1.2 CONTEXTO.21 1.2.1 Particularidades do cenário histórico argentino nos princípios do século XX .21 1.2.2 Particularidades do contexto histórico brasileiro nas primeiras décadas do século XX.24 1.3 BIOGRAFIAS COMPARADAS.27 1.3.1 “Clima” intelectual em que Ingenieros e Bomfim cresceram .28 1.3.2 Posição social familiar .35 1.3.3 A trajetória profissional de José Ingenieros.37 1.3.4 A trajetória profissional de Manoel Bomfim .43 1.3.5 Perfil intelectual de José Ingenieros .48 1.3.6 Perfil intelectual de Manoel Bomfim.53 CAPÍTULO 2: AS “CONCEPÇÕES DE MUNDO” DO INÍCIO DO SÉCULO XX .59 2. 1 CIENTIFICISMO E SOCIOLOGIA.59 2.2 DARWINISMO E DARWINISMO-SOCIAL .65 2.3 CONCEITOS IMPORTANTES .72 2.3.1 Raça, mestiçagem e racismo .73 2.3.2 Eugenia.78 2.3.3 Nação e povo .82 2.4 INTERPRETAÇÕES SOBRE AS OBRAS DE INGENIEROS.84 2.5 INTERPRETAÇÕES SOBRE O PENSAMENTO DE BOMFIM .90 CAPÍTULO 3: ANÁLISE DAS FONTES .98 3.1 APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA.98 3.2 DADOS ESPECÍFICOS DE SOCIOLOGÍA ARGENTINA. 100 3.3 DADOS ESPECÍFICOS DE AMÉRICA LATINA: MALES DE ORIGEM. 102 3.4 SÍNTESE DAS OBRAS. 102 3.4.1 Síntese de Sociología argentina . 103 3.4.2 Síntese de América Latina: males de origem. . 105 3.5 SISTEMATIZAÇÃO DO ESTUDO COMPARADO. 108 3.5.1 Questão racial no pensamento ingenieriano . 108 3.5.2 Questão racial no pensamento bomfiniano . 113 3.5.3 Análise dos discursos (Parte I). 117 3.5.4 Reflexão ingenieriana sobre a mestiçagem . 122 3.5.5 Ponderações de Bomfim sobre a mestiçagem . 127 3.5.6 Análise dos discursos (Parte II). 131 3.5.7 Povo argentino segundo as concepções de Ingenieros. 133 3.5.8 Povo brasileiro na visão de Manoel Bomfim . 136 3.5.9 Análise dos discursos (Parte III). 138 CONSIDERAÇÕES FINAIS . 143 REFERÊNCIAS DOCUMENTAIS E BIBLIOGRÁFICAS . 146 13 INTRODUÇÃO O objetivo desta dissertação de Mestrado é analisar comparativamente como a temática da Raça foi discutida pelo ítalo-argentino José Ingenieros e pelo brasileiro Manoel Bomfim nas duas primeiras décadas do século XX. A hipótese deste trabalho é que ambos os autores buscaram definir qual seria o “legítimo povo” dos seus respectivos países a partir de um critério racial. Ingenieros e Bomfim foram pensadores influenciados pelo cientificismo, uma vez que ambos recorreram ao prestígio das ciências para dar legitimidade às suas argumentações. O ítalo-argentino perseguia uma ciência positiva, baseada em deduções e comprovada empiricamente, aplicando, desta maneira, os princípios fundamentais das Ciências Biológicas ao estudo da evolução da espécie humana. Ele acreditava que existiam “raças superiores” e “raças inferiores”, e estabeleceu uma hierarquia entre elas na qual os homens de “raça branca” estariam no topo da escala evolutiva, ao passo que os negros estariam no último degrau desta escala. Refletir sobre este discurso que legitimava a hierarquização da humanidade em coletividades distintas em função de atributos “biológicos” e culturais é um dos propósitos deste estudo. O brasileiro, por sua vez, denunciou a suposta neutralidade dos discursos das ciências da sua época sem conseguir, no entanto, se afastar do paradigma científico que ele mesmo criticava. Bomfim foi um severo crítico dos intelectuais que se apropriavam dos estudos das Ciências Biológicas para legitimar a teoria de “superioridade” e “inferioridade” entre as “raças humanas”. Todavia, ele não se afastou completamente dos preconceitos raciais que eram compartilhados pelos homens da sua geração, e pensar sobre esta questão também é uma das metas desta dissertação. Este estudo analisa como fonte apenas um livro de cada autor - Sociología argentina, de José Ingenieros; e América Latina: males de origem, de Manoel Bomfim – pois estes escritos revelam mais profundamente como estes intelectuais pensaram sobre a questão da identidade racial dos povos dos seus países. O ítaloargentino defendia que o autêntico povo argentino se forjaria ao longo do século XX, 14 uma vez que ele acreditava que os descendentes dos imigrantes europeus transplantados para a Argentina iriam “substituir” os índios e os gaúchos do território nacional. Desta maneira, o “argentino idealizado” pelo discurso ingenieriano era o indivíduo da “raça branca”. Por sua vez, o brasileiro defendia a crença de que os portugueses, os índios e os negros se assimilaram de forma espontânea e formaram um povo coeso no Brasil desde o período colonial. Isto significa dizer que o sergipano acreditava que, quando os imigrantes europeus chegaram nos fins do século XIX, encontraram no território um povo uniforme e harmonioso, resultante do “largo cruzamento”. Contudo, Bomfim sustentava a crença de que, se estes imigrantes se assimilassem com as “gentes naturais”, eles também seriam brasileiros. Assim, o sergipano fazia um elogio ao processo de mestiçagem que forjou o povo brasileiro. Também, é importante ressaltar que esta pesquisa está inserida no campo historiográfico de História das Ideias, e a metodologia de análise elencada por este trabalho é o método de estudo comparativo. Esta dissertação esta dividida em três partes, intituladas sequencialmente como: Perfil de José Ingenieros e de Manoel Bomfim; As concepções de mundo do início do século XX; e, Análise das Fontes. Cada capítulo deste trabalho tem uma função em específico: o primeiro busca fazer uma apresentação panorâmica da vida e da obra dos autores em questão; o segundo apresenta os debates sobre o tema da raça ocorridos entre os fins do século XIX e começo do século XX; e o terceiro realiza uma reflexão sistematizada a respeito das interpretações de Ingenieros e de Bomfim sobre a questão da identidade racial dos povos dos seus respectivos países. Feitas estas considerações mais abrangentes, cabe destacar a especificidade de cada capítulo desta dissertação. O propósito do capítulo um é traçar o perfil intelectual tanto de José Ingenieros quanto de Manoel Bomfim. Para tanto, se busca reconstruir paralelamente os itinerários de vida deles, demarcando as constâncias e as rupturas ideológicas no pensamento de ambos. Este capítulo também demonstra as singularidades do contexto histórico argentino e do brasileiro, e ainda faz uma reflexão sobre as inclinações ideológicas da geração em que o ítalo-argentino e o sergipano estavam inseridos, mostrando, desta maneira, em qual “universo simbólico” e em qual “cultura nacional” os “objetos de estudo” se criaram. Além 15 disto, esta primeira parte da pesquisa pensa no impacto social das obras dos autores citados e tenta identificar os principais elementos que compuseram o repertório intelectual de ambos. O capítulo dois deste trabalho é um trecho de transição, pois ele complementa as informações contidas na primeira parte da dissertação e também busca apresentar ao público leitor alguns conceitos e concepções importantes para o entendimento do tema da raça, do darwinismo-social e da eugenia. A finalidade em demonstrar as concepções de mundo dos homens do princípio do século passado é preparar os leitores para os temas que serão discutidos na parte final desta pesquisa. Também, o objetivo deste capítulo é colocar em evidência como se deu a influência das Ciências no pensamento ingenieriano e no bomfiniano, e pensar em como eles se apropriaram dos estudos das Ciências Naturais para dar suporte teórico às suas argumentações. Além disto, este trecho da pesquisa faz uma reflexão sobre as interpretações dos indivíduos que se aventuraram em analisar o pensamento de José Ingenieros e Manoel Bomfim. O intuito do capítulo três, por sua vez, é fazer uma análise das fontes, apresentando ao público as especificidades de Sociología argentina e de América Latina: males de origem, assim como formular uma síntese delas com a finalidade de demonstrar quais eram os objetivos, as hipóteses e as “soluções propostas” para os problemas sociais que Ingenieros e Bomfim apresentaram em seus ensaios. Depois de apresentar aos leitores quais eram os principais fundamentos das obras em questão, é feita uma análise sistematizada sobre a temática racial no pensamento destes dois intelectuais. Este exame mais minucioso é refletido ao longo de três blocos de análise: o primeiro volta as suas atenções para como estes dois homens pensaram a questão da “superioridade” e da “inferioridade” entre as raças; o segundo faz uma reflexão a respeito do tema da mestiçagem; e o terceiro faz uma análise sobre qual seria o povo ideal para os seus respectivos países na visão do ítalo-argentino e do brasileiro. Também, é relevante destacar que Ingenieros foi um intelectual complexo, e esta pesquisa demarca cada “fase” de seu pensamento. Contudo, ela analisa mais profundamente o período em que o ítalo-argentino se identificou com as concepções do cientificismo. É importante demarcar esta questão, pois, no fim da sua vida, 16 Ingenieros fez uma revisão da sua exacerbada valorização da Europa e o enfocar la importancia de la producción mediática de los niños en su descubrimiento del mundo, sobre todo utilizando el periódico escolar y la imprenta. Asimismo las asociaciones de profesores trabajaron en esta línea e incluso la enseñanza católica se comprometió desde los años sesenta realizando trabajos originales en el marco de la corriente del Lenguaje Total. Páginas 43-48 45 Comunicar, 28, 2007 En el ámbito de los medios, también desde el principio del siglo XX hay ciertas corrientes de conexión. Pero es a lo largo de los años sesenta cuando se constituyeron asociaciones de periodistas apasionados por sus funciones de mediadores, que fomentaron la importancia ciudadana de los medios como algo cercano a los jóvenes, a los profesores y a las familias. Así se crearon la APIJ (Asociación de Prensa Información para la Juventud), la ARPEJ (Asociación Regional de Prensa y Enseñanza para la Juventud), el CIPE (Comité Interprofesional para la Prensa en la Escuela) o la APE (Asociación de Prensa y Enseñanza), todas ellas para la prensa escrita Estas asociaciones fueron precedidas por movimientos surgidos en mayo de 1968, como el CREPAC que, utilizando películas realizadas por periodistas conocidos, aclaraba temas que habían sido manipulados por una televisión demasiado próxima al poder político y realizaba encuentros con grupos de telespectadores. cipio del siglo XX, y nos han legado textos fundadores muy preciados, importantes trabajos de campo y muchos logros educativos y pedagógicos. La educación en medios ha tenido carácter de oficialidad de múltiples maneras, aunque nunca como una enseñanza global. Así la campaña «Operación Joven Telespectador Activo» (JTA), lanzada al final de los años setenta y financiada de manera interministerial para hacer reflexionar sobre las prácticas televisuales de los jóvenes, la creación del CLEMI (Centro de Educación y Medios de Comunicación) en el seno del Ministerio de Educación Nacional en 1983, la creación de la optativa «Cine-audiovisual» en los bachilleratos de humanidades de los institutos en 1984 (primer bachillerato en 1989) y múltiples referencias a la educación de la imagen, de la prensa, de Internet. La forma más visible y rápida de evaluar el lugar de la educación en medios es valorar el lugar que se le ha reservado en los libros de texto del sistema educa- 2. Construir la educación en los medios sin nombrarla El lugar que ocupa la edu- La denominación «educación en medios», que debería cación en los medios es muy ambiguo, aunque las cosas están cambiando recientemente. entenderse como un concepto integrador que reagrupase todos los medios presentes y futuros, es a menudo percibida En principio, en Francia, co- por los «tradicionalistas de la cultura» como una tendencia mo en muchos otros países, la educación en los medios no es hacia la masificación y la pérdida de la calidad. una disciplina escolar a tiempo completo, sino que se ha ido conformado progresivamente a través de experiencias y reflexiones teóricas que han tivo en Francia. Una inmersión sistemática nos permi- permitido implantar interesantes actividades de carác- te constatar que los textos oficiales acogen numerosos ter puntual. Se ha ganado poco a poco el reconoci- ejemplos, citas, sin delimitarla con precisión. miento de la institución educativa y la comunidad es- colar. Podemos decir que ha conquistado un «lugar», 3. ¿Por qué la escuela ha necesitado casi un siglo en el ámbito de la enseñanza transversal entre las dis- para oficilializar lo que cotidianamente se hacía en ciplinas existentes. ella? Sin embargo, la escuela no está sola en esta aspi- Primero, porque las prácticas de educación en me- ración, porque el trabajo en medios es valorado igual- dios han existido antes de ser nombradas así. Recor- mente por el Ministerio de Cultura (campañas de foto- demos que no fue hasta 1973 cuando aparece este grafía, la llamada «Operación Escuelas», presencia de término y que su definición se debe a los expertos del colegios e institutos en el cine ), así como el Minis- Consejo Internacional del Cine y de la Televisión, que terio de la Juventud y Deportes que ha emprendido en el seno de la UNESCO, definen de esta forma: numerosas iniciativas. «Por educación en medios conviene entender el estu- Así, esta presencia de la educación en los medios dio, la enseñanza, el aprendizaje de los medios moder- no ha sido oficial. ¡La educación de los medios no apa- nos de comunicación y de expresión que forman parte rece oficialmente como tal en los textos de la escuela de un dominio específico y autónomo de conocimien- francesa hasta 2006! tos en la teoría y la práctica pedagógicas, a diferencia Este hecho no nos puede dejar de sorprender ya de su utilización como auxiliar para la enseñanza y el que las experiencias se han multiplicado desde el prin- aprendizaje en otros dominios de conocimientos tales Páginas 43-48 46 Comunicar, 28, 2007 como los de matemáticas, ciencias y geografía». A pe- mente en todas las asignaturas. Incluso los nuevos cu- sar de que esta definición ha servido para otorgarle un rrículos de materias científicas en 2006 para los alum- reconocimiento real, los debates sobre lo que abarca y nos de 11 a 18 años hacen referencia a la necesidad no, no están totalmente extinguidos. de trabajar sobre la información científica y técnica y En segundo lugar, porque si bien a la escuela fran- el uso de las imágenes que nacen de ella. cesa le gusta la innovación, después duda mucho en Desde junio de 2006, aparece oficialmente el tér- reflejar y sancionar estas prácticas innovadoras en sus mino «educación en medios» al publicar el Ministerio textos oficiales. Nos encontramos con una tradición de Educación los nuevos contenidos mínimos y las sólidamente fundada sobre una transmisión de conoci- competencias que deben adquirir los jóvenes al salir mientos muy estructurados, organizados en disciplinas del sistema educativo. escolares que se dedican la mayor parte a transmitir Este documento pretende averiguar cuáles son los conocimientos teóricos. La pedagogía es a menudo se- conocimientos y las competencias indispensables que cundaria, aunque los profesores disfrutan de una ver- deben dominar para terminar con éxito su escolaridad, dadera libertad pedagógica en sus clases. El trabajo seguir su formación y construir su futuro personal y crítico sobre los medios que estaba aún en elaboración profesional. Siete competencias diferentes han sido te- necesitaba este empuje para hacerse oficial. nidas en cuenta y en cada una de ellas, el trabajo con Aunque el trabajo de educación en los medios no los medios es reconocido frecuentemente. Para citar esté reconocido como disciplina, no está ausente de un ejemplo, la competencia sobre el dominio de la len- gua francesa definen las capa- cidades para expresarse oral- La metodología elaborada en el marco de la educación en mente que pueden adquirirse con la utilización de la radio e, medios parece incluso permitir la inclinación de la sociedad incluso, se propone fomentar de la información hacia una sociedad del conocimiento, como defiende la UNESCO. En Francia, se necesitaría unir el interés por la lectura a través de la lectura de la prensa. La educación en los medios las fuerzas dispersas en función de los soportes mediáticos y orientarse más hacia la educación en medios que al dominio adquiere pleno derecho y entidad en la sección sexta titulada «competencias sociales y cívi- técnico de los aparatos. cas» que indica que «los alum- nos deberán ser capaces de juz- gar y tendrán espíritu crítico, lo que supone ser educados en los las programaciones oficiales, ya que, a lo largo de un medios y tener conciencia de su lugar y de su influencia estudio de los textos, los documentalistas del CLEMI en la sociedad». han podido señalar más de una centena de referencias a la educación de los medios en el seno de disciplinas 4. Un entorno positivo como el francés, la historia, la geografía, las lenguas, Si nos atenemos a las cifras, el panorama de la las artes plásticas : trabajos sobre las portadas de educación en medios es muy positivo. Una gran ope- prensa, reflexiones sobre temas mediáticos, análisis de ración de visibilidad como la «Semana de la prensa y publicidad, análisis de imágenes desde todos los ángu- de los medios en la escuela», coordinada por el CLE- los, reflexión sobre las noticias en los países europeos, MI, confirma año tras año, después de 17 convocato- información y opinión rias, el atractivo que ejerce sobre los profesores y los Esta presencia se constata desde la escuela mater- alumnos. Concebida como una gran operación de nal (2 a 6 años) donde, por ejemplo, se le pregunta a complementariedad (2000) Structure and mechanism of the aberrant ba3-cytochrome c oxidase from Thermus thermophilus. EMBO J 19: 1766–1776. 9. Hunsicker-Wang LM, Pacoma RL, Chen Y, Fee JA, Stout CD (2005) A novel cryoprotection scheme for enhancing the diffraction of crystals of recombinant cytochrome ba3 oxidase from Thermus thermophilus. Acta Crystallogr D Biol Crystallogr 61: 340–343. 10. 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